domingo, 6 de maio de 2012

Frei Betto e a questão da Alteridade


ALTERIDADE  

 FREI BETTO



  O que é alteridade? É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. 

A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e o que sei é suerior ao que ele sabe e, assim, ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. Toda a estrutura do ensino no Brasil, criticada pelo professor Paulo Freire, é fundada nessa concepção. O professor ensina e o aluno aprende. É evidente que nós sabemos algumas coisas e, aqueles que não foram à escola, sabem outras tantas, e graças a essa complementação vivemos em sociedade. Como disse um operário num curso de educação popular: "Sei que, como todo mundo, não sei muitas coisas". 

Numa sociedade como a brasileira em que o apartheid é tão arraigado, predomina a concepção de que aqueles que fazem serviço braçal não sabem. No entanto, nós que fomos formados como anjos barrocos da Bahia e de Minas, que só têm cabeça e não têm corpo, não sabemos o que fazer das mãos. Passamos anos na escola, saímos com Ph.D., porém não sabemos cozinhar, costurar, trocar uma tomada ou um interruptor, identificar o defeito do automóvel... e nos consideramos eruditos. E o que é pior, não temos equilíbrio emocional para lidar com as relações de alteridade. Daí por que, agora, substituíram o Q.I. para o Q.E., o Quociente Intelectual para o Quociente Emocional. Por quê? Porque as empresas estão constatando que há, entre seus altos funcionários, uns meninões infantilizados, que não conseguem lidar com o conflito, discutir com o colega de trabalho, receber uma advertência do chefe e, muito menos, fazer uma crítica ao chefe. 

Bem, nem precisamos falar de empresa. Basta conferir na relação entre casais. Haja reações infantis... Quem dera fosse levada à prática a idéia de, pelo menos a cada três meses, um setor da empresa fazer uma avaliação, dentro da metodologia de crítica e autocrítica. E que ninguém ficasse isento dessa avaliação. Como Jesus um dia fez, ao reunir um grupo dos doze e perguntou: "O que o povo pensa de mim?" E depois acrescentou: "E o que vocês pensam de mim?" 

Quem, na cultura ocidental, melhor enfatizou a radical dignidade de cada ser humano, inclusive a sacralidade, foi Jesus. O sujeito pode ser paralítico, cego, imbecil, inútil, pecador, mas ele é templo vivo de Deus, é imagem e semelhança de Deus. Isso é uma herança da tradição hebraica. Todo ser humano, dentro da perspectiva judaica ou cristã, é dotado de dignidade pelo simples fato de ser vivo. Não só o ser humano, todo o Universo. Paulo, na Epístola aos Romanos, assinala: "Toda a Criação geme em dores de parto por sua redenção". Dentro desse quadro, o desafio que se coloca para nós é como transformar essas cinco instituições pilares da sociedade em que vivemos: família, escola, Estado (o espaço do poder público, da administração pública), Igreja (os espaços religiosos) e trabalho. Como torná-los comunidades de resgate da cidadania e de exercício da alteridade democrática? O desafio é transformar essas instituições naquilo que elas deveriam ser sempre: comunidades. E comunidades de alteridade. 

Aqui entra a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível porque, se tirar essa via, caio no colonialismo, vou querer ser como ele ou que ele seja como sou -a via do amor, se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral. Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade.  

Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto - autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros. Fonte Adital

Sobre a melhor religião...



Não é o tipo de religião que torna as pessoas melhores.... Fanáticos e pessoas extraordinárias se encontram em todas elas...  O que torna a pessoa melhor é a que melhor vivencia os princípios universais de amor e fraternidade que se encontra em todas elas. Do contrário, tem-se apenas superficialidade e um adesismo vazio...


Carlos Antonio Fragoso Guimarães

sábado, 5 de maio de 2012

Crítica social em um desenho inteligente: Mafalda, de Quino


Atualidade do pensamento de Karl Marx

Ruralistas impondo leis anti-ecológicas, 
Bancos valendo mais que pessoas, 
A aparência sufocando a essência
E a televisão suplantando a educação....
Vocês acham que isso tudo é novidade? 

Alguém antes já havia denunciado que o capitalismo transformaria a tudo e a todos em mercadoria descartáveis... 
Lembram-se dele?



Carlos Antonio Fragoso Guimarães em reconhecimento a Karl Marx

A beleza que está nos olhos de quem a percebe...


