quinta-feira, 24 de abril de 2025

O Papa Francisco e a Literatura, por Urariano Mota

 

O fim não é exatamente o último segundo do viço da orquídea. O fim não é nem mesmo a destruição feita pela bomba atômica. Nós seremos os grãos de pó que escreveram estes dias.


Do Jornal GGN:

    Foto: Vatican News


O Papa Francisco e a Literatura

por Urariano Mota

Li há pouco a notícia de um prefácio muito bem escrito do Papa Francisco para um livro do Cardeal Angelo Scola. Texto belo e fecundo, que eu aproximo à literatura. Nele, eu li que “a morte não é o fim de tudo”. Que o livro tem páginas que saíram “do pensamento e do afeto”, como o Papa diz.  Agora olhem que feliz coincidência. No romance “A mais longa duração da juventude”, escrevi:

“Nada passou nem ficou sepultado. Então vem, e vejo agora que a sobrevivência do acontecimento não é uma revolta romântica. Nem uma luta quixotesca e inglória contra a morte. O fim,  o tudo acaba não é a dissolução de tudo. O fim não é exatamente o último segundo do viço da orquídea. O fim não é nem mesmo a destruição feita pela bomba atômica. Nós seremos os grãos de pó que escreveram estes dias”. 

Vocês veem que aquela reflexão teológica do Papa termina por se confundir com a visão da matéria da nossa luta, que sobrevive à força da arte, da ciência e da literatura, que vai além dos nossos dias.

https://www.facebook.com/reel/1864087407775000

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

O Domínio calculado das Mentes no Brasil: do criminoso Golpe Militar à Guerra Cultural — uma entrevista com Aldo Arantes

 

Arantes traça um panorama histórico da direita brasileira, desde o fascismo de Plínio Salgado até o “neofascismo” de figuras recentes

Do Jornal GGN:

    Foto: Reprodução/Portal Vermelho

O ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) antes do golpe de 1964, Aldo Arantes, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, do canal TV GGN, discorreu sobre seu novo livro, “Domínio das Mentes, do golpe militar à guerra cultural”.

A obra analisa a ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo, argumentando que, diferentemente do passado em que golpes militares eram o método de tomada de poder, hoje a direita radical conquista espaço através da manipulação ideológica e da influência nas mentes da população. Arantes enfatiza que esse processo se desenvolveu gradualmente, impulsionado pela consolidação de ideias neoliberais e anticomunistas, e ganhou uma nova dimensão com o advento das redes sociais e a mineração de dados pelas grandes empresas de tecnologia.

Segundo Arantes, a esquerda brasileira subestimou historicamente a importância da luta ideológica, que ele considera decisiva. Ele se baseia nas ideias de Gramsci e Raymond Williams para explicar como essa batalha se manifesta atualmente, tocando mais nos sentimentos do que na razão, explorando o ódio e a violência. O autor aponta que a extrema direita soube utilizar as redes sociais para disseminar suas ideias, de forma similar a como se vendem produtos, e que a eficácia da desinformação (“fake news”) se tornou extremamente poderosa através dos algoritmos que identificam e reformulam a mentalidade dos usuários, criando realidades paralelas.

Arantes traça um panorama histórico da direita brasileira, desde o fascismo de Plínio Salgado até o “neofascismo” de figuras recentes, com forte base nos militares. Ele menciona tentativas de golpe anteriores e a efetivação do golpe de 1964, que teria liquidado as forças nacionalistas e democráticas nas Forças Armadas. O autor também destaca a aliança dessas forças com o empresariado, que se articulou fortemente a partir da Constituinte de 1988, e o papel crescente dos evangélicos, influenciados por concepções conservadoras dos Estados Unidos. Arantes relata um memorando de John Rockefeller alertando para a influência da Teologia da Libertação na Igreja Católica, o que teria incentivado o apoio a igrejas evangélicas no Brasil.

Para contrapor essa guerra cultural, Arantes propõe o que ele chama de “luta ideológica democrática”, baseada no diálogo e na discussão com setores da sociedade passíveis de serem conquistados para o pensamento democrático. Ele critica a incapacidade da esquerda de entender e reagir efetivamente a essa disputa no campo das ideias. O autor defende a necessidade de os setores progressistas apresentarem um discurso alternativo ao da extrema direita em diversas áreas, como economia, direitos humanos e soberania nacional. Ele ressalta que essa disputa se dá no nível das concepções de mundo, indo além de questões de comunicação do governo.

