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quinta-feira, 12 de março de 2020

Cartas sobre a não violência (3), por Dora Incontri



Anunciamos na semana passada que iríamos refletir sobre a questão: Jesus era mesmo a favor da não violência?

Cartas sobre a não violência (3), por Dora Incontri

Anunciamos na semana passada que iríamos refletir sobre a questão: Jesus era mesmo a favor da não violência?
Tolstoi e Gandhi, ao criarem o movimento da resistência passiva, se inspiraram diretamente no Sermão da Montanha. Será que estavam equivocados, ao interpretar Jesus como um pacifista?
No mundo antigo, entre judeus, romanos e gregos, que se saiba, nunca houve uma proposição ética de se perdoar e amar os inimigos, de se dar a outra face, de se oferecer em martírio, ao invés de se pegar em armas. Todo o mundo antigo se pautava, no Oriente e no Ocidente (talvez com a exceção de alguns discípulos de Buda) na ideia de que a honra deveria ser lavada em sangue. De que perdoar o inimigo era fraqueza e covardia. Aliás, o perdão jamais foi uma virtude sequer mencionada pelos antigos. Platão, em sua República ideal, coloca a classe dos guerreiros como guardiões da cidade. As virtudes, proclamadas por Platão e seu discípulo Aristóteles, eram a justiça, a temperança, a coragem e a prudência. Nada de fraternidade, amor, perdão… tudo isso é cristão – aliás, contra essas virtudes cristãs, Nietzsche vai bater seu martelo, considerando-as de maneira muito grega, como próprias de escravos.
Mas foi justamente essa uma das principais revoluções éticas de Jesus: colocar o amor como antídoto do ódio, o perdão como meio de resolução de conflito. 
Outra revolução foi a ideia de igualdade. Hoje, quando defendemos uma Declaração Universal dos Direitos humanos, baseados na ideia de que todos e todas têm iguais direitos, apesar da laicidade desse documento, estamos assentados numa tradição cristã. Embora as Igrejas cristãs nunca tenham cumprido essa ideia de Jesus, incorporando em suas instituições tanto a violência, quanto o patriarcado, quanto a profunda divisão de classes… Jesus foi aquele que inaugurou a ideia de igualdade, que partilhou com as mulheres o pão e o ensino, enquanto os gregos, tão civilizados e criadores de tantas conquistas culturais, trancavam suas esposas e filhas nos gineceus e mantinham escravos. Os romanos, com seu Direito que até hoje deixou marcas no Ocidente, tinham em sua lei o pátrio poder de, inclusive, matarem suas mulheres e seus filhos. Jesus foi aquele que se dirigiu a judeus e a romanos, para escândalo dos judeus. Jesus foi aquele que falou com as crianças, para escândalo dos próprios discípulos. Jesus foi aquele que inibiu que se apedrejasse a pecadora. 
Espanta-me que os estudiosos contemporâneos das escrituras, embora tenham muito progredido em apontar como se constituíram os Evangelhos, como se formaram os dogmas, como se amalgamaram as mensagens dos primeiros apóstolos com as tradições pagãs e com as estruturas políticas do Império Romano, não reconhecem como deveriam a originalidade ética de Jesus. Essa foi uma contribuição importante de Kardec com o Evangelho Segundo o Espiritismo, onde ele se focou apenas nos valores éticos propostos por Jesus. Hoje, quanto mais se despe Jesus dos seus aparatos mitológicos e se quer apreender o Jesus histórico, mais se pretende descrevê-lo apenas como um judeu milenarista de sua época, em luta contra o Império Romano ou esperando o advento próximo do Reino. Exemplo dessa interpretação milenarista está nas obras, em vários aspectos muito pertinentes, de Bart Ehrman. 
Por que então teria sobrevivido Jesus a seu tempo, à sua região? Se fosse apenas um profeta zelote, interessado em derrubar o Império romano, ou um milenarista à moda dos essênios, à espera imediata do reino? De onde teria surgido essa ética tão insólita no mundo antigo: uma ética de amor e não-violência, de perdão e misericórdia? 
Historicamente não se encaixa um homem judeu naquele contexto, ensinando algo que nunca foi dito… Para os cristãos tradicionais, tratava-se de uma pessoa divina; numa explicação hindu, poderia tratar-se de um avatar; para os espíritas, Jesus é um espírito elevado, que já atingiu um nível de perfeição acima dos seres humanos. Ainda um ateu pacifista pode muito bem aceitar a ideia de que se tratava de uma pessoa fora da curva, fazendo história, de maneira singular e inédita. O argumento sinuoso de que o Jesus histórico, revolucionário armado, revoltoso contra Roma, tenha sido domesticado historicamente, parece sem referências concretas, mas apenas especulações de quem quer achar o apoio do Cristo para a violência.
Pode-se perguntar: ele não expulsou os vendilhões do templo? Sim, rebelou-se contra a exploração da fé. Foi duro contra os fariseus e isso nos mostra como a não violência não é assentimento da violência, da exploração e da opressão. 
Mas a mensagem de Jesus foi uma mensagem universalista, dirigida ao ser humano e não apenas a uma parcela, classe ou gênero… Ele pretendia a salvação, a redenção ou, interpretado de forma diferente, a iluminação e evolução de todos e todas. Do pobre e do rico, do homem e da mulher, do romano e do judeu, do senhor e do escravo. 
Assim entendeu Gandhi, que ao lutar pela liberdade da Índia, não exercia o ódio contra os ingleses (e ele tinha motivos de sobra para um ódio fervoroso), mas queria tocá-los e lhes dar uma lição de justiça e fraternidade. Ao mesmo tempo, entendia que seus compatriotas, embora vítimas da dominação inglesa, também exerciam eles próprios a opressão das castas, sobretudo em relação aos intocáveis, aqueles que estavam fora de todas as castas e assumiam os trabalhos sujos da sociedade. O processo de Gandhi foi o de se unir aos intocáveis, fazendo os serviços considerados impuros,  que eles eram obrigados a assumir. Não se considerava com moral para lutar contra o colonialismo inglês, se ele próprio participasse da opressão interna de seu país. Nesse duplo movimento, Gandhi mostrava que a violência está entre opressores e oprimidos e que precisamos despertar uma consciência de irmandade em todos os membros da sociedade humana. 
A prática da não violência está comprometida a acabar com qualquer relação de opressão e violência e não usar novas modalidades de coerção, para supostamente acabar com a violência estrutural da sociedade.
Por isso, Jesus dizia que o reino de Deus está dentro de nós – dos judeus e dos pagãos; dos homens e das mulheres; dos ricos e dos pobres; dos ladrões e das prostitutas; dos poderosos e das crianças… é preciso acordar esse reino nos corações e não eliminar os que andam sonolentos, inconscientes, gritando e ferindo, enlouquecidos. Isso não significa que não devamos nos opor com todo o engajamento possível às violências, às injustiças, ao extermínio mesmo de seres humanos, pertencentes a esse ou aquele grupo. Derrubemos as mesas do templo, com o mesmo chicote de Jesus. Mas ele não matou os mercadores.
Entretanto, esse caminho da não violência exige mudanças profundas na consciência e na ação de seus praticantes. É o que veremos na próxima carta.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

