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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Lula ante a velha tendenciosa e historicamente golpista Rede Globo...

 

Do Brasil de Fato, reproduzido também no ICL Notícias:

Lula diz que ‘se sentiu no MP’ em sabatina e cobra desculpas da imprensa pela Lava Jato

Questionado sobre apurações sobre filho e ex-chefe de gabinete, petista defende investigações e presunção de inocência



Por Brasil de Fato

Em sabatina realizada pela TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a brincar que estava se sentindo “no Ministério Público”, pelas perguntas focadas exclusivamente em investigações da Polícia Federal e sem questionamento sobre propostas para um próximo governo.

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, que focaram praticamente metade da conversa em questões sobre as investigações contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, além do escândalo do INSS e apurações sobre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, suspeito de envolvimento com uma lobista.

Lula foi direto em lembrar que foi vítima de um dos maiores casos de perseguição jurídica, na Operação Lava Jato, na qual teve o processo e a condenação anulados. “Eu conheço isso muito bem porque eu já vivi. Eu fui vítima da Lava Jato, a maior mentira que contaram nesse país para me afastar da eleição. Eu fiquei 580 dias preso para provar que o [ex-juiz Sérgio] Moro estava mentindo”, destacou Lula.

“Eu coloquei minha cara. Eu poderia ter saído do Brasil. Queria provar que o Moro é mentiroso, Dallagnol é mentiroso. E a imprensa comprou essa mentira. A imprensa nunca me pediu desculpa por ter criado um monstro chamado Moro”, afirmou Lula, cobrando responsabilidade da própria TV Globo no caso, destacando a divulgação do PowerPoint que o acusava de ser o líder de uma organização criminosa. Diante do questionamento, os jornalistas fizeram um tímido “mea culpa”, com Tralli dizendo que a emissora “se retratou”.

Questionado sobre as apurações contra Fábio Luís, investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal, Lula reforçou que seu filho deve provar que é inocente, mas que é preciso garantir o andamento da investigação e a presunção de inocência.

Lula, durante sabatina na Globo

Lula também reforçou que jamais usará o cargo para beneficiar o filho, “como outros fizeram”, em referência à fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que disse que trocaria agentes de segurança para proteger sua família.

“Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi. Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente. Eu não vou afastar delegado como outros fizeram. Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato. Ele tem obrigação de não ter feito nada errado; ele tem que provar a inocência dele. Não vou fazer um milímetro de movimento para proteger meu filho. Esse é o comportamento do presidente da República”, afirmou Lula.

“O fato de ter pego conversas no telefone não justifica absolutamente nada. Não existe nenhum centavo desviado. Não existe nenhuma prova de conversa com ministro”, completou Lula, reforçando que todas as acusações divulgadas sobre o filho são oriundas de vazamentos das investigações.

Lula também admitiu que as investigações contra o ex-chefe de gabinete levantam suspeitas, mas que não há nenhuma comprovação de que a lobista conseguiu qualquer coisa que queria. “Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe que isso não é papel de chefe de gabinete. Qual é o papel de um chefe de gabinete? Se uma pessoa pede audiência, o papel dele é encaminhar para o ministério. A questão é: ela conseguiu o que ela queria? Ele conseguiu algum dinheiro público? Porque aí é que existe o crime”, afirmou.

Lula também foi questionado sobre a apuração do escândalo dos descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e ressaltou que seu governo desbaratou um esquema iniciado em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, e que os órgãos públicos tiveram total liberdade para investigar.

“Já devolvemos R$ 3 bilhões aos aposentados que foram roubados. E isso vai ser ressarcido pelos bens que tiramos da quadrilha, que foi criada em 2019. O dado concreto é que a quadrilha foi montada em 2019, nós investigamos e desbaratamos a quadrilha. Polícia Federal, CGU e AGU tiveram total liberdade para investigar”, afirmou.

Educação em São Paulo e no Ceará

Ao falar de educação, Lula exaltou a ampliação das universidades, e aproveitou para cutucar o governador Tarcísio de Freitas com o Ceará, governado por Elmano de Freitas, do PT.

“Em um estado como o Ceará, a molecada é mais evoluída que em São Paulo. A educação básica é administrada pelo [governo] do estado. O governo tem o Fundeb, que ajuda os estados, mas cada estado age de um jeito. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação de todos. Você sabia que 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA, em São José dos Campos (SP), são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza.”

Ao ser perguntado sobre a fila de 1,3 milhão de pessoas à espera de benefícios do INSS, Lula disse que vai anunciar o fim da fila do INSS na semana que vem em evento no Palácio do Planalto. “Eu, na semana que vem, vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 200 mil pessoas, que é o normal”, disse, aproveitando para acusar o governo Bolsonaro pela lentidão no atendimento.

“Eles desmontaram, desmontaram o Brasil, desmontaram a Presidência. Nós chegamos a 3 milhões de pessoas na fila. E. nós vamos entregar agora a fila, terminada na Previdência Social”.

Sobre a dívida pública, que chega a R$ 10 trilhões. A jornalista Renata Vasconcelos enfatizou o aumento de 10 pontos percentuais no atual governo, atingindo 82% do Produto Interno Bruto (PIB). “Nunca tive problema fiscal nesse país. Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública? Porque nós chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque nós temos há mais de dez anos sem crescer. Você sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%, Renata? Quando eu voltei à Presidência da República”, disse Lula, lembrando que a dívida pública dos Estados Unidos é de 120% do PIB, perfazendo US$ 40 trilhões.

Ainda em relação à economia, Lula foi categórico ao negar a privatização dos Correios: “Não considero vender os Correios. Considerar recuperar”.

“Desde 1985, os Correios vivem em crise e aparece alguém que quer privatizar. O Correio é uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos os municípios brasileiros”, disse o candidato, afirmando que colocou uma nova administração para resolver o déficit e modernizar a estatal.

“A gente está com uma nova administração no Correio, que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário nas contas do Correio. Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos com empresa bandeira ou com empresa estrangeira, porque a gente quer um correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”

Em determinado momento, Lula aproveitou para defender uma regulação dos minerais críticos e terras raras. “Nós, depois da China, possivelmente, sejamos o país que tenha mais minerais críticos e terras raras, e você percebe que está sendo vendido enquanto a gente não faz a regulação.”

Na última pergunta, Lula falou sobre segurança pública, lembrando que ele está discutindo no Congresso Nacional, e destacou a reunião que teve com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para votar a Proposta de Emenda Constitucional da PEC da segurança pública.

“Porque, na hora que for aprovar PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública, porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado da segurança pública. Qual vai ser o papel da união. Qual vai ser o papel do estado. Qual vai ser o papel do município”, disse o candidato, aproveitando para criticar o seu adversário, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por se recusarem a fazer um acordo.

Nos minutos finais, Lula aproveitou para voltar a falar de educação, lembrando que, quando cheguou à presidência, o país tinha cinco milhões de trabalhadores com diploma universitário e hoje são 25 milhões. “E eu quero chegar a 50 milhões, porque eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e de conhecimento. Eu não quero que o Brasil continue exportando minerais e minério de ferro, soja e milho”.