O Papa Francisco afirmou nesta terça-feira (23), durante o lançamento de um livro em Roma, que o populismo nasce "semeando o ódio" e citou como exemplo a ascensão de Adolf Hitler.
Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano
Foto: ANSA / Ansa
O livro defende a criação de uma "nova aliança" entre as gerações e foi lançado no Instituto Patristico Augustinianum, faculdade católica que fica a poucos passos da Praça São Pedro. "Que [os jovens] saibam como começam os populismos: você disse algo muito feio, mas muito belo: semear o ódio. Não se pode viver semeando o ódio", acrescentou o Papa.
As declarações de Franciscoforam dadas em resposta à pergunta de uma moradora de Florençaque dá aulas de italiano para refugiados e está preocupada com o crescimento do sentimento de ódio no país em função da crise migratória. "Essa é a estrada para o suicídio da humanidade: semear o ódio", afirmou.
'Moro, o juiz, trocou a toga por atuação como cabo eleitoral. Na semana da eleição soltou peça de campanha anti-PT... Peça que somada ao evangelismo midiático deste Estado dito "laico" impulsiona Bolsonaro.
(...) Não faltaram sinais da escuridão a caminho. Aqui, em 14 de Março de 2013, um entre dezena de alertas:
-Bolsonaro é uma semente do fascismo.
Mestre no jornalismo brasileiro, escritor, Sérgio Augusto referiu-se ao Brasil, há dias, como "Caricatura da República de Weimar..."
Crise política, crise econômica, milhões de desempregados, ataques à arte e educação, apoio empresarial à extrema-direita, ódio às esquerdas...e Mídias engajadas...
Assim foi a "República de Weimar", a rampa de lançamento de Hitler e do nazismo.
-Há os que o querem Lula longe da Vida terrena. Há os que o querem preso. Não descansarão enquanto não conseguirem.
Moro como operador político não é fato novo. Nem isolado. O juiz Bretas, também Lava Jato, curtiu posts de... Bolsonaro.
Rosangela, casada com Moro, postou contra "votar em bandido". Não explicitou qual dos bandidos a incomoda..
Generais da reserva com Bolsonaro. Que teria maioria no Comando do Exército.
Não faltaram sinais da escuridão a caminho.
Aqui, em 14 de Março de 2013, um entre dezena de alertas:
-Bolsonaro é uma semente do fascismo.
Mestre no jornalismo brasileiro, escritor, Sérgio Augusto referiu-se ao Brasil, há dias, como "Caricatura da República de Weimar..."
Crise política, crise econômica, milhões de desempregados, ataques à arte e educação, apoio empresarial à extrema-direita, ódio às esquerdas...e Mídias engajadas...
Assim foi a "República de Weimar", a rampa de lançamento de Hitler e do nazismo.
"O ponto é que já não mais se trata de discutir votos para este ou aquele candidato; estamos presenciando em 2018, 30 anos após a promulgação da Constituição Cidadã, um candidato líder nas pesquisas que dedica votos no Congresso ao torturador Ustra, cujo vice, que defende uma Constituinte sem a participação do povo, desdenha de negros e índios, diz que 13º é jabuticaba e tem de extinguir, é presidente de um Clube Militar que vai à imprensa fragilizar o Judiciário e o Estado de Direito." Do Conjur
Abstract: Clube Militar: como levar a sério um clube que não respeita as suas próprias regras? Talvez por isso queiram acabar com a Constituição!
Em manifesto, o Clube Militar classificou o Poder Judiciário brasileiro como “corporativista e destoado da realidade brasileira”, um órgão que causa “incerteza jurídica e sensação de impunidade”. No mesmo documento, o tal clube chama a elite empresarial e política de “medíocre” e diz que o próprio Estado como tal é “politicamente partidarizado, aparelhado e tomado pela corrupção”.
Talvez o leitor desavisado esteja pensando que este ensaio é mais uma distopia, similar àquela que escrevi aqui na ConJur. Lamentavelmente, caro leitor, não é o caso. O tal Clube Militar realmente divulgou esse manifesto.
