segunda-feira, 26 de maio de 2014

Os coxinhas "esclarecidos" e a Copa


Incrível como a percepção das pessoas fica condicionada com as lentes da propaganda vinculada aos interesses econômicos de uma minoria, da mídia, ecoando a ideologia em que se indentificam, transformando situações que, aos olhos dos mesmos críticos, soam  ou parecem mais positivos desde que sejam efetuados por outras nações.... 


Em situações assim, é muito fácil ter uma percepção seletiva ou mesmo distorciva, apesar das informações de fontes confiáveis que desmentem "achismo" e "informes" catastrofistas, mas que são utilizados para minar politicamente pessoas, grupos ou setores da sociedade entendidos como problemas à velha tatica das elites de manterem o mesmo roteiro de exploração tradicional, vinculado igualmente aos interesses externos que visem ao mesmo intuito.


Estes textos a seguir visam incentivar a reflexão e demonstrar, como uma voz perdida no deserto da imbecilidade reacionária, a sordidez da ação de movimentos como "Não vai ter Copa", neste contexto....

Carlos Antonio Fragoso Guimarães



"A imprensa está agora batendo repetidamente na tecla de que no próximo ano as contas públicas não vão se sustentar e que vai haver um "boom" na economia.
Óbvio que nada disso vai ocorrer. Esse discurso da imprensa nada mais é do que uma forma de já ir preparando o terreno para se justificar certas medidas de austeridade que serão tomadas por um possível governo tucano.
Como já adiantou o provável futuro ministro da economia de Aécio, Armínio Fraga, o salário mínimo está "muito alto", e provavelmente eles tentarão sustentar a ideia de que será necessário fazer "alguns cortes" para se manter as contas públicas funcionando.
Seguindo essa linha, provavelmente virão outras medidas de austeridade, até mesmo um possível desmantelamento da Petrobrás para se abrir caminho a uma possível privatização, ou o início dela.
O terreno já está sendo preparado, e se o PSDB vencer essas eleições, veremos imensos retrocessos pela frente."


Hugo Lapa 

"Por complexo de vira-lata entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo". (Nelson Rodrigues)

Protesto de Espetáculo



Texto de Xico Sá, Folha de São Paulo

Amigo ranzinza, amigo nem aí, simplesmente este abestalhado cronista não tem como fingir: ama o futebol e protesta desde quando vocês estavam nos bagos dos vossos queridos pais. Poxa, vos peço, encarecidamente, deixem ter Copa, por favor, imploro, sei que vocês são minoria absoluta, mas também sei que é fácil fazer com dois pneus queimados os efeitos especiais de um "Apocalipse Now", o horror, o horror, do diretor Francis Ford Coppola, sei que vocês têm a bela arrogância juvenil que eu ainda guardo no meu peito murcho que só serve para amparar a dama no pós-sexo, nada mais.

Sei que vocês estão à reboque dos movimentos sociais, bravos sem-teto, que protestam a vida toda, como aqueles homens das peças do Brecht, os que lutam a vida inteira, mas, por favor, vamos deixar começar o jogo. Pelo menos meio tempo de Brasil e Croácia. Aí sim, se o Brasil jogar aquela bolinha suspeita e meia boca... Caio imediatamente para dentro do movimento.

(clique aqui para ver)

Sei que vocês, sem saber, estão favorecendo os locautes, quando a greve, no dicionário, muda de sentido: patrões dão corda para que funcionários parem. Donde os patrões que dependem de ligação direta com Estados e municípios, tipo o coronelismo metropolitano dos ônibus, ampliam seus lucros para continuar vos tratando como gado nos vagões e busões vagarosos.

Por favor, vocês viram como combati o bom combate em treta pública com o messiê colonizador Jérôme (Fifa), não me tenham, ainda, como um traidor, um Calabar da pátria em chuteiras. Por favor, deixem que a bola role. Aí conversamos. Por que vocês ficaram calados uma vida e agora querem desovar tudo? Sim, é legítimo, porém um oportunismo paga pau diante dos gringos.

Agora me senti um legítimo brizolista. Nacionalíssimo. Sem obrigatoriamente falar das perdas internacionais. A Copa é um contrário. A hora de os brasileiros pegarem os bestas que vêm de fora para a feira futebolística.


Ah, os jornais ingleses estão preocupados com a violência, ah, a mídia estrangeira. Só rindo. E nós, Pedro Bó, que, com ou sem Copa, estamos para sempre na área? Aí sim. É o que vale. Ou você acha, Jeca Tatu, que a Copa iria resolver os nossos problemas definitivamente?

Com ou sem Mundial da Fifa continuaremos, paradoxalmente, o mesmo povo, a mesma gente, o mesmo banco, o mesmo jardim. Que a pátria dos pneus queimados siga com ânimo depois da Copa, mas que não fique só na subserviência midiática do protesto de espetáculo. Oportunismo demais, na boa, pode virar um tremendo gol contra.
Não quero acreditar que vosmicê pensava que a Copa resolveria nossos males. Por favor. Nem tratemos disso, né? Agora só chamando meu amigo Darcy Ribeiro, idealizador dos Cieps, que dizia: aos trancos e barrancos, seguimos nós.



Custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação


GUSTAVO PATU
DIMMI AMORA
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

23/05/2014  02h00

Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.

Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.

Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.


A comparação deve ser relativizada porque haverá retorno, no futuro, de financiamentos. O Corinthians, por exemplo, terá de devolver os recursos que custearam o Itaquerão. Além disso, os gastos da Copa começaram a ser feitos há sete anos –concentrados nos últimos três.

Isso não quer dizer que as cifras sejam corriqueiras: num país em que os governos privilegiam a área social e têm pouca sobra para investir, são raros os projetos que mobilizam tantos recursos.
(...)

A Brincadeira da Mídia para com a opinião Pública


Luis Nassif 

Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/a-brincadeira-da-midia-com-a-opiniao-publica

É inacreditável o nível de autossuficiência atingido pelos grupos de mídia, na fase mais crítica da sua história.

