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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mauro Lopes: Igrejas na Síria confrontam EUA; Papa age pela paz; Rússia desmonta a farsa


Do site Caminho pra Casa, de Mauro Lopes:



Enquanto as igrejas cristãs na Síria condenam em tom enérgico os ataques da coalizão liderada pelos EUA ao país, o Papa atua pela paz e a Rússia desmonta de maneira cabal a farsa das “armas químicas”
Por Mauro Lopes
Num mundo submetido ao poder imperial do capitalismo em sua etapa mais brutal, tudo é guerra, luta, confronto ideológico. É assim no Brasil na campanha dos ricos contra Lula; assim é em escala global ao redor da guerra na Síria. Provavelmente você não ficou sabendo, porque as mídias controladas pela lógica do sistema esconderam, mas:
1) todas as igrejas cristãs na Síria condenaram de maneira veemente o ataque dos EUA, Inglaterra e França ao país, na noite de sexta-feira (13);
2) O Papa atua pela paz, em articulação com o  Patriarca Ortodoxo Russo Kirill; uma delegação  multirreligiosa síria chegou ao Vaticano no domingo para, nas palavra do líder da comitiva, Nasr Al Hariri, dialogar com “a autoridade moral mundial que pode nos ajudar”;
3) o governo russo apresentou provas irrefutáveis de que a versão ocidental sobre uso de armas químicas pelo governo sírio é falsa.
Patriarcas sírios
Numa declaração conjunta, os três patriarcas sírios afirmaram que “condenam e denunciam a agressão brutal que ocorreu esta manhã (no sábado) na Síria, nosso precioso país, pelos EUA, França e Reino Unido, alegando que o governo sírio usou armas químicas”. A declaração foi assinada por John X, Patriarca Grego-Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente; Ignatius Aphrem II, Patriarca Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente, e Joseph Absi, Patriarca Católico Greco-Melquita de Antioquia, Alexandria e Jerusalém, conforme reportagem de Inés San Martin veiculada no Crux. (a seguir, trechos da reportagem).
De acordo com os religiosos, a “agressão brutal” viola o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, porque é uma “agressão injustificada” em um país soberano.
Assim como fizeram outros antes deles, também questionaram a suposta utilização de armas químicas pelo governo sírio, dizendo que tal afirmação, usada para justificar os ataques aéreos, é “injustificada e não é fundamentada em evidências claras e suficientes”.
Na sexta-feira, investigadores de crimes de guerra das Nações Unidas condenaram a suspeita de uso de armas químicas na cidade síria de Douma, na zona leste de Ghouta, e no momento da explosão especialistas viajavam ao país para investigar o suposto ataque que matou dezenas de pessoas.
De acordo com os patriarcas, o fato de o atentado ter ocorrido antes de a comissão dar início aos trabalhos “prejudica” os esforços da investigação. Definindo-o como “brutal” e “injusta”, eles também afirmaram que o ataque incentiva organizações terroristas e “dá força para continuar o terrorismo”.
“Chamamos todas as igrejas dos países que participaram da agressão a cumprir seus deveres de cristãos, segundo os ensinamentos do Evangelho, condenando-a e pedindo que seus governos se comprometam com a proteção da paz internacional”, escreveram.
O Papa e Kirill; o Vaticano
Na sábado, segundo a agência russa TASS, o patriarca ortodoxo Kirill telefonou para Francisco –desde o encontro histórico em Havana, há dois anos, depois de mais de mil anos de separação e confronto, a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa aproximam-se cada vez mais. Segundo Kirill, os dois líderes estão buscando articulações para interromper a guerra e encerrar os ataques à Síria.
Francisco tem buscado aproximação cada vez maior com a Rússia.  Ele pretende ser o primeiro Papa a visitar a Rússia. O cardeal Pietro Parolin esteve no país entre 20 a 24 de agosto –desde 1888 um secretário de Estado do Vaticano não pisava em solo russo; esteve com Putin e com Kirill.
“O resultado é substantivamente positivo” –assim resumiu Parolin o resultado de sua viagem. De fato. Na ocasião, o governo russo comprometeu-se a usar sua força (inclusive militar) no Oriente Médio para defender as minorias religiosas. Além disso, reafirmou-se a identidade entre Moscou e o Vaticano na visão sobre a Síria, de apoio ao governo de Bashar al-Assad e longe dos jihadistas –financiados pelos EUA.
As mídias do Vaticano têm reverberado os protestos das igrejas sírias contra o ataque da frente EUA/Inglaterra/França. Antoine Audo, bispo caldeu de Alepo, denunciou em entrevista à Rádio Vaticano que o bombardeio de sexta provou que a comunidade internacional está tentando fazer na Síria o que fez no Iraque, “quando destruíram o país dizendo que havia armas químicas”. “O que fizeram no Iraque estão fazendo agora na Síria”, disse. O bispo Audo questionou: “Como é possível o Assad ter usado armas químicas para se defender?”.
O bispo caldeu foi incisivo ao desmontar as justificativas de Trump para o ataque: “É surpreendente que o ataque tenha ocorrido justamente quando estava prestes a começar a missão dos inspetores da ONU chamados para investigar o uso de armas químicas atribuído ao regime de Damasco”. Foi mais longe: “Como é possível que Assad – pergunta-se – tenha utilizado armas químicas justo quando o seu exército recuperou a região de Ghouta? Não é lógico”.
O bispo Georges Khazen, vigário apostólico de Aleppo, disse à agência de notícias da Conferência Episcopal Italiana, Sir, que o ataque teve como objetivo inviabilizar na prática a investigação sobre o suposto uso de armas químicas na cidade de Douma: “após essa investida será tudo mais difícil”, pela destruição causada.
A Rússia e a farsa das “armas químicas”
A farsa das “armas químicas” plantada pelos EUA e Inglaterra é insustentável, como o sabem todos os líderes mundiais. E é esta farsa que está na base da reação das igrejas sírias, do Vaticano, do Patriarca Kirill e outros. Ela foi integralmente desmontada pelos russos.
Numa entrevista coletiva, o ministro da Defesa russo, general Ígor Konashénkov apresentou provas de como foi articulada a farsa do uso de armas químicas pelo governo sírio. Na entrevista, foi veiculado um vídeo com um médico e um estudante de medicina do hospital central de Douma mostrando como foi feita a montagem que transformou pessoas vítimas de fumaça proveniente de um ataque a bombas em “vítimas de armas químicas”.
Você pode ver a entrevista com o ministro russo e assistir o vídeo com os médicos sírios clicando aqui ou logo abaixo. É uma reportagem da Sputnik News, agência de notícias do governo russo. Podem argumentar, que “ah, mas é uma agência dos russos” –e o que é a Globo ou as mídias do comerciais globais senão agências do capitalismo? O fato é que as provas da armação são patentes. A seguir, a entrevista com o ministro russo:
Toda a história do suposto agente químico foi armada pelo grupo Capacetes Brancos, que se apresenta à opinião pública como a Defesa Civil síria –há até documentários que os apresentam como heróis destemidos- mas é um grupo patrocinado pelos governos dos EUA e Inglaterra. Os Capacetes Brancos já foram flagrados simulando resgates e confessaram a encenação, portando armas e atuando lado a lado da Al Qaeda. O site dos Capacetes Brancos pertence ao grupo de advocacia The Syria Campaign, registrado na Inglaterra.
Como se pode ver no vídeo dos médicos sírios, um grupo de homens invadiu em 8 de abril a sala de emergência do hospital com várias câmeras de vídeo, com os Capacetes Brancos levando crianças feridas aos gritos de que haviam sido vítimas de armas químicas (quando na verdade estavam intoxicadas por fumaça), começaram a jogar água sobre as pessoas e, logo depois de gravadas as cenas, desapareceram –as imagens aparecerem pouco depois em toda a mídia ocidental como a “prova” do uso das armas químicas. Veja o vídeo dos médicos:
Uma farsa tosca montada pelos Estados Unidos e Inglaterra colocou a paz do mundo em risco. O esforço para a manutenção da paz está operando o quase milagre de unir aqueles que estiveram distantes por muito tempo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O menino Aylan Kurdi, três anos, afogado: o retrato da hipocrisia da Europa sobre os mais fracos e explorados... A questão humanista na tragédia dos refugiados e imigrantes da Síria e outros países árabes e africanos em conflito