Existe algo de positivo no olhar que viu a flor nos abrolhos e nas urtigas:

É um olhar que mostra a generosidade de quem viu beleza onde fundamentalmente havia tristeza

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os bancos, a mídia comercial e a Dilma




Texto e imagem retirados do Blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim


Bancos não respondem à Dilma.
O PiG (*) está aí pra isso

Paulo Henrique Amorim, 02/05/2012

Não bastasse a primeira, imediata reação da Globo, com o William Traack (segundo o amigo navegante Joaquim) contra a Dilma, em defesa dos bancos privados, nesta quarta-feira a artilharia do PiG (*) veio furiosa.

No Globo, na pág. 4, Merval Pereira acusa a Presidenta de uma espécie de “populismo financeiro”.

Deve inspirar-se na expressão “populismo cambial”, que o Padim Pade Cerra usava (em off, com os colonistas (**) que o tratam de “Serra”) para dinamitar o Plano Real e derrubar o Malan.

Na pág. 20, sem muita imaginação – como sempre – a Urubóloga ataca a Presidenta na mesma tecla: ela, a Dilma precisa ficar atenta (claro, a Urubóloga sabe o que é melhor para a Dilma) à “fronteira entre o popular e o populismo”.

O mais raso deles, na pág 2 da Folha (***), diz que a Presidenta “xingou” os bancos.

E que agora é “matar ou morrer”.

Ou os juros caem ou a Dillma morre politicamente (o sonho de consumo de todos os colonistas (**) supra citados.)

Sobre a expressão “populismo”, recomenda-se a leitura de “O populismo e sua história – debate e critica”, organizado por Jorge Ferreira e editado pela Civilização Brasileira.

Em resumo: os conservadores chamam de “populismo” tudo o que os governantes trabalhistas fazem em benefício do povo.

Por exemplo: chamar os bancos privados na chincha, reestatizar a YPF argentina, ou a Transporte de Eletricidade da Bolívia.

Isso é de um populismo obsceno !

Que horror !

Em tempo: ao lado da Urubóloga, no Globo, lê-se: “Juros: Febraban evita rebater Dilma.” Não precisa, não é mesmo, amigo navegante ? Tem quem faça.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

(***) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

sábado, 28 de abril de 2012

Platão e a Política



Deve ser por isso que a mídia e a impressa deste país, comprometida com os interesses de uma minoria de exploradores político-empresariais,  com especial destaque para a Sujíssima e Sórdida Revista Veja, tanto esforço faz para impedir o ensino da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio... Pensem nisso...

Carlos

Martin Luther King Jr e a identidade entre Compaixão e Revolução



  Agora, se ouso falar algo assim, vem logo um engravatado beneficiado pelo sistema gritando que isso é coisa de "fanáticos socialistas e comunistas".... Para eles, questionar a situação de desequilíbrio social é semelhante a algo como mudar a maravilha de "democracia", que é que se diz haver aqui, mas na verdade temos um sistema mercantilista que impõe uma série de obrigações e modos de pensar, e é isso que a faz algo tão boa para uma minoria.

Como também chamaram de doidos e fanáticos os primeiros cristãos, acredito que são essas pessoas que questionam o status quo e que ousam incomodar os burocratas que fazem o mundo girar...

Carlos

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Oswaldo Montenegro: Estrada Nova

Todo recomeçar é um novo nascer e, portanto, uma morte a algo antigo que deve ficar para trás... Por isso ir embora assusta, crescer por vezes apavora... E esta canção toca um pouco nisso... uma bonita canção para reflexão...


Não ao Ato Médico e à arrogância corporativista dos "doutores"


Médicos mecanicistas, infelizmente uma grande parte da classe, são também corporativistas e como tais, querem mais e mais poder, mais e mais meios de se auto-promover...  Se julgam os reais capacitados para afirmar e desafirmar, autorizar e desautoriza enquanto, para eles, nada resta ao demais senão baixar a cabeça e obedecer.... Afinal, os demais são "leigos" e nada sabem... são "pacientes" e eles os "agentes"... Se acham eles "os" cientistas e detentores do saber.... o único válido, mas para quê, se a tecnologia de que tanto se orgulham, seus imensos aparelhos de diagnósticos são acessíveis apenas a uma minoria? A acupuntura que até anos recentes eles viam com desconfiança querem agora que seja de prática privada deles. Os custos da assistência médica apenas sobem na proporção de quanto mais se fazem associados à técnica quando muitas das principais doenças poderiam ser apenas prevenidas pela educação? E a associação entre médicos e a indústria farmacêutica? Isso lhes dá o direito de serem os expertos para diagnosticas problemas psicológicos, psicossociais, de postura e outros problemas próprios do tratamento fiosioterpêutico e outros profissionais devem ser sempre sublaternos, em seus estudos e competência, à máfia de branco? Pensem nisso.... Assistam os filmes "Óleo de Lorenzo" e "O Jardineiro Fiel"... Busquem a verdade política nesta categoria...  NÃO AO ATO MÉDICO!