Meses e meses batendo nos gastos da Copa, ajudando a criar essa barafunda informacional, de misturar investimentos em estádios com gastos orçamentários, criticando os "elefantes brancos", anotando cada detalhe incompleto de obras que ainda não estavam prontas, ignorando o enorme investimento na imagem do país.

De repente, como num passe de mágica, fazem uma pausa e, em conjunto, passam a enxergar as virtudes da Copa - maior evento publicitário do ano para eles.


O Estadão solta enorme matéria sobre "a Copa das Copas", lembra o óbvio - vai ser o evento de maior visibilidade para o Brasil, em sua história. 14 mil jornalistas levando a imagem do país para todos os cantos, o maior público de televisão para um evento.

A Folha dá o óbvio incompleto: a informação de que os gastos com a Copa representam um naco dos gastos com educação. Não ousou explicar que são recursos dierentes, que financiamentos não podem ser confundidos com gastos orçamentários, que gastos com obras são permanentes. Mas vá lá!

O que é impressionante é supor que se pode brincar dessa maneira com a opinião de seus leitores, levá-las para onde quiser, ao sabor da manchete do momento, da estratégia de ocasião. Será que não há uma cabeça estratégica para explicar que essa desconsideração para com o leitor é veneno na veia da credibilidade?

Dia desses o Ministro Aldo Rabello ao que parece assimilou as críticas contra sua ausência dos debates da Copa e deu uma boa entrevista a TV Brasil, com números e argumentos sólidos.

A explicação para a anomia do governo com o tema foi chocante. O marqueteiro do Palácio desaconselhou qualquer campanha de esclarecimento porque, segundo ele, as pessoas não estavam associando Copa com governo e a campanha poderia estabelecer essa associação.






domingo, 25 de maio de 2014

Thomas Piketty, a falácia do neoliberalismo e o pavor dos abastados, segundo Leonardo Boff




O pavor dos abastados: a desigualdade e a taxação das riquezas


Leonardo Boff

Está causando furor entre os leitores de assuntos econômicos, economistas e principalmente pânico entre os muito ricos um livro de 700 páginas escrito em 2013 e publicado em muitos países em 2014. Tranasformou-se num verdadeiro best-seller. Trata-se de uma obra de investigação, cobrindo 250 anos, de um dos mais jovens (43 anos) e brilhantes economistas franceses, Thomas Piketty. O livro se intitula O capital no século XXI (Seuil, Paris 2013). Aborda fundamentalmente a relação de desigualdade social produzida por heranças, rendas e principalmente pelo processo de acumulação capitalista, tendo como material de análise particularmente a Europa e os USA.
         A tese de base que sustenta é: a desigualdade não é acidental mas o traço característico do capitalismo. Se a desigualdade persisitir e aumentar, a ordem democrática estará fortemente ameaçada. Desde 1960, o comparecimento dos eleitores nos USA diminuiu de 64% (1960) para pouco mais de 50% (1996), embora tenha aumentado ultimamente. Tal fato deixa perceceber que é uma democracia mais formal que real.
         Esta tese sempre sustentada pelos melhores analistas sociais e repetida muitas vezes pelo autor destas linhas, se confirma: democracia e capitalismo não convivem. E se ela se instaura dentro da ordem capitalista, assume formas distorcidas e até traços de farça. Onde ela entra, estabelece imediatamente relações de desigualdade que, no dialeto da ética, significa relações de exploração e de injustiça. A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenômenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade.
         Piketty vê nos USA e na Gran Bretanha, onde o capitalismo é triunfante, os países mais desiguais, o que é atestado também por um dos maiores especialistas em desiguldade Richard Wilkinson. Nos USA executivos ganham 331 vezes mais que um trabalhador médio. Eric Hobsbown, numa de suas últimas intervenções antes de sua morte, diz claramente que a economia política ocidental do neoliberalismo “subordinou propositalmenet o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inequalitário”.       
         Em termos globais, citemos o corajoso documento da Oxfam intermón, enviado aos opulentos empresários e banqueiros reunidos em Davos nos janeiro deste ano como conclusão de seu “Relatório Governar para as Elites, Sequestro democrático e Desigualdade econômica”: 85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bihões de pobres do mundo.
         O disurso ideológico aventado por esses plutocratas é que tal riqueza é fruto de ativos, de heranças e da meritocracia; as fortunas são conquistas merecidas, como recompensa pelos bons serviços prestados. Ofendem-se quando são apontados como o 1% de ricos contra os 99% dos demais cidadãos, pois se imaginam os grandes geradores de emprego.
         Os prêmios Nobeis J. Stiglitz e P. Krugman tem mostrado que o dinheiro que receberam do Governo para salvarem seus bancos e empresas mal foram empregados na geração de empregos. Entraram logo na ciranda financeira mundial que rende sempre muito mais sem precisar trabalhar. E ainda há 21 trilhões de dólares nos paraísos fiscais de 91 mil pessoas.
         Como é possível estabelecer relações mínimas de equidade, de participação, de cooperação e de real democracia quando se revelam estas excrecências humanas que se fazem surdas aos gritos que sobem da Terra e cegas sobre as chagas de milhões de co-semelhantes?
         Voltemos à situação da desigualdade no Brasil. Orienta-nos o nosso melhor especialista na área, Márcio Pochmann (veja também Atlas da exclusão social – os ricos no Brasil, Cortez, 2004): 20 mil famílias vivem da aplicação de suas riquezas no circuito da financeirização, portanto, ganham através da especulação. Continua Poschmann: os 10% mais ricos da população impõem, historicamente, a ditadura da concentração, pois chegam a responder por quase 75% de toda riqueza nacional. Enquanto os 90% mais pobres ficam com apenas 25%”(Le Monde Diplomatique, outubro 2007).
         Segundo dados de organismos econômicos da ONU de 2005, o Brasil era o oitavo país mais desigual do mundo. Mas graças às políticas sociais dos últimos dois governos, diga-se honrosamente, o índice de Geni (que mede as desigualdades) passou de 0,58 para 0,52. Em outras palavras, a desigualdade que continua enorme, caiu 17%.
         Piketty não vê caminho mais curto para diminuir as desigualdades do que a severa intervenção do Estado e da texação progressiva da riqueza, até 80%, o que apavora os super-ricos. Sábias são as palavras de Eric Hobsbown: “O objetivo da economia não é o ganho mas sim o bem-estar de toda a população; o crescimento econômico não é um fim em si mesmo, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas”.
         E como um gran finale a frase de Robert F. Kennedy:”o PIB inclui tudo; exceto o que faz a vida valer a pena.”

