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terça-feira, 9 de agosto de 2022

Rodrigo Vianna sobre a tática do "pânico moral e maniqueísmo religioso" de Bolsonaro: enquanto um lado fala em demônios, o outro exorcismo o golpismo e o fascismo com atos pela Democracia

 

Do Canal 247:

Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP.



quinta-feira, 5 de maio de 2022

Rodrigo Vianna: Atacado pela mídia brasileira e a direita golpista, Lula é tratado como estadista na revista Time

 


Do Canal 247:

Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP. Vídeo completo aqui: https://youtu.be/IbZTSHVMNN0



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

O racha do falso-herói: Procurador pede ao TCU que investigue as relações de Sérgio Moro com empresa americana e que os bens do juiz parcial estejam indisponíveis a ele por suspeita de sonegação de impostos

 

Do Canal 247:



Rodrigo Vianna é jornalista. Passou por Folha, TV Cultura, Globo e Record, e hoje apresenta o "Boa Noite 247". Vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Grande mídia, dos barões e suas famílias igualmente envolvidas, esconde o escândalo dos paraísos fiscais de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Vídeo com o jornalista Rodrigo Vianna

 

Do Brasil de Fato e Rede TVT:

Na edição do Tempero da Notícia desta semana, Rodrigo Vianna traz a análise sobre as revelações do projeto Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que apontam, entre mais de 300 figuras públicas, o ministro da Economia Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, como mantenedores de recursos em contas offshore no exterior. Ambos terão que prestar explicações na Câmara e no Senado.


A TVT e a Rádio Brasil Atual, em parceria com Brasil de Fato, exibem o programa Tempero da Notícia com Rodrigo Vianna. O jornalista faz a análise dos principais fatos políticos e econômicos da semana.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O realismo fantástico e abuso de poder na volta do Estado de Exceção: Lula, Toffoli, Moro e o corpo de Vavá




Lula na posse de Toffoli*
A decisão do ministro Dias Toffoli pode ser vista como uma página de realismo fantástico. Ele autorizou Lula a ir ao velório do irmão, desde que o corpo fosse levado a uma unidade militar. Poderíamos imaginar algum sargento exigindo a identificação do cadáver pra autorizar a entrada do caixão…

A decisão, no entanto, saiu quando o corpo já fora baixado à sepultura no ABC paulista. Podemos imaginar então um tenente do bravo Exército nacional exigindo que o corpo de Vavá fosse desenterrado e levado até o quartel. Cumpra-se! Selva! Brasil acima de todos os corpos e caixões!

O episódio ajudará a contar, em futuro próximo, a história abjeta de perseguição ao ex-presidente. Lula estará nos livros como grande líder popular. Seus algozes serão nota de rodapé.

Atentemos, no entanto, para um detalhe (minúsculo, diante de tantas derrotas para os que defendem Lula): a decisão de Toffoli crava na testa da juíza carcereira de Curitiba e da PF (lembremos que os lavajateiros, perversos, haviam negado autorização para Lula ir ao enterro) que eles agem em desacordo com a Constituição e perseguem Lula.

Fica esse carimbo: abuso de autoridade e perseguição… sob comando do Moro.

Claro que, ao remeter para a PF opinar sobre a autorização, numa atitude inusual e abjeta, a juiza carcereira de Curitiba sabia que na verdade era Moro – chefe da PF – quem opinaria. Moro é o algoz e carcereiro indireto.

Toffoli cravou esse carimbo na testa dos lavajateiros: abusaram de autoridade. Usaram togas e prerrogativas policiais para fazer política.

Toffoli procurou se diferenciar dos carcereiros, decidindo de forma caricata por um velório em quartel militar. Seria simbólico!

E há outro ponto a ressaltar: Mourão, um vice com apetite de poder, já havia dito que Lula teria direito sim de ir ao enterro. Toffoli, parece claro, agiu em acordo com a facção militar do governo.

Há, portanto, nuances entre o regime Moro/Bolsonaro e a facção militar. Essa última parece menos propensa a aventuras que gerem um quadro de completa anarquia institucional.

O regime Moro/Bolsonaro é um capitulo do avanço conservador. Pode ser descartado em breve pela facção militar. Essa disputa já se trava. E Lula é um troféu em disputa.