Arantes considera o ex-presidente Lula a principal referência da esquerda e fundamental para enfrentar o cenário político complexo, marcado por um Congresso conservador, oposição de muitos governadores, grande parte da mídia contrária e a influência de setores empresariais, evangélicos e das Forças Armadas. Ele apela para a necessidade de mobilização dos movimentos sociais e partidos políticos, reconhecendo que a esquerda também precisa “dar a volta por cima” e renovar suas ideias diante do avanço do pensamento neoliberal e da extrema direita. O autor enfatiza a urgência de se concentrar na luta de ideias para reconquistar setores da sociedade e alterar a correlação de forças, visando não só a eleição de Lula, mas também a eleição de senadores e deputados que permitam a aprovação de medidas mais progressistas.

Assista usando o link abaixo:

Este conteúdo foi construído com auxílio de Inteligência Artificial.



quarta-feira, 23 de abril de 2025

Leonardo Boff: O papa Francisco não é ou foi um nome, mas um projeto de Igreja

 


Com sua conclamação em favor dos empobrecidos e sua crítica corajosa ao sistema que produz morte, Francisco compareceu como líder religioso e político.

 Segue o texto de Leonardo Boff, publicado no ICL Notícias:

COLUNISTAS ICL

Boff: O papa Francisco não é um nome, mas um projeto de Igreja



Todo ponto de vista é a vista de um ponto, afirmei certa vez. O meu ponto de vista acerca do papa Francisco é aquele latino-americano. O próprio papa Francisco se apresentou como “aquele que vem do fim do mundo”, isto é, da Argentina, do extremo Sul do mundo. Este fato não é sem relevância, pois nos oferece uma leitura diversa de outras, de outros pontos de vista.

A escolha do nome Francisco, sem antecedentes, não é fortuita. Francisco de Assis representa um outro projeto de Igreja cuja centralidade residia no Jesus histórico, pobre, amigo dos desprezados e humilhados como os hansenianos com os quais foi morar.

Pois esta é a perspectiva assumida por Bergoglio ao ser eleito papa. Quer uma Igreja pobre para os pobres. Consequentemente, despoja-se das vestes honoríficas, que vem da tradição dos imperadores romanos, bem representadas pela mozzeta (aquela capinha branca ornada de joias), símbolo do poder absoluto dos imperadores e incorporada às vestimentas papais. Recusou-a e a deu ao secretário com recordação. Veste um simples manto branco com a cruz de ferro que sempre usou.

Viveu na maior simplicidade (o papa não veste Prada) e, sem cerimônia, quebrou ritos para poder estar perto dos fiéis. Isso seguramente escandalizou a muitos da velha cristandade europeia, acostumada à pompa e à glória das vestimentas papais e, em geral, dos prelados da Igreja. Cabe recordar que tais tradições remontam aos imperadores romanos, mas que não têm nada a ver com o pobre artesão e camponês mediterrâneo de Nazaré. Surpreendentemente apresenta-se, primeiro com bispo local, de Roma. Depois, como papa para animar a Igreja universal e, como enfatizou, não com o direito canônico, mas com o amor.

Escolheu o nome Francisco porque São Francisco de Assis é o “exemplo por excelência do cuidado e por uma ecologia integral vivida com alegria e autenticidade (“Laudato Sí“, n.10) e que chamava a todos os seres com o doce nome de irmão e de irmã. Não quis morar num palácio pontifício, mas numa casa de hóspedes, Santa Marta. Comia na fila como todos os demais e, com humor, comentava: “Assim é mais difícil que me envenenem”.

A centralidade de sua missão foi colocada na preferência e cuidado dos pobres especialmente dos migrantes. Disse com honradez: “Vocês europeus estiveram primeiro lá, ocuparam suas terras e riquezas e foram bem recebidos. Agora eles estão aqui e não estão dispostos a recebê-los.” Com tristeza, constata globalização da indiferença.

Pela primeira vez na história do papado, o papa Francisco recebeu, por várias vezes, os movimentos sociais mundiais. Via neles a esperança de um futuro para a Terra, porque a tratam com cuidado, cultivam a agroecologia, vivem uma democracia popular e participativa. Repetiu-lhes muitas vezes o direito que lhes é negado, os famosos três Ts: Terra, Teto e Trabalho. Devem começar de lá onde estão: na região, pois aí se pode construir uma comunidade sustentável. Com isso legitimou todo um movimento mundial, o biorregionalismo, como forma de superação da exploração e da acumulação de poucos e com mais participação e justiça social para muitos.

Foi neste contexto que escreveu duas extraordinárias encíclicas: “Laudato sì: sobre o cuidado da casa comum” (2020), de uma ecologia integral que implica o meio ambiente, a política, a economia, a cultura, a vida cotidiana e a espiritualidade ecológica. Na outra, na “Fratelli tutti” (2025), face à degradação generalizada dos ecossistemas, faz a severa advertência:”estamos no mesmo barco: ou nos salvamos todos, ou ninguém se salva” (n.34).