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/05/25/o-pavor-dos-abastados-a-desigualdade-e-a-taxacao-das-riqueza/

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Leonardo Boff sobre o quanto de barbárie em época de ressurgimento do fascismo de direita existe em nós



Segue texto de Leonardo Boff, publicado no Brasil de Fato:


Perversidades sempre existiram na humanidade, mas hoje com a proliferação dos meios de comunicação, algumas ganham relevância e suscitam especial indignação. O caso mais clamoroso, nos inícios de maio de 2014, foi o linchamento da inocente Fabiane Maria de Jesus em Guarujá no litoral paulista. Confundida com uma sequestradora de crianças para efeito de magia negra, foi literalmente estraçalhada e linchada por uma turba de indignados.

Tal fato constitui um desafio para a compreensão, pois vivemos em sociedades ditas civilizadas e dentro delas ocorrem práticas que nos remetem aos tempos de barbárie, quando ainda não havia contrato social nem regras coletivas para garantir uma convivência minimamente humana.

Há uma tradição teórica que tentou dilucidar tal fato. Em 1895 Gustave Le Bon escreveu, quiçá por primeiro, um livro sobre a “Psicologia das massas”. Sua tese é que uma multidão, dominada pelo inconsciente, pode formar uma “alma coletiva” e passa a praticar atos perversos que, a “alma individual”, normalmente jamais praticaria.

O norte-americano H. L. Melcken ainda em 1918 escreveu “A Turba” um estudo judicioso sobre o fato e mostra a identificação do grupo com um lider violento ou com uma ideologia de exclusão que ganha então um corpo própro e, sem controle, deixa irromper o bárbaro que que ainda se aninha no ser humano. Freud em 1921 retomou a questão com o seu “Psicologia das massas e a análise do eu”. Os impulsos de morte, subsistentes no ser humano, dadas certas situações coletivas, diz ele, escapam ao controle do superego (consciência, regras sociais) e aproveitam o espaço liberado para se manifestar em sua virulência. O indivíduo se sente amparado e animado pela multidão para dar vazão à violência escondida dentro dele.

A análise mais instigante foi feita pela filósofa Hannah Arendt. Em 1961 acompanhou em Jerusalém todo o processo de julgamento do criminoso nazista Adolf Eichamann por crimes contra humanidade. Arendt escreveu em 1963 um livro que irritou a muitos: ”Eichmann em Jerusalém:um relato sobre a banalização do mal”. Ela cunhou a expressão “a banalização do mal”. Mostrou como a identificação com a figura do “Führer” e  as ordens dadas de cima podem levar às piores barbaridades com a consciência mais tranquila do mundo. Mas não só em Eichmann se expressa a barbárie.

Também naqueles judeus que extravassavam seu ódio a ele, exigindo os piores castigos, como expressão também de um mal interno.

Que concluimos disso tudo? Que um conceito realista do ser humano deve incluir também sua desumanidade. Somos sapentes e dementes. Em outras palavras: a barbárie, o crime, o assassinato pertencem ao âmbito do humano. Demos um dia, há milhares de anos, o salto da animalidade para a humanidade, do inconsciente para o consciente, do impulso destrutivo para a civilização. Mas esse salto ainda não se completou totalmente.

Carregamos dentro de nós, latente mas sempre atuante, o impulso de morte. A religião, a moral, a educação, o trabalho civilizatório foram os meios que desenvolvemos para pôr sob controle esses demônios que nos habitam. Mas essas instâncias não detém aquela força que possa submeter tais impulsos às regras de uma civilização que procura resolver os problemas humanos com acordos e não com o recurso da violência.

Cumpre reconhecer que vigora em nós ainda muita barbárie. Não diria animalidade, pois os animais se regem por impulsos instintivos de preservação da vida e da espécie. Em nós esses impulsos perduram mas temos condições de conscientizá-los, canalizá-los para tarefas dignas, através de sublimações não destrutivas, como Freud e recentemente, o filósofo René Girard com seu “desejo mimético” positivo tanto insistiram.

Mas ambos se dão conta do caráter misterioso e desafiante da persistência desse lado sombrio (pulsão de morte em dialética com a pulsão de vida) que dramatiza a condição humana e pode levar a fatos irracionais e criminosos como o linchamento de uma pessoa inocente.

Todos pensamos nos linchadores. Mas quais seriam os sentimentos de Fabiane Maria de Jesus, sabendo-se inocente e sendo vítima da sanha da multidão que faz “justiça” com suas próprias mãos? A questão principal não é o Estado ausente e fraco ou o sentimento de impunidade. Tudo isso conta. Mas não esclarece o fato da barbaridade. Ela está em nós. E a toda hora no mundo ela ressurge com expressões inomináveis de violência, algumas reveladas pela Comissão da Verdade que analisa as torturas e as abominações praticadas por tranquilos agentes do Estado de terror, implantado no Brasil.

O ser humano é uma equação ainda não resolvida: cloaca de perversidade para usar uma expressão de Pascal e ao mesmo tempo  irradiação de bondade de uma Irmã Dulce na Bahia que aliviava os padecimentos dos mais miseráveis. Ambas realidades cabem dentro desse ser misterioso – o ser humano – que sem deixar de ser humano ainda pode ser desumano.

