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sexta-feira, 27 de março de 2026

Forças Armadas enfrentam rejeição recorde após intromissão explícita na política, mostra pesquisa

 

Do ICL:

Levantamento indica desconfiança e expõe impacto da politização, crises recentes e envolvimento de militares em investigações




Por Cleber Lourenço

As Forças Armadas registram um dos piores níveis de confiança da série recente ao aparecerem com rejeição majoritária em levantamento do instituto AtlasIntel. O dado consolida um processo de desgaste que se intensificou nos últimos anos e reposiciona a instituição no imaginário público brasileiro.

Segundo a pesquisa, 60 por cento dos entrevistados afirmam não confiar nas Forças Armadas, enquanto 27 por cento dizem confiar. Outros 13 por cento não souberam responder. A diferença entre confiança e desconfiança indica um cenário que vai além da polarização e aponta para uma perda mais estrutural de legitimidade.

Historicamente associadas à disciplina, hierarquia e estabilidade, as Forças Armadas operavam com níveis mais elevados de confiança social. O novo patamar revela uma ruptura nessa percepção e coincide com um período de forte exposição política e institucional.

Nos últimos anos, os militares passaram a figurar com frequência no noticiário por motivos que extrapolam sua atuação tradicional. Investigações, questionamentos judiciais, falhas operacionais e episódios envolvendo oficiais contribuíram para deslocar a imagem da instituição de um campo técnico para o centro da disputa política.

Esse processo se intensificou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando militares passaram a ocupar cargos estratégicos na administração federal. A presença ampliada no poder civil rompeu a barreira que historicamente separava a instituição da política.

Ao assumir funções de governo, os militares passaram a ser avaliados sob os mesmos critérios aplicados a agentes políticos. O desgaste da gestão acabou sendo absorvido pela imagem das Forças Armadas, que deixaram de ser percebidas como um ator neutro.

Além da politização, episódios recentes agravaram o cenário. Os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e as investigações sobre a tentativa de ruptura institucional expuseram a participação de militares em diferentes níveis. A divulgação de provas, que incluem áudios, mensagens e planos atribuídos a envolvidos, ampliou o impacto sobre a opinião pública.

Na avaliação do pesquisador Ananias Oliveira, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande e estudioso da participação dos militares na política, o resultado reflete um desgaste acumulado que atinge a instituição em múltiplas frentes.

“Há uma frustração de setores mais radicalizados que esperavam uma ruptura institucional, mas isso não explica sozinho o resultado. O outro fator é o desgaste pela quantidade de militares envolvidos e condenados por participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro”, afirmou.

Segundo ele, a exposição dos fatos ao longo dos processos judiciais intensificou a deterioração da imagem.

“A divulgação de provas, como áudios e mensagens, e a própria condenação desses envolvidos ampliam o desgaste. Isso atinge diretamente a percepção pública sobre a instituição”, disse.

Para Oliveira, o cenário atual revela um duplo movimento de perda de apoio.

“Você tem um Exército desgastado dos dois lados. Há frustração de quem esperava uma ruptura e, ao mesmo tempo, rejeição pela associação dos militares a uma trama golpista”, afirmou.

Ele ressalta, no entanto, que o resultado deve ser acompanhado em outras pesquisas para verificar se o patamar se mantém.

“Essa medição apresenta um nível de confiança mais baixo do que o observado em outros levantamentos. É importante acompanhar novos dados e análises qualitativas para entender melhor esse movimento”, disse.

O pesquisador Jorge Rodrigues, do Instituto Tricontinental e do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional, aponta que o impacto sobre a imagem atinge um dos pilares mais sensíveis das Forças Armadas.

“As Forças Armadas brasileiras são muito zelosas de sua imagem. É ali onde dói”, afirmou.

Segundo ele, o desgaste atual é resultado de um acúmulo de exposições negativas ao longo dos últimos anos, especialmente a partir da aproximação com o governo Bolsonaro.

“O ônus de imagem daquele período foi respondido com tentativas de distanciamento entre instituição e governo, mas esse movimento não se sustentou na prática”, disse.

Rodrigues avalia que a sequência de crises, investigações e casos envolvendo militares contribuiu para romper uma narrativa historicamente construída.

“Casos de corrupção, como o de um coronel preso por desvio em contratos, e o julgamento de oficiais pelo Supremo expõem a instituição e deixam uma mácula. A ideia de uma força moralmente superior começa a ruir”, afirmou.

Para o pesquisador, a queda na confiança também abre espaço para um debate mais amplo sobre o papel e a estrutura das Forças Armadas.