Com estes textos, Francisco se coloca na ponta da discussão ecológica mundial que vai além da simples ecologia verde e de outras formas de produção sem nunca questionar o sistema capitalista que, por sua lógica, cria acumulação de um lado às custas da exploração do outro, das grandes maiorias.

O papa Francisco vem da Teologia da Libertação de vertente argentina, que enfatiza a opressão do povo e o silenciamento da cultura popular. Foi discípulo do teólogo da libertação Juan Carlos Scannone, mencionado num rodapé da “Laudato Sí”. Já como estudante e inspirado nesta teologia, fez para si uma promessa: de toda semana fazer, sozinho, uma visita às favelas (“vilas miseria”). Entrava nas casas, informava-se dos problemas dos pobres e suscitava esperança em todos.

Durante anos levou uma polêmica com o governo que fazia assistencialismo e paternalismo como políticas do estado. Reclamava dizendo: “Assim jamais se tirará os pobres da dependência. O que precisamos é de justiça social, raiz da real libertação dos pobres”. Em solidariedade para com os pobres, vivia num pequeno apartamento, cozinhava sua comida, buscava seu jornal. Recusou viver no palácio e usar o carro especial.

Esta inspiração libertadora iluminou o modelo de Igreja que se dispôs a construir. Não uma Igreja fechada tal qual um castelo, imaginando-a cercada de inimigos por todos os lados, vindos da modernidade com suas conquistas e liberdades. A esta Igreja fechada opôs uma Igreja em saída rumo às carências existenciais, uma Igreja como hospital de campanha que acolhe a todos os feridos, sem lhes perguntar a tendência sexual, a religião ou ideologia: basta serem humanos necessitados.

Papa Francisco não se apresenta como um doutor da fé, mas como um pastor que acompanha os fiéis. Pede aos pastores que tenham cheiro de ovelhas, tal a sua proximidade e compromisso com os fiéis, exercendo a pastoral da ternura e da amorosidade.

Talvez nenhum papa na história da Igreja mostrou tanta coragem quanto ele ao criticar o sistema vigente que mata e que produz duas ferozes injustiças: a injustiça ecológica, devastando os ecossistemas e a injustiça social, explorando até o sangue a humanidade. Nunca na história houve tanta acumulação de riqueza em poucas mãos. Oito pessoas individualmente possuem mais riqueza que 4,7 bilhões de pessoas. É um crime que brada ao céu, ofende o Criador e sacrifica seus filhos e filhas.

Como pastor, mais do que como doutor, sua mensagem é fundada especialmente no Jesus histórico, amigo dos pobres, dos doentes, dos marginalizados e dos oprimidos. Foi assassinado na cruz por um duplo processo, um religioso (ofensas à religião da época e sua afirmação de sentir-se de Filho de Deus) e outro político, pelas forças de ocupação romana.

Não colocava muito o acento nas doutrinas, nos dogmas e nos ritos que sempre respeitou, pois reconhecia que com tais coisas não se chega ao coração humano. Para isso precisa-se de amor, de ternura e misericórdia. Disse, certa feita, uma das frases mais importantes de seu magistério: “Cristo veio nos ensinar a viver: o amor incondicional, a solidariedade,a compaixão e o perdão, valores que compõe o projeto do Pai que é o cerne do anúncio  de Jesus: o Reino de Deus”. Prefere um ateu sensível à justiça social que um fiel que frequenta a igreja mas não tem um olhar para o semelhante sofredor.

Tema recorrente em suas pregações é o da misericórdia. Para o papa Francisco, a misericórdia é essencial. A condenação é só para este mundo. Deus não pode perder nenhum filho ou filha que criou no amor. A misericórdia vence a justiça e ninguém pode impor algum limite à misericórdia divina. Alertava os pregadores o que se fez durante séculos: pregar o medo e infundir pavor do inferno. Todos, por piores que tenham sido, estão sob o arco-íris da graça e da misericórdia divina.

Logicamente, nem tudo vale nesse mundo. Mas os que viveram uma vida sacrificando outras vidas e pouco se importando ou até negando Deus, passarão pela clínica curadora da graça, na qual reconhecerão suas maldades e aprenderão o que é o amor, o perdão e a misericórdia. Só então a clínica de Deus, que não é a ante-sala do inferno, mas a antessala do céu, se abrirá para que participem também eles das promessas divinas.

Com sua conclamação em favor dos empobrecidos, com sua crítica corajosa ao sistema vigente que produz morte e ameaça as bases ecológicas que sustentam a vida, por seu apaixonado amor e cuidado da natureza e da Casa Comum, pelos incansáveis esforços para mediar guerras em função da paz, emergiu com um grande profeta que anunciou e denunciou, mas sempre suscitando a esperança de que podemos construir um mundo diferente e melhor. Com isso compareceu como um líder religioso e político respeitado e admirado por todos.