Temos que completar ainda o salto da barbárie para a plena humanidade. A situação violenta do mundo atual, também contra a Mãe Terra nos deixa apreensivos sobre a possibilidade de um desfecho feliz deste salto. Só mesmo um Deus nos poderá humanizar. Ele tentou mas acabou na cruz. Um dos significados da ressurreição é nos dar a esperança que ainda é possível. Mas para isso precisamos crer e esperar.

sábado, 17 de maio de 2014

A mídia parcial, a sua destilação de ódio golpista e o desabafo de uma brasileira




Nunca antes na História deste pais surreal a direita esteve torcendo tanto para que sua imagem invertida, a esquerda super-radical, saia às ruas, como neste ano. Assim eles nem precisam participar do protesto, torcendo para que estes se tornem violentos. Assim, vão sentir-se novamente próximos do poder e podem tranquilamente fazer suas compras nos seus Shoppings esterelizados, sem rolerzinhos.


Segue, abaixo, o desabafo de Beth Caló, sobre o explícito cerco da mídia, com o empresariado, contra a ainda existente inteligiência vigente no Brasil:




CHEGA!

Beth Caló

Com todo mundo jogando contra não sai gol. O desrespeito ao cidadão, ao leitor e ao eleitor tornaram-se insuportáveis. A manipulação é vergonhosa. Temos direito aos fatos, à verdade. Não interessa se somos do PT, PSDB, PSOL... Não interessa! Temos o direito de decidir por nós mesmos o que é bom e o que é ruim. Em quem queremos votar. E por quê. A manipulação passou de qualquer limite aceitável.

Há descontentamento com o poder público? Sim, claro que há. Críticas a serem feitas? Óbvio que sim! Mas com a grande imprensa fechando o cerco com o único objetivo de impedir que o PT se reeleja, não dá. É subestimar nossa inteligência. É tratar a população e o eleitor feito gado, massa de manobra. Chega! Existe gente protestando e existe gente fazendo terrorismo. Parando e quebrando as cidades todos os dias. Alguém já tentou fazer uma estimativa dos prejuízos? Há quase um ano parte do comércio para dia sim, dia não, carros e centenas de ônibus são incendiados, lojas, bancos depredados... Luta democrática? Hahã. Me engana que eu gosto.

Elite + direita burra + pseudoanarquistas de quinta + desocupados encenam seu script repetitivo e repetitivamente ganham espaço na mídia, que pretende mostrar: esse país está desgovernado. Vou falar pela enésima vez: não sou militante do PT. Mas reconheço que as políticas sociais desse governo tiraram muita gente da miséria, da fome. A minha vida pessoal não mudou em nada com esse governo. Talvez, até, tenha piorado, não sei. Mas quando chego num aeroporto e vejo que, na sala de espera, está o porteiro do meu prédio, quando encontro uma ex-empregada doméstica comprando micro-ondas na mesma loja de departamentos onde faço compra, fico feliz. Feliz mesmo. Penso que ter saído às ruas para lutar pela democracia, nos anos 70, e ter dado a cara pra bater, valeu a pena.

Precisamos avançar? Sim, claro, precisamos. Mas como é que se faz para ter acesso à informações confiáveis? Onde está a reportagem investigativa que já deveria ter encontrado - e denunciado - há muito tempo quem está botando "lenha na fogueira" dos movimentos sociais, das manifestações pacíficas-e-ordeiras-só-perturbadas-por-uma-minoria-de-vândalos?

Gente da oposição, please, tome sua linha. Bota a cabeça pra pensar. Mais respeito. Esse governo foi eleito legitimamente por todos nós. Não está contente? Mostre seu descontentamento nas eleições ou em manifestações de gente adulta, politizada. Chega de referir-se ao atual governo como PTralhas. Chega. Foi difícil restabelecer a democracia nesse país. Muita gente morreu, muita gente desapareceu, muita gente foi torturada. Chega. Temos de caminhar para o aperfeiçoamento democrático e não o contrário.

É desconcertante, acachapante assistir ao que está acontecendo. Talvez seja hora de alguns colegas pedirem demissão dos veículos onde trabalham. Medida extrema, eu sei. Mas às vezes não há outra saída para mantermos nossa dignidade pessoal. Respeito próprio. E respeito pelo outro. Chega!

Pronto. Desabafei.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bob Fernandes discute porque só o "Mensalão" do PT foi parar no STF, enquanto os dos tucanos não, assim como a Compra da Reeleição por FHC, a privatiaria da Telebrás, etc.



Segue o video onde o analista político Bob Fernandes discute porque apenas o "Mensalão" do PT chegou ao Supremo enquanto escândalos muito piores foram poupados, especialmente pela mídia:



Bob Fernandes: Só o "Mensalão" acabou na justiça



Segue a transcrição do comentário de Bob Fernandes:





Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado "mensalão". Não, não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal "mensalão", ou era caixa dois. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos.

Farsa é, 14 anos depois, admitir a compra de votos para aprovar a reeleição em 98 -Fernando Henrique-, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras agora em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.


Farsa é fazer de conta que em 98 não existiram as fitas e os fatos da privatização da Telebras. É fazer de conta que a cúpula do governo não foi gravada em tramóias escandalosas num negócio de R$ 22 bilhões. Aquilo derrubou um pedaço do governo tucano. Mas não deu em CPI. Ninguém foi preso. Não deu em nada.


Farsa é esquecer que nos anos PC Farias se falava em corrupção na casa do bilhão. Isso no governo Collor; eleito com decisivo apoio da mídia. À época, a polícia federal indiciou 400 empresas e 110 grandes empresários. A justiça e a mídia esqueceram o inquérito de 100 mil páginas, com os corruptos e os corruptores. Tudo prescreveu. Fora o PC Farias, ninguém pagou. Isso foi uma farsa.