Toffoli, amparado por Mourão e os militares, passa aos lavajateiros e Moro o recado: “não avancem tantos sinais, nisso não estaremos juntos”.

E, mais que isso, Toffoli oferece ao mundo (e aos simpatizantes de Bolsonaro menos tresloucados) uma decisão didática a demonstrar o grau de perseguição a que Lula esta submetido.

É uma pequena vitoria em meio a tantas derrotas para o campo lulista.



* Lula indicou Toffoli para ministro do STF. No dia da posse, Lula abraçou carinhosamente o irmão de Toffoli, portador de deficiência. Hoje Toffoli proibiu LULA de despedir-se do irmão Vavá. O que poderia ser um momento sublime de retribuição do carinho de Lula virou um momento de escárnio.

Toffoli tornou-se um ex-homem.

A deterioração física e moral dele é visível. Lula segue sendo o maior brasileiro de todos os tempos.

Renan Araújo - extraído do Contexto Livre

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O pedido de prisão da cúpula do PMDB: Janot avança e o sistema político se desfaz; o que virá depois? Por Rodrigo Vianna



O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF, sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja, sob comando de João Roberto Marinho.
PMDB BBCO poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo
O poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo

Está claro há muito tempo que o processo em curso no Brasil não é apenas um ataque ao PT, ou ao que se convencionou chamar de lulismo. É um ataque ao sistema político estabelecido pelo pacto da Constituição de 88; e, talvez, chegue a ser também um ataque à ideia de Estado Nacional — que se constrói desde a Era Vargas.

A bomba de hoje, confirmando que o Procurador Geral da República pediu mesmo a prisão de Sarney, Renan e Jucá (pedido este que repousa na mesa de Teori, no STF) mostra que o sistema político desmoronou.

Em 64, Lacerda achava que, demolindo o trabalhismo e derrubando Jango com apoio dos militares, herdaria o poder. Acabou cassado e a UDN foi extinta da mesma forma que o PTB.

Um advogado, fonte deste blogueiro e que atua na Lava-Jato, dizia já em 2015: “o PSDB, o Aécio e o PMDB terão o mesmo fim de Lacerda; não percebem que a Lava-Jato ataca hoje o PT, mas que o passo seguinte será a destruição do PSDB e do PMDB”. Não perceberam. tentaram surfar na onda do antipetismo. E agora serão destruídos pelo tsunami.

Agora, isso tudo ficou claro.

Há quem comemore os pedidos de prisão da cúpula do PMDB. Este blogueiro não comemora, por uma razão simples: vivemos o colapso da política. O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja sob comando de João Roberto Marinho.

Vivemos, formalmente, sob Democracia; mas as decisões já não se tomam à luz do dia. A Democracia está sequestrada pelo poder jurídico-midiático.

Da mesma forma que em 64, os ridículos lacerdas de ocasião (aécios e seus tucaninhos de segunda linha, além dos garotos podres de Temer) serão tragados pelo turbilhão.

Se Teori (que parece ser o último bastião da razoabilidade democrática, em meio ao turbilhão) prender mesmo a cúpula do PMDB, o poder dos togados e da PF se consolida. Aécio e Lula serão os próximos na lista. Qual limite pra isso?

O poder está com a toga e a mídia. Mas mesmo esse é um poder fluído, que não controla todas as variáveis.

O processo de impeachment virou uma incógnita. E já há gente no PSDB desesperada com o avanço de Janot. Vejam o que postou hoje um tucano patético, desses criados às sombras de FHC:

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Mas há mais a se considerar:
  1. Se Renan for afastado do Senado, o impeachment passa a se conduzido pelo vice Jorge Viana, que é do PT; Viana também é quem pode acolher pedidos de impeachment contra ministros do STF;
  2. Aumentam as chances de governo Temer se desfazer, abrindo a possibilidade de Dilma ser absolvida no julgamento do Senado;
  3. Dilma voltaria ao poder sob o compromisso de chamar um Plebiscito, para que o povo decida se quer ou não novas eleições diretas para presidente e vice.
A crise, no entanto, estaria longe de se esgotar.

Novo presidente eleito, com esse Congresso sequestrado pelos interesses privados, significaria apenas a renovação do impasse.