The Intercept: Para a imprensa empresarial e pertencente quase todas a políticos tradicionais, vale tudo para estabelecer e normalizar o autoritarismo, o neofascismo e o elitismo explorador: do lavajatismo cego ao tapa na cara. Artigo de João FIlho


ALGUNS JORNALISTAS brasileiros entraram em parafuso após as primeiras publicações da Vaza Jato. De repente, um veículo pequeno e independente revelou ao país não apenas um conluio político entre parte do judiciário e do Ministério Público, mas a vassalagem de parte do jornalismo mainstream brasileiro. Ficou escancarado que as arbitrariedades da Lava Jato e os seus sucessivos ataques à Constituição não seriam possíveis sem a cobertura dócil dos grandes meios de comunicação, que ajudaram a impulsioná-la e acabaram se tornando reféns da sua popularidade. Os jornalistas lavajatistas passaram anos comprando acriticamente as versões oficiais, tolerando ilegalidades flagrantes e transformando maus funcionários públicos em heróis nacionais. Prestaram um serviço de assessoria de imprensa que foi fundamental para transformar uma operação policial na maior força política do país. A Vaza Jato jogou luz sobre esse mau jornalismo.

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Augusto Nunes e Jair Bolsonaro durante entrevista exclusiva realizada no Planalto em abril de 2019.

