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segunda-feira, 14 de março de 2016

Cynara Menezes sobre os protestos: "Mais do mesmo"


    "Não se trata de menosprezar os manifestantes e sua insatisfação com o governo. Eu entendo. Mas é possível tranquilamente dizer que são os mesmos que já não votavam nem votarão no PT. Ou seja, não mudou o perfil de quem está indo para as ruas contra Dilma. São os mesmos que ficaram insatisfeitos com a vitória da petista na eleição em 2014. Não houve acréscimos, não ganharam a adesão das classes mais baixas, da periferia. A insatisfação apenas das classes média alta e alta não pode ser razão para a retirada do poder de uma presidente legitimamente eleita. Um só setor da sociedade não pode tomar para si o arbítrio de decidir o destino de todos."



mimimi

(Eis a questão)
Por Cynara Menezes, em seu blog
Pouco importa que, segundo o Datafolha, tenha tido mais gente nessa manifestação de hoje em São Paulo do que no outro “recorde de público”, em março do ano passado. Naquela época, a manchete era que a manifestação na avenida Paulista “só perdeu para as Diretas-Já”. Hoje foi “superou as Diretas-Já”. Sorry, mas não se derruba um governo porque um Estado não se sente representado por ele. Somos uma federação de 26 Estados, além do Distrito Federal. E inegavelmente não existe uma onda tomando o País pelo impeachment de Dilma. Podem espernear e gritar: não há clima no país para derrubar Dilma.
Não se trata de menosprezar os manifestantes e sua insatisfação com o governo. Eu entendo. Mas é possível tranquilamente dizer que são os mesmos que já não votavam nem votarão no PT. Ou seja, não mudou o perfil de quem está indo para as ruas contra Dilma. São os mesmos que ficaram insatisfeitos com a vitória da petista na eleição em 2014. Não houve acréscimos, não ganharam a adesão das classes mais baixas, da periferia. A insatisfação apenas das classes média alta e alta não pode ser razão para a retirada do poder de uma presidente legitimamente eleita. Um só setor da sociedade não pode tomar para si o arbítrio de decidir o destino de todos.
O que a mídia esperava não se concretizou, mesmo com o empurrãozinho da condução coercitiva de Lula e da delação (que não se sabe até agora se existiu) de Delcídio. Mesmo com todo seu furor golpista em editoriais pedindo o fim do governo e a renúncia de Dilma, o tsunami não veio. Sim, teve muita gente. Além de São Paulo, que teve 500 mil pessoas na rua, segundo o Datafolha, houve 100 mil em Brasília, 160 mil em Curitiba e 120 mil em Recife, segundo a PM. Mas beeeem distante do “crescendo” que eles esperavam. Falta medir a reação do outro lado (e dos outros Estados) se Dilma sofrer impeachment –ou se Lula for preso. Não se pode subestimar a reação de pessoas alfabetizadas politicamente.
Mesmo que se consiga um movimento para derrubar Dilma dentro do Congresso, sabe-se lá com que justificativas jurídicas –porque até agora não há nenhuma–, não existe clamor popular para respaldá-lo. Pelo menos não o suficiente. Eu quero ver até onde a “grande” imprensa pretende esticar esta corda. Já não pode mais contar com a parceria do candidato derrotado Aécio Neves, que foi escorraçado da manifestação em São Paulo. Estará a velha mídia disposta a chocar o ovo da serpente e se colocar à direita do tucanato, ao lado do grande expoente das manifestações, Jair Bolsonaro, para tirar o PT do poder?
Não duvido. Só não esperem contar com o apoio popular. O povo não é bobo.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Luciano Martins Costa: "A Classe Média (a ala golpista) Vai ao Paraíso"

   "No balanço sobre a cobertura da imprensa internacional, o Estado de S.Paulo observa que o jornal britânico The Guardian (ver aqui o texto original em inglês) destacou o fato de as manifestações serem compostas predominantemente por “pessoas brancas, de classe média”. Isso era o que mostravam as imagens transmitidas ao longo do dia pelas emissoras de televisão, principalmente Record, Band e RedeTV."