Farsa foi, é o silêncio estrondoso diante do livro "A Privataria Tucana". Livro que, em 115 páginas de documentos de uma CPI e investigação em paraísos fiscais, expõe bastidores da privatização da telefonia. Farsa é buscar desqualificar o autor e fazer de conta que os documentos não existem ou "são velhos". Como se novas fossem as denúncias agora repisadas nas manchetes na busca de condenações a qualquer custo.


Farsa é continuar se investigando os investigadores e se esquecer dos fatos que levaram à operação Satiagraha. Operação desmontada a partir da farsa de uma fita que não existiu. Fita fantasma que numa ponta tinha Demóstenes Torres e a turma do Cachoeira. E que, na outra ponta da conversa que ninguém ouviu, teve o ministro Gilmar Mendes.


Farsa é, anos depois de enterrada a Satiagraha, o silêncio em relação a US$ 550 milhões de dólares. Sim, por não terem origem comprovada, US$ 550 milhões continuam retidos pelo governo dos EUA e da Inglaterra. E o que se ouve, se lê ou se investiga? Nada. Tudo segue enterrado. Em silêncio.


O julgamento do chamado "mensalão" não é uma farsa. Farsa é isolá-lo desses outros fatos todos e torná-lo único. Farsa é politizá-lo ainda mais. Farsesco é magnificá-lo, chamá-lo de "maior julgamento da história do Brasil".


Farsa não porque esse não seja o maior julgamento. Farsa porque se esquecem de dizer que esse é o "maior" porque não existiram outros julgamentos. Por isso, esse é o "maior". Existiram, isso sempre, alianças ideológicas, empresariais, na luta pelo Poder. Farsa porque ao final prevaleceu, sempre, o estrondoso silêncio

domingo, 11 de maio de 2014

Bob Fernandes sobre Gilmar Mendes, que nada fez contra a compra da emenda da reeleição quando servia a FHC, e tanto fez por Daniel Dantas, Roger Abdelmassih e outros ricos elitistas poderosos...


Segue vídeo do comentarista político Bob Fernandes, da TV Gazeta, sobre as falastronices e hipocrisias de Gilmar Mendes:




O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, diz que o país vive "um apagão de gestão". E que "é preciso atenção devida" aos escândalos na Petrobras.

A Petrobras será alvo de CPI, vem sendo investigada pela Polícia Federal, Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União e Ministério Público. E está todos os dias nas manchetes, sob atenção total da Mídia.

Mais atenção, quase impossível. Atenção talvez seja preciso em relação a Gilmar Mendes, suas ações, história e motivos.

O ministro é inteligente e sabe o que é fazer política. No Palácio, como jurista, ele serviu aos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Que atitude… o que disse Gilmar Mendes quanto à compra de votos para aprovação da emenda da reeleição sob a presidência de Fernando Henrique?

Da mesma forma em relação às fitas do BNDES e a privatização do Sistema Telebras, que não foram objeto de qualquer CPI. Nem à época e nem depois.

Gilmar concedeu dois habeas corpus a Daniel Dantas na "Operação Satiagraha", em julho de 2008. É seu direito e parte da sua função.

Não é sua função "chamar às falas" um presidente da República, como anunciou ter feito naquele 2008.

O ministro foi ao presidente Lula cobrar escuta telefônica que teria sido feita contra ele pela ABIN.

A história era ridícula. "Escândalo" com um grampo telefônico que ninguém ouviu. 
Grampo de ficção, que deixava bem na conversa Gilmar e seu parceiro naquela história, o ex-senador Demóstenes Torres.

Aquele que foi esteio moral do DEM antes de ser cassado na esteira do caso Cachoeira & Delta. 

No chamado "mensalão do PT", Gilmar Mendes, ministro do Supremo, prejulgou. Deu o veredicto, de "quadrilha", antes do julgamento começar.

No caso Daniel Dantas, Gilmar protestou contra o "Estado policial", simbolizado pelos grampos da PF.

Grampos estão sendo vazados no caso Petrobras. E o que se ouve do mesmo ministro?…
Silêncio no Tribunal.

O ministro faria bem ao Supremo e ao país se atendesse à sua verdadeira vocação.

Como outros no Supremo Tribunal, Gilmar Mendes deveria despir a toga e ir às urnas, disputar uma eleição, um mandato.

Veja também: Quem desmoralizou o STF foi o próprio STF

sábado, 10 de maio de 2014

Quantos se manifestarão contra a pizza do mensalão tucano e outras tantas do partido de Aércio?






Leonardo Boff e a perenidade teimosa da Utopia e do sonho, apesar da "racionalização", do mecanicismo, do economicismo e do reducionismo simplista




