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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sul e Sudeste deram mais votos a Dilma que o Norte e o Nordeste juntos. Por isso, cuidado com o ódio dos fascistas, coxinhas e reacionários



Atenção ignorantes, reacionários, socialites, elitistas, mauricinhos, fascistas e coxinhas separatistas revoltados!

Olhem os números que Dilma obteve em cada estado:

SP — 36% para Dilma (8,5 milhões de votos)

MG — 52% para Dilma (6,0 milhões de votos)

RJ — 55% para Dilma (4,5 milhões de votos)

ES — 46% para Dilma (0,9 milhões de votos)

PR — 39% para Dilma (2,4 milhões de votos)

SC — 35% para Dilma (1,4 milhões de votos)

RS — 47% para Dilma (3,0 milhões de votos)

Explicando para os reacionários: as regiões Norte e Nordeste do país deram menos votos a Dilma/PT (24,8 milhões no total) que o Sul e Sudeste (26,7 milhões no total).

Em outras palavras: antes de você soltar demonstrar sua frustração e a sua raiva e dirigir sua ignorância por meio de preconceitos e impropérios a quem quer que seja, faça um pouco de esforço racional e pense mais um pouquinho a respeito.

Fazer a lição de casa antes também ajuda a evitar imbecilidades em praça pública.

(Adaptado do Contexto Livre)

Segue,agora, texto extraído do Luis Nassif Online:

O Mapa das Eleições, por Thomas Conti


Jornal GGN – As eleições terminaram e as críticas e o preconceito contra o eleitorado do nordeste inundaram as redes sociais. Já surgiram, inclusive, mapas separatistas, de um Brasil sem nordeste, conduzido por um vitorioso presidente tucano. As impressões, no entanto, são equivocadas. Dilma venceu em todos os estados do nordeste, mas venceu também no Rio de Janeiro e Minas Gerais, e conseguiu se manter próxima o bastante nos estados em que foi derrotada para sair vitoriosa do pleito com estreita margem. O Blog do Thomas Conti preparou um mapa mais realista para retratar o resultado das urnas.


Contra o preconceito! O Resultado Ponderado das Eleições por Estado


Por Thomas Conti

Do Blog do Thomas Conti

Contra o Preconceito! Pessoal, não resisti e acabei fazendo esse gráfico! Quem quiser/puder ajudar a compartilhar, agradeço muito! Para quem tiver interesse, no fim do texto explico como construí esse gráfico.

RESULTADO DAS ELEIÇÕES – MENOS ÓDIO POR FAVOR

Devido ao enxame de declarações preconceituosas vergonhosas que invadiu o Facebook depois de apurados os votos, acho bom as pessoas terem em mente que não apenas estão propagando um discurso de ódio tacanho e lastimável, como ainda estão com uma visão completamente equivocada da realidade deste país!

Os gráficos que foram veiculados distorcem o cenário eleitoral: dezenas de milhões de nordestinos não votaram na Dilma, dezenas de milhões do sudeste não votaram no Aécio! Não adianta ficar propagando ódio contra esse ou aquele grupo, venceu quem teve o maior número de votos ENTRE 144 MILHÕES DE ELEITORES.

Qualquer generalização de gênero, cor e classe social não vai conseguir dar conta de tudo isso, então façam o favor de parar de instilar veneno e preconceito!!!! Ninguém é obrigado a continuar ouvindo isso!

Como foram obtidas essas escalas de cor?

Usando o Excel 2013, computei o percentual de votos válidos de cada candidato em uma tabela. Nas versões mais novas, o Excel tem um recurso chamado Formatação Condicional que permite ao programa colorir automaticamente tabelas a partir de uma instrução. Usando esse recurso, selecionei o vermelho básico para 100% de votos em Dilma, e o azul básico para 0% de votos em Dilma. Depois fiz o contrário para a coluna do Aécio: 100% de votos nele é o azul básico, e 0% de votos nele é o vermelho básico. Feito isso, todos os valores intermediários são coloridos automaticamente pelo excel, formando uma cor que reflete precisamente o grau de distância entre 0% e 100% nessas escalas. O fato de as duas colunas terem precisamente a mesma coloração atesta a precisão do programa.