Por mais absurdo que seja, não me surpreende em absolutamente nada. Afinal, como esperar que um clube que não respeita as próprias regras respeite as regras do jogo que a democracia impõe?
Ups. Explicarei.
O parágrafo 2º do artigo 2º do regulamento do própriaquo Clube Militar — ah, antes que a turma da pós-verdade recuse os fatos em favor das interpretações, o link está aqui — diz que “[o] Clube manter-se-á estranho a matéria de religião, política partidária ou discriminação de qualquer natureza”. Bom, o clube até não disse algo sobre discriminação, mas o seu presidente, sim. Ele é o general Mourão, candidato a vice de Bolsonaro. Sua declaração discriminatória foi feita quando ainda presidente, uma vez que se licenciou do cargo no dia 10 de setembro.
Além do mais, embora o clube não fale diretamente em candidato(s), até agosto atuava, conforme se vê na notícia da Folha de S.Paulo, em favor de Bolsonaro. O manifesto endossa as propostas de Bolsonaro. Tudo esculpido em carrara. O que é um bicho que tem pelo de gato, olho de gato, rabo de gato, pé de gato... Se não for gato, é uma gata. Leão é que não é.
Pois é. Para quem está disposto a rasgar o próprio documento que lhe sustenta, rasgar a Constituição não significa nada. Como se diz, rasgar a CF é fichinha. Aliás, o presidente do clube (até setembro) defendeu uma constituinte sem povo, feita por notáveis, proposta que só se realizaria se não existisse um Supremo Tribunal Federal, porque absolutamente inconstitucional.
Certo, chega de ironias. A situação é grave demais para brincadeiras, mais grave ainda para omissões. Então, em outras palavras, e dando nome aos bois, o que quero dizer aqui é mais ou menos o seguinte: pouco me importa se você gosta ou não gosta do Bolsonaro, do Haddad, do Alckmin, do cabo Daciolo, de quem for. Um dos motivos pelos quais eu também lutei pela democracia foi que pudéssemos escolher nossos próprios representantes. Então, repito, deixo claro: se você gosta do Bolsonaro, o problema é seu.
O ponto é que já não mais se trata de discutir votos para este ou aquele candidato; estamos presenciando em 2018, 30 anos após a promulgação da Constituição Cidadã, um candidato líder nas pesquisas que dedica votos no Congresso ao torturador Ustra, cujo vice, que defende uma Constituinte sem a participação do povo, desdenha de negros e índios, diz que 13º é jabuticaba e tem de extinguir, é presidente de um Clube Militar que vai à imprensa fragilizar o Judiciário e o Estado de Direito.
É mesmo isso que queremos?
O Grande Inquisidor de Dostoiévski já dizia: “Não há nada de mais sedutor para o homem do que o livre arbítrio, mas também nada de mais doloroso”.
Talvez seja isso. Talvez a democracia esteja exigindo demais de nós. Cidadania, responsabilidade moral e política, respeito pelo Estado de Direito e pela legislação, separação de Poderes... Tudo isso é muito difícil. Como disse o grande inquisidor a Jesus, a culpa é sua, que exigiu demais de todos nós! Pois é.
O problema, leitor, é que o Clube Militar não vai ser capaz de nos salvar. Não adianta recusar os deveres que a democracia impõe a nós porque os achamos muito difíceis. Porque somos humanos.
Somos humanos. Sartre dizia que, enquanto humanos, somos condenados à liberdade. Nossa liberdade parece ameaçada, então, penso ser mais adequado colocar nos seguintes termos: somos seres condenados à escolha.
Isso significa que, até mesmo quando, ingenuamente, abrimos mão de nossa tão difícil liberdade, estamos fazendo a escolha de não escolher.
Sim, avisemos aos navegantes: o espectro do autoritarismo ronda o Brasil. Só não vê quem não quer. Aliás, as ameaças à democracia nem veladas são. No manifesto, nada e ninguém presta: nem o Judiciário nem os empresários. Pergunto: afinal, quem é bom? Quem presta?