O tempo das utopias mínimas viáveis


Leonardo Boff



Não é verdade que vivemos tempos pós-utópicos. Aceitar esta afirmação é mostrar uma representação reducionista do ser humano. Ele não é apenas um dado que está ai fechado, vivo e consciente, ao lado de outros seres. Ele é também um ser virtual. Esconde dentro de si virtualidades ilimitadas que podem irromper e concretizar-se. Ele é um ser de desejo, portador do princípio esperança (Bloch), permanentemente insatisfeito e sempre buscando novas coisas. No fundo, ele é um projeto infinito, à procura de um obscuro objeto que lhe seja adequado.
É desse transfundo virtual que nascem os sonhos, os pequenos e grandes projetos e as utopias mínimas e máximas. Sem elas o ser humano não veria sentido em sua vida e tudo seria cinzento. Uma sociedade sem uma utopia deixaria de ser sociedade, lhe faltaria um fator de coesão interna, um rumo definido pois afundaria no pântano dos interesses individuais ou corporativos. O que entrou em crise não são as utopias, mas certo tipo de utopia, as utopias maximalistas vindas do passado.
Os últimos séculos foram dominados por utopias maximalistas. A utopia iluminista que universalizaria o império da razão contra todos os tradicionalismos e autoritarismos. A utopia industrialista de transformar as sociedades com produtos tirados da natureza e da invenções técnicas. A utopia capitalista de levar progresso e riqueza para todo mundo. A utopia socialista de gerar sociedades igualitárias e sem classes. As utopias nacionalistas sob a forma do nazifascismo que, a partir de uma nação poderosa, de “raça pura”, redesenharia a humanidade, impondo-se a todo mundo. Atualmente a utopia da saúde total, gestando as condições higiênicas e medicinais que visam a imortalidade biológica ou o prolongamento da vida até a idade das céculas (cerca de 130 anos). A utopia de um único mundo globalizado sob a égide da economia de mercado e da democracia liberal. A utopia de ambientalistas radicais que sonham com uma Terra virgem e o ser humano totalmente integrado nela.
Essas são as utopias máximalistas. Propunham o máximo. Muitas deles foram impostas com violência ou geraram violência contra seus opositores. Temos hoje distância temporal suficiente para nos confirmar que estas utopias maximalistas frustraram o ser humano. Entraram em crise e perderam seu fascínio. Dai falarmos de tempos pós-utópicos. Mas o pós se refere a este tipo de utopia maximalista. Elas deixaram um rastro de decepção e de depressão, especialmente, a utopia da revolução absoluta dos anos 60-70 do século passado como a cultura hippy e seus derivados.
Mas a utopia permanece porque pertence ao ânimo humano. Hoje a busca se orienta pelas utopias minimalistas, aquelas que, no dizer de Paulo Freire, realizam o “possível viável” e fazem a sociedade “menos malvada e tornam menos difícil o amor”. Nota-se por todas as partes a urgência latente de utopias do simples melhoramento do mundo. Tudo o que nos entra pela muitas janelas de informação nos levam a sentir: assim como o mundo está não pode continuar. Mudar e se não der, ao menos melhorar.
Não pode continuar a absurda acumulação de riqueza como jamais houve na história (85 mais ricos possuem rendas correspondentes a 3,57 bilhões de pessoas, como denunciava a ONG Oxfam intermón em janeiro deste ano em Davos). Para esses, o sistema econômico-financeiro não está em crise; ao contrário, oferece chances de acumulação como nunca antes na história devastadora do capitalismo. Há que se pôr um freio à verocidade produtivista que assalta os bens e serviços da natureza em vista da acumulação, produz gases de efeito estufa que alimenta o aquecimento global. Se não for detido, poderá produzir um armagedon ecológico.
As utopias minimalistas, a bem da verdade, são aquelas que vêm sendo implementadas pelo governo atual do PT e seus aliados com base popular: garantir que o povo coma duas ou três vezes ao dia, pois o primeiro dever de um Estado é garantir a vida dos cidadãos; isso não é assistencialismo mas humanitarismo em grau zero. São os projeto “minha casa-minha vida”, “luz para todos”, o aumento significativo do salário mínimo, o “Prouni” que permite o acesso aos estudos superiores a estudantes socialmente menos favorecidos, os “pontos de cultura” e outros projetos populares que não cabe aqui elencar.
Na perspectiva das  grandes maiorias, são verdadeiras utopias mínimas viáveis: receber um salário que atenda as necessidades da família, ter acesso à saúde, mandar os filhos à escola, conseguir um transporte coletivo que não lhe tire tanto tempo de vida, contar com serviços sanitários básicos, dispor de lugares de lazer e de cultura e com uma aposentadoria digna para enfrentar os achaques da velhice.
A consecução destas utopias mínimas  cria a base para utopias mais altas: que tenhamos uma verdadeira democracia participativa de base popular, aspirar que os povos se abracem na fraternidade, que não se guerreiem, se unam todos para preservar este pequeno e belo planeta Terra, sem o qual nenhuma utopia máxima ou mínima pode ser projetada. O primeiro ofício do ser humano é viver livre de necessidades e gozar um pouco do reino da liberdade. E por fim poder dizer: “valeu a pena”.
Leonardo Boff escreveu: Virtudes para um outro mundo possivel, 3 vol. Vozes 2005.

domingo, 4 de maio de 2014

Luis Nassif: "Papa Francisco, o Estadista Contemporâneo"



Texto de Luis Nassif

O fracasso do neoliberalismo trouxe de volta um fenômeno paradoxal no Brasil, mas especialmente na Europa. Morreu o velho antes do novo ter nascido.
Discussões sobre ser de esquerda ou direita - que se julgavam mortas desde a queda do muro de Berlim -, voltaram a se tornar recorrentes.
Historicamente, dizia-se que políticas sociais inclusivas pertenciam ao terreno das esquerdas; a busca da eficiência do capital seriam atributos da direita; a defesa dos direitos civis, da esquerda; dos direitos individuais, da direita.
Um século de conflitos, de embates, de experiências trágicas algumas, relativamente bem sucedidas outras, embaralharam o meio de campo.
O que é ser de direita ou esquerda?
No início de toda religião, de ideologias, de estratégias de poder, de construção de partidos políticos, há a busca de princípios legitimadores.
Poderão ser valores humanistas (como os dos fundadores da Revolução Francesa, norte-americana e das grandes religiões), poderá ser um nacionalismo exacerbado da Europa dos anos 30.
A partir dos princípios desenham-se os objetivos. E os objetivos exigem organizações e fórmulas para serem atingidos. Nas democracias, o instrumento de transformação são os partidos políticos.
Um princípio básico das democracias é o da melhoria da vida da população (especialmente dos eleitores).
O populista propõe políticas que tragam benefícios diretos à população. O neoliberal promete uma suposta busca da eficiência do capital que, por tabela, trará o bem estar social.
É quando os princípios tornam-se ideologias, que são apropriadas por organizações religiosas, políticas, por meios de comunicação de massa ou organizações sociais.
Com o tempo, mesmo imbuídas dos melhores princípios, as organizações ganham vida própria, montam suas burocracias, alianças e desenvolvem interesses próprios que vão gradativamente se sobrepondo aos princípios fundadores.
Na origem da humanidade, as religiões significaram um salto civilizatório, trazendo os princípios do respeito à vida, à coexistência pacífica, aos valores espirituais. Com o tempo criaram burocracias responsáveis por alguns dos maiores crimes da humanidade.
Como elas, partidos envelhecem e voltam-se para dentro de seus próprios interesses, diluindo os princípios fundadores.
É por isso que a democracia tornou-se o regime mais representativo do século, por permitir a alternância do poder.
Globalmente, no entanto, há uma crise de representatividade dos partidos políticos, dos sistemas de governo, das ideologias. Nem situação nem oposição conseguem representar o novo.
Daí a importância das figuras referenciais, aquelas que se movem por princípios.
Lamenta-se a falta de estadistas referenciais no mundo.
De minha parte, tenho meu candidato a estadista do momento: é o Papa Francisco.
Ao recuperar princípios esquecidos não apenas pela Igreja como pelos grandes governantes mundiais, o Papa poderá ter um papel transformador tão relevante quanto o de João 23.
Ontem, quando a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo emitiu uma nota de apoio à Parada Gay – superando o obscurantismo de dom Odilo Scherer – deu para acreditar que princípios são forças capazes de mover montanhas e arejar o mofo de organizações seculares.
Fonte: http://jornalggn.com.br/luisnassif