“Há uma janela de oportunidade para discutir o desenho das Forças Armadas, a formação dos militares e a cultura política nos quartéis. Hoje, temos instituições pouco afeitas à democracia, além de caras e fora do controle civil”, disse.

Ele defende que o tema seja tratado de forma mais ampla no debate público.

“É necessário avançar em uma reforma com participação social. Defesa é um tema importante demais para ficar restrito aos próprios militares”, afirmou.

Rodrigues também chama atenção para um contraste relevante nos dados. Enquanto a confiança nas Forças Armadas recua, outras instituições armadas mantêm níveis mais elevados de aprovação.

“Há forte confiança em instituições como Polícia Federal, Civil e Militar. Isso indica que a população ainda valoriza forças de ordem, o que dialoga com uma cultura política que tende a apoiar respostas mais duras para problemas complexos”, disse.

Segundo ele, esse cenário tende a influenciar o debate político nos próximos meses.

“A segurança pública deve ganhar centralidade nas eleições, e existe o risco de que o debate seja capturado por soluções simplistas. É fundamental que o campo democrático apresente propostas baseadas em evidências”, afirmou.

Os dados indicam que a queda de confiança nas Forças Armadas não se limita a um movimento conjuntural, mas reflete um desgaste acumulado que altera a posição da instituição no cenário institucional brasileiro.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Operação da PF mira Kids Pretos que planejaram emboscada contra Moraes, Lula e Alckmin

 

PF prendeu o general Mário Fernandes, ex chefe-substituto da Secretária-geral da Presidência no governo Bolsonaro


Polícia Federal no Distrito Federal. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN:

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), uma operação de busca e apreensão contra militares do grupo “Kids Pretos”, investigados por um plano de emboscada orquestrado contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme noticiado pelo GGN, Moraes foi minuciosamente monitorado pelo grupo como parte dos preparativos para a tentativa de golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas em 2022. 

Ao todo, a “Operação Contragolpe” cumpre cinco mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão, além de outras 15 medidas cautelares nos estados do Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e também no Distrito Federal.

Detalhes da investigação


Segundo a PF, o tal plano dos Kids Pretos, apelido dado aos militares que se formam no curso de Operações Especiais do Exército Brasileiro, foi batizado como “Punhal Verde e Amarelo”. Além das ações contra Moraes, o plano ainda incluía a execução do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSDB).

Em novembro de 2022, os militares teriam feito uma reunião em Brasília para discutir os detalhes do tal plano, desde os recursos bélicos e de pessoal necessários para executar as ações, até a criação de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise” para lidar com as possíveis repercussões institucionais dos crimes.

Todas essas informações e provas foram recolhidas em computadores e celulares apreendidos pela PF durante e após a Operação Tempus Veritatis. Mensagens também foram recuperadas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, que fez um acordo de delação premiada com a corporação. 

Alvos da PF

Hoje, um dos alvos dos mandados de prisão foi o general Mário Fernandes, ex chefe-substituto da Secretária-geral da Presidência, durante o governo Bolsonaro. Atualmente ele estava lotado como assessor no gabinete de Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde.

Fernandes seria a peça-central da atuação dos Kids Pretos no plano. Isso porque, antes de assumir o cargo no governo Bolsonaro, ele chefiava o Comando de Operações Especiais, em Goiânia, uma das unidades em que os Kids Pretos atuam. 

Um dos indícios sobre o papel de Fernandes no plano de emboscada é um áudio. A gravação foi encaminhada pelo coronel Hélcio Franco ao ex-militar Ailton Barros, ambos envolvidos no caso.

“Quem tem a tropa na mão é o comandante de Operações Especiais. Por exemplo: o comandante deu a ordem, né? Tem que ver esse fenômeno aí do que é a tropa na mão, né? De qualquer forma, eu acho melhor coordenar esse assunto com o Mário, tá? Eu já falei pro Borges que eu não tenho contato com o Mário, e acho que o Borges deve encaminhar esse assunto pro Mário, que é a minha sugestão”, diz o áudio.

Também são alvos dos pedidos de prisão o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, os majores Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, além do policial federal Wladimir Matos Soares.

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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Xadrez dos "bastardos inglórios" da direita (Moro, Dallagnol, Lava Jato, Globo, Centrão, Barroso, militares, Temer) que levaram o Brasil ao caos... Por Luis Nassif

 

  E enquanto Bolsonaro procede à mesma desavergonhada distribuição de recursos públicos, através do orçamento oculto, que o centrão domina o país, que o Ministro do Meio Ambiente sai em defesa de criminosos ambientais, Barroso morre abraçado à bandeira da Lava Jato, sustentando que hoje em dia a corrupção pelo menos é envergonhada. O país não abdicou apenas da inteligência, mas do pudor.



