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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Os reais motivos para o incentivo desesperado da Globo (e da Veja) ao golpe, insulflando coxinhas e reacionários

Segue esclarecedor texto de Eduardo Guimarães extraído do Blog da Cidadania:


Por volta das 19 horas de domingo, faltando uma hora para o TSE divulgar o resultado da eleição presidencial devido ao fuso horário que fez o Norte do país continuar votando enquanto as outras regiões já tinham encerrado a votação, sintonizei a Globo News. O semblante dos comentaristas já indicava que Dilma Rousseff fora reeleita.



Comentei com a esposa que o semblante sobretudo de Merval Pereira era escandaloso. Mais escandaloso do que os dos colegas de bancada. Renata Lo Prete, Cristiana Lobo e Gerson Camarotti  ainda tentavam disfarçar o abatimento, pois, tal qual este que escreve, já sabiam que Dilma derrotara Aécio Neves. Merval, não. Exibia, despudoramente, sua tristeza.

Este blogueiro, àquela altura, também já sabia que Dilma estava reeleita. E bem antes das 19 horas. Às 18 horas em ponto, postei no Twitter a mensagem abaixo.

Faltando 2 minutos para as 19 horas, pouco antes de sintonizar a Globo News, postei na mesma rede social a confirmação que recebi de uma fonte palaciana de que Dilma Rousseff já era a presidente reeleita do Brasil.


Sintonizei a tevê na Globo News devido a um lado obscuro da alma que me fez querer ver justamente o que encontrei: os semblantes combalidos dos comentaristas tucanos daquela concessão pública, que não apenas não disfarçavam a dor pela vitória de Dilma, mas tratavam de criticar a presidente e exaltar o que pareceram querer insinuar que fora uma espécie de “vitória moral” de Aécio.

Quem tiver estômago, confira aqui a lenga-lenga partidarizada daqueles que deveriam oferecer análises ao espectador, não a doutrinação política que praticam naquela emissora dia após dia. Inclusive de forma ilegal, pois a faixa do espectro radioelétrico que ocupa a Globo News é concedida à família Marinho, mas não pertence a ela.

Mais tarde, ainda na mesma Globo News, minha sala-de-estar é invadida por um crime de discriminação. Diogo Mainardi, ex-colunista da Veja, insultador profissional da família Marinho insulta impunemente o povo nordestino tanto quanto qualquer um dos energúmenos que, em todas as quatro eleições presidenciais que o PSDB perdeu para o PT desde 2002, vão às redes sociais dizer a mesma coisa que o comentarista do programa Manhattan Connection.

Palavras de Mainardi:

“O Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno, em relação ao poder”

Assista, abaixo, ao crime de discriminação que Diogo Mainardi cometeu no último domingo, direto de Nova Iorque. Ao vivo.





O canal Globo News foi transformado, pois, em um mero diretório do PSDB. Ilegalmente. É como se eu ou você chegássemos a uma grande avenida, interrompêssemos o trânsito e lá instalássemos uma mesa de bilhar para nos divertirmos com meia dúzia de amigos, apesar de não sermos donos da rua – ou, no caso, da avenida.

Pior do que tudo isso é que tanto na bancada de comentaristas da Globo News supracitada quanto no programa que a sucedeu, inúmeras vezes os funcionários da família Marinho pregaram o golpe. Ou, no dizer deles, o “impeachment” da presidente da República.

Ou seja: independentemente de ser verdade ou não a matéria criminosa da Veja que levou o TSE a punir a revista com direito de resposta e multa de 500 mil reais por cada hora que o site dessa mesma revista descumpriu a decisão da corte e não deu o devido destaque àquele direito de resposta, os funcionários da Globo News já haviam condenado Dilma.


Por que tudo isso? Tenha um pouco mais de paciência, leitor, que você já vai entender.

Em outras eleições que o PT surrou o PSDB, a postura escandalosa desses “jornalistas” não foi igual. A tropa da família Marinho manteve um mínimo de compostura e fingiu (mal) não estar tão abalada pela derrota.

Para melhor entendimento da tese desta página, avancemos cerca de 24 horas no tempo.

Dilma escolheu a TV Record para dar sua primeira entrevista como presidente reeleita. A entrevista, porém, foi um tanto quanto tumultuada. A repórter Adriana Araújo quis saber de Dilma quem seria o novo ministro da Fazenda e a presidente, por óbvio, irritou-se. Afinal, uma decisão dessa magnitude envolve muita coisa e por certo não poderia ser anunciada daquela forma.