Foto: Marcos Corrêa/PR
Esse é o contexto fundamental para compreender a agressão de Augusto Nunes contra Glenn Greenwald no programa Pânico da Jovem Pan. Desde o início da Vaza Jato, Nunes vem tratando os profissionais do Intercept como “receptadores de material roubado”, fingindo ignorar que um dos seus empregadores, a Veja, publicou textos com base no mesmo arquivo. Mesmo sabendo que as publicações são plenamente amparadas pela Constituição, Nunes usou os espaços nobres que tem na grande mídia para atacar colegas que revelaram o que os poderosos da Lava Jato pretendiam esconder. O jornalismo vassalo não se conforma.
Com Greenwald, Nunes foi além e incitou publicamente o juizado de menores a investigar se seus filhos são bem tratados. Envolver crianças em um debate político, partindo de um pressuposto homofóbico (alguém acredita que ele faria essa insinuação sobre os filhos de um casal hétero?), é a mais perfeita definição de covardia que pode existir. Chamá-lo de “covarde”, portanto, é nada além do que uma constatação óbvia.
Augusto Nunes hoje é contratado da Record, uma empresa na qual poderá continuar puxando o saco do bolsonarismo à vontade, agora com a bênção do bispo Macedo. Mas este não é um texto sobre ele. Não há muito o que acrescentar sobre a sua notória covardia e seu histórico de alinhamento aos ricos e poderosos. Prefiro tentar entender como chegamos ao ponto em que formadores de opinião relativizam ou até mesmo aplaudem um agressão de jornalista transmitida ao vivo.
Após a agressão, o apresentador do Pânico Emílio Surita pediu desculpas para a vítima, mas também para o agressor. Relativizou a agressão, passou pano para o agressor e partiu para o deboche para cima do convidado que acabara de ser agredido: “nem mulher briga tão feio quanto vocês”“você (Glenn) chamou o cara de covarde. É muito forte chamar de ‘covarde'”“eu sei que você é gringo e tem dificuldade pra conversar”“não venha se fazer de vítima, não, porque você provocou”.
O apresentador cumpriu o protocolo do isentão. Tratou a agressão física de um funcionário da casa contra um convidado como uma consequência natural de um debate acalorado. A Jovem Pan, a casa do reacionarismo brasileiro, emitiu uma nota igualmente hipócrita, exaltando a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões, mas sem condenar expressamente a agressão de seu funcionário.
Nas redes sociais, houve três tipos de reações entre os jornalistas: a de repúdio absoluto à agressão (a única reação aceitável), a de repúdio relativizando com “mas” e “poréns” e a de exaltação da violência de Nunes.
Os que aplaudiram abertamente a agressão fazem parte da minoria. São os lavajatistas mais fanáticos e reacionários que assumem abertamente suas posições, mas retorcem a realidade para que caiba dentro delas. José Roberto Guzzo já trabalhou como diretor de redação da Veja e foi colunista da revista por mais de dez anos. Assim como os filhos de Bolsonaro e seus militantes fascistoides, Guzzo saiu em defesa da agressão de Augusto Nunes e classificou uma prática jornalística recorrente no mundo democrático de “receptação de material furtado de criminosos”.
Guzzo é um lavajatista que se esbaldou com todos os vazamentos ilegais da força-tarefa e jamais chamou seus colegas de Veja ou de qualquer outro veículo de “escroques” associados a criminosos. Mas, convenhamos, não chega a ser espantoso ver um jornalista que criminaliza o jornalismo defendendo e exaltando a violência contra um colega de profissão.
Entre os relativizadores, muitos jornalistas iniciaram um festival de “tenho críticas à Vaza Jato, mas…”, “não concordo com o Glenn, mas…” ou “eu já fui atacado pelas esquerdas, porém…”, ou ainda “não, porque a polarização…”. É o cacoete do “doisladismo”, que impede que se condene atitudes de um lado de um espectro político sem criticar o outro. Sabe aquele TOC (transtorno obsessivo compulsivo) em que a pessoa esbarra com braço direito em algum lugar e sente uma necessidade mortal de esbarrar o braço esquerdo também? Então, o jornalista mainstream brasileiro sofre de um TOC parecido. E assim se vai relativizando a barbárie porque, afinal de contas, a civilização também já cometeu suas barbaridades, não é mesmo?
No Twitter, a Folha chamou a agressão de “troca de socos”. Como se as imagens não fossem suficientemente claras para identificarmos um agressor e um agredido se defendendo. Claro, o jornalismo isentão precisa sempre se colocar numa posição de equidistância para não magoar ninguém. Mesmo que para isso seja necessário mentir.
Essa obsessão em busca de uma falsa imparcialidade é bastante comum entre jornalistas. Há um temor constante em ser associado com algum dos lados. Quando precisa se posicionar, o isentão pode distorcer a realidade com uma falsa simetria qualquer para não ficar mal na fita. Ter convicções políticas, algo natural para qualquer um, virou quase um crime para alguns jornalistas, que preferem o conforto da bolha falsa do isentismo.
Isso tem um custo alto para a democracia. Quantas vezes vimos nas últimas eleições, Lula e Bolsonaro sendo apresentados como dois lados de uma mesma moeda? Enquanto o primeiro é inegavelmente um democrata que liderou por oito anos um governo de coalizão com partidos de centro e centro-direita e saiu com quase 90% de aprovação popular, o segundo é um homem autoritário que atacou sistematicamente a democracia, as minorias, e carregava um histórico em defesa de milícias, torturadores e assassinos do regime militar. Não importa se você não gosta de Lula ou de Bolsonaro. Esses são os fatos. Bolsonaro foi um deputado assumidamente homofóbico que pregou o fuzilamento de um presidentedemocraticamente eleito. Colocá-lo na mesma balança com qualquer outro democrata e tratá-los como dois personagens equivalentes é falsificar a realidade — e isso, sim, deveria ser considerado um crime no jornalismo.
Se os fascistoides chegaram ao poder foi em parte também por culpa do jornalismo que relativizou a barbárie. Portanto, se for para criticar a agressão a um jornalista fazendo ponderações sobre o outro lado, é melhor bater palmas para o agressor logo de uma vez. O fascisminho nosso de cada dia deve ser repudiado de maneira absoluta, firme, sem “mas” nem “poréns”. A relativização das práticas fascistas contribuíram para que chegássemos onde estamos hoje.