terça-feira, 17 de abril de 2012

Santayana: Não há porque temer a CPI do Cachoeira (e da Veja)

Não há por que temer a CPI

por Mauro Santayana

Nos meios políticos há o temor de que a investigação do Congresso sobre a Operação Montecarlo, desfechada pela Polícia Federal, sobre as relações do homem de múltiplos negócios de Goiás, conhecido como Carlos Cachoeira, com parlamentares, membros do poder executivo de Goiás e do Distrito Federal, venha a ampliar-se. Há informações de que pode surgir o envolvimento de outras personalidades e de outros partidos políticos, em outras unidades da federação. A rede de influência do empresário de Goiás parece ser mais ampla do que a de Al Capone.

O comportamento da presidente da República inquieta alguns observadores. Uma investigação desse porte costuma assustar os chefes de governo, mais ainda em ano eleitoral. Tancredo Neves comparava esses inquéritos do parlamento à retirada de caranguejos dos jequis de pesca: eles sempre saem agarrados uns aos outros. Sendo assim, mesmo que não temam a apuração das denúncias, os chefes de governo, em todas as esferas do Estado, buscam impedir essas comissões de inquérito, pela turbulência que sempre causam. Pois bem, até agora, a presidente da República não tomou qualquer iniciativa para dificultar as investigações, nem para incitá-las.

Uma visão mais republicana de sua atitude favorece-a: o poder executivo não deve imiscuir-se nos assuntos interna corporis do Parlamento. Uma visão mais particular, sabendo-se de seus atos anteriores, pode identificar o desejo de depurar o governo e o Estado, pelo menos durante o seu mandato, dos corruptos e corruptores. Ao esquivar-se de qualquer iniciativa no caso, ela preserva sua autoridade, principalmente em ano de eleições municipais.

É, mais do que possível, provável, que os temores se venham a justificar: nas teias do ativo empreendedor de Goiás, pelo que se sabe até o momento, há gente de toda espécie – de policiais a espiões particulares; de empresários de alta estirpe a meros assessores, além de jornalistas.

Será difícil emperrar a CPI, com adiamentos ou com manobras, como tem ocorrido a outras, em tempos recentes. Há algum tempo lembrávamos, neste mesmo espaço, o reaparecimento de uma instituição que parecia afastada da História, nestes anos de neoliberalismo: a cidadania. Ainda que os ensaios de mobilização não tenham levado às conseqüências radicais, os cidadãos começam a mover-se, a ocupar as ruas do mundo, a clamar por justiça. E é o que pode vir a ocorrer entre nós. É hora de identificar os homens públicos realmente honrados e os que posam de honrados, como os fariseus do Evangelho.

Se há órgãos de imprensa mancomunados com o corruptor goiano, que sejam conhecidos. Nesse caso, mais do que o rigor da lei, se a lei lhes puder ser aplicada, pesará o juízo da opinião pública. À imprensa cabe, nas democracias, a desagradável tarefa de fiscalizar as instituições políticas, a serviço da cidadania. Será muito grave se se descobrir que esse ou aquele jornalista tenha agido como o Senador Demóstenes Torres parece ter atuado: em público, ao posar Catão usticense; nas sombras, recebendo ordens, como obediente assalariado do contraventor goiano.

Tratemos de outra consternação diante da atualidade. O Sr. Murillo Portugal – um desses tecnocratas que trabalhavam para o Estado e depois atravessaram a rua para servir ao outro lado – foi emissário das queixas dos banqueiros ao governo. Os bancos se recusam a baixar a diferença entre as taxas de captação e as dos empréstimos que cobram dos seus devedores – das mais altas do mundo – sem que recebam compensações. Os cinqüenta bilhões de lucros obtidos – com inadimplência ou sem ela – lhes parecem pouco. Assim, ainda pedem isenções de tributos – e cobram 300 milhões de reais da Receita pelo recolhimento de impostos em suas caixas eletrônicas. Se continuarem assim, é provável que a estatização dos bancos se faça de maneira suave: seus clientes acabarão preferindo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Concordando com o Dr. House


Pois é.... então, permitam-me não ouvir Fábio de Melo, não gostar de novela e ler algo melhor que a Veja....


Carlos Antonio Fragoso Guimarães

A dificuldade da Simplicidade

É tudo tão mais simples do que imaginanos que, talvez por isso, se torne difícil.... Mas o fato é que se aprendermos a cuidar de nós mesmos e sermos apenas autênticos ninguém poderá nos acusar de sermos o que não somos....

Carlos Antonio Fragoso Guimarães