Xadrez dos bastardos inglórios que levaram o Brasil ao caos, por Luis Nassif


Peça 1 – a teoria e a realidade

Uma das implicâncias que acumulei na minha carreira jornalística foi em relação a intelectuais livrescos, incapazes de utilizar os princípios que supostamente dominam na análise da realidade. Só aceitam a realidade abstratamente quando ela aparece em forma de livro – e, de preferência, aceito pelo sistema – e quando endossada pela maioria. 

No início da Lava Jato, na visita da Força Tarefa aos Estados Unidos, já havia indícios da influência do Departamento de Justiça na operação. No entanto, em maio de 2018, com todos os sinais no horizonte, cientistas sociais para se mostrarem “modernos” tratavam de classificar as teses de interferência de “teoria conspiratória”.

Não é prerrogativa dos cientistas sociais. Os economistas repetiram, em 20 anos, os dois maiores desastres da história recente do país – a explosão de juros do início de 1995 e o pacote Levy, de 2015. Em ambos os casos seguiam a cartilha – independentemente da realidade econômica e social em que a teoria seria aplicada. Agiram como o médico que receita doses de antibiótico iguais para adultos e crianças.

Essa desmoralização da análise e da informação está na raiz do que viria a ganhar a forma de bolsonarismo e que prosseguirá vivo e fatal como uma cobra cascavel, minando todos os esforços de tentar recuperar o país para a contemporaneidade.

Peça 2 – como se formam as ondas

O processo psicológico que explica a timidez em entender a crise de 1995, os efeitos da Lava Jato, a inação autodestrutiva de Paulo Guedes, é a mesma que levou a ondas como a que sacrificou os donos da Escola Base.

Desafiados a explicar o fenômeno, a cada novo evento, a mídia – e seus especialistas, os cabeças de planilha e os cientistas de papel – saem correndo atrás da primeira interpretação, buscando a faixa de menor risco através de dois expedientes.

O primeiro, seguir o mesmo padrão de coberturas similares, mesmo quando se vive situações excepcionais, isto é, sem precedentes comparáveis – como o fim da inflação do Real ou a crise de 2008.

O segundo, usar a explicação mais acessível ao leitor que, em geral, é a mais superficial e descontextualizada. Cria-se, então, a onda em cima da primeira versão, e amarram-se todas as opiniões posteriores.

Se disser a maior estultice do mundo, mas estiver em companhia da maioria, não será cobrado. Se defender uma posição inovadora ou minoritária, será questionado de todas as formas, e precisará de argumentos seguros para se defender. 

O efeito manada, que tanto criticam no bolsonarismo, é companheiro de cabeceira desse pessoal.

Os que ousam ir contra a maré vivem dois momentos. Na primeira etapa, são vistos com total desconfiança. Depois que as teses são assimiladas, há uma multidão aderindo, diluindo seu pioneirismo.

É por isso que, em todas as discussões, a maioria dos interlocutores procura a faixa de menor risco, que é acompanhar as ondas. No Brasil esse movimento foi acentuado pelo populismo da mídia, de não entrar em dividida contra os consensos.

Peça 3 – a importância da análise empírica

Mas não apenas isso. Há uma enorme mediocridade, uma incapacidade crônica dos cabeças de planilha e dos cientistas de papel de aplicar conceitos aos dados da realidade. Se a realidade não bate com o livrinho, abole-se a realidade. Isso não é ciência.

Lembro-me do início do Plano Real. Abriu-se a economia, apreciou-se violentamente o câmbio e ficou-se aguardando a entrada das importações, para segurar pressões de preços. E as importações não entravam, para desespero dos economistas do Real.

Na época, escrevi um artigo mostrando que havia uma defasagem entre abertura de mercado e entrada das importações. Seria um tempo para identificar produtos importáveis, fornecedores externos, demanda interna.

O então Ministro do Planejamento José Serra me telefonou perguntando se havia lido os trabalhos do até então desconhecido Paul Krugman – que começava a desbastar esse tema.  Não, apenas fui dar uma palestra para um grande atacadista de Uberlândia e ele me contou. Ou seja, bastaria a qualquer dos brilhantes economistas do Real chamar um atacadista e perguntar o óbvio. Mas ficaram esperando os estudos de Krugman.

André Lara Rezende levou vinte anos para entender e defender a relevância da análise empírica, especialmente na identificação das correlações na economia, em eventos extraordinários.