domingo, 12 de maio de 2019

Jânio de Freitas: Vida pública de Bolsonaro é caracterizada pela ideia fixa da morte aos "inimigos"



A violência não basta a Jair Bolsonaro. Esse ir além é o traço só seu na conturbação que, por genética maldosa e incorreção educativa, assemelha o pai e os três filhos maiores.

Os desvios de dinheiro público verificados nos gabinetes parlamentares de Jair, Flávio e agora Carlos (as verbas de Eduardo ainda não foram examinadas) expõem sua íntima interação, por exemplo, na improbidade que em outros casos deu, e voltaria a dar, grandes escândalos de imprensa. Jair tem algo particular, porém, e apenas seu — que se saiba.

A vida pública de Jair Bolsonaro é demarcada por uma ideia persistente: a morte. Alheia. Provocada. Não importa de quem. Iniciante na carreira militar, sua estreia no noticiário se deu pela maneira como pensou em elevar os vencimentos dos tenentes. Não com um manifesto, greve, um movimento de solidariedade civil. Sua atitude foi ameaçar de explosão o abastecimento de água do Rio e de explodir quartéis, caso não saísse o aumento.

Empossado, Bolsonaro orgulhou-se de fazer a primeira amputação do Estatuto do Desarmamento como ato inicial de “governo”. Mais armas, mais assassinatos. O segundo ato da política de mortes visou à impunidade do proprietário de terra que mate ou mande matar invasores. É o inovador direito de ser assassino.

A nova amputação, já quase extinção, do Estatuto do Desarmamento veio, agora, acrescentando à função liberatória aberrações não esperáveis nem de Bolsonaro. Porte de arma para repórter de assuntos policiais é atrair tiros sobre jornalistas, o que poderia dar aos Bolsonaros alguma sensação de justiça à sua maneira, mas demonstra ignorar também o que são jornalismo, repórter e imprensa.

Liberar para menores de idade o uso de armas em clubes de tiro, pendente só de autorização paterna ou do responsável, é um incentivo combinado à criminalidade e à deseducação. É perto do inacreditável. Uma indústria de vocacionados para a violência, de recorrentes a armas, de maníacos da morte. Tudo isso em uma só pessoa — do que temos exemplo.

Cá em minha vida longa, desconfio muito dessa liberação de posse e porte de armas, e estoque de munição, para “dar direito à defesa pessoal”.

Janio de Freitas

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A pedagogia espírita e os massacres pelo Brasil e pelo mundo, por Dora Incontri



O processo civilizatório é justamente aquele que trabalha, transforma, educa e sublima essas pulsões, sejam elas de outras vidas ou não