Alguns minutos depois, ao contrário da Record, que enviou uma repórter ao Palácio da Alvorada para entrevistar Dilma, a Globo preferiu um “link” do Palácio para o Jornal Nacional. Com ar de deboche estampado nos rostos, William Bonner e Patrícia Poeta começaram a inquirir Dilma quando ela provocou em seus rostos a expressão que você pode conferir no alto da página.

Palavras de Dilma a Bonner:

“Você pode ter certeza: eu não falei contra a corrupção e impunidade só durante a eleição. Eu não só falei durante a eleição, como você pode ter certeza que eu farei o possível e o impossível para colocar às claras o que aconteceu. Neste caso da Petrobrás e em qualquer outro que apareça. Não vou deixar pedra sobre pedra. Não vou investigar divulgando, apenas, seletivamente informações. Eu vou fazer questão que a sociedade brasileira saiba de tudo”

Muitos podem imaginar que Dilma tenha feito apenas um exercício de retórica para convencer o público de que vai investigar TUDO. Bem, tanto quanto William Bonner, Patrícia Poeta, os zumbis da Globo News e o mercado financeiro – que, quando Dilma subia nas pesquisas, caía – este blogueiro sabe que a presidente reeleita falou MUITO sério.

Por isso o mercado caía e, por isso, os teleguiados da Globo, da Veja etc. a atacam com tanta fúria. Quando digo que é “por isso”, refiro-me ao que você poderá deduzir, estimado leitor, nas matérias da Folha de São Paulo reproduzidas abaixo. A primeira é do dia 2 de outubro e a segunda, do dia 17.





Quero afiançar ao leitor, pois, o que William Bonner, Patrícia Poeta, a tchurma da Globo News, a família Marinho, a Veja e seus pitbulls, entre outros, já sabem: Dilma vai para cima de TODOS. Inclusive dos corruptores – como a Odebrecht, por exemplo. E não vai deixar que a banda tucana da PF, do MP, do Judiciário e da mídia acobertem os tucanos.

Por isso, essa turma chegou ao absurdo de inventar aquela matéria criminosa da Veja e a divulgar no Jornal Nacional a poucas horas do início da eleição presidencial em segundo turno. Por isso, gente com os mesmos interesses chegou ao ponto de falsificar a notícia da “morte” do doleiro Alberto Yousseff.



O segundo mandato de Dilma (se deixarem e tudo der certo) dará o maior golpe na corrupção que já foi visto no Brasil. Aqueles que sempre ficaram confortavelmente vendo políticos que compraram sendo presos, vão para o centro do palco. Por isso querem implicar Dilma e derrubá-la – antes que ela os pegue. Por conta disso, seria bom que ela reforçasse sua segurança.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Agora ficou mais visível o ódio e as lutas de classe no Brasil, na análise de Bob Fernandes em video e em texto



  Segue video e, logo abaixo, a transcrição textual do mesmo, onde o comentarista Bob Fernandes discorre sobre a maior explicitação da luta de classes no Brasil e o ódio herdado da Casa Grande das elites sobre os menos aquinhoados: pobres, negros,gente do povo que não poderia crescer e obter melhores condições de vida.... até há uns poucos anos....




Oh que espanto! O Brasil tem ódio e luta de classes!


POR BOB FERNANDES

Paulo Roberto Costa, delator no escândalo da Petrobras, diz que o PSDB recebeu propina de R$ 10 milhões para encerrar a CPI, exatamente a da Petrobras, em 2009.
Ainda não são conhecidas as provas. Nem contra PSDB, nem contra PT, PMDB, PSB e PP, citados pelo delator e por Youssef, o doleiro.

O escândalo deu o tom para ataques e contra-ataques nos debates e horário eleitoral, para a artilharia pesada nesse segundo turno.

Por toda parte espanto, ou simulação, e críticas ao que chamam de "ataques" e "ondas de ódio".

Como se isso brotasse do nada, e não seja conhecido já há 2 séculos como…"luta de classes". Não é demais recordar história e relações entre poderosos e vassalos no Brasil.

Em 1500 o Brasil tinha estimados 5 milhões de índios. Hoje tem 890 mil.

Em 350 anos, 4/5 da história, 4 milhões de humanos aqui viveram como escravos. Moldou-se assim a cultura da Casa Grande e da Senzala. Do Senhor e do servo.

Há 12 anos, instituídas por lei federal as cotas raciais como reparação, o que se assistiu, além do necessário debate? Ondas de preconceito e mesmo ódio nas redes e na linguagem.

O mesmo em relação à Bolsa Família… agora objeto de disputa pela paternidade.