Enquanto as igrejas cristãs na Síria condenam em tom enérgico os ataques da coalizão liderada pelos EUA ao país, o Papa atua pela paz e a Rússia desmonta de maneira cabal a farsa das “armas químicas”
Por Mauro Lopes
Num mundo submetido ao poder imperial do capitalismo em sua etapa mais brutal, tudo é guerra, luta, confronto ideológico. É assim no Brasil na campanha dos ricos contra Lula; assim é em escala global ao redor da guerra na Síria. Provavelmente você não ficou sabendo, porque as mídias controladas pela lógica do sistema esconderam, mas:
1) todas as igrejas cristãs na Síria condenaram de maneira veemente o ataque dos EUA, Inglaterra e França ao país, na noite de sexta-feira (13);
2) O Papa atua pela paz, em articulação com o Patriarca Ortodoxo Russo Kirill; uma delegação multirreligiosa síria chegou ao Vaticano no domingo para, nas palavra do líder da comitiva, Nasr Al Hariri, dialogar com “a autoridade moral mundial que pode nos ajudar”;
3) o governo russo apresentou provas irrefutáveis de que a versão ocidental sobre uso de armas químicas pelo governo sírio é falsa.
Patriarcas sírios
Numa declaração conjunta, os três patriarcas sírios afirmaram que “condenam e denunciam a agressão brutal que ocorreu esta manhã (no sábado) na Síria, nosso precioso país, pelos EUA, França e Reino Unido, alegando que o governo sírio usou armas químicas”. A declaração foi assinada por John X, Patriarca Grego-Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente; Ignatius Aphrem II, Patriarca Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente, e Joseph Absi, Patriarca Católico Greco-Melquita de Antioquia, Alexandria e Jerusalém, conforme reportagem de Inés San Martin veiculada no Crux. (a seguir, trechos da reportagem).
De acordo com os religiosos, a “agressão brutal” viola o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, porque é uma “agressão injustificada” em um país soberano.
Assim como fizeram outros antes deles, também questionaram a suposta utilização de armas químicas pelo governo sírio, dizendo que tal afirmação, usada para justificar os ataques aéreos, é “injustificada e não é fundamentada em evidências claras e suficientes”.
Na sexta-feira, investigadores de crimes de guerra das Nações Unidas condenaram a suspeita de uso de armas químicas na cidade síria de Douma, na zona leste de Ghouta, e no momento da explosão especialistas viajavam ao país para investigar o suposto ataque que matou dezenas de pessoas.
De acordo com os patriarcas, o fato de o atentado ter ocorrido antes de a comissão dar início aos trabalhos “prejudica” os esforços da investigação. Definindo-o como “brutal” e “injusta”, eles também afirmaram que o ataque incentiva organizações terroristas e “dá força para continuar o terrorismo”.
“Chamamos todas as igrejas dos países que participaram da agressão a cumprir seus deveres de cristãos, segundo os ensinamentos do Evangelho, condenando-a e pedindo que seus governos se comprometam com a proteção da paz internacional”, escreveram.
O Papa e Kirill; o Vaticano
Na sábado, segundo a agência russa TASS, o patriarca ortodoxo Kirill telefonou para Francisco –desde o encontro histórico em Havana, há dois anos, depois de mais de mil anos de separação e confronto, a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa aproximam-se cada vez mais. Segundo Kirill, os dois líderes estão buscando articulações para interromper a guerra e encerrar os ataques à Síria.
Francisco tem buscado aproximação cada vez maior com a Rússia. Ele pretende ser o primeiro Papa a visitar a Rússia. O cardeal Pietro Parolin esteve no país entre 20 a 24 de agosto –desde 1888 um secretário de Estado do Vaticano não pisava em solo russo; esteve com Putin e com Kirill.