Do Jornal GGN e Espiritismo Progressista



Minha mais engajada militância na vida tem sida a ideia de uma pedagogia espírita, que não é uma proposta de pedagogia doutrinante e sectária do espiritismo (ao invés trabalhamos com a inter-religiosidade e o pluralismo). Essa corrente é herdeira de grandes educadores como Comenius, Roussseau, Pestalozzi e do próprio Rivail/Kardec, que foi discípulo de Pestalozzi e pedagogo durante 30 anos na França. É prima irmã de pedagogias como a de Montessori, Freinet, Paulo Freire e outros; é uma proposta emancipatória, que pretende renovar a educação pelo mais fundo de si mesma, levando em conta seu contexto e sua interação social.
Qualquer um, desses grandes educadores citados acima, poderia dar boas respostas para questões pedagógicas, sociais e existenciais que enfrentamos no mundo contemporâneo. Um mundo esvaziado de sentido, violento e desumanizado.
Quando nos defrontamos com as tragédias ocorridas nessa semana, no Brasil e na Nova Zelândia, precisamos recorrer à filosofia, à psicanálise, à espiritualidade, para acharmos algumas causas, que são muitas, complexas e entrelaçadas, e pensarmos possibilidades de prevenção, e não nos desesperarmos totalmente da humanidade.
Sim, na superfície aqui no Brasil, temos o presidente eleito, apontando arminhas com crianças e estimulando a violência e propondo o armamento da população. Isso é grave e agrava a situação. Mas está longe de ser a causa profunda. Aliás, justamente devemos nos perguntar porque uma tal pessoa, que tanta apologia faz da violência e da tortura, atraiu tantos jovens e adolescentes, que aderiram ao seu discurso. As mesmas obscuridades profundas do inconsciente das massas que levam a se identificar com tais personagens (não só a do presidente eleito, mas de seu guru e de seu entorno familiar e político) são as que levam um menino a sair atirando contra crianças e professores.
Todos temos o nosso lado sombrio. Para a visão reencarnacionista, certamente já participamos de crimes, guerras, massacres – basta ver a história humana. Se nós somos os que fizemos essa história milênios, séculos, décadas atrás, então trazemos toda essa violência em nós. Mas mesmo que não aceitemos a ideia da reencarnação, nosso inconsciente, formado pelo atavismo da espécie e pelos recalques da infância, também tem pulsões destrutivas, como bem percebeu Freud e que se não forem sublimadas, podem estourar a qualquer momento, seja no indivíduo, seja nas massas.
O processo civilizatório é justamente aquele que trabalha, transforma, educa e sublima essas pulsões, sejam elas de outras vidas ou não.
O que se dá é que de tempos em tempos na história humana, esgarçamos o verniz da cultura e há um estímulo geral para os monstros virem à tona.
Quem recebeu uma educação amorosa, quem teve condições sociais de se firmar como um sujeito autônomo, com boa autoestima, quem teve acesso ao melhor que há da cultura humana, terá mais recursos para se manter no nível da humanidade e não escorregar para a brutalidade.
Mas, sabemos que mesmo uma nação educada, culta e supostamente civilizada, como a alemã, que teve um Bach e um Beethoven, um Goethe e um Bertold Brecht, resvalou para a mais funda barbárie, com vasta participação popular, trucidando milhões de pessoas, com um discurso totalmente sem nexo. Eu que vivi na Alemanha, por três vezes, sempre tive essa perplexidade diante do nazismo e agora sou obrigada a enxergar a barbárie ressurgir entre o meu próprio povo.
Aí é que entram minhas reflexões pedagógicas, aliás, iluminadas pelos estudos que tenho do assunto, mas também pela própria experiência de ter vivido e ido a escola, na Alemanha.
A educação teria de ser um processo de desenvolvimento pleno, acolhedor. Todos precisariam de amor inteiro na infância. Winnicott já estudou o quanto a privação afetiva nos primeiros anos da criança causa buracos internos, que levam à loucura e à delinquência. Esse amor necessário não é algo abstrato – é comida, teto, roupa, ambiente saudável. Mas também é toque, colo, carinho, aconchego, escuta, presença protetora e confiável do adulto.
Mais adiante, a criança deveria ser educada não apenas considerando-se seu desenvolvimento cognitivo. E já isso é muito mal feito mesmo nas melhores escolas, imagine-se na sucateada escola pública brasileira. Por que mal feito? Porque a escola deveria ser estimulante, criativa, verde, afetiva, sem muros, com diálogo e democracia e não com regras impostas e chatice extrema. Mas além dessa parte intelectiva, a criança precisaria ter uma educação terapêutica. Aprender a analisar, expressar e trabalhar as próprias emoções. Não se sentir sozinha, rejeitada, cheia de medos e frustrações, sem possibilidade de diálogo e socorro. E nesse caso, ainda pior, na constituição do menino, que é chamado a ser o forte, o herói, o violento, o macho predador… muitas vezes pelo pai ou pelas referências masculinas que tem em torno de si ou pela ausência delas.
Mesmo quando a educação atinge parâmetros de civilização e cultura refinadas, como foi o caso da Alemanha e como é o caso de nossas elites brasileiras (será mesmo?), a ausência de um trabalho com as emoções e com a afetividade, pode deflagrar a abertura para o sombrio que há em nós.
Obviamente que todas essas condições ideais de uma educação integral, formadora do ser e transformadora do mundo, dependem de concretas condições econômicas e sociais. Os pais dessas crianças, os professores desses alunos também precisariam ter sido cuidados, amados, e terem condições dignas de trabalho, alimentação e moradia.
Então, tudo se conecta nas causas dessas tragédias: a estrutura capitalista desigual e injusta; a falta de perspectivas, de sentido existencial; a sociedade que só oferece a possibilidade de consumo como compensação do vazio, mas essa possibilidade não chega às periferias do mundo; a falta de tempo e espaço para cuidar do outro, da criança, do velho, do amigo, porque o trabalho é extenuante, a sobrevivência indigna… E não mencionei aqui a indústria de armas, que se alimenta da morte, lucra com isso e não tem nenhum interesse em promover a paz.
Então… para tudo! Precisamos mudar todas as coisas. E talvez, essas grandes e terríveis tragédias em toda a parte, em que vemos a Deep Web alimentar os instintos mais ferozes e primitivos, em que há crianças e adolescentes matando, se matando e sendo mortos… nos mostrem o quanto esse planeta está torto, o quanto está tudo errado e o quanto precisamos correr para mudar o que está posto.
Nessa reflexão, a perspectiva da eternidade e das múltiplas vidas conforta um pouco, mas não nos deve desacelerar na luta por uma sociedade mais humana. Mesmo porque, mais à frente, reencontraremos a própria história que tivermos ajudado a fazer.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Do Blog da Cidadania: Atirador de Suzano era fã de Bolsonaro