Texto de Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  A criança refugiada apareceu morta na praia.... O menino não teve a mesma "sorte" de nascer em meio a família de banqueiros, do especulador da Bolsa, do político a decidir a nova intervenção militar em um outro país. O menino, a quem foi negado um futuro, porém conhece uma parte da vida que estas crianças de "sorte" talvez só venham a conhecer - e de forma indireta - muito mais tarde: Aylan Kurdi, o pequeno sírio, sem entender o porquê (se é que existe uma lógica coerente que justifique tudo isso) conheceu a dor do medo, do desespero, da angústia com apenas 3 aninhos.... Conheceu esse todo horror como resultado direto da ganância e desumanidade de engravatados que governam segundo os interesses financeiros de uma minoria de plutocratas insaciáveis.... 

 Aylan era o nome do pequenino de três anos encontrado morto na praia. Também mortos foram o seu irmão de cinco anos, Galip e sua mamãe, Rihan.... Todos estavam fugindo da guerra na Síria, correndo do caos (uma negação de vida) oriundo da mistura de uma guerra civil que, entre outros atores (e interesses de dentro e de fora da Síria), envolve as ações de um ditador que já foi apoiado por ocidentais, e que, na ação para derrubá-lo, encontrou o foco de um núcleo de fundamentalistas inicialmente tolerados e ajudados por países do coidente, núcleo este que transformou-se num tumor formado por fundamentalistas imbecilizados do ISIS... 

 A família de Aylan, destroçada, é uma entre tantas (que não nos tocam por não aparecem nas efemeridades descartáveis da mídia)  Todos inocientes encontrando a frieza de uma Europa que deixou de ser humana... Dorme em paz, pequenos Aylan e Galip.... Não serão mais vítimas da maldade humana...

  Que malditos sejam todos aqueles que, financiando guerras e grupos em prol de seus interesses econômicos - como foi o caso do treinamento e financimento de Bin Ladin pelos americanos em fins dos anos 80, como foi o caso da Invasão do Iraque, como foi o caso do treinamento a fundamentalistas pelo ocidente, incluindo EUA e Europa, que deu início e lastro ao que hoje é a ISIS no Oriente Médio - reduzem homens, mulheres e crianças a menos que nada, a menos que lixo, a menos que bichos! Malditos os que fazem em um lado do mundo, do mercado um deus e o utiliza para inflar, no outro lado, o fundamentalismo religioso na mesma proporção e radicalidade, como reação...

   Malditos seja os historiadores tendenciosos, que usam de pesos e medidas diferentes de acordo com a ótica de seus financiadores e de sua xenofobia....