“O resultado é substantivamente positivo” –assim resumiu Parolin o resultado de sua viagem. De fato. Na ocasião, o governo russo comprometeu-se a usar sua força (inclusive militar) no Oriente Médio para defender as minorias religiosas. Além disso, reafirmou-se a identidade entre Moscou e o Vaticano na visão sobre a Síria, de apoio ao governo de Bashar al-Assad e longe dos jihadistas –financiados pelos EUA.
As mídias do Vaticano têm reverberado os protestos das igrejas sírias contra o ataque da frente EUA/Inglaterra/França. Antoine Audo, bispo caldeu de Alepo, denunciou em entrevista à Rádio Vaticano que o bombardeio de sexta provou que a comunidade internacional está tentando fazer na Síria o que fez no Iraque, “quando destruíram o país dizendo que havia armas químicas”. “O que fizeram no Iraque estão fazendo agora na Síria”, disse. O bispo Audo questionou: “Como é possível o Assad ter usado armas químicas para se defender?”.
O bispo caldeu foi incisivo ao desmontar as justificativas de Trump para o ataque: “É surpreendente que o ataque tenha ocorrido justamente quando estava prestes a começar a missão dos inspetores da ONU chamados para investigar o uso de armas químicas atribuído ao regime de Damasco”. Foi mais longe: “Como é possível que Assad – pergunta-se – tenha utilizado armas químicas justo quando o seu exército recuperou a região de Ghouta? Não é lógico”.
O bispo Georges Khazen, vigário apostólico de Aleppo, disse à agência de notícias da Conferência Episcopal Italiana, Sir, que o ataque teve como objetivo inviabilizar na prática a investigação sobre o suposto uso de armas químicas na cidade de Douma: “após essa investida será tudo mais difícil”, pela destruição causada.
A Rússia e a farsa das “armas químicas”
A farsa das “armas químicas” plantada pelos EUA e Inglaterra é insustentável, como o sabem todos os líderes mundiais. E é esta farsa que está na base da reação das igrejas sírias, do Vaticano, do Patriarca Kirill e outros. Ela foi integralmente desmontada pelos russos.
Numa entrevista coletiva, o ministro da Defesa russo, general Ígor Konashénkov apresentou provas de como foi articulada a farsa do uso de armas químicas pelo governo sírio. Na entrevista, foi veiculado um vídeo com um médico e um estudante de medicina do hospital central de Douma mostrando como foi feita a montagem que transformou pessoas vítimas de fumaça proveniente de um ataque a bombas em “vítimas de armas químicas”.
Você pode ver a entrevista com o ministro russo e assistir o vídeo com os médicos sírios clicando aqui ou logo abaixo. É uma reportagem da Sputnik News, agência de notícias do governo russo. Podem argumentar, que “ah, mas é uma agência dos russos” –e o que é a Globo ou as mídias do comerciais globais senão agências do capitalismo? O fato é que as provas da armação são patentes. A seguir, a entrevista com o ministro russo:
Toda a história do suposto agente químico foi armada pelo grupo Capacetes Brancos, que se apresenta à opinião pública como a Defesa Civil síria –há até documentários que os apresentam como heróis destemidos- mas é um grupo patrocinado pelos governos dos EUA e Inglaterra. Os Capacetes Brancos já foram flagrados simulando resgates e confessaram a encenação, portando armas e atuando lado a lado da Al Qaeda. O site dos Capacetes Brancos pertence ao grupo de advocacia The Syria Campaign, registrado na Inglaterra.
Como se pode ver no vídeo dos médicos sírios, um grupo de homens invadiu em 8 de abril a sala de emergência do hospital com várias câmeras de vídeo, com os Capacetes Brancos levando crianças feridas aos gritos de que haviam sido vítimas de armas químicas (quando na verdade estavam intoxicadas por fumaça), começaram a jogar água sobre as pessoas e, logo depois de gravadas as cenas, desapareceram –as imagens aparecerem pouco depois em toda a mídia ocidental como a “prova” do uso das armas químicas. Veja o vídeo dos médicos:
Uma farsa tosca montada pelos Estados Unidos e Inglaterra colocou a paz do mundo em risco. O esforço para a manutenção da paz está operando o quase milagre de unir aqueles que estiveram distantes por muito tempo.