Inesquecível é a imagem de um papa caminhando solitário sob chuva fina, na praça de São Pedro em direção da capela de orações para que Deus poupasse a humanidade do coronavírus e tivesse misericórdia dos mais vulneráveis.

O Papa Francisco honra a humanidade e ficará na memória como uma pessoa santa, amável, carinhosa e extremamente humana. É por causa de figuras assim que Deus ainda se tem apiedado de nossas maldades e loucuras e nos mantém vivos sobre esse pequeno e belo planeta.




Bob Fernandes: Deus! O papa Francisco morreu, Bolsonaro está na UTI dando entrevista e tuitando e Trump, com saúde, tarifando o mundo!

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes:


Para entender o diálogo O Banquete, de Platão

 



    O Banquete (ou Symposium) de Platão (pensador grego que vivieu entre 428/427 - 348/347 a.C.) é um diálogo filosófico escrito por volta do ano 380 a. C. e que, assim como o diálogo Fedro do mesmo autor, busca discutir o entendimento humano da natureza do amor (eros). Tal exploração do entendimento do amor ocorre na obra por meio de uma série de discursos proferidos durante um banquete feito em homenagem ao poeta Agáton. 
    A obra combina filosofia, literatura e, de forma figurada - para dar um entendimento mais sintético dos conceitos -, do mito. O Banquete é uma das mais conhecidas e influentes dos diálogos de Platão.

Segue um resumo da obra a partir da síntese efetuada com auxílio do DeepSeek. O objetivo é o de ajudar na leitura e entendimento geral do texto original de Platão:

Contexto e Estrutura

    O diálogo é narrado em segunda mão por Apolodoro, que, popr sua vez, conta o que ouviu de Aristodemo, um participante do banquete. O evento ocorre na casa de Agáton, onde os convidados decidem, em vez de beber excessivamente, fazer discursos em louvor a Eros (o deus grego do amor).

Resumo dos Discursos

  1. Fedro (partes 178a-180b)

    • Tese: Eros é o mais antigo dos deuses, fonte de virtude e inspiração.

    • Argumento: O amor incentiva os amantes a agirem com nobreza para não decepcionarem seus amados. Exemplo: o mito de Alceste, que morreu pelo marido.

  2. Pausânias (180c-185c)

    • Tese: Há dois tipos de amor:

      • Eros Vulgar (amor físico, reduzido pelo desejo do corpo).

      • Eros Celeste (amor intelectual, pela alma e virtude.).

    • Argumento: O amor nobre (celeste) leva à sabedoria e à educação, como na relação entre um amante mais velho (erasta) e um jovem (erômeno) na Grécia antiga.

  3. Erixímaco (185c-188e)

    • Tese: O amor é uma força cósmica que harmoniza opostos (medicina, música, estações).

    • Argumento: Como médico, ele vê o amor como equilíbrio entre os humores do corpo e da natureza.

  4. Aristófanes (189a-193d)

    • Tese: O amor é a busca da metade perdida.

    • Mito: Originalmente, os humanos eram seres esféricos com dois corpos, mas Zeus os dividiu como castigo. O amor é a tentativa de reencontrar a outra metade.

  5. Agáton (194e-197e)

    • Tese: Eros é jovem, belo e delicado, fonte de poesia e arte.

    • Argumento: O amor evita a violência e inspira criação artística.

  6. Sócrates (e Diotima) (201d-212c)

    • Tese: O amor é desejo pela beleza eterna e pela sabedoria (filósofo = amante da sabedoria).

    • Argumento:

      • O amor não é um deus, mas figuradamente um daimon (um espírito intermediário) entre mortal e divino.

      • O verdadeiro amor começa pela atração física, mas evolui para níveis mais sutis: almas belas, o conhecimento e o amor às ideias e à beleza absoluta (Teoria das Ideias).

      • Escada do Amor: Do corpo belo → almas belas → leis belas → conhecimento → Beleza em si (Forma do Bem).

  7. Alcibíades (212c-223a)

    • Discurso disruptivo: Ele chega bêbado e faz um elogio apaixonado a Sócrates, comparando-o a Eros.

    • Contraste: Enquanto os outros falaram do amor ideal, Alcibíades mostra o amor conflituoso e humano.

Temas Principais

  1. A natureza do amor: Do físico ao filosófico.

  2. A escada dialética: Como o amor eleva o homem do sensível ao inteligível.

  3. A imortalidade através da criação: Seja de filhos (física) ou ideias (intelectual).

  4. Ironia socrática: Sócrates questiona os discursos anteriores e apresenta o amor como busca da verdade.

Conclusão

Banquete não é apenas sobre o amor romântico, como a cultura ocidental costuma pensar, mas sobre o desejo humano pela completude, beleza e sabedoria. A fala de Sócrates (inspirada pela sacerdotisa Diotima) é o ápice, mostrando que o verdadeiro amor é filosófico – um caminho para a verdade eterna.