Peça 4 – a lógica da homogeneização da análise

Essa falsa ciência – de se basear em manuais de uso geral, sem se debruçar sobre as características específicas do país -, foi utilizada exclusivamente para a universalização de normas favoráveis ao capital financeiro. 

Usa-se, então, política monetária para lumbago, dor de dente e pneumonia. Uma economia continental, complexa como a brasileira, ficou restrita às mesas de operação. 

Tome-se o fenômeno da inflação. Há inúmeros fatores que podem pressionar preços, quebras de safra, preços de comercializáveis, interrupção de cadeias de produção, aquecimento da demanda. A formação de preços passa por grandes grupos, pequenas empresas, cadeias produtivas agrícolas, aluguéis, serviços pessoais, estado de espirito do consumidor, níveis de inadimplência.  Em países racionais, governos atuam sobre problemas de oferta, quebra de safras, quebra de cadeias produtivas, efeitos do câmbio etc. Mas como o Estado foi demonizado, e o mercado exige homogeneização de análises, qualquer combate à inflação passa exclusivamente pelo Banco Central.

Por trás dessa insuficiência de análise está uma dependência férrea da noção do equilíbrio geral da economia. Monta-se um mundo fictício em que só existem mesas de operação justamente para facilitar o trânsito de capitais, permitindo aos gestores comparar indicadores semelhantes de todos os países. Indicadores, aliás, muitas vezes sem nenhuma relação com a economia real, mas que permitem a sincronização de expectativas do mercado – exclusivamente do mercado, saliente-se.

Criaram-se fantasias, então, como a taxa de juros de equilíbrio. Anos atrás, quando ganhou o prêmio de Economista do Ano, Pérsio Arida calculou uma taxa de juros de equilíbrio de 8% ao ano. Ou seja, cada vez que a taxa real de juros (acima da inflação!!!!) ficasse abaixo de 8%, dispararia reajustes de preços.

Na época, almocei com Pérsio e lhe disse que todos os formadores de preços que eu conhecia se baseavam em princípios tradicionais: há mercado? aumenta. Não há mercado? Reduz. Há competição? Reduz. Há cartelização? Aumenta. Há condições de aumentar os preços? Os preços aumentarão independentemente da tal taxa de juros de equilíbrio.

Mas como sintetizar essa soma complexa de fatores em um único indicador? Toca então a criar essas miragens, que são tão falsas quanto as notas das agências de risco, o Triple A para o Lehman Brothers.

Peça 5 – a burrice institucional brasileira

Concentrei as análises em temas econômicos, que acompanhei mais de perto. Mas essa burrice institucional, de cabeças de planilha e de cientistas de livros, é generalizada e pega todos os escalões da República. Surge no curto-prazismo do operador de mercado, ecoado pela mídia econômica, e no personagem público, autoridade ou editor, que quer surfar, viver intensamente seu momento fugaz de brilho, e o futuro que exploda – especialmente para a organização que ele representa.

Vamos a alguns exemplos de relações causa-efeito óbvias de uma geração de ignorantes, sem nenhuma noção sobre a relevância institucional de suas respectivas instituições e sem nenhuma capacidade analítica de perceber as consequências óbvias de seus atos.

Lava Jato e a antipolítica

Há uma ampla literatura mostrando que, quando se desmoraliza o poder político, abre-se espaço para outras formas de poder não eleitos – em geral, o poder militar. Foi o que ocorreu na Itália, Alemanha e Brasil dos anos 30; no Brasil e outros países latino-americanos nos anos 60 e 70. 

No Brasil, mídia, Supremo e mercado ignoraram completamente essa lógica e abriram espaço para o poder militar pegar carona em um líder popular sociopata.

Mídia como partido político

Como dois e dois são quatro, era óbvio que, ao se transformar em partido político, a mídia entraria em uma armadilha fatal. Nenhum grupo político, de esquerda, direita, aceitaria passivamente a convivência com uma mídia que se propõe a sequestrar a política e a se colocar acima do poder político. Diretores de redação mandaram os princípios jornalísticos à merda e gozaram intensamente o poder que detiveram, comprometendo irreversivelmente a segurança futura do próprio exercício do jornalismo.

O Judiciário militante

A mesma ignorância institucional se manifestou no Judiciário. Há o choque do pré e do pós impeachment, cria-se o vácuo de lideranças e deslumbrados sem-noção ganham visibilidade, devido ao protagonismo de suas instituições naquele cenário específico. E passam a se julgar ungidos por Deus para ocupar o espaço vazio e se tornar condutores de povos. Aconteceu com Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Luis Roberto Barroso, trinca de ignorantes vaidosos de diversas extrações.

Depois, à medida que o organismo social e político vai se reconstituindo, são expelidos como vírus nocivos à volta do equilíbrio.