O Brasil precisaria, isso sim, de uma Constituinte para renovar o sistema político. Mas faltam lideranças para encampar essa bandeira.

O risco é o país ser sequestrado pelo discurso moralista do “partido da Lava-Jato”. Tudo se resolveria com os “escolhidos”, os “limpos”. A agenda do país passaria a ser “o combate à bandalheira” (num retorno patético ao janismo dos anos 60; não é à toa que vassouras reapareceram como símbolos da política).

O povo seria alijado do debate. A desigualdade, os programas de redução da pobreza, o desenvolvimento e o projeto de um país independente: tudo isso ficaria em suspenso.

Esse é o risco da agenda Globo/Janot. O lógico é que essa agenda (hoje provisoriamente vitoriosa) termine não em Temer ou nos tucanos. Mas num homem das togas — que cumpra o papel que em 64 foi exercido pelo general Castelo Branco.

Mas há um fator que Janot e os Marinho não controlam totalmente: as ruas.

O começo catastrófico de Temer ajudou a criar um novo movimento social: mulheres, jovens, estudantes e trabalhadores organizados. Esse movimento pode construir um programa e uma candidatura que signifiquem a consolidação de uma outra agenda, para disputar espaço com a direita moralista.

Lula e Dilma vão se incorporar a esse movimento novo? Ou serão superados por ele? É uma questão ainda em aberto.

Entre a agenda Janot/Lava-Jato e agenda da Nova Esquerda que emerge das ruas, há ainda uma terceira força: liberal e privatizante. Sob comando de Gilmar Mendes/Serra, essa gente sonha com um arranjo pelo alto, em que o país se arrastaria com Temer até onde fosse possível, para depois se costurar uma eleição indireta e um pacto de semi-parlamentarismo, que permitisse fazer “reformas liberais” e privatizações.

O pedido de prisão da cúpula do PMDB é o desmoronamento da política como a conhecíamos desde 88. E o início de um ciclo em que esses 3 projetos acima descritos farão a disputa:
  • agenda moralista de Janot/Lava-Jato (em parceria com a Globo);
  • agenda de reformas da Nova Esquerda (com Lula/Dilma ou sem Lula/Dilma);
  • agenda privatizante de Serra/PSDB e do “mercado” (também em parceria com a Globo).
Pairando por cima (ou por baixo) dessas três agendas, há o mundo dos políticos profissionais: desesperados, acossados pelas denúncias, apodrecidos por seus próprios erros… Eles podem se acertar com qualquer uma dessas agendas, se isso significar a sobrevivência.

A primeira e a segunda agendas podem se apresentar em eleições diretas, com candidatos mais ou menos fortes. Já a terceira agenda (por impopular e elitista) depende de costuras nas sombras, pelo alto.

A terceira agenda hoje está embutida na primeira, numa aliança provisória que sustenta o governo Temer. Mas esse arranjo parece próximo de se desfazer.

Essa disputa, imprevisível, marcará o tipo de Estado que teremos ao longo das próximas décadas.

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/37997/

sexta-feira, 4 de março de 2016

A Guerra Explícita da eterna Golpista Globo contra Lula e a Esquerda, por Rodrigo Vianna



A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT. Cercados, a esquerda e os movimentos sociais começam a travar uma espécie de batalha de Leningrado no Brasil contra o ódio dos midiotas insuflados. 