Basta ver  o que diz a reportagem da Revista Época:
Traço constante em seu perfil [ do adolescente assassino] é o apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Durante a campanha, Guilherme curtiu conteúdos como a mensagem ‘O meu candidato é apoiado pela polícia, o seu é procurado por ela’, que aparece junto a uma foto do presidente abraçado a policiais
Do Blog da Cidadania

O “clã” Bolsonaro puxou o gatilho no massacre de Suzano. Reportagem da revista Época revela que Guilherme Taucci Monteiro, que estudava na escola atacada, postava fotos armado, interagia com páginas de amantes de armas de fogo e admirava a família Bolsonaro. Além disso, os Bolsonaro disseminam apreço por armas e violência. Causaram esse massacre.
Um amante de armas, um apoiador de Jair Bolsonaro, um fã de Walking Dead. É assim como se mostra nas redes sociais Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, um dos dois atiradores da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo”. É assim que reportagem da Revista Época recém-publicada apresenta o adolescente que promoveu o massacre
Antes do tiroteio, o adolescente, que se identificava como “Guilherme Alan” no Facebook, publicou 30 fotos em que veste as mesmas roupas usadas no atentado, inclusive a máscara de caveira. Também aparece nas imagens portando uma arma e mostrando o dedo do meio.
Bolsonaro demorou para se pronunciar sobre o caso. Por certo esperava que sua nova assessoria que o impedirá de dizer besteiras prepara-se o que deveria dizer.
O sujeito que governa o Brasil e seus filhos energúmenos, arrogantes e propagadores de violência e ódio são os fomentadores dessa mentalidade que está afetando sobretudo a juventude mais pobre.
Basta ver  o que diz a reportagem da Revista Época:
Traço constante em seu perfil [ do adolescente assassino] é o apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Durante a campanha, Guilherme curtiu conteúdos como a mensagem ‘O meu candidato é apoiado pela polícia, o seu é procurado por ela’, que aparece junto a uma foto do presidente abraçado a policiais
Esse sujeito que governa o Brasil é um disseminador do “amor pelas armas” que produziu a tragédia que todos estamos vendo
Bem como seus filhos e aliados políticos.
Chegou a hora, portanto, de a sociedade brasileira discutir até quando vai tolerar um governo composto por esse tipo de gente e que prega o uso da violência “contra bandidos” por pessoas despreparadas e que podem usar as armas, inclusive, para “resolver” desentendimentos pessoais. Ou tragédias como a de Suzano vão se tornar frequentes.
confira a reportagem em vídeo


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Jovens brasileiros desconhecem as atrocidades da ditadura militar. Por Leneide Duarte-Plon e introdução de Leonardo Boff

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I - Introdução de Leonardo Boff

Leneide Duarte-Plon é conhecida de nosso blog, uma jornalista brasileira vivendo em Paris, comprometida com os destinos do Brasil e da nossa democracia. Escreve regularmente na Carta Capital. Publicamos aqui este texto para nos lembrar das torturas do Estado militar instaurado em 1964.  Criou-se uma organização do esquecimento do que houve de barbaridades no Estado de Terror a ponto de os jovens não saberem nada ou quase nada dos crimes praticados pelos agentes do Estado, Estado este que tem o dever, como Estado, de proteger a vida dos cidadãos.  Toda tortura é aviltante, seja praticada por quem quer que seja, por repressores do Estado autoritário seja por resistentes subversivos. Nossa anistia não puniu os que cometeram crimes contra a humanidade, como foi feito na Argentina e no Chile.  Mas a verdade tem seu brilho próprio. Ela irá ainda brilhar para que todos possam ver os sombrios tempos que tantos conhecidos nossos, amigos/as parente e outros que não aceitavam o sequestro da  liberdade e imposição da severa censura sobre todas as expressões da liberdade. Sofreram nas câmaras de tortura todos os tipos de violência até a eliminação de todos (menos uma mulher) na Casa da Morte, situada em Petrópolis, finalmente desapropriada para ser um lugar de memória e de reflexões sobre direitos humanos e democracia para que seja verdade: “Tortura nunca mais”. Leonardo Boff