Os militares políticos

Esse mesmo deslumbramento com o vácuo político contaminou militares, como o ex-comandante do Exército, general Villas Boas.

Houve uma invasão do Estado por militares, e a grande derrota na batalha contra o Covid-19 recaiu sobre eles, o maior desgaste à imagem das Forças Armadas desde a redemocratização.

General Pazuello se tornou o paradigma do militar administrador. E os milhares de camaradas levados para o serviço público liquidaram definitivamente com o estereótipo de que as “boquinhas” do serviço público eram prerrogativa de civis.

Peça 6 – os danos à democracia

Essa soma de personagens públicos ignorantes, sem responsabilidade institucional, conseguiu o feito de colocar no comando do país o grupo mais despreparado da história da República, um sociopata que corteja a morte e a destruição.

Bolsonaro é filho direto da irresponsabilidade dos Barrosos, Moros e Dallagnols, dos diretores de redação, dos donos de grupos de mídia, de militares que perderam o pudor, de lideranças políticas que não tiveram paciência de retomar o poder pelo voto.

O legado não é apenas Bolsonaro e seus próximos 500 mil mortos. É a desorganização institucional completa do país e um legado, na opinião pública, que mostra a que foi reduzida a ex-7a economia do mundo, o país que encantava o globo no início da década.

Segundo pesquisa do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, denominada de “A Cara da Democracia”, 22,2% dos brasileiros acreditam que a terra é plana; 50,7% acreditam que o coronavírus foi criado pelo governo chinês; 56,4% acreditam que os hospitais são pagos para aumentar o número de pacientes mortos pela Covid-19.

Como conclui Leonardo Avritzer, organizador da pesquisa:

“Elas estão ligadas a uma diminuição da influência da mídia tradicional na formação da opinião pública: 62,6% dizem não confiar na Rede Globo e 41,7% dizem não confiar na Rede Record. Ainda mais surpreendente é que o número de pessoas que confiam na Record, 11,2% é quase o dobro daquelas que confiam na Globo”.

Desde 2005, era óbvio que o jornalismo de esgoto implementado conduziria a isso. Mas a ignorância institucional brasileira, e o oportunismo do curto prazo, falou mais alto. 

Naquele início de autodestruição, quem ousasse discordar da mídia era massacrado por toneladas de ataques pessoais e de ações judiciais.

Hoje, todos pagam por essa irresponsabilidade. E enquanto Bolsonaro procede à mesma desavergonhada distribuição de recursos públicos, através do orçamento oculto, que o centrão domina o país, que o Ministro do Meio Ambiente sai em defesa de crimonosos ambientais, Barroso morre abraçado à bandeira da Lava Jato, sustentando que hoje em dia a corrupção pelo menos é envergonhada.

O país não abdicou apenas da inteligência, mas do pudor.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

As más intenções de Bolsonaro, ruralistas e certos militares para com a Amazônia no artigo: Amazônia como “ativo problemático” e o despotismo quase perfeito, por Luis Fernando Novoa Garzon

 

O que está literalmente na ordem do dia em relação à Amazônia, esse imenso “ativo problemático”, é a criação paraestatal e paramilitar de dispositivos perpetradores de genocídios e de ecocídios continuados.

Jornal GGN:
Deutsche Welle

Amazônia como “ativo problemático” e o despotismo quase perfeito

por Luis Fernando Novoa Garzon

A incorporação da Amazônia, tal como vem sendo processada nas últimas décadas, implica na cristalização da condição de suplementaridade econômica do país como um fim em si mesmo. O desfazimento programado da Amazônia só pode acontecer em um país feito acessório e posto premeditadamente à deriva.  Essa seletividade reversa, em favor da primarização e enxugamento das cadeias produtivas aqui instaladas, representa uma poda preventiva de cadeias de valor potenciais ou incompletas. Representa uma abdicação de trilhar habilitações pós-industriais e uma autocondenação a demandas exógenas de curto prazo. Ganhar pela escala e pelo volume significa perder o halo essencial que garante autonomia e trajetória consciente de uma coletividade. Eis o que significa o limiar da Amazônia, a sua negação como campo infindo de alternativas, ou seja, de repertórios de autonomia social, cultural e econômica.

O arranjo territorial concebido para a região amazônica, como um mosaico de terras protegidas em meio a corredores de ocupação que respeitassem o marco do zoneamento econômico-ecológico, já não cabe nem mesmo como marco lógico que valha cinicamente cortejar. Do cinismo ambiental, com pleno respaldo das instituições multilaterais, passou-se à apologia do crime e da truculência dos agentes econômicos cuja expansão depende da impunidade frente a práticas de devastação ambiental, de grilagem de terras e da limpeza social dos territórios.