1. O Mito de Aristófanes (Das Metades Divididas)

(189a-193d)

Contexto

Aristófanes, o famoso comediógrafo, apresenta um mito criativo para explicar a origem do desejo amoroso. Sua fala é cheia de humor, mas também de profundidade psicológica.

A Narrativa Mítica

  • No início, para Aristófanes em O Banquete, os seres humanos eram esféricos, com duas costas, quatro braços, quatro pernas e duas faces.

  • Havia três gêneros originais:

    • Masculino (descendente do Sol) – união de dois homens.

    • Feminino (descendente da Terra) – união de duas mulheres.

    • Andrógino (descendente da Lua) – união de homem e mulher.

  • Esses seres eram poderosos e arrogantes, então Zeus os dividiu ao meio como punição.

  • Desde então, cada metade anseia pela sua complementar, buscando reencontrar sua "alma gêmea".

Interpretação

  • O amor como falta: O desejo nasce da incompletude.

  • Dualidade e busca de união: Explica a atração homo e heterossexual (diferentes combinações das metades originais). Platão - e sua época - escapa às noções reducionistas e preconceituosas próprias da modernidade e tenta expor o mundo e as formas das relações humanas tais como se econtram na realidade.

  • Crítica à hybris (orgulho excessivo): A divisão foi um castigo pela arrogância humana.

  • Metáfora existencial: O ser humano é, por natureza, um ser em busca de reconexão.

2. A Teoria do Amor de Diotima (por Sócrates)

(201d-212c)

Contexto

Sócrates não oferece o seu próprio discurso, mas o apresenta a partir do que relata dos ensinamentos de Diotima de Mantineia, uma sacerdotisa que lhe explicou a verdadeira natureza do eros.

Os Princípios do Amor

  1. Eros não é um deus, mas um daimon (espírito ou alma, lu uma caracterísitca desta):

    • Filho de Pobreza (Penia) e Recurso (Poros), simbolizando que o amor está sempre em busca (nunca plenamente satisfeito).

  2. O amor é desejo pela posse do belo e do bom:

    • Não se ama o que já se tem, mas o que falta.

  3. A "Escada do Amor" (Ascese Amorosa):
    O verdadeiro amor é um processo de elevação espiritual:

    1. Amar um corpo belo (atração física).

    2. Amar a beleza em todos os corpos (reconhecer padrões universais).

    3. Amar almas belas (valorizar a virtude acima da aparência).

    4. Amar leis e instituições belas (a beleza das ideias sociais).

    5. Amar o conhecimento (a filosofia e as ciências).

    6. Amar a Beleza em si (a Forma Imutável do Belo), que é eterna e divina.

Interpretação

  • Amor platônico: Não é sobre sexo ou repressão sexual, mas sobre transcendência.

  • O filósofo como amante: A busca da sabedoria é o ápice do eros.

  • Imortalidade através da criação: Quem alcança o topo da escada gera virtude e sabedoria (não filhos físicos, mas obras eternas).


Contraste Entre os Dois Discursos

Aristófanes  Diotima/Sócrates
Explica o amor como falta de uma metade perdida.  Vê o amor como desejo de ascensão espiritual.
Foco no reencontro (passado mítico).  Foco no progresso (futuro filosófico).
Amor como necessidade emocional.  Amor como caminho para a verdade.
Visão mais humana e cômica.  Visão mais metafísica e idealista.

Por Que Essas Ideias São Importantes?

  • Aristófanes antecipa teorias psicológicas sobre o desejo e a incompletude.

  • Diotima/Sócrates funda a noção de que o amor é a força motriz da filosofia.

Esses conceitos influenciaram a psicologia (Freud, Jung) e a filosofia moderna (como no Romantismo)


Francisco sabia: Disputa do novo Papa enfrenta Fake News e IA utilziadas pela extrema-direita pela primeira vez

 “A contínua criação e difusão de notícias falsas não só distorcem a realidade dos fatos, mas acabam também distorcendo as consciências, dando origem a falsas percepções da realidade. (…) No nosso tempo, a negação das verdades óbvias parece tomar a dianteira”, disse o Papa Francisco, em janeiro deste ano.

Do Jornal GGN:

Francisco sabia: Disputa do novo Papa enfrenta Fake News e IA pela primeira vez

O Conclave enfrenta a primeira disputa submersa nas Fake News e manipulação de Inteligência Artificial de sua história

        Foto: Franco Origlia/Getty Image

Reportagem de 


“A contínua criação e difusão de notícias falsas não só distorcem a realidade dos fatos, mas acabam também distorcendo as consciências, dando origem a falsas percepções da realidade. (…) No nosso tempo, a negação das verdades óbvias parece tomar a dianteira”, disse o Papa Francisco, em janeiro deste ano. Quatro meses depois, o Conclave enfrentaria a primeira disputa submersa nas Fake News e manipulação de Inteligência Artificial de sua história.

