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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ao estilo neofascista, Trump usa patriotismo para legitimar selvageria e paixões na tentativa de se garantir no poder, por Jamil Chade


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Em artigo, jornalista questiona se aquela que é vista como a maior democracia do mundo ainda respeita o direito internacional
Jornal GGN Por mais que Qasem Soleimani não tenha sido um arauto da paz em vida, seu assassinato em território estrangeiro por um drone comandado a centenas de quilômetros de distância leva a um debate: aquela que é considerada a maior democracia do mundo ainda respeita o direito internacional?
O questionamento foi feito pelo jornalista Jamil Chade, em artigo publicado no jornal El Pais. Além das consequências de uma nova tensão entre Irã e Estados Unidos, o jornalista diz que o ataque “pode servir como o marco da consolidação da lei da selva no cenário internacional”, com consequências que podem ser desastrosas.
“Sem apresentar provas, sem avisar aos aliados, violando a soberania de um outro país e até mesmo comemorando nas redes sociais com símbolos patrióticos, o governo americano sabe que ficaria impune ao realizar o ataque”, pontua o articulista, levantando o ponto que mais preocupa embaixadores e mediadores na ONU.
Não são poucos os países que se recusam a jogar pelas regras, mas o precedente é ainda mais perigoso quando orquestrado por um país que exigiu o cumprimento de regras internacionais por anos e que pensou, criou e pagou pela ONU e seu arcabouço de leis.
Na visão de Chade, o ataque de Trump “abriu as portas para que outros sigam o mesmo caminho”. Não seria uma surpresa ver outros países preferindo a força à diplomacia ou o direito para verem seus interesses atendidos, mas o que houve em Bagdá não foi apenas uma violação de soberania nacional – ao anunciar ataques a locais culturais do Irã, Trump inaugurou o anúncio de crimes de guerra pelas redes sociais em total impunidade.
Além disso, não se vê o mesmo posicionamento de Trump com outros países que possuem ditaduras igualmente sanguinárias, mas que são consideradas aliadas dos norte-americanos.
O posicionamento do presidente dos Estados Unidos em querer desmontar o sistema internacional em detrimento dos interesses do país pode afetar as relações globais como um todo, trazendo ainda mais desafios para um cenário que já se mostra suficientemente complicado.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Bolsonaro estará também em "fórum anti-Davos" do ultra-direitista Steve Bannon, sobre "nacionalismo e supremacia branca". Por Cíntia Alves



Enquanto magnatadas reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos tendem a discutir o risco do populismo na América e em países da Europa, Steve Bannon reúne representantes da extrema-direita em um evento paralelo. Na pauta do guru de Trump, supremacia branca, ultra-nacionalismo, defesa da família tradicional contra a "ideologia de gênero". Bolsonaro, é claro, "se inscreveu" para o anti-Davos, revela jornalista do La Vanguardia

Por Cíntia Alves

Jornal GGN - Jair Bolsonaro aproveitará a viagem ao Fórum Econômico Mundial de Davos para dar uma escapadinha e participar de um evento que tem as digitais do guru da extrema-direita internacional, Steve Bannon. É o que revela o jornalista do La Vanguardia, Andy Robinson, em artigo publicado em seu blog, o Diário Itinerante, no último dia 19.
Andy foi barrado em Davos oficial neste ano porque se indispôs com parte da elite econômica que circula no local após a publicação de um livro que revela os bastidores do Fórum - ele concedeu uma entrevista exclusiva ao GGN, em 2015, para falar disso. E, dessa vez, tampouco irá ao evento de Bannon porque, além de indesejados, lá os jornalistas correm o risco de "levar uma boa surra", afirmou.
Segundo Andy, Bannon ajudou a organizar um "evento alternativo" ao Fórum de Davos, e mantém a data fora do conhecimento da imprensa.
O "anti-Davos" é um encontro da cúpula do Movimento, grupo criado por Bannon para fortalecer a ascensão da extrema-direita ao redor do mundo.
A conferência está a cargo do belga e "sócio" de Bannon, Michael Modrikamen. "Líderes desta nova extrema-direita [crescente na Europa] - certamente haverá representante da VOX [partido espanhol] - serão apresentados como defensores dos valores da pátria contra os globalistas de Davos." 
Bannon, pessoalmente, fará parte de uma agenda que defende "os valores da tradicional família branca, com olhos azuis e cabelos bem arrumados, contra as perversões da ideologia de gênero e a imigração descontrolada." De acordo com Andy, "Bolsonaro se inscreveu" neste debate.
No anti-Davos, o Brexit, por exemplo, será celebrado por seu caráter nacionalista. Enquanto isso, no Fórum de Davos, os magnatas falarão contra o Brexit.
No evento oficial, os "representantes cosmopolitas da comunidade internacional de ricos farão um esforço corajoso para defender a globalização, o liberalismo e a democracia: uma sociedade aberta diante da perigosa invasão, na política europeia e americana, dos novos populismos nacionalistas e iliberais [democracia liberais com doses de autoritarismo]".
"(...) Davos reivindicará mais do que nunca um mundo diversificado, multicultural e tolerante com todas as minorias", incluindo na programação discussões sobre o movimento feminista #MeToo e a discriminação contra a comunidade gay.
Apesar disso, Andy ressaltou que, em Davos, "ninguém vai se opor a ouvir um Jair Bolsonaor que, diferente de outros representantes da nova direita intolerante, é um neoliberal que já entregou as rédeas da política econômica do País para um gestor de fundos de investimentos chamado Paulo Guedes. Guedes é um chicago boy ultraliberal, que se encaixa perfeitamente no perfil do financista global que frequenta Davos. Com Guedes no comando da política econômica, Davos fechará os olhos quando Bolsonaro proibir a 'ideologia de gênero das escolas' ou classificar homossexuais como uma aberração."
Andy, ao final, escreveu que não participará de nenhum dos dois fóruns. Em Davos não entrará por causou "tensões" decorrentes do livro "Um repórter na Magic Mountain", sobre a hipocrisia e os bastidores do Fórum. E no evento com dedos de Bannon tampouco entrará porque "eles não só vetam um jornalista que não lhe cai bem, como lhe dá uma boa surra."
"De qualquer forma, para a saúde mental, decidi que é melhor manter uma distância segura tanto do Davos globalizado quanto do anti-Davos da ultra-direita não globalista. Ambos são altamente tóxicos."