Esse modelo de incorporação territorial em larga escala atravessou diversos períodos históricos e formas governamentais. Em linhas gerais, pode-se afirmar que vigorou, na ditadura militar, um planejamento territorial centralizado por estatais e recursos públicos com parcerias privadas preferenciais – por meio de grandes projetos multisetoriais, com o Projeto Grande Carajás e a UHE de Tucuruí. A partir dos anos 1990, especialmente nos anos FHC, vigorou, na esfera econômica, um maior protagonismo dos agentes privados que passaram a ser controladores primeiros das geradoras elétricas e indústrias extrativas, o que redundaria em uma maior especialização e flexibilização dos eixos espaciais. Nos Governos Lula e Dilma, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1 e PAC 2) foi sendo erodido no que tinha de injunções chamadas “estruturantes” do desenvolvimento regional e territorial em função dos requisitos de máximo retorno dos investidores privados. Iniciativas paralelas, lançadas em 2011, como o PIL – Programa Integrado de Logística, já denotavam a demanda empresarial por um papel menos regulador e mediador das agências públicas para uma função de suporte incondicional para a realização do investimento privado. O objetivo era fatiar e ofertar aos investidores privados os corredores e equipamentos logísticos mais rentáveis com garantias ilimitadas do BNDES.

O lançamento do Programa Parceria de Investimentos (PPI) em 2016, feito por um governo ilegítimo (Governo Temer) e em busca de subsequente respaldo empresarial, representou um programa-ponte em que o aparelho do Estado assumiria de forma inequívoca seu papel impulsionador do setor privado. As condicionalidades se tornam reversas, as contrapartidas vêm sempre do setor público em termos de sacrifícios de regulamentação e tributos que diminuam o chamado “custo-país”. Isso torna improvável a possibilidade de frustração de lucros presumidos e de níveis de capitalização das ações e debêntures por meio de marcos regulatórios e esquemas de financiamento realmente muito “amistosos”. O Governo Bolsonaro herda o PPI e procura torná-lo exequível em um cenário de arrocho fiscal dirigido pelo teto linear de gastos não financeiros, procurando cobrir riscos e incertezas não gerenciáveis com um maior enquadramento dos projetos e a mais completa segregação de riscos sociais e ambientais. As privatizações, nessa ótica, seriam uma “devolução” de “ativos recuperados”. Em outros termos, o Governo Bolsonaro teria obrigação de priorizar “ativos problemáticos” para que venham a ser atraentes e funcionais.

O que está literalmente na ordem do dia em relação à Amazônia, esse imenso “ativo problemático”, é a criação paraestatal e paramilitar de dispositivos perpetradores de genocídios e de ecocídios continuados. Não se trata aqui de eventos isolados, mas de um método governamental-empresarial que reorganiza os processos produtivos sob impulso da máxima rentabilização, apelando para a sintetização de povos e territórios na forma de custos e riscos financeiros. Sintetização, redução, superexploração que nunca bastam. A inevitável corrosão dos resultados dessas estratégias de expansão não produz qualquer “consciência súbita” dos limites naturais do capitalismo. Ao contrário, a destrutividade criadora como último recurso de um capitalismo em fase necrófaga faz com que a fronteira não seja apenas uma margem física para acumulação ampliada, mas sim uma forma de metabolismo: o estertor como método.

A Amazônia se tornou palco preferencial de sacrifícios de longo prazo que servem para solidificar acordos econômico-políticos de curto prazo. Enquanto entram em operação todos os gradientes de uma guerra total e assimétrica contra povos e comunidades indissociáveis de seus territórios, as Forças Armadas dissimulam sua irrelevância ou mostram o máximo de esforço para demonstrar sua passividade frente a descomunais subtrações. Teatro de operações verde-amarelas para normalizar operações vende-pátria das cadeias transnacionais de carne, soja, energia e minério que presidem os ciclos de expansão/devastação na Amazônia. Veja que o desmatamento não passa de um indicador dessa barbárie planejada. Não basta medi-lo, mensurá-lo, monitorá-lo. Tampouco basta limitar o desmatamento para obter uma espécie de moeda de troca, um sinal ou selo verde para a vinda de investimentos “diferenciados”.