Depois de 12 anos de Francisco, a escolha do novo papa enfrenta um cenário não esperado, com uma ampla influência das redes sociais, Fake News e pressões de movimentos ultraconservadores.

Apesar de todo o processo sigiloso que envolve a votação, que ocorre duas semanas após o sepultamento de Francisco, conversas e articulações já estão ocorrendo entre os cardeais e a Cúria, conforme adiantou Jamil Chade, em sua coluna para o Uol. Segundo o jornalista, vaticanistas e integrantes da Santa Sé o confirmaram que “um dos maiores desafios será blindar os cardeais da interferência cada vez maior da internet”.

O Papa Francisco sabia o que seria a troca de seu posto e o mundo em que vivemos.

Em janeiro, pouco tempo depois de a Meta acabar com as políticas de verificação das Fake News no Instagram e Facebook nos Estados Unidos, o papa falou dos riscos: “Alguns desconfiam de argumentos racionais, que consideram instrumentos nas mãos de algum poder oculto, enquanto outros acreditam possuir inequivocamente a verdade que construíram para si mesmos”.

As manipulações, adiantava ele, “podem ser amplificadas pela mídia moderna e pela inteligência artificial, que são usadas como meio de manipular a consciência para fins econômicos, políticos e ideológicos”.

Por isso, ele se preparou, mantendo 60% dos cardeais que votam com posições empáticas ao seu legado. Trata-se, ainda segundo levantamento de Jamil Chade, da Igreja mais universal em 2 mil anos, uma vez que ele trouxe eleitores de todos os cantos do mundo, principalmente de suas “margens” e países periféricos, até então não representados em escolhas anteriores.

Ao todo, 71 países estarão presentes na votação, incluindo cardeais de países como Haiti, Timor Leste, Mianmar, Sudão do Sul, Papua-Nova Guiné, Albânia, entre outras regiões marginalizadas.

Assim, há grandes chances de o novo papa trazer uma postura similar ou condizente em manter o legado de Francisco. Mas a influência prévia das Fake News, nestas duas semanas anteriores, ainda pode representar riscos.

Leia mais:


“Você pediria anistia se invadissem sua casa?”, dispara Alexandre de Moraes no julgamento dos golpistas do 8/1

 

Para questionar o discurso de anistia (que visa mais salvar Bolsonaro que os peões que visavam derrubar Lula), Moraes comparou os ataques do 8/1 a uma invasão domiciliar durante o julgamento do núcleo 2

Do Jornal GGN:


Por 

O ministro Alexandre de Moraes comparou os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 a uma invasão domiciliar, como forma de questionar o discurso dos que clamam por anistia aos envolvidos na tentativa de ruptura institucional. 

“Se o que aconteceu no Brasil acontecesse na sua casa, você pediria anistia a essas pessoas?”, indagou Moraes. “Se um grupo armado, organizado, ingressasse na sua casa, destruísse tudo, com a finalidade de fazer o seu vizinho mandar na sua casa, afastando você e sua família do comando com violência, destruição e bombas… Haveria perdão?”

Durante sessão do Supremo Tribunal Federal realizada nesta segunda-feira (22/04), Moraes ainda fez um apelo à reflexão por parte da sociedade. “Se na minha casa eu não admitiria que destruíssem tudo para me tirar do comando, por que admitiria isso para o país, para a República que elegeu democraticamente os seus membros?”.

A fala foi proferida no momento em que o ministro votava pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Fernando de Sousa Oliveira, delegado da PF e ex-secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do DF. Oliveira compõe o núcleo 2 da trama golpista, responsável por gerenciar ações que culminaram na invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Além de Fernando, o núcleo 2 da trama é composto por Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF); General da reserva Mario Fernandes; Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro; Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro; e Marília de Alencar, ex-subsecretária de Segurança do Distrito Federal.

Moraes não aceitou os argumentos apresentados para rejeição da denúncia, e reforçou que os requisitos legais necessários para o andamento da ação penal estão presentes: tipicidade, punibilidade e viabilidade da acusação.

“A peça acusatória não representa um juízo condenatório, mas sim um juízo inicial de que a materialidade dos crimes ocorreu, e há indícios razoáveis de autoria”, afirmou o ministro.