"Na Quarta-Feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou cedo a destilar ódio contra muçulmanos ao apoiar as opiniões de um pequeno grupo de justiceiros britânicos autointitulado Britain First (“Grã-Bretanha Primeiro”). Ele compartilhou três tuítes da vice-presidente da organização." - Robert Makey
NA QUARTA-FEIRA, 0 PRESIDENTE dos Estados Unidos, Donald Trump, começou cedo a destilar ódio contra muçulmanos ao apoiar as opiniões de um pequeno grupo de justiceiros britânicos autointitulado Britain First (“Grã-Bretanha Primeiro”). Ele compartilhou três tuítes da vice-presidente da organização.
THE PRESIDENT OF THE UNITED STATES, DONALD TRUMP, HAS RETWEETED THREE OF DEPUTY LEADER JAYDA FRANSEN'S TWITTER VIDEOS! DONALD TRUMP HIMSELF HAS RETWEETED THESE VIDEOS AND HAS AROUND 44 MILLION FOLLOWERS! GOD BLESS YOU TRUMP! GOD BLESS AMERICA! OCS @JaydaBF@realDonaldTrumppic.twitter.com/Cym2XCVpN9
Tuíte do Britain First: “O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retuitou três vídeos da nossa vice-presidente Jayda Fransen! Foi o próprio Trump quem compartilhou os vídeos, e ele tem cerca de 44 milhões de seguidores! Deus o abençoe, Trump! Deus abençoe os EUA!”
Trump deve saber, mas Britain First não é uma homenagem ao seu slogan de campanha, “America First”. Trata-se de um grupo de dissidentes do British National Party, um partido declaradamente racista, que exige a proibição do Islã e defende uma “ação militante direta” contra muçulmanos britânicos, inclusive contra políticos eleitos, chamados por eles de “ocupantes”. Os poucos membros do Britain First perseguem esses muçulmanos desde 2014, em ações batizadas de “patrulhas cristãs”.
As atividades do grupo normalmente se limitam a importunar e provocar seus inimigos, mas, no último verão europeu, um supremacista branco britânico assassinou Jo Cox, uma deputada que defendia a permanência do Reino Unido na União Europeia. Ao esfaquear e atirar contra a vítima, o criminoso gritou: “Britain First!”
Brendan Cox, marido da deputada, logo criticou Trump pelo seu apoio aos extremistas.
Trump has legitimised the far right in his own country, now he’s trying to do it in ours. Spreading hatred has consequences & the President should be ashamed of himself.
“Trump legitimou a extrema-direita em seu próprio país e agora está tentando fazer o mesmo no nosso. Espalhar o ódio tem consequências, e o presidente deveria se envergonhar.”
Mais tarde, a primeira-ministra britânica, Theresa May, respondeu ao tuíte de Trump. “O Britain First quer dividir nossas comunidades com uma narrativa de ódio que só propaga mentiras e aumenta tensões”, declarou. “A esmagadora maioria do povo britânico rejeita a retórica preconceituosa da extrema-direita, que é a antítese dos valores do nosso país, que são de integridade, tolerância e respeito. O presidente americano errou”, completou.
Ainda na quarta-feira, Trump tentou responder a May, mas sua réplica maliciosa acabou acidentalmente endereçada a outra usuária do Twitter, que tem o mesmo nome da primeira-ministra, apenas seis seguidores.
“Theresa, não se preocupe comigo. Preocupe-se com o terrorismo radical islâmico dentro do Reino Unido. Nós estamos muito bem!”
A Grã-Bretanha tem determinadas leis para punir discurso de ódio, e Trump pode vir a ter problemas caso queira visitar o país. Quando ainda era ministra do Interior, May incluiu dois blogueiros islamofóbicos americanos – Pamela Geller e Robert Spencer – em uma lista de “extremistas” proibidos de entrar no país, com o argumento de que a presença deles poderia “promover o ódio e levar à violência entre diferentes comunidades do Reino Unido”. A proibição, imposta em 2013, foi uma reação ao conteúdo dos blogs de Geller e Spencer, que planejavam participar de uma manifestação em Londres organizada pelo grupo anti-islâmico English Defence League.