Mesmo sendo notório o estrago produzido por décadas de desregulamentação dos setores especializados em recursos naturais, reverter esse “apagão” da gestão está fora de pauta no país das commodities. Ainda que com entreveros circunstanciais, acerca da “governabilidade ambiental” do país, parece não haver divergência entre os três poderes no brinde e na reverência aos investidores que sustentam o país pelo cangote. Ao final, tem-se um bloco de poder interescalar móvel, descolado e desaforado que é resultante das alianças entre segmentos de conglomerados em competição e burocracias políticas capturáveis, tal como foi exposto na obscena reunião ministerial em que se ofereceu dar de “baciada” simplificações e flexibilizações regulatórias.

A pandemia de Covid-19 radicalizou os efeitos dessas políticas de maleabilidade regulatória e de abertura de novas fronteiras de acumulação. As condições desiguais de vida, aprofundadas com a COVID, redundaram em condições desiguais de sobrevivência. Amplos segmentos sociais nas cidades e comunidades do campo e da floresta foram entregues à sua própria sorte, sem expansão proporcional das redes de atendimento, sem adaptação e especificação dos processos de diagnóstico, controle e tratamento segundo suas especificidades culturais. Coerentemente, um lema adicional deveria ser aposto ao liberalismo que vira necroliberalismo: depois de “deixai fazer e deixai passar”, deixar morrer.

É o volume e a velocidade das pilhagens, das desregulamentações, das concessões e privatizações que garantem bônus-permanência para Bolsonaro até 2022. Blindagem condicional contra impeachments parlamentares ou investigações criminais derradeiras sobre seus familiares. As pautas intocadas do rentismo e do privatismo expressam como se naturaliza e se espraia um “bolsonarismo sem Bolsonaro”. O viés dos mercados financeiros e dos grandes conglomerados contorna os “excessos ideológicos” do Governo Bolsonaro para que se efetivem todas as espoliações, privatizações e reformas liberalizantes previstas, mantendo as aparências democráticas. Sem déspota efetivo, um despotismo quase perfeito.

Luis Fernando Novoa Garzon, sociólogo, professor da Universidade Federal de Rondônia

l.novoa@unir.br

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sábado, 14 de novembro de 2020

El País: A antidiplomacia de Bolsonaro com os EUA e o risco do Brasil se tornar ‘criminoso do clima’

 

Presidente ignora gestos de aproximação feitos pelo vice, Hamilton Mourão. Clima belicoso poderá levar o país a ser incluído em grupo de vilões ambientais, em estudo pelo Governo Biden



Robert O'Brien, embaixador dos EUA, ao lado de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e Paulo Guedes no dia 20 de outubro, no Itamaraty.
Robert O'Brien, embaixador dos EUA, ao lado de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e Paulo Guedes no dia 20 de outubro, no Itamaraty.ADRIANO MACHADO / REUTERS

Quase uma semana após os Estados Unidos decidirem quem será o seu presidente a partir de janeiro de 2021, o mandatário brasileiro Jair Bolsonaro segue sem cumprimentar o vencedor Joe Biden. O que era uma diplomacia do silêncio a favor do derrotado Donald Trump tornou-se uma espécie de antidiplomacia com a maior potência mundial, em que Bolsonaro ameaça usar armas contra a maior potência militar mundial para, em seu entendimento, proteger a Amazônia. A declaração feita nesta semana – “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora” – espantou diplomatas que trabalham em Brasília. Para quatro deles ouvidos pela reportagem, a fala demonstra que o presidente está ignorando os gestos de aproximação feito por seu vice, o general Hamilton Mourão, que tenta garantir uma relação mais cordial e plural com diversos países. Nesta sexta, Mourão disse em entrevista à Rádio Gaúcha que “como indivíduo” reconhecia que a vitória de Biden nas eleições “está cada vez mais irreversível”.

Mourão comandou uma comitiva de embaixadores europeus em viagem à Amazônia na semana passada, na qual ele tentou demonstrar que o governo estaria agindo no enfrentamento ao desmatamento e aos incêndios florestais ilegais. Quando retornou a Brasília, na segunda, 9, disse a jornalistas que o presidente se pronunciaria quando os votos dos americanos fossem todos contados. Foi desautorizado por Bolsonaro, que disse não estar tratando sobre nenhum assunto com o vice. Mas a pressão ao seu redor aumenta, depois de Biden ser confirmado vencedor no Estado do Arizona, nesta quinta, o que fez a China reconhecer a vitória do democrata, isolando ainda mais o gesto do presidente brasileiro.