Por que os Estados do Sudeste parecem menos azuis?

Isso se deve à proporção que cada candidato teve de votos por Estado. Nos Estados em que Dilma teve o pior desempenho – Acre e São Paulo – obteve ainda assim 36% dos votos válidos, 15 pontos percentuais a mais do que o pior desempenho de Aécio, que foi de 21%. Ou seja, mesmo nos Estados do Sul o peso de no mínimo 36% para a cor vermelha acaba atenuando um pouco a força da cor azul.

Em breve farei um gráfico com 3 escalas de cor para representar visualmente também os votos brancos, nulos e abstenções, seguindo a sugestão do meu colega Henrique Braga. 

domingo, 18 de novembro de 2012

O lado perverso da Globalização Econômica


Analisando o resultado de 21 anos de Globalização e 30 de Neoliberalismo

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se ufanou de ser o grande vencedor, ao ponto de decretar "O Fim da História": caberia a todos agora aceitarem a realidade da Lei de Mercado, onde a produção e o comércio de produtos e serviços (ou indo mais além, de mercadorias e pessoas) daria o mote e o sentido em direção ao futuro.... Mas que futuro?

Vinte e um anos depois, o resultado obtido na Globalização foram:

1- Destruição do Meio-Ambiente em favor da exploração insana de recursos naturais e da mega-especulação imobiliária.

2- Mecanicismo e educação voltada não para o desenvolvimento do humanismo, mas da técnica e da frieza competitiva. O individualismo, assim, exacerba-se bem como suas consequências correlatas, como isolamento e solidão. O vazio existencial, agravado pelo materialismo consumista, permite o desenvolvimento de mecanismos neurôticos de defesa e o recrudescimento de fenômenos irracionais, como os diversos tipos de fundamentalismos: religiosos, políticos e econômicos.

3 - Crises econômicas intermináveis, onde o bem-estar de bancos e de especuladores financeiros se faz pelo sacrifício de empregos, qualidade de vida e sonhos de milhões de pessoas em todo o mundo, particularmente, hoje, na Europa.

4 - A tecnologia, que deveria auxiliar o homem, passa, ao contrário, a escravizá-lo. Também passa a ser mais valorizada que o próprio ser humano (e os demais seres da natureza), tornando-se um fetiche e contribuindo para a degradação ambiental.

5 - Perda progressiva das soberanias nacionais em prol de uma soberania de mercado (Globalização Econômica) e consequente enfraquecimento da Democracia e dos Direitos Humanos e Trabalhistas.

6 - Comprometimento do pensamento social, má distribuição urbana e inchamento das cidades.

7 - Opressão e chantagem produtivista levando ao estresse, ao descontrole social, ao aumento da violência.

8 - Aumento do crime organizado, que se utiliza amplamente das novas tecnologias e, diante do quadro acima, da facilidade de corrupção do sistema.

9 - O sistema capitalista visa apenas e prioritariamente meios de garantir lucros crescentes e se perpetuar e, assim, investe pesado na mídia e na imprensa, visando tratar acontecimentos e fatos de modo mais favorável a seus interesses. No Brasil, isto é amplamente confirmado pelo modo tendencioso de grandes veículos de comunicação, incluindo as maiores redes de TV e a imprensa tradicional, sobretudo a Paulista.

10 - As demandas sociais, a democracia, os direitos trabalhistas são entendidos pela indústria e pelo sistema financeiro como empecilhos de domínio e contratempos ou causas de prejuizos nos lucros, portanto, se exerce forte pressão política, econômica e midiática para solapar os direitos sociais (férias, lazer, qualidade de vida, previdência social) e trabalhistas (13 salário, proteção ao emprego, segurança) em favor do aumento de lucros.

Como consequência deste estado de coisas provindas do "Fim da História", temos igualmente o cinismo político, o fim das utopias e uma grande apatia social, o que é benéfico à minoria que lucra com isto.