por Rodrigo Vianna
Da Revista Fórum e Jornal GGN
Foi um massacre com mais de quarenta minutos. Estou numa pequena cidade no interior do Ceará. Na pracinha central, numa pequena lanchonete, vi (mais do que ouvi) as TVs ligadas na Globo, no horário do Jornal Nacional.
Duas matérias (cada uma com cerca de 4 minutos, uma eternidade em TV) promoveram a “leitura” da revista Istoé. Sim, numa estratégia antitelevisiva, que só se justifica nos momentos de intervenção política total dentro do noticiário, a revista foi exposta na tela, enquanto os repórteres escalados por Ali Kamel liam cada trecho da suposta delação de Delcídio Amaral.
Lembro que em 2006, ao lado de outros colegas jornalistas, entrei na sala do diretor da Globo em São Paulo (onde eu trabalhava), e cobrei: por que não repercutimos o que a Istoé falou sobre Serra e a máfia das ambulâncias? Por que, eu insisti, só atacamos um lado (que naquela época, claro, já era o PT com seus “aloprados”)? A resposta do diretor da Globo: “não repercutimos a Istoé, porque é uma revista suspeita de vender espaço jornalístico a quem pagar mais.”
Em 2016, Ali Kamel usou a Istoé contra Lula nesta quinta-feira. E depois veio muito mais no massacre do JN: “juristas” a favor do impeachment, especulando em cima de uma suposta delação. Ministros defendendo o governo, mas cuidadosamente colocados (pela edição da Globo) numa defensiva sem saída. A narrativa era a de um governo que cai.
Mas a cereja do bolo era outra: o ataque a Lula. Primeiro, na boca de Delcídio e da revista Istoé (de novo!). Depois, numa “reportagem” que significou o retorno da Globo ao triplex do Guarujá, incluindo fotos de Marisa e de um dos filhos de Lula com os rostos levemente deformados.
João Roberto Marinho está possesso porque a filha dele foi exposta na internet: blogueiros descobriram as peripécias do ex-marido de Paula Marinho e divulgaram até endereços da família bilionária. O capataz dos Marinho, Ali Kamel, deu então o troco no JN: expôs a família Lula, de novo. Com as expressões deformadas…
Mas não interessa tanto contar em detalhes o que foi o JN. A ideia desse texto é outra: alertar que a edição do Jornal Nacional cumpre uma dupla tarefa. Primeiro, preparar o terreno para nova operação da PF (agora centrada em Lula) que deve acontecer nos próximos dias. Um observador experimentado da política carioca me disse: os Marinho não promoveriam esse massacre, se não soubessem que o ataque é apenas parte de uma escalada maior. Portanto, estamos já numa escalada sem volta.
Em segundo lugar, o JN cumpre a tarefa de reunir a oposição e dar o grito de guerra: “avancem! e sejam rápidos”.
Na pracinha do Ceará, onde eu estava, reparei que só havia gente com 40 anos ou mais olhando para a TV. Os jovens namoravam, tomavam sorvete, olhavam o celular.
A Globo não tem o poder de outras épocas, é verdade. Mas segue a cumprir o papel de organizar a tropa conservadora. O sinal está dado: se forem para o ataque, bravos líderes da oposição, vocês terão o apoio da máquina midiática da Globo. Mas não titubeiem. Avancem!
A guerra contra Lula foi declarada há vários meses. Nas últimas semanas, Lula topou a briga (até porque não tinha saída), e também declarou guerra: “nesse país, não há partido de oposição,  partido é a Globo”, disse ele.
A Globo, nesta quinta-feira, dobrou a aposta. O alvo é Lula, depois Dilma. E por fim o PT.
Essa guerra, se tiver o desfecho que a família Marinho pretende, pode transformar o Brasil numa Colômbia. A esquerda seria proscrita. Lula seria preso. Os movimentos sociais voltariam a ser o que sempre foram: forças marginais, excluídas do jogo político. Os sindicatos seriam massacrados (já há CPI a caminho).
Por enquanto, é a direita apenas que exibe seu poder – com a violência simbólica de um JN tomado pelo ódio, como vimos hoje. Mas se a esquerda for jogada mesmo pra fora do jogo institucional, a escalada de violência política pode ganhar outros contornos, atingindo também aqueles que – do Jardim Botânico, ou de seus gabinetes acarpetados em Curitiba e Brasília – lançaram o país nessa espiral.
Lula não escolheu a hora de combater. A guerra chegou até ele. Os que se reúnem em torno do petista devem ter a certeza de que estamos diante de um momento decisivo. Agora, só um dos lados vai sobreviver.
O lado de lá é mais forte (até pela tibieza de um partido e de um governo que apostaram em Cardosos e Delcídios para dar “governabilidade”).
O que pode acontecer?
“A sensação de cerco às vezes faz milagre na política”, disse um amigo que também gosta de metáforas bélicas. O cerco ao lulismo ficou mais forte hoje: há uma espécie de batalha de Leningrado em curso.
Os que se defendem parecem fracos e sem munição, como se sentiam os soviéticos diante do avanço nazista. Mas, a favor da turma que defendia Leningrado, havia um fator imponderável: sabiam que deviam resistir até o último homem, casa a casa.
A esquerda no Brasil (com todos seus defeitos, com todas as limitações do que foi o PT nos últimos anos) trava, a partir de agora, sua batalha de Leningrado.
Lula também está cercado. E decidiu lutar. Não é pouco.

sábado, 1 de agosto de 2015

Rodrigo Viana sobre a movimentação terrorista insuflada por uma mídia tendenciosa



Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras.
O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.