II - Texto de Leneide Duarte- Plon

A política deliberada de organização do esquecimento posta em prática pelos militares para apagar as marcas dos crimes da ditadura foi muito eficaz.
A prova mais recente é a eleição de um ex-militar defensor da tortura e de torturadores notórios, com disseminação de mentiras para formatação de cérebros por whatsapp.
Mas ela vem de longa data, essa organização do esquecimento. Ela vem da anistia, imposta pelos militares, mas dissimulada em negociação. Essa anistia foi implantada para organizar uma amnésia generalizada das futuras gerações.
Estarrecida, ouvi em Paris, este ano, um jovem cineasta brasileiro perguntar:
«Mas eles também torturavam padres durante a ditadura?»
A ditadura brasileira foi a mais eficaz na organização do esquecimento. O povo argentino e o povo chileno puderam instaurar processos e julgar responsáveis por crimes de tortura e desaparecimento forçado, considerados imprescritíveis. Mas a ditadura brasileira instaurou, ao contrário, a amnésia generalizada.
Assim, um ex-torturado pode cruzar na rua com seu torturador. As ruas, praças, avenidas e pontes ainda homenageiam generais que organizaram o terrorismo de Estado e morreram em completa impunidade.
O lançamento em Paris do filme «Le silence des autres», documentário hispano-americano de Almudna Carracedo e Robert Bahar, suscitou matérias sobre a dor dos sobreviventes do franquismo que viram seus pais e mães assassinados e os assassinos anistiados em nome da unidade nacional.
«A Espanha foi convencida a renunciar à sua memória, em nome da democracia. A lei de anistia de 1977 se apresentava como uma medida de reconciliação, mas beneficiava apenas aos partidários da ditadura. Os republicanos já tinham sido punidos, por morte, prisão ou exílio. É preciso entender a cólera de um ex-dirigente estudantil por viver a alguns quarteirões de seu torturador ou o desespero da velhinha que sabe onde está enterrado seu pai, em uma fossa comum, mas nunca conseguiu a autorização de lhe dar uma verdadeira sepultura», escreveu esta semana no jornal «Le Monde» o crítico Thomas Sotinel sobre o filme.
O terrorismo de Estado
Sim, a ditadura brasileira torturou padres e um deles, Tito de Alencar, se suicidou na França em 1974, pois não podia mais viver atormentado dia e noite pelas ameaças de seus torturadores nas horas de sono e de vigília. Clarisse Meireles e eu reconstituímos sua vida no livro «Um homem torturado – Nos passos de frei Tito de Alencar», lançado em 2014 pela Civilização Brasileira.
Outro, padre Antônio Henrique Pereira Neto, coordenador da Pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife, um dos assessores do arcebispo dom Helder Câmara, foi sequestrado dia 26 de junho de 1968 pelo Comando de Caça aos Comunistas-CCC, em Recife. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, num matagal da Cidade Universitária, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore, com marcas de tortura: espancamente, queimaduras de cigarro, cortes profundos por todo o corpo, castração e ferimento à bala.
Era um recado indireto ao arcebispo de Olinda e Recife. Dom Helder não se acovardou. Denunciou no mundo inteiro a tortura, as prisões políticas e os desaparecimentos políticos do regime militar. Por sua luta pelos direitos humanos foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1970, 1971, 1972 e 1973.
A história de padre Antônio Henrique e de Tito de Alencar e todas as outras atrocidades do terrorismo de Estado implantado durante a ditadura de 1964 devem ser contadas a cada nova geração. Os livros de História são a melhor arma contra a repetição da barbárie, quando não são reescritos pelos que idolatram torturadores.
Mas é necessário reconhecer que a esquerda não fez o necessário trabalho de memória para que as novas gerações conhecessem o terrorismo de Estado da ditadura.
A tentativa desse paradoxal governo militar de viés ditatorial eleito nas urnas de «monitorar» o sínodo dos bispos sobre a Amazônia, que vai se reunir em Roma em outubro, é mais um capítulo da luta pelo controle e neutralização da ala mais progressista e engajada da Igreja Católica, a CNBB, que o capitão-presidente qualificou de «ala podre da igreja».
Este ano ainda, a Igreja Católica pode vir a beatificar Dom Helder Câmara, execrado e censurado pela ditadura, que por quatro anos seguidos se empenhou em uma campanha sórdida de bastidores para que ele não recebesse o Prêmio Nobel da Paz.
Essa história foi levantada por um dossiê da Comissão Dom Helder Câmara da Memória e Verdade de Pernambuco. O dossiê se intitula «Prêmio Nobel da Paz: A atuação da ditadura militar brasileira contra a indicação de Dom Helder Câmara». Comentei em detalhes o assunto em texto a ser publicado na revista Carta Capital.

Será que o Nobel da Paz será influenciado este ano por pressões dos ignaros que dirigem o Brasil, no sentido de impedir a atribuição do prêmio a Lula?
Fonte: Leonardo Boff Wordpress

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Fábio Dias Ribeiro: A era da máfia está começando no Brasil?