Em 2009, o deputado holandês Geert Wilders foi proibido de entrar no Reino Unido depois que o Ministério do Interior considerou seus discursos antimuçulmanos como “uma ameaça para a harmonia social, e, portanto, para a segurança pública”.
Chris Bryant, um deputado do Partido Trabalhista, atualmente na oposição, observou que May também havia proibido a entrada de um supremacista branco americano – Matthew Heimbach – em 2015, e que Trump deveria receber o mesmo tratamento pelas mesmas razões.
In 2015 Theresa May as Home Secretary banned Matthew Heimbach, a white supremacist, and Tayler, the Creator, a homophobic rap singer from UK. She should now ban hatred-inciting Trump, not hold hands with him.
“Em 2015, quando era ministra do Interior, Theresa May proibiu a entrada no Reino Unido de Matthew Heimbach, um supremacista branco, e de Tayler, the Creator, um cantor de rap homofóbico. Agora, em vez de andar de mãos dadas com ele, ela deveria proibir a entrada de Trump, que está promovendo o ódio.”
Nadhim Zahawi, um deputado conservador de origem curda nascido em Bagdá, eleito pela cidade de Stratford-on-Avon, escreveu para Trump para pedir que apagasse tuítes, pois os vídeos compartilhados “agrupam todos os muçulmanos em um estereótipo distorcido, com o objetivo de promover o ódio contra a comunidade islâmica”.
“Minha carta para Donald Trump sobre os tuítes de hoje.”
Na carta, Zahawi afirma querer que Trump mantenha seu plano de voltar ao Reino Unido em 2018, para que possa ver em primeira mão “como nossas comunidades muçulmanas convivem pacificamente com as demais (…) e estão muito longe dos estereótipos veiculados pelos vídeos do Britain First”.
Sadiq Khan, o prefeito trabalhista de Londres, que já foi atacado por Trump por ser muçulmano, também condenou o apoio do presidente americano ao grupo de extrema-direita.
“Britain First é uma organização desprezível, alimentada pelo ódio e cujas opiniões devem ser condenadas, e não difundidas.”
Há uma preocupação, tanto no governo quanto na oposição, de que o comportamento de Trump possa prejudicar a luta contra o terrorismo. Uma das estratégias de contraterrorismo do Reino Unido é refutar a ideia de que o Ocidente esteja em guerra contra os muçulmanos. Alistair Burt, deputado conservador que trabalho no ministério das Relações Exteriores britânico, tuitou:
As Minister for the Middle East, proud of our relationships with the Islamic world and those within it, the White House tweets are both alarming and despairing tonight. This is so not where the world needs to go.
“Como secretário de Estado para o Oriente Médio, tenho orgulho de nossas relações com o mundo islâmico e seus habitantes, e considero os tuítes da Casa Branca alarmantes e desanimadores. O mundo não precisa disso agora.”
Justin Welby, arcebispo de Canterbury, também pediu que Trump apagasse os tuítes:
“Também peço para que o presidente Trump apague urgentemente os tuítes do Britain First e deixe clara a sua oposição ao racismo e ao ódio.”
Os vídeos compartilhados por Trump continham imagens de atos violentos, acompanhadas de textos com o objetivo de provocar revolta contra o Islã.
Nenhum dos incidentes filmados era recente, o que indica que foram escolhidos simplesmente para manchar a imagem dos muçulmanos. Isso faz parte da estratégia de Jayda Fransen, que consiste em provocar a indignação e o confronto, tanto online quando nas pequenas – e quase vazias – manifestações realizadas pelo Britain First em bairros muçulmanos.