O ataque a Lula: o ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras em revistas e blogs


por Rodrigo Vianna - Portal Fórum
Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras.
O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.
No entanto, é preciso colocar o guizo no gato: a bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos, por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira.
A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga. São as pessoas sentadas atrás dos teclados, em redações, bem pagas para propagar um clima de confronto e de extermínio de toda uma comunidade política.
Você não precisa gostar do Lula e do PT para entender que algo está errado. Estamos em meio a uma escalada autoritária. Que pode virar, sim, um surto fascista.
A escalada autoritária: querem exterminar todo um campo político
A escalada autoritária: querem exterminar todo um campo político
O demente que lançou a bomba contra o Instituto Lula foi precedido por colunistas, blogueiros e pelo bando de dementes que – nas redes e nas ruas – espalham o ódio, tratam os adversários como “facção criminosa” e alinham-se com o que o mundo produziu de pior no século XX: o fascismo.
Nas manifestações de março de 2015, alguns jovens kataguris chegaram a pedir abertamente que o PT seja cassado, proscrito, proibido. Claro, a lógica é essa: se do outro lado estamos lidando com “uma quadrilha” (como dizem parlamentares tucanos, como o tresloucado Carlos Sampaio), não é mais preciso disputar politicamente. A lógica é destruir o adversário, apagá-lo, exterminá-lo.
O ataque ao Instituto Lula é terrível. Mas deve servir para trazer os tucanos e conservadores mais lúcidos á razão. É preciso frear essa escalada que os serras ajudaram a criar, insuflando blogueiros e jornalistas de longa carreira a disseminar o ódio nas redes sociais.
Pronto, chegamos até aqui. O ódio deu as caras definitivamente.
É preciso dizer: os democratas, a turma da esquerda, dos sindicatos, universidades e organizações populares não vai assistir a isso impassível. Se insistirem na tática do ódio, vai sobrar pra todo mundo.
É preciso isolar a direita fanática, é preciso trazer os centristas para o combate em defesa da democracia.
Colunistas e blogueiros dementes, ligados à revista da marginal e a organizações de comunicação que floresceram na ditadura, produziram gente suficientemente demente para lançar bombas de madrugada.
Chegamos até aqui. Agora está na hora de traçar uma linha no chão.
Quem está do lado de cá vai se defender. Prioritariamente, com palavras, com argumentos e política. Mas, se preciso, também com atos e capacidade de luta.
Não brinquem com a democracia no Brasil!

domingo, 5 de abril de 2015

O evangélico Eduardo Cunha e sua "ética" muito a favor do espírito do CapEtalismo




PEC 451 de Eduardo Cunha ameaça SUS, viola direito à saúde e atropela Constituição