A primeira reação aos discursos oficiais pode vir já do governo Biden, que pretende criar uma lista de países “criminosos do clima”, na qual um dos primeiros alvos poderia ser o Brasil. O objetivo é forçar os governos a se empenharem a cumprir a meta do acordo de Paris de impedir um aumento da temperatura global acima de 2ºC. As informações foram reveladas pelo site Vox. Biden pretende renovar os compromissos dos Estados Unidos com acordo climático de Paris, do qual Trump o retirou. Neste contexto, o Brasil tem sido visto como uma espécie de vilão ambiental, que pouco age para impedir desmatamentos ou incêndios na Amazônia e no Pantanal. Ao contrário, enfraquece os mecanismos de fiscalização e de punição aos responsáveis pelos crimes.

Dois dos diplomatas que acompanharam o grupo na viagem à Amazônia relataram ao EL PAÍS que parece haver dois governos distintos: o dos discursos radicais de Bolsonaro e de seu chanceler Ernesto Araújo e o de Mourão, que busca constante aproximação. “O diálogo [com Mourão] flui bem, mas na prática não vemos nada muito efetivo ocorrendo”, disse um deles à reportagem.

E, mesmo sendo desautorizado pelo presidente, o vice segue o defendendo. Nesta quinta-feira, disse a jornalistas que Bolsonaro usou uma “figura de retórica” ao usar o termo pólvora. O próprio Bolsonaro relatou a interlocutores em conversas reservadas, que “exagerou”, mas não se desculpou ou se explicou publicamente.

Desconforto

Para o cientista político da consultoria Dharma, Creomar de Souza, há uma espécie de desconforto simbólico para Bolsonaro, que não consegue sustentar a política externa conservadora. “As declarações do presidente têm mais impacto para público interno do que sobre a política externa como um todo”, disse. Mas até entre seus apoiadores, Bolsonaro sofreu críticas. Em três grupos do WhatsApp que são monitorados pela reportagem houve quem reclamasse da fala do presidente sobre usar a pólvora para enfrentar os EUA. Após apresentar um meme em que, meia hora depois de iniciar um confronto bélico, o Brasil já era rebatizado de “South Hawaii”, membros do grupo disseram que o presidente deveria estar “surtando” para confrontar os americanos ou que ele deveria “ficar calado para não dar munição à esquerda”, que lhe faz oposição.

Nesse contexto, para evitar embates, o presidente já foi aconselhado a trocar seus ministros de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A ideia era fazer uma sinalização positiva aos Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Até o momento, contudo, o presidente tem sustentado ambos e respaldado os atos de Araújo.

Na sua conta, o mandatário tenta creditar atos que não foram necessariamente seus, mas de burocratas que negociam há anos alguns tratados como o acordo Mercosul União Europeia ou o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC, na sigla em inglês). Entre outras medidas, esse compromisso prevê a facilitação do comércio e o combate à corrupção. Ainda assim, seu andamento depende da boa vontade do presidente eleito nos EUA. “Como ele não é um acordo tarifário, você deixa vários setores da economia brasileira vulneráveis às políticas públicas que o novo Governo venha a decidir e que o próprio Trump utilizou, como quando ele sobretaxou o aço que comprava do Brasil”, disse Souza.

Bloqueio a Huawei

Ainda na seara econômica, outro ponto que está em jogo é a interferência dos EUA no leilão do 5G. Nesta semana, o Governo brasileiro endossou a iniciativa americana sobre o 5G e sinalizou que pode banir a empresa chinesa Huawei do leilão da banda larga de última geração que ocorrerá em 2021. O gesto ocorreu em na reunião entre o chanceler Araújo e o secretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach. Na ocasião, o chanceler concordou em apoiar os princípios da Clean Network, que é uma iniciativa para frear as empresas chinesas do setor de telecomunicações, como a Huawei. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a demonstrar que aceitará esse veto.

Em conversas com investidores brasileiros, Krach relatou que, independentemente de quem governar os EUA, essa pressão sobre o 5G permanecerá. Segundo ele relatou, esse é um tema bipartidário em uma briga geopolítica entre as duas maiores potências mundiais.

Para o presidente da Federação dos Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços de Telecomunicações, João de Moura Neto, falta visão estratégica ao Brasil ao se aliar automaticamente nessa pauta aos Estados Unidos. “É ignorar que a maior parte dos equipamentos de comunicações no Brasil hoje já é da Huawei. O que farão com eles?”, questionou. Na visão de Neto, há o risco de haver uma demissão em massa de trabalhadores e aumentar os preços dos equipamentos em até cinco vezes, como ocorreu em alguns Estados americanos que viram reduzir a quantidade de fornecedores.

O leilão, contudo, deverá ocorrer apenas no segundo semestre do ano que vem. Até lá, Bolsonaro irá tatear o território para saber se segue esse alinhamento com os americanos ou se radicaliza de vez a estratégia, dando espaço para se tornar, de fato, um pária internacional.

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