A ascensão da “nova direita” no mundo, com ideias conservadoras (no sentido mais obscuro que se possa pensar), tem sido uma espécie de “Ragnarok” da moral e da ética. Observamos o surgimento de figuras públicas que chegaram ao poder, com discursos cada vez mais violentos e extremos (no pior sentido da palavra), como é o caso de Donald Trump, nos Estados Unidos.

Ocorre que essa virada conservadora tem revelado uma ligação profunda com o crime organizado, basta ver que o presidente estadunidense foi acusado de envolvimento com lavagem internacional de dinheiro, entre outras ações que o colocam sob a ameaça de um impeachment. (Fonte aqui) Mas a onda ultradireitista também chegou ao Brasil...



Corrupção é

O sobrenome Bolsonaro parece estar no centro de um escândalo sem precedentes na história brasileira. O governo de Jair Bolsonaro já mostra sinais de desgaste com pouco mais de um mês no poder, e tudo graças ao escândalo originado pelo relatório do COAF (Conselho de Atividades Financeiras). A “Folha” publicou, ainda em dezembro de 2018, a reportagem sobre o relatório do órgão.

Ver mais aqui https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/12/coaf-aponta-movimentacao-atipica-de-ex-assessor-de-flavio-bolsonaro.shtml e o jornal espanhol “El país” recentemente foi mais direto. https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/19/politica/1547855965_283326.html.

A pressão de parte da velha mídia convencional, capitaneada pela “Folha de S. Paulo” e pelo “Grupo Globo”, alijados de vultosas verbas publicitárias, tem provocado rachaduras na imagem de “caçadores de corruptos”, aqui incluídos a família Bolsonaro e o ícone da nova direita, Sérgio Moro.

O Ministro da Justiça no Governo do principal beneficiário de sua atuação, quando era Juiz Federal em Curitiba, está cada vez mais desmoralizado pelo “queirozão”. Os fortes indícios de um lucrativo esquema de corrupção no gabinete de Flávio Bolsonaro e sua curiosa falta de posicionamento, que era regra contra o PT e Lula, estão desmanchando a fama de intolerante contra corrupção, construída com muito autoritarismo.

Milícias

Mas o relatório do COAF causou um estrago ainda maior: expôs o envolvimento de Queiroz com as milícias do Rio, bem como do próprio senador eleito Flávio Bolsonaro, já que empregava em seu gabinete a mãe e a companheira do suspeito de ser o principal líder do “escritório do crime”, Adriano da Nóbrega. Elas também teriam depositado dinheiro na conta de Queiroz. Além disso, Flávio Bolsonaro indicou Nóbrega para uma menção honrosa em 2004, mesma homenagem que prestou para outro suspeito de ser um dos líderes milicianos.

Flávio Bolsonaro, recém empossado senador, enquanto era deputado estadual no Rio,chegou a dizer, em sua conta no Twitter, que a juíza de direito Patrícia Acioli, morta por julgar e mandar para a prisão diversos policiais ligados a grupos de extermínio, era culpada por “colecionar inimigos”.

Flávio disse que Acioli tinha costume de “humilhar gratuitamente réus”. Para o deputado, a magistrada impunha aos acusados atitudes de humilhação, chamando-os de vagabundos, adjetivo que a família Bolsonaro usa com frequência para se referir a pretos e pobres, quando são presos.

O próprio presidente Jair Bolsonaro, em 2003, chegou a parabenizar a atuação dos grupos de extermínios (assassinatos cometidos pelas milícias), já que não há pena de morte no Brasil. O discurso pode ser visto abaixo:



O jornalista Glenn Greenwald, principal repórter do “The Intercept”, acaba de lançar um reportagem sobre o tema (clique aqui para ver seu vídeo), detalhando o escândalo, mas tem sido alvo de bots pró-Bolsonaro, para evitar que o vídeo receba evidência no YouTube.

Máfia

Outras Nações já enfrentaram problemas semelhantes, através do envolvimento de agentes públicos com a corrupção e outros crimes ainda mais graves. Na Rússia, pós-dissolução da URSS, a máfia cooptou muitos membros da KGB e do exército e infiltrou seus membros em muitos países, para obter negócios extremamente lucrativos e sofisticados. Veja mais: https://super.abril.com.br/historia/czares-da-mafia/

Seremos os próximos a conviver com uma estrutura política tomada por assassinos de aluguel e pessoas da pior estirpe? Nossas instituições serão capazes de conter as milícias e impedir que se estabilizem no Planalto?

Queiroz é só a ponta do iceberg.

Fábio Dias Ribeiro é advogado atuante, especialista em Direitos Humanos e Cidadania, Mestre em Sociologia, graduando em filosofia e ativista social.
No Jornalistas Livres