Por Rodrigo Vianna, Portal Forum



PEC 451 viola o direito à saúde e promove a segmentação do SUS

O Sistema Único de Saúde vem sofrendo golpes sucessivos que desviam o sentido com que foi criado de prover acesso universal a serviços de saúde de qualidade. O golpe mais recente foi a reiteração e a constitucionalização do seu subfinanciamento com a EC 86, de 2015, que dispõe sobre o orçamento impositivo e estabelece como percentual de recursos da União vinculados à saúde, 15% das receitas correntes líquidas (em cinco anos), ao invés do equivalente a 1o% de suas receitas correntes brutas como proposto pelo projeto de lei de iniciativa popular.
A EC-86/15 asfixia o SUS não só pela diminuição dos recursos federais, mas também pela criação da emenda impositiva que tira da saúde o que era para ser transferido automaticamente para os orçamentos municipais e estaduais e dá aos parlamentares o poder de devolvê-los de acordo com interesses políticos particulares. O orçamento deveria garantir o atendimento às necessidades de saúde expressas em planos de saúde e aprovados nos conselhos, e não ser objeto de negociações eleitorais ou partidárias.
Além da EC 86/15, foi aprovada a Lei 13019, de 2014, que abriu a assistência à saúde ao capital estrangeiro, numa afronta à vedação constitucional inserta no art. 199, § 3º, que proíbe tal participação por ser antagônica à definição da saúde como direito público. Este artigo 142 da lei está sendo arguido de inconstitucionalidade pelas entidades de defesa do SUS universal e igualitário.
O que fica cada vez mais claro é que está em curso uma subversão do projeto constitucional para a saúde.
Agora, está em discussão no Congresso a PEC 451, de 2014, de autoria do deputado Eduardo Cunha, que altera o art. 7º da Constituição, inserindo novo inciso, o XXXV, o qual obriga todos os empregadores brasileiros a garantirem aos seus empregados serviços de assistência à saúde, excetuados os trabalhadores domésticos, afrontando todo o capítulo da seguridade social e a seção da saúde e seus dispositivos.
Como as Propostas de Emenda Constitucional têm que ser assinadas por 1/3 da Câmara dos Deputados, está ficando evidente que entre os parlamentares há muita gente interessada no desmonte do SUS.
Tal proposta de alteração da Constituição, do mesmo modo que a Lei 13019/14, gera uma antinomia jurídica, por romper com o princípio consagrado no art. 196 que estatui ser a saúde um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que reduzam o risco de doença e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
A PEC 451 viola o direito à saúde, conquistado na Constituição, ao dizer ser direito fundamental do trabalhador a assistência médica e ao afirmar ser dever do empregador. Secciona o SUS que tem como diretriz constitucional a integralidade da atenção à saúde, ao fracionar a assistência à saúde, os seus usuários e o devedor da garantia do direito à saúde que deixa parcialmente de ser o Estado.
Por esse rumo, o Brasil está desmontando o SUS e fortalecendo o setor privado dos planos de saúde, de modo pior ainda do que nos tempos do INAMPS quando o trabalhador dispunha de seguro de saúde próprio que era gerido pelo Estado. Agora o mercado opera ainda mais livremente, consolidando o tratamento da saúde como uma mercadoria.
A quem interessa fragmentar os usuários do SUS, subfinanciar o sistema, abrir a assistência médica ao capital estrangeiro, tudo numa só tacada, sem diálogo com seus usuários, os movimentos populares de saúde, os estudiosos e os pesquisadores da Saúde Coletiva, os conselhos de saúde, os trabalhadores do SUS? Certamente não é quem usa o SUS, tampouco quem quer o seu sucesso.
A PEC 451 aponta para a ressuscitação de uma situação pior do que a do antigo INAMPS ao garantir que as seguradoras e operadoras privadas de planos de saúde tenham um mercado cativo garantido pela própria Constituição. A definição da saúde como direito de todos e dever do Estado é substituída pela determinação de que, para os trabalhadores do regime previdenciário público, o direito à saúde será garantido por plano privado de saúde, remunerado pelo empregador.
Esta página foi virada na década de 80. É inaceitável a mutilação do direito à saúde e a redução do SUS a um sistema complementar aos planos privados de saúde; um sistema pobre para pobre que aprofunda as nossas já persistentes e intoleráveis desigualdades sociais.
Se tal medida prevalecer, haverá um SUS definitivamente de baixa qualidade para os que não podem pagar pela saúde – os pobres, desempregados, aposentados, viúvas, órfãos – convivendo com o resto da população empregada com acesso a planos privados caros, de categorias diferenciadas conforme for o porte do seu empregador, cuja garantia de qualidade é uma incógnita frente à frágil regulação do setor. Garantia de desigualdade de atendimento permitido pela própria Constituição, ferindo o princípio da isonomia e o da igualdade no SUS.
O triângulo que está sendo construído do baixo financiamento, capital estrangeiro na assistência de planos de saúde e obrigatoriedade de todos os empregadores garantirem um plano de saúde para seus trabalhadores, visa a atacar o coração do SUS: sua sobrevivência econômica; a integralidade da assistência; o acesso universal e o crescimento do espaço para o capital privado, incluindo o estrangeiro, atuar no setor, fazendo dos serviços de saúde apenas um negócio lucrativo.
As entidades signatárias se manifestam contra todas as iniciativas que comprometem os preceitos Constitucionais que garantem o direito à saúde e o dever do Estado, e a consolidação do SUS: universal, igualitário e de qualidade.
Conclamam o povo brasileiro e todos os que hoje se mobilizam em torno da 15ª Conferencia Nacional de Saúde a debater e lutar pela manutenção do direito à saúde e do SUS, tal como definido pela Carta Magna e que foi resultado de grandes lutas, cujo ápice se deu na 8ª Conferência Nacional de Saúde.
Repudiamos veementemente todas as iniciativas que no Congresso Nacional atentam contra a democracia social, a dignidade das pessoas e os interesses populares em relação à saúde.
Entidades signatárias:
ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva
ABrES – Associação Brasileira de Economia da Saúde
AMPASA – Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde
APSP – Associação Paulista de Saúde Pública
CEBES – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
IDISA – Instituto de Direito Sanitário Aplicado
REDE UNIDA – Associação Brasileira Rede Unida
SBB – Sociedade Brasileira de Bioética