Leia Também

Andrea Dip: “O papa Francisco humanizou o papado, não a Igreja Católica”

 

Entre a espíritualidade e humanismo progressista do Papa Francisco e a Igreja Católica rígida e conservadora, uma reflexão de Andrea Dip, publicada pelo ICL Notícias:


“O papa Francisco humanizou o papado, não a Igreja Católica”

Coordenadora das Católicas pelo Direito de Decidir fala sobre como as questões de gênero continuam sem mudanças significativas no Vaticano


“Uma mudança estrutural não é simples ou rápida. É uma estrutura milenar que sempre excluiu as mulheres e é dominada por homens, o curto tempo de um papado é insuficiente para alterá-la. Nenhuma outra instituição no mundo está autorizada a excluir pessoas por serem mulheres, mas a Igreja Católica sim”. Assim define Denise Mascarenha, Coordenadora Executiva da organização Católicas pelo Direito de Decidir, mestre em Políticas e Públicas, doutora em Sociologia e Pesquisadora sobre Igreja Catolica e as barreiras ao aborto legal no Brasil.

Para ela, o papa Francisco mudou o perfil do papado, abrindo as portas para o debate franco e se posicionando em temas importantes como a emergência climática ou a guerra em Gaza. Mas principalmente nas pautas de gênero, a igreja católica continua sem mudanças significativas.

Sobre a escolha do novo papa, Denise fala do receio em ver uma nova figura ultraconservadora e próxima da extrema direita emergir.

“O maior representante da extrema direita global, que é o Trump, tem interesse em intervir no Conclave. Também soubemos de uma visita ao Vaticano do vice-presidente dos EUA no domingo de Páscoa”, avalia. “Este interesse de Trump nos rumos do Vaticano demonstra o quão a Igreja Católica segue sendo poderosa e influente e o quanto a extrema direita quer retormar este poder estratégico. Não é segredo o quanto grupos conservadores católicos se sentiram contrariados com o papado de Francisco, alguns chegaram ao cúmulo de declarar que não o reconheciam como papa. Obviamente agora vêem a chance de retomar a hegemonia do discurso católico com o apoio da autoridade papal”.

O papa Francisco está sendo homenageado como alguém que trouxe mudanças progressistas para dentro do Vaticano. Isso também aconteceu com relação a pautas de gênero como aborto e aceitação da comunidade LGBTQIA+?

O papa Francisco humanizou o papado, não a Igreja Católica. Ele possuía características que agregava quem a hierarquia afastava. Um papa que no primeiro pronunciamento não abençoa a multidão que está presente na Praça São Pedro, mas pede que essa multidão o abençoe.

Que ligava diariamente para padres em Gaza para ouvir sobre o povo palestino. Que recebeu de uma integrante jovem de Católicas pelo Direito de Decidir da Argentina o lenço verde – símbolo da luta pela legalização do aborto –   após um diálogo franco. Que afirma que são as mulheres que movem o mundo e que  o casamento homoafetivo merece bênçãos porque Deus nos fez quem somos; que recusa o luxo dedicado à função. Então essas são características do papa Francisco. No Conclave, dependendo do perfil escolhido, pode-se alterar consideravelmente esses pronunciamentos e decisões, porque não tivemos mudanças estruturais.

Essas sempre foram e sempre serão tabus para a igreja católica? Já houve mais abertura, ou pode haver? O que pergunto é se de fato faz diferença a igreja ter um papa mais ou menos progressista com relação as pautas de gênero ou se algumas pautas sempre foram e sempre serão inegociáveis, como o aborto por exemplo.

Uma mudança estrutural não é simples ou rápida. É uma estrutura milenar que sempre excluiu as mulheres e é dominada por homens, o curto tempo de um papado é insuficiente para allterá-la. Nenhuma outra instituição no mundo está autorizada a excluir pessoas por serem mulheres, mas a Igreja Católica sim. Como disse anteriormente, o Papa Francisco mudou o perfil do papado, nenhuma mudança estrutural veio com ele, a codificação da Igreja Católica continua a mesma.

Mas precisamos reconhecer que o grande legado tenha sido o deslocamento de um discurso que se limita a dizer “o que pode e o que não pode” para um discurso de acolhida e inclusão. O Papa defendia que se deve acolher quem bate à porta, era conciliador e fez gestos importantes para um líder de sua grandeza, mas o caráter conservador da atuação concreta da Igreja Católica, principalmente nas pautas de gênero, continuou sem mudanças significativas.

Como a escolha de um papa mais ou menos progressista influencia politicamente no mundo hoje, para além da vida dos fieis?

Essa é uma pergunta difícil porque a estrutura patriarcal, colonizadora e racista da Igreja Católica tem uma força para além de quem a lidera. Ao mesmo tempo que, enquanto uma instituição poderosa que é, ter um líder que não seja alinhado à teologia conservadora e nem às pautas da extrema direita, mesmo que parcialmente, é importante.