Liberdade de Imprensa ou Monopólio de Famílias Comprometidas com seus próprios Interesses Político-Elitistas?



Segue texto de Hugo Lapa sobre as seis grandes famílias que moldam as notícias na grande mídia de acordo com seus interesses:

  No Brasil não há liberdade de imprensa, o que há é um monopólio de grandes corporações midiáticas que visam o lucro irrestrito.

  Poucas famílias dominam 80% das comunicações no Brasil, os Marinho (Globo), os Civita (Editora Abril e Revista Veja), os Saad (Band), os Frias (Folha de SP), dentre outros poucos. Esses magnatas da mídia há muito controlam o Brasil, pautam as discussões, formam opiniões, influenciam em eleições e decisões políticas, tiram ministros e já depuseram até um presidente.

   No entanto, eles têm seus interesses e preferências políticas. Ninguém é tão ingênuo a ponto de crer que eles sejam imparciais e respeitem a liberdade do povo brasileiro de exercer sua cidadania de forma livre e democrática. Eles têm seus partidos e candidatos prediletos e procuram de todas as formas transmitir informações, exaltando seus candidatos e políticos quando necessário e os protegendo de informações nocivas a imagem destes políticos aliados omitindo informações negativas sobre eles. Fazem uma cobertura intensa criticando seus desafetos e abafam as críticas e os erros de seus políticos preferidos. Os magnatas da mídia divulgam aquilo que querem e omitem aquilo que não querem que ninguém saiba. Caso um jornalista escreva algo em seu veículo de mídia que os desagrade, esse jornalista é demitido e outro (mais afeito aos ideais dos donos do veículo) entra em sua vaga.

  Como boa parte da população só consegue informações sobre a política nacional lendo seus veículos (jornais impressos e eletrônicos; canais de TV e rádio), eles tem poder de induzir as pessoas e acreditarem nas ideias deles mesmos (dos donos da mídia).

  Grandes veículos recebem verdadeiras fortunas de mega corporações brasileiras e estrangeiras, e por esse motivo, fazem de tudo para não sujar a imagem dessas empresas na mídia. Além disso, a grande imprensa tem a missão de proteger os interesses dessas mesmas empresas, que visam tão somente o lucro e o poder. 
  
  
  Grandes corporações tem muito mais voz na mídia e na imprensa do que o povo em geral, os movimentos sociais, as ONGs, os sindicatos, as associações populares, as lideranças de base, ou qualquer movimento que represente a população. A diversidade das forças sociais, em suas diferentes camadas, não está representada nos grandes veículos. Boa parte da população não encontra nessas mídias nenhum tipo de participação. Apenas os interesses patronais dessas megacorporações milionárias tem voz na grande imprensa.

  Então, por que eles defendem tanto a liberdade de imprensa? Eles desejam assegurar seu monopólio, seu poder de influenciar a população. Mas todos precisam saber que liberdade de imprensa é apenas a liberdade do dono da imprensa. O proprietário do meio de comunicação tem toda a liberdade de expor as suas ideias nas matérias jornalísticas. Mas e aqueles que não são donos de nenhum veículo, que liberdade eles têm? Será que sua voz e suas ideias estão ali expressas nos grandes veículos? Não estão.

  O que chamam de liberdade de imprensa é tão somente a liberdade de poucos em detrimento da liberdade de muitos. O todo poderoso é o dono da mídia, o ricaço que está no topo e que define toda a linha editorial a ser seguida por toda a empresa de comunicação. Se algum jornalista escreve algo que se desvia dessa linha editorial, ele pode ser advertido ou demitido. Um jornalista que trabalha, por exemplo, na Rede Globo, sabe que não pode propagar ideias em sua coluna que estejam em desacordo com a linha editorial previamente determinada pelo dono da Globo, no caso a família Marinho.

  A Rede Globo é o maior exemplo disso: já participou de fraude em eleições, já produziu edições jornalísticas tendenciosas que mudaram os rumos de candidaturas presidenciais, já conseguiram colocar e retirar presidentes eleitos e ministros de Estado mobilizando a opinião pública contra eles.

  É isso que desejamos para o Brasil, um monopólio de apenas algumas famílias que mandam e desmandam em nosso país? O povo brasileiro pode mudar esse estado de coisas, mas para isso precisa se mobilizar contra o poder e o monopólio dessas famílias, e lutar pela democratização da mídia e contra esses monopólios, que já dominam o Brasil há décadas.