domingo, 15 de março de 2015

Globo promove um "Diretas já" ao contrário.

     


    O que interessava era um “show” na tela, pra animar a paulistada a sair de casa. O Esporte Espetacular da Globo era interrompido a cada dez minutos para “giros de repórteres”. O âncora Alex Escobar (aquele que Dunga humilhou em 2010 - “tu és um cagão de merda”) tinha a frase pronta pra chamar as entradas ao vivo: “vamos acompanhar as manifestações pela Democracia, contra a corrupção e contra Dilma”.
Segue texto de Rodrigo Vianna, neste sombrio 15 de março, extraído da Revista Forum:


Globo promove um “Diretas-já” às avessas pra chamar paulistas pra rua: discurso na tela não batia com imagens nas ruas


março 15, 2015 14:36
Globo promove um “Diretas-já” às avessas pra chamar paulistas pra rua: discurso na tela não batia com imagens nas ruas
Essa a manifestação "pela Democracia" chamada pela Globo
Essa a manifestação “pela Democracia” chamada pela Globo (foto: VioMundo)
por Rodrigo Vianna
A tática foi muito clara: de manhã, manifestações fracas Brasil afora (com exceção de Belo Horizonte e Brasília) serviram pra Globo fazer o “esquenta” para a tarde.
O que interessava era um “show” na tela,  pra animar a paulistada a sair de casa. O Esporte Espetacular da Globo era interrompido a cada dez minutos para “giros de repórteres”. O âncora Alex Escobar (aquele que Dunga humilhou em 2010 - “tu és um cagão de merda”) tinha a frase pronta pra chamar as entradas ao vivo:  “vamos acompanhar as manifestações pela Democracia, contra a corrupção e contra Dilma”. 
Nessa imagem, Globo viu 15 mil pessoas no Rio
Nessa imagem, Globo viu 15 mil pessoas no Rio
No Rio, três repórteres ao vivo. Conheço todos eles, devem estar envergonhados do que foram obrigados a fazer. Frases ensaiadas: “muitas famílias, protesto pacíficos, camisas amarelas, famílias inteiras.” Ops, mas atrás do repórter passa um rapaz com cara de ódio, e a foto do Bolsonaro estampada na camiseta. O câmera, esperto, desvia para um plano geral.
Números no Rio. “Os manifestantes falam em cem mil pessoas, mas a PM diz que são 15 mil“. O diabo é que esqueceram de combinar com o diretor de TV, que tasca um plano aberto da avenida Atlântica. Eram 5 mil pessoas, no máximo. Entra matéria (excelente, por sinal) sobre Jairzinho e a Copa de 70. “Noventa milhões em ação…”.