Foram extremamente importantes os posicionamentos do Papa em relação à crise climática, o genocídio em Gaza, diálogo interreligioso, entre outros assuntos emergentes. Por outro lado, a Igreja Católica está para além do Papa e sua atuação sempre foi de bastidor e continua sendo essa a estratégia de influência política em países que não exercem a laicidade, mesmo que constitucionalmente sejam. No Brasil, a Igreja Católica tem grande atuação nas políticas públicas pela sua capacidade de territorialização e, nos territórios, as estruturas se sobrepõem a qualquer discurso progressista do Papa.

E como esse momento da ascensão da extrema direita influencia a escolha do novo papa?

É difícil dizer. Tivemos uma informação pública que o maior representante da extrema direita global, que é o Trump, tem interesse em intervir no Conclave. Também soubemos de uma visita ao Vaticano do vice-presidente dos EUA no domingo de Páscoa. Este interesse de Trump nos rumos do Vaticano demonstra o quão a Igreja Católica segue sendo poderosa e influente e o quanto a extrema direita quer retormar este poder estratégico.

Não é segredo o quanto grupos conservadores católicos se sentiram contrariados com o papado de Francisco, alguns chegaram ao cúmulo de declarar que não o reconheciam como papa. Obviamente agora vêem a chance de retomar a hegemonia do discurso católico com o apoio da autoridade papal. Por outro lado temos o dado que 80% dos cardeais que escolherão o novo Papa foram nomeados por Francisco, o que pode interferir na escolha de um nome capaz de exercer o diálogo e a acolhida. Mas na prática, ainda veremos uma hierarquia rica e poderosa negando a capacidade de decisão e liberdade de consciência para mais da metade da população mundial, como a extrema direita faz.

A campanha “Eu confesso” das Católicas propõe uma reflexão sobre as consequências do fundamentalismo religioso sobre a sociedade, ressaltando a importância de separar Estado e Igreja. Pode contar um pouco sobre a campanha? 

A ideia da campanha surgiu depois do diálogo com uma ativista de CDD, que havia sido proibida de tocar e cantar na igreja que frequentava, por defender a legalização do aborto. Ela dizia que estava se preparando para se confessar e dizer toda a sua revolta pela Igreja não permitir que ela seja misericordiosa com as mulheres. Ali nos veio a ideia da campanha, a confissão como um ato político. É o momento no qual os integrantes de uma hierarquia, que silencia as mulheres e não as ouve para tomada de decisão, terão que ouvi-las.

Mas também é um momento no qual o padre dá uma penitência, ou seja, dimensiona o tamanho da reparação necessária para o que foi confessado, exercendo novamente um poder sobre aquela mulher. Por isso que a fala final continua sendo da mulher, que ao invés de esperar a penitência diz que vai recorrer à sua liberdade de consciência para questionar essa estrutura patriarcal que julga e silencia as mulheres.

Foi um roteiro elaborado por várias mãos e por quem vive os sacramentos e a fé cristã, mas também é uma campanha para quem não vive a fé católica. Foi um desabafo coletivo de quem vive os impactos negativos da influência da Igreja Católica na garantia dos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil.

Como está nesse momento a perseguição ao trabalho de vocês? Isso mudou de alguma forma durante o papado de Francisco?

A maior perseguição que sofremos não foi da própria Igreja Católica, mas de uma organização de pessoas católicas que tentaram impedir o uso do nome da organização. É importante destacar que isso não aconteceu apenas no Brasil, mas em outros países como Argentina e Peru, e não tiveram êxito. Mas também tem uma questão importante que é a nossa existência ser para todas as pessoas.

Não temos como princípio mudar a Igreja, mas defender a laicidade do Estado brasileiro e incentivar às pessoas católicas a viverem sua fé sem abrir mão de seus direitos e liberdade de escolha. Durante o papado de Francisco permanecemos críticas a essa estrutura milenar, sem contudo deixar de reconhecer o caráter profético e pastoral da figura de Francisco, assim como celebrar os avanços que foram possíveis por meio dele.

Recebemos muitas mensagens discordantes e agressivas, mas buscamos dialogar com elas, pois existe muita desinformação quando se trata de gênero e Direitos Sexuais e Reprodutivos. Nossa missão é justamente ser um canal de ampliação das consciências a esse respeito e da ideia fundamental que nos move: o feminismo não está em contradição com a fé, pelo contrário, toda a mensagem de Cristo foi pela justiça, o diálogo, a liberdade e a igualdade. Essa continuará sendo a nossa luta.

Andrea Dip
Andrea Dip

Jornalista investigativa e estudante de psicanálise. Autora do livro-reportagem “Em nome de quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder". É pesquisadora na Freie Universität de Berlim e apresenta o podcast Pauta Pública na Agência Pública de Jornalismo Investigativo.