Apesar do que afirma Fransen, não há provas de que o primeiro dos três vídeos – um adolescente holandês agredindo um rapaz de muletas – tenha alguma relação com muçulmanos. A pedido da vítima e da polícia, o vídeo foi apagado do site holandês onde havia sido publicado, mas não havia nenhuma informação sobre a crença ou a etnia do agressor na legenda original do vídeo e na matéria que noticiava a prisão do criminoso. O Ministério Público da região da Holanda do Norte, onde o crime aconteceu, em maio, publicou uma declaração na quarta-feira, segundo a qual o agressor havia “nascido e crescido na Holanda” e que, portanto, não era um imigrante.
That video @realDonaldTrump retweets of a Muslim boy beating up a Dutch boy turns out to be a video of a Dutch boy with dark hair beating up a Dutch boy with blond hair. https://t.co/8pFZGWwl2Y
“O vídeo compartilhado por Donald Trump, com um suposto garoto muçulmano espancando um garoto holandês, na verdade, é um vídeo de um garoto holandês de cabelo preto espancando um garoto holandês de cabelo louro.”
Não é a primeira vez que Fransen e seus colegas manipulam os títulos de vídeos viralizados para acusar muçulmanos ou imigrantes de violência. Em agosto, ela compartilhou um vídeo de um rapper britânico em uma briga de rua na Espanha, acrescentando uma legenda falsa, que acusava supostos imigrantes de atacar moradores. Em outro caso, como noticiado pelo HuffPost, um dos líderes do Britain First, Paul Golding, usou, em três ocasiôes, o vídeo de torcedores de críquete paquistaneses comemorando uma vitória em Londres, em 2009, para acusar muçulmanos de estarem celebrando atentados terroristas em Paris.
No início deste ano, Golding também compartilhou um vídeo com dezenas de membros do Britain First gritando palavras de ordem em apoio a Trump enquanto eram protegidos por um cordão policial em uma grande manifestação contra o racismo em Londres.
Os outros dois incidentes que Trump considerou urgentes o suficiente para compartilhar com o resto dos EUA e do mundo aconteceram em 2013.
No primeiro, um combatente islamista na Síria destrói uma estátua da Virgem Maria diante de uma câmera. O vídeo circula na internet desde outubro de 2013, quando foi adicionado à coleção do Middle East Media Research Institute, um observatório pró-Israel que vasculha a internet e programas de TV em busca de afirmações e atos revoltantes ou constrangedores de fundamentalistas islâmicos.
O segundo episódio, o brutal assassinato de um adolescente egípcio por extremistas islâmicos, aconteceu em julho de 2013, depois de confrontos na cidade de Alexandria entre partidários do presidente egípcio deposto, Mohamed Morsi, e seus adversários.
Para a Grã-Bretanha, o apoio de Trump a uma ativista obscura como Fransen não é uma trivialidade, principalmente depois de ela ter sido presa neste mês, acusada de cometer o crime de incitação ao ódio – que consiste em usar palavras “que promovam o ódio ou provoquem medo” – em um discurso para 50 seguidores em Belfast, no último verão. E, pela maneira compulsiva com que ela compartilha vídeos de violências atribuídas a muçulmanos, é exatamente isso que ela parece querer fazer. Consequentemente, Trump poderia ser visto como seu cúmplice.
Esse não é o primeiro atrito de Fransen com a lei. Ela foi condenada a pagar uma multa no ano passado por perseguição religiosa, depois que um membro do Britain First publicou, com orgulho, um vídeo no qual ela gritava e insultava um mulher de hijab – o véu islâmico – enquanto brandia um enorme crucifixo branco.
The Muslims of Luton claim they've taken our country from us! It seems my Christian cross really offends them! pic.twitter.com/KJOpzXBqDN
“Os muçulmanos de Luton dizem que tomaram o nosso país! Pelo visto eles ficam muito ofendidos com a cruz cristã!”
No fim da quarta-feira, Fransen compartilhou mais um vídeo no Twitter, no qual ela agradecia a Trump e pedia que ele intercedesse a seu favor, para que ela não fosse condenada por incitação ao ódio pelas autoridades britânicas, que, segundo ela, “seguem a sharia [a lei islâmica]”.