MANIFESTAÇÕES DE RUA

A classe média vai ao paraíso

Por Luciano Martins Costa em 16/03/2015 na edição 841

Os jornais fazem nas edições de segunda-feira (16/3) o balanço das manifestações realizadas no domingo em todos os estados. A data coincide com os trinta anos da posse do primeiro presidente civil após a ditadura, e a imprensa usa esse fato para comparar os eventos de 2015 com os de 1985.
Jornalistas gostam de datas redondas. Não há qualquer relação possível entre o período da redemocratização após os anos da ditadura militar e o protesto contra um governo eleito democraticamente, mas a comparação serve para legitimar a adesão à campanha produzida pela mídia.
As divergências quanto ao número de participantes superam a casa das centenas de milhares: o Globo e o Estado de S.Paulo aceitam a avaliação da Polícia Militar, que viu 1 milhão de pessoas na região da Avenida Paulista, enquanto o Datafolha calculou a multidão em 210 mil. A curiosa dança dos números já havia acontecido na sexta-feira (13), quando centrais sindicais levaram à mesma avenida 40 mil pessoas, segundo o Datafolha, e apenas 10 mil, segundo a Polícia Militar.
No balanço sobre a cobertura da imprensa internacional, o Estado de S.Paulo observa que o jornal britânico The Guardian (ver aqui o texto original em inglês) destacou o fato de as manifestações serem compostas predominantemente por “pessoas brancas, de classe média”. Isso era o que mostravam as imagens transmitidas ao longo do dia pelas emissoras de televisão, principalmente Record, Band e RedeTV.
A Rede Globo manteve sua programação normal dos domingos, com transmissões mais concentradas no início da tarde, e deixou a cobertura mais intensa para sua emissora de notícias via cabo, a GloboNews.
Folha de S.Paulo, onde se anota que trata-se de “movimento de centro-direita”, encontrou dois negros – uma maratonista e um aposentado – em meio aos rostos brancos. Louve-se o grande esforço de reportagem.
Mas a personagem mais curiosa citada pelo jornal paulista foi Maria Isabel Fleury, de 83 anos, que pedia a volta do regime de exceção. Ela é viúva do delegado Sérgio Paranhos Fleury, “que ganhou fama como torturador na ditadura”, registrou a Folha.
Esse mosaico de personagens não resume a ópera, mas é um bom ponto de partida para entender o processo.
O que não está nos jornais?
Justamente o ponto central do acontecimento: a culminância do processo de convencimento das classes médias urbanas após anos de campanha cotidiana da mídia hegemônica. As entrevistas de manifestantes durante o ato e registradas pelos jornais na segunda-feira repetem refrões martelados pela imprensa ao longo dos últimos anos e intensificados após a vitória de Dilma Rousseff na eleição do ano passado.
Desde o advento da internet, a mídia tradicional vem se caracterizando pela concentração de suas atenções no cotidiano, abandonando gradualmente a contextualização histórica dos acontecimentos. No Brasil, esse processo coincide com o engajamento dos veículos ligados às empresas hegemônicas num discurso partidário cujo objeto é claramente demonizar as políticas públicas adotadas com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder central. Não é por acaso que a maioria dos entrevistados durante a manifestação, bem como as palavras de ordem dos incentivadores a bordo dos carros de som, expressavam a percepção da realidade insuflada pela imprensa.
A massa dos protestos estava dividida sobre os objetivos de sua presença nas ruas: segundo os relatos da mídia, havia até mesmo petistas infelizes com a condução do atual governo, misturados aos aloprados que defendem a volta da ditadura, mas a maioria parecia convencida de que o Brasil oscila à beira do abismo, de que a corrupção foi inventada há dez anos e de que todos os políticos são corruptos.
Registre-se que alguns oportunistas, como os deputados Paulo Pereira da Silva, do Solidariedade, e Jair Bolsonaro, do Partido Progressista, foram impedidos de usar os microfones. Silva luta contra uma condenação por improbidade administrativa à frente da central Força Sindical e Bolsonaro, conhecido representante do que há de mais reacionário no Congresso Nacional, integra o partido mais entalado no escândalo da Petrobras.
No final, prevaleceu o direito de divergir pacificamente, ainda que se possa demonstrar que a opinião da massa foi condicionada pela militância da imprensa. A classe média, readmitida no jogo da política, está em seu paraíso.
O que virá em seguida vai depender em grande parte da capacidade do governo de mobilizar seus apoiadores e de superar os impasses com o Congresso Nacional.