Observação: 
A Sugestão Subliminar da Rede Globo: Veja-se que o Brasil ai abaixo está escrito de forma que o cérebro pode interpretar o "S" como um "5", logo o "4" no lugar do "a" forma o 45.... E todos sabem qual é o partido da Rede Globo...


Segue, agora um video onde o Professor e jornalista Igor Fuser discute o papel de uma imprensa que se transforma em veículo de manipulação mercantil e político:


sábado, 3 de maio de 2014

Os coxinhas, a mídia golpista e o déficit de civilização no Brasil educado pela Globo




 Atualmente o coxinha representa uma parcela da população que se veste igual, pensa igual, compra as mesmas coisas e emite o mesmo tipo de opinião, estabelecendo parâmetros de riqueza e status sobre coisas chamadas “chics”. Na falta crônica de personalidade (ou no excesso dela), o coxinha busca em marcas, celebridades e ideologias a sua forma de expressão mais segura. O problema do coxinha crônico é que tudo o que não faz parte do seu mundinho de margarina é nocivo e reprovável. Devidamente rotulado, encaixado dentro de um nicho social confortável, o resto do mundo não serve pra ele.

Valter Nascimento in  "O Apocalipse Coxinha"

Segue adiante importante texto de Luiz Gonzaga Belluzo



Da Carta Capital

Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação, o debate escapa às normas da razão e pode ser manipulado

por Luiz Gonzaga Belluzzo


 Em sua coluna na Folha de S.Paulo, o jornalista Clóvis Rossi acusou a emergência de um perigoso déficit de civilização na vida brasileira. Enquanto se discute o tamanho do superávit primário, os ganhos seculares do doloroso e secular processo civilizador se transformam em pesados prejuízos na Terra de Santa Cruz. Não há sucesso econômico que possa contrabalançar os déficits de civilidade.

 Há que ressalvar os resistentes nas barricadas do projeto humano nascido na idade do Esclarecimento. São brasileiros que ainda apresentam sintomas da sobrevivência em seus espíritos do DNA do processo civilizador e dos valores que a sociedade moderna pretexta ostentar. Muitos arriscam a pele e ousam escrever para as seções de Cartas ao Leitor ou cometem a imprudência de comentar nos blogs os comentários dos fanáticos. Quase sempre, os ululantes retrucaram com as armas do preconceito, da intolerância e da apologia da violência, seja ela física, seja ela moral.  Entre as vítimas, sucumbe a última flor do Lácio, inculta e bela.
Alguém já dizia que há método na loucura, mas, no Brasil do Terceiro Milênio, a democratização da grosseria empenha-se em aperfeiçoar a metodologia da brutalidade. Expressões como “idiotas politicamente corretos”, “elite vagabunda” poucas vezes foram utilizadas com tanta liberalidade. A generosa distribuição de adjetivos não raro é acompanhada de exaltadas conclamações para o retorno dos militares ou sugestões para que os calabouços voltem a abrigar os adversários. 

 Peço licença aos leitores para repetir o que já escrevi nesta coluna: os estudiosos do totalitarismo sabem que a “autovitimização” da “boa sociedade” e a inculpação do “outro” foram métodos eficientes para a conquista do poder absoluto. Vejo nos blogs: os mais furiosos se apresentam como paladinos dos “humanos direitos”, em contraposição aos defensores dos “direitos humanos”. Fico a imaginar como seria a vida dos humanos direitos na moderna sociedade capitalista de massas, crivada de conflitos e contradições, sem as instituições que garantam os direitos civis, sociais e econômicos conquistados a duras penas. A possibilidade da realização desse pesadelo, um tropismo da anarquia de massas, tornaria o Gulag e o Holocausto um ensaio de amadores.

 Hannah Arendt em As Origens do Totalitarismo abordou as transformações sociais e políticas na era do capitalismo tardio e da sociedade de massas. A economia dos monopólios promoveu a substituição da empresa individual pela coletivização da propriedade privada e, ao mesmo tempo, a “individualização do trabalho”, engendrada pelas novas modalidades tecnológicas e organizacionais da grande empresa. A isso juntou-se a conversão ao regime salarial das profissões outrora conhecidas como liberais. A operação impessoal das forças econômicas produziu, em simultâneo, o declínio do homem público e a ascensão do “homem massa, cuja principal característica não é a brutalidade ou a rudeza, mas o seu isolamento e a sua falta de relações sociais normais”.
Trata-se da abolição do sentimento de pertinência, sem a supressão das relações de dominação.  “As massas surgiram dos fragmentos da sociedade atomizada, cujas estrutura competitiva e concomitante solidão do indivíduo eram controladas quando se pertencia a uma classe. O fato de que o ‘pecado original’ da acumulação primitiva de capital tenha requerido novos pecados para manter o sistema em funcionamento foi eficaz para persuadir a burguesia alemã a abandonar as coibições da tradição ocidental... Foi esse fato que a levou a tirar a máscara da hipocrisia e a confessar abertamente seu parentesco com a escória.” A escória, na visão de Arendt, não tem a ver com a situação econômica e educacional dos indivíduos, “pois até os indivíduos altamente cultos se sentiam particularmente atraídos pelos movimentos da ralé”.
 
Hannah Arendt escreveu sobre o totalitarismo no século XX e ressaltou a importância da esfera pública onde se formam os consensos pelo livre debate de ideias. O único remédio contra o mau uso do poder público pelos indivíduos privados está na constituição de um espaço público capaz de avaliar os procedimentos de cada cidadão, submetendo todos os indivíduos à visibilidade. Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação e desqualificação sistemáticas, a meritocracia das ideias sofre um grave dano e o debate democrático escapa às normas da razão e pode ser manipulado.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Luciano Huck, o coxinha oportunista e a pretensa crítica ao racismo

Para os coxinhas, o que vale é o lucro consumista e as aparências, nada mais... Quantos destes coxinhas realmente respeitam negros? Quantos não rejeitam programas sociais?