A crueldade do neoliberalismo, tão incentivado pelos ridículos Ronald Reagan e Margareth Tatcher nos anos 80 do século passado, no seu atual estágio de Globocolonização em que as falsas promessas de bem-estar agora são suplantadas pelas de que o arroxo salarial e o fim dos direitos sociais trarão benefícios para todos, têm estimulado crescentes movimentos críticos e de ação social, por vezes deturpados pela mídia conivente com os neoliberais.

Movimentos como os dos "Indignados", "Fórum Social Mundial" e os diversos "Ocupem" são expressões de uma reação ainda incipiente contra o mal-estar da Globocolonização neoliberal e expressam o tipo de "Loucura Heróica" que Miguel de Unamuno falava e incentivava. Esta mesma ação é rotulada de "Otimismo Trágico" pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos, que vê surgirem, em meios às dificuldades impostas pelos neoliberais, surgirem alternativas sociais que voltam a questionar as "verdades impostas" por especialistas pagos ou patrocinados pelos mesmos neoliberais e a revalorizarem um conhecimento que seja válido para todos, se ainda houver tempo.

Sousa Santos chama de "Epistemologia do Sul" esta movimentação em prol de um saber que suplante o saber técnico e comprometido dos neoliberais. Esta epistemologia se aproxima das idéias de pensadores como Edgar Morin, Paulo Freire, Fritjof Capra, Thomas Kuhn, Karl Marx e outros e diz, fundamentalmente, que  todo conhecimento válido é relacional e social, constituindo um "ECOLOGIA" passível de enriquecimento intercultural, centrado na vida, constituindo uma alternativa ao tecnicismo frio do pensamento capitalista. Chama-se "Epistemologia do Sul" por basear-se nas experiências de países da América Latina e da África (bem como outros de outros continentes) que, através de experiências locais e lutas contra títeres impostos por potências ricas do norte, desenvolveram práticas sociais de produção e elaboração de um saber social bem-sucedido.

De acordo com o site do Instituto Humanitas, da Unisinos:

Santos explica, tanto em seus textos como em suas conferências, que a ecologia dos saberes é “o diálogo horizontal entre conhecimentos diversos, incluindo o científico, como também o camponês, o artístico, o indígena, o popular e outros tantos que são descartados pela quadrícula acadêmica tradicional”. De tal maneira que a tradução intercultural é o procedimento que possibilita criar entendimento recíproco entre as diversas experiências de mundo.

Dessa forma, ele assinala, pode-se assimilar outras concepções de vida produtiva distintas daquelas do capitalismo reproduzidas pela ciência econômica convencional, como, por exemplo, o “swadeshi” - estratégia formulada por Mahatma Gandhi - que propõe a autossuficiência econômica e o autogoverno; ou o “sumak kawsay” - conceito indígena do bem viver - incorporado nas constituições do Equador e da Bolívia, que significa reconhecer e aprender das sabedorias dos povos tradicionais que na América Latina estão ligados com a natureza e seu bom aproveitamento. Estas experiências produtivas assentam-se na sustentabilidade, solidariedade e reciprocidade.

Ao mesmo tempo, o sociólogo andarilho e intelectual militante, como ele se define, considera que boa parte do mundo, sobretudo o Ocidente, está entrando num processo pós-institucional, na medida em que a política esqueceu-se do cidadão, o que se evidencia na sua ativa presença em ruas e praças que “ainda não foram colonizadas pelas transnacionais”. 

Por isso, ele propõe a refundação do Estado e também dos partidos políticos, sobretudo de esquerda, para que mude não somente o criminoso modelo econômico que está acabando com o planeta, como também para organizar a vida em condição mais humana, elevando os níveis de participação democrática e respondendo de maneira satisfatória às demandas e necessidades sociais. Atualmente, o que agrega “os conceitos jurídicos e sociológicos tradicionais ou eurocêntricos, é muito débil para enfrentar a realidade social”.