sábado, 22 de junho de 2013

Entre a Democracia e o fascismo, texto de Paulo Moreira Leite

Da Istoé
Paulo Moreira Leite



O movimento de caráter semi-insurrecional que vemos no país de hoje exige uma reflexão cuidadosa.
Começou como uma luta justíssima pela redução de tarifas de ônibus.
Auxiliada pela postura irredutível das autoridades e pela brutalidade policial, esta mobilização transformou-se numa luta nacional pela democracia.
Se a redução da tarifa foi vitoriosa, a defesa dos direitos democráticos também deu resultado na medida em que o Estado deixou de empregar a violência como método preferencial para impor suas políticas.
Mas hoje a mobilização assumiu outra fisionomia.
Seu traços anti-democráticos acentuados. Até o MPL, entidade que havia organizado o movimento em sua primeira fase, decidiu retirar-se das mobilizações.
Os manifestantes combatem os partidos políticos, que são a forma mais democrática de participação no Estado.
Seu argumento é típico do fascismo: “povo unido não precisa de partido.”
Claro que precisa. Não há saída na sociedade moderna. Às vezes, uma pessoa escolhe entrar num partido. Outras vezes, é massa de manobra e nem sabe.  
A criação de partidos políticos é a forma democrática de uma sociedade debater e negociar interesses diferentes, que não nascem na política, como se tenta acreditar, mas da própria vida social, das classes sociais.
Em São Paulo, em Brasília, os protestos exibiram faixa com caráter golpista. 
“Chega de políticos incompetentes!!! Intervenção Militar Já!!!”
No mesmo movimento, militantes de esquerda, com bandeiras de esquerda, foram forçados a deixar uma passeata na porrada. Uma bandeira do movimento negro foi rasgada.
A baderna cumpre um papel essencial na conjuntura atual. Reforça a sensação de desordem, cria o ambiente favorável a medidas de força – tão convenientes  para quem tem precisa desgastar de qualquer maneira um bloco político que ocupa o Planalto após três eleições consecutivas.  
A baderna é uma provocação que procura emparedar o governo Dilma criando uma situação sem saída.
Se reprime, é autoritária. Se cruza os braços, é omissa.
Outro efeito é embaralhar a situação política do país, confundir quem fala pela maioria e quem apenas pretende representá-la.
É bom recordar que a maioria escolhe seu governo pelo voto, o critério mais democrático que existe.
Nenhum brasileiro chegou perto do paraíso e todos nós temos reivindicações legítimas que precisam de uma resposta.
Também sabemos das mazelas de um sistema político criado para defender a ordem vigente – e que, com muita dificuldade, através de brechas sempre estreitas, criou benefícios para a maioria.
Olhando para a maioria dos brasileiros, aqueles que foram excluídos da história ao longo de séculos, cabe perguntar, porém: os políticos atuais são incompetentes para quem, mascarados?
Para a empregada doméstica, que emancipou-se das últimas heranças da escravidão?
Para 40 milhões que recebem o bolsa-família?
Para os milhões de jovens pobres que nunca puderam entrar numa faculdade? Para os negros? Quem vive do mínimo?
Ou para quem vai ao mercado de trabalho e encontra um índice de desemprego invejado no resto do mundo?
Mascarados que arrebentam vidraças, incendeiam ônibus e invadem edifícios trabalham contra a ordem democrática, onde os partidos são legítimos, as pessoas têm direitos iguais  – e  o poder, que emana do povo, não se resolve na arruaça, pelo sangue, mas pelo voto.
É óbvio que a baderna, em sua fase atual, não quer objetivos claros nem reivindicações específicas. Não quer negociações, não quer o funcionamento da democracia. Quer travá-la.  
Enquanto não avançar pela violência direta, fará o possível para criar pedidos difusos, que não sejam possíveis de avaliar nem responder.
O objetivo é manter a raiva, a febre, a multidão eletrizada.
É delírio enxergar o que está acontecendo no país como um conflito entre direita e esquerda. É uma luta muito maior, como aprenderam todas as pessoas que vivenciaram e estudaram as trevas de uma ditadura.
A questão colocada é a defesa da democracia, este regime insubstituível para a criação do bem-estar social e do progresso econômico.
O conflito é este: democracia ou fascismo. Não há alternativa no horizonte.
Quem não perceber isso está condenado a travar a luta errada, com métodos errados e chegar a um desfecho errado. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O perigo de uma apropriação indébita da manifestação popular pela infiltração da direita reacionária



  Então vejamos...

  Arnaldo Jabor, conhecido e histriônico defensor do reacionarismo liberal, mudou seu discurso, dizendo agora que as manifestações são atos democráticos de gente que - parece para ele - "subitamente" despertou... Isso não é de se estranhar? Até a noite anterior, toda a direita estava vendo "estarrecida" os "vândalos" a depredarem o patrimônio público, torcendo para que levassem cacetadas "bem merecidas", e agora, descobriram que podem usar o movimento em proveito próprio...

 O fato é que agora o discurso da mídia - sim, da mesma Globo e Veja vaiadas pelos manifestantes - está cada vez mais sendo "modelado" para pintar os manifestantes de "caras pintadas"... Será mesmo? Ou nesse roteiro tem o tom do lobo pintando quadros de cordeiros? Ou melhor, parece que existem oportunistas burgueses suficientemente cínicos para se esconderem atrás da máscara de Guy Fawkes (o do V de Vingança, adotada pelo Anonymous e que agora está servindo para mascarar alguns infiltrados golpistas oportunistas de direita)

 Nós não estamos numa ditadura, nem há aqui  um louco ao estilo do primeiro ministro Turco, mas a Direita, cuja mídia tradicional sempre procurou um meio de movimentar o povo contra um governo que, em aluma medida, representa aquilo que vai contra seus interesses, está contente em poder pegar os atuais atos e maquiá-los - como sempre o faz - em proveito próprio. Que história é essa de Impeachment? O que se quer, com o movimento, não é questionar erros, corrupção e desacertos de que toda a política nacional está encharcada de anos? Temos é de perceber que nós fazemos a história e o atual governo, se não é perfeito, é muito melhor que outros, neoliberais e entreguistas, voltados para o interesse de uma minoria exploradora. Então, que tal cair na real de que a Direita quer se imiscuir nos atos para dar um outro Golpe antes que seja tarde demais? Manifestações a favor do Brasil sim, a favor de golpistas oportunistas, nunca!

 Vejam que um descuido dos manifestantes permitiu a um fascista como Feliciano agir, bem como o corporativismo médico aprovar uma lei que destrói o espaço de atuação de outros profissionais de saúde. Então, amigos, ajamos com os olhos abertos e protegidos da manipulação de elites!

Carlos Antonio Fragoso Guimarães