Como dizia o Dunga...
Como dizia o Dunga…
Mas Escobar chama a rua de 2015, de novo: outra repórter, agora do alto de um prédio na avenida Atlântica. Pior ainda: tá na cara que está vazio. E a jornalista comete ato falho glorioso: “muitos cartazes mostram Contentamento com Dilma”. Ops.
Jornalistas da Globo estavam instruídos para chamar as manifestações como “ato pela Democracia”. O diabo são as imagens ao vivo, fora de controle. Ao fundo, um cartaz pede “intervenção militar já”.
Suastica gnewsNo Rio, apareceram suásticas e cartazes pedindo “intervenção militar”. De Belo Horizonte, imagens de mais gente nas ruas. Mas parecia que ali a Globo estava menos preparada. Repórter fez entrada sóbria, não precisa apelar. Discrição mineira.
Brasília também: bastante gente. Mas não as “40 mil pessoas” que a Globo comprava como verdade. O Plano aberto desmentia a narrativa montada por Ali Kamel.
Fora do circuito Rio-Brasilia, o Escobar sofria mais. Ele chama Aracaju, e a moça não percebe que já está a vivo. A repórter grita pra meia dúzia ali na frente: “canta o hino, canta o hino”. O aúdio vaza, o povo xinga Dilma. De repente, ela percebe a gafe, fala um pouco, e o povo obediente começa o hino.
A Globo está no comando. Um cartaz erguido diz: “FFAA salvaram o Brasil em 64″. Parceria bonita essa!
Fortaleza entra pela segunda vez e…. Surpresa: “os manifestantes já se dispersaram“, diz o repórter meio envergonhado. Rua vazia.
Com essa imagem na tela, a repórter falou em "30 mil contra a corrupção" em Ribeirão Preto.
Com essa imagem na tela, a repórter falou em “30 mil contra a corrupção” em Ribeirão Preto.
O mais constrangedor: entrada de Ribeirão Preto. E a repórter: “muita gente nas ruas contra a corrupção, são 30 mil pessoas”. As imagens mostravam ruas quase vazias…
Belém também: pouca gente.
Volta pro Rio. A classe média chega ao fim de sua gloriosa marcha na manhã ensolarada. O local escolhido para o “gran finale”? Copacabana Palace – símbolo da aristocracia decadente carioca, símbolo das lilys e blochs com seu dinheiro escondidinho na Suíça.
Ali Kamel passou a manhã tentando insuflar os números, encher a bola da manifestação.
Nesta manhã de domingo, a Globo promoveu um “DiretasJá” às avessas (para os mais novos: em 1984, milhares foram as ruas pedir a volta à Democracia; no dia 25 de janeiro de 84, havia 300 mil na praça da Sé, e a Globo noticiou como ‘festividades pelo aniversário da capital paulista”; Ali Kamel escreve artigos até hoje para negar que Globo tenha manipulado 1984, assim como nega que haja racismo no Brasil).
Aliás, nas imagens de Salvador (a Globo falou em 4 mil manifestantes no Farol da Barra, a imagem mostrava uns mil no máximo) chamava a atenção a ausência de negros. “Parecia Blumenau”, escreveu um internauta. Peraí: nas manifestações do Ali Kamel não há racismo. Esse é o Brasil branquinho que está nas ruas…
E segue Escobar, mais entradas, mais vivos… A ideia era animar os paulistas de classe média – que acordam tarde e gostam de aumentar o barrigão em festins gastronômicos nas padarias, nas manhãs de domingo.
Vendo as imagens na Globo, centenas botaram suas camisas amarelas e foram pra Paulista – onde certamente o ato seria grande.
Na GloboNews, os comentaristas jogavam junto com os manifestantes. Mas havia dissonâncias. Um apresentador pergunta a Cristiana Lobo: ‘as manifestações contra Dilma no Nordeste foram só em bairros ricos – Boa Viagem no Recife, Farol da Barra -você acha que o PT vai explorar isso”. E a Cristiana: “veja bem…”
Diretasjá às avessas, para insuflar São Paulo contra Dilma. O Brasil repete 1954 e 1964.
Dilma, se ainda tiver um pingo de sangue brizolista nas veias, enfrenta a Globo agora. A Globo é o centro do golpe. Põe gente nas ruas, sim – especialmente em São Paulo, Brasília. No Rio, põe menos. A Globo tem força, mas o #globogolpista e o #famíliaMarinhonoHSBC comandando as redes sociais mostram que a direita não vai dar um passeio.
(relato provisório, escrito antes da manifestação em São Paulo)