Como espantar-se com ódio na linguagem num país de 50 mil homicídios/ano? País que assistiu ao assassinato de 1 milhão e 300 mil pessoas nos últimos 33 anos.

A enorme maioria dos assassinados, jovens pobres, tantas vezes negros.

Como não supor que ao longo de séculos se acumulariam recalques e ressentimentos de quem pouco ou nada tem?

Estranho não é que em seus fortins ou comunidades as classes lutem, movidas por seus interesses ou purgando frustrações.

Incomum na história do mundo não é quem está abaixo na escala social ressentir-se, invejar quem está acima.

Incomum, e estranho, é os que tudo ou muito têm, temerem, até mesmo odiarem os que nas duas últimas décadas subiram alguns degraus desde a miséria.

Quem vencer no domingo encontrará o Brasil dividido, dividido por sua secular história de desigualdade.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bob Fernandes discute sobre a delação "premiada" de Paulo Roberto Costa, o vazamento selecionado de denúncias em época de segundo turno, e outros factóides mais



Segue video e transcrição da fala do comentarista político Bob Fernandes sobre o uso bastante conveniente das denúncias de Paulo Roberto Costa, sem maiores provas e de forma selecionada apra atacar apenas a candidata Dilma, sobre a Petrobrás e pergunta se a teoria do domínio de fato se aplicaria, e da mesma forma, em empreiteiras e bancos privadas, todos sabidamente envolvidos em corrupção....

Petrobras: Teoria do Domínio do Fato valeria para empreiteiras e bancos?





Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef são, segundo confessam, ladrões no escândalo da Petrobras.

Dezenas de parlamentares, PT, PMDB, PP, PSB – e outros partidos vem aí-, 13 empreiteiras e dois bancos já foram citados como cúmplices.

Se tudo ou parte for verdade, e se existirem provas, é crime em larguíssima escala.

Se não for verdade, ou não existirem provas, terá sido crime em larguíssima escala.

Note-se que depois do bombástico ato da quinta-feira – que se tornou peça fundamental no processo eleitoral- houve um refluxo nos dias seguintes.

Algo assim como uma onda de cautela por parte dos grandes reverberadores. Por quê?

Porque o escândalo bate também em 13 grandes empreiteiras e em dois poderosos bancos.

Como, e com que compromissos, são financiadas campanhas de tantos dos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e senadores?

De todos os grandes partidos. Afinal, 40 de 108 deputados federais e senadores mais votados agora são investigados pela Justiça.

Se a delação premiada chegar às empreiteiras e bancos, quantos jovens diretores resistirão diante da ameaça de 50 anos na cadeia?

Por isso, e por ora, a obsequiosa cautela depois do barulho com o bis da dupla Roberto & Yuossef.

Digamos que passada a temporada eleitoral a investigação siga, se amplie e venham as perguntas.

Quem, em dois grandes bancos, autorizou remessas de R$ 26 milhões sem identificar quem enviava o dinheiro, se a lei exige identificação de quem deposite mais de R$ 10 mil?

Aonde se chegará se nos bancos forem seguidos todos os rastros das empreiteiras investigadas?

E se país, governos estaduais e municipais adentro, forem cruzadas doações de empreiteiras com o DNA de parlamentares, executivos e obras?

Por fim, uma dúvida não menos importante, que certamente ministros do Supremo estão habilitados a responder.

Se avançarem investigações e processos contra grandes empreiteiras e grandes bancos valerá a Teoria do Domínio do Fato?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O golpismo da Veja e da Globo, mais uma vez, às vésperas das eleições



Segue texto de Luis Nassif:

Sobre a posição atual dos grupos de mídia


A atuação da mídia como partido foi liderada pelo falecido Roberto Civita, do grupo Abril, inspirado no modelo de atuação de Rupert Murdock nos Estados Unidos.
Sentindo o fim do monopólio virtual do mercado de opinião, com o avanço da Internet, Murdock montou uma frente política com os demais grupos de midia para eleger o seu presidente. Buscou na ultra-direita a retórica mais virulenta, inaugurou os ataques pessoais a políticos e jornalistas "inimigos", inundou o país de boatos e injúrias da pior espécie, disseminando-as pelas redes sociais. E valeu-se de todos os recursos dos grupos de mídia - dramatização da notícia, demonização do inimigo, aceno com o fim dos tempos - para emplacar seu candidato.
Perdeu e a primeira atitude de Barack Obama, eleito, foi convidar os presidentes da Apple, Google e Facebook para visitá-lo na Casa Branca.
Foi a marca das eleições brasileiras de 2006 e, especialmente, de 2010.
O padrão é cansativo, de tão previsível.
Veja saia na frente com seus factoides e o grupo repercutia em seguida. O fórum de orquestração se dava no Instituto Millenium. A um mês das eleições, aumentava-se a dose e tentava-se a bala de prata.
A morte de Civita acelerou o processo de perda de rumo dos grupos de mídia  Pagou-se um preço caro com a orquestração contra a Copa do Mundo, que marcou o fundo do poço da credibilidade da mídia.
Sem a antiga orquestração, os jornalões passaram a agir com o fígado, sem obedecer a uma estratégia concatenada.
De um lado, perceberam que precisariam recuperar credibilidade para dar eficácia às rodadas de ataque que antecederiam as eleições. Aí um jornal levanta o caso do aeroporto de Aécio, osoutros vão atrás, na crença de um escândalo menor legitimando os escândalos maiores contra o PT. De repente, o tema sai do controle, e Aécio se queima.
Depois, vêem  Marina subindo, e ajudam na ascensão.
No meio do caminho dão-se conta de uma realidade:
1.    Aécio lhes garante a volta ao controle do Estado.
2.    Com Dilma, nada perdem, mas nada ganham. Dilma mantém a cartelização da publicidade  mas não faz negócios.
3.    Marina é uma incógnita. Seu programa aprofunda o conceito de democracia participativa ao mesmo tempo em que ela se curva às pressões de pastores evangélicos - o grupo que mais cresceu na mídia tradicional, enfrentando inclusive o poder da Globo. A política econômica é mercadista mas seus princípios ambientais são contra a economia real. Ora ela diz sim, ora ela diz não.
Sobre o álibi Veja
Em um segundo turno, entre  ela e Dilma, o ódio ao PT fala mais alto. Embora o Estadão avente a hipótese de que Marina seja braço auxiliar de Lula - o que comprova que  os jornalões estão pretendendo tirar da blogosfera até o monopólio das teorias conspiratórias.
Não mais que de repente, o factoide de Veja traz a esperança de uma respiração boca a boca capaz de ressuscitar a candidatura Aécio,.
O fato em si é simples.
Não se discute a existência do esquema Paulo Roberto Costa. É evidente que controlava uma organização criminosa incrustada na Petrobras e que tinha padrinhos políticos. E é fato que gravou depoimentos, dentro do acordo de delação premiada.
A reportagem da Veja não traz um indício de acesso ao relato. Pode ter enfiado na reportagem o que ela achasse melhor. Ou alguém acredita no respeito da revista pelos fatos?
O que importa é a maneira como os grupos de mídia tratam o escândalo.
Soltam a matéria, dão a repercussão e cobrem as páginas dos jornais com matérias sem fontes, informando que "o comando da campanha de Dilma entrou em pânico", "o PT vai ter que alterar sua estratégia e parar de falar no pré-sal", "fontes do Palácio temem que as revelações derrotem Dilma" e coisas do gênero.
Não há menção a nomes e isso lembra em muito a cobertura brasiliense do Planalto no período Geisel. O primeiro time da mídia ouvia Golbery em off. O segundo time, o Sargento Quinsan, personagem folclórico, espécie de ordenança de um dos secretários de Geisel. Na reportagem, tanto um quanto outro era "fonte do Palácio". Ou não? Aparentemente o fantasma de Quinsan voltou a frequentar o Palácio.
No centro da campanha de Dilma, a capa de Veja foi interpretada como um tiro de festim. E a repercussão da mídia atribuída à falta de experiência política das direções de redação, incapazes de avaliações mais aprofundadas sobre estratégias políticas do noticiário. Não se tem dúvida de que o segundo turno será entre Dilma e Marina.
Se houvesse algum efeito, seria a favor de Dilma. Há 12 anos, os eleitores de Lula e Dilma convivem com denúncias e factoides. Se continuam eleitores, é porque as denúncias não têm mais eficácia.
Já os simpatizantes de Marina, atraídos pela ideia de que ela é diferente, são bombardeados com factoides informando que Marina é igual ao PT.
Provavelmente os leitores aumentarão a convicção de que, com Dilma ou Marina, o jornal será sempre igual.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Paulo Moreira Leite: O perigo dos "escândalos" de última hora





Segue artigo do jornalista Paulo Moreira Leite:

A prudência recomenda cautela contra denúncias divulgadas em véspera de eleição. O risco é óbvio: escândalos de última hora causam sensação na mesma medida em que prejudicam uma apuração serena. Hipóteses que não foram provadas ganham a fisionomia de fatos reais. Suspeitos – ou nem isso – logo são apontados como culpados.
Escândalos dessa natureza são mais difíceis de apurar e, muitas vezes, não há o interesse de esclarecer. O que se quer é o barulho.
É claro que estou falando da delação premiada de Paulo Roberto da Costa, o diretor da Petrobrás que está nos jornais e revistas – em breve estará na TV – fazendo uma delação premiada contra o PT e o governo Dilma.
Não custa lembrar que a suspeita mais consistente, até o momento, aponta para o próprio Paulo Roberto. Ameaçado de cumprir 30 anos de prisão por corrupção, ele tem todo interesse em diminuir a própria acusação em troca de denúncias que possam envolver políticos e autoridades.
Li num jornal que, se fizer o serviço direitinho, Paulo Roberto poderá, dentro de poucos dias !, voltar para casa com um chip no tornozelo.
Outro aspecto é que ninguém sabe o que ele disse — oficialmente.
Sabemos de acusações que lhe são atribuídas pelos jornalistas mas não há denúncias entre aspas, assinadas, que poderiam ter um valor maior do que palavras impressas que tanto podem virar coisa séria como apenas embrulhar peixe na feira do dia seguinte.
O fato de que o depoimento de Paulo Roberto foi criptografado e se encontra guardado num computador que não pode ser acessado via internet torna o conteúdo da denúncia – e seu vazamento – ainda mais misterioso.
As informações são verdadeiras? Não se sabe — até porque não tivemos uma investigação com base em provas e outros indícios para atestar sua consistencia, ou não.
As informações estão sendo divulgadas com isenção, ou de forma seletiva, de acordo com a preferência politica de quem publica a história? Também não podemos saber antes de ter acesso ao conteúdo integral dos depoimentos.
O que sabemos é que entre as personalidades acusadas, nenhuma denúncia foi confirmada, por mais vaga que fosse. Os envolvidos desmentiram mas não receberam o devido crédito por suas palavras.
Você não precisa acreditar neles e achar que têm todo interesse em falar mentiras. Mas se é assim, por que acreditar que o delator sempre fala a verdade?
Estamos falando de reportagens que querem construir um pré-julgamento quando faltam quatro semanas até a eleição, o que torna a comparação com o mensalão de 2005, ensaiada por vários veículos, particularmente irônica.
Não custa lembrar que a suposta compra de votos do esquema Delúbio-Marcos Valério nunca foi demonstrada e o desvio de milhões de reais do Banco do Brasil é desmentido por todas as auditorias realizadas na instituição.
Restaram, é claro, as reportagens sobre o assunto e, graças a elas, um dos mais perversos exercícios de criminalização da atividade política.
Por que achar que dessa vez tudo está sendo feito corretamente? Temos uma “nova” midia, para fazer companhia a uma “nova” política?
Impossível saber. A experiência ensina que não se deve julgar aquilo que não se conhece, certo?
Já vimos este filme, que tem sempre o mesmo personagem. Em 1989, a campanha de Collor trouxe Lurian para o horário político, usando um depoimento comprado para acusar Lula.
Em 2006, a denúncia da AP 470 parecia sob encomenda para impedir a reeleição — mas não funcionou. Em 2012, o julgamento deveria atingir os candidatos do PT mas eleições municipais. Também não funcionou.

Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília. É também autor do livro "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA, IstoÉ e Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

sábado, 6 de setembro de 2014

A mídia golpista exemplificada na jogada suja da Revista Veja



  É a mesma velha tática, desde 1964....


 Merval Pereira, o campeão da direita elitista mais sórdida, já tinha alertado seus pares "não abandonem Aécio, pode surgir algo que derrube Marina...". E, claro, a grande mídia, nas mãos de seis famílias empresariais comprometidas com o modelo neoliberal, não ficou esperando a democracia agir contra seus interesses e foi atrás de um novo "escãndalo" maquiado sob medida, e aqui temos a Revista Veja para demonstrar isso.  Dilma não vai perder votos com mais uma de milhares de campanhas da Veja contra seu governo, o objetivo velado é outro: ressuscitar Aécio Neves. Como fica claro nos dois artigos transcritos abaiso, eles tentam dar um ar de denúncia - mais uma - "contra o PT", pra fingir certa imparcialidade. Mas o principal acusado é Eduardo Camposm que, assim, respingaria em Marina... Por isso estão todos os veículos de mídia estudando o melhor jeito pra tratar do assunto Paulo Roberto Costa, demitido por Dilma Rousseff há dois anos. Menos Veja, que é Aécio Neves desde criancinha. Essa é a operação para ressuscitá-lo.

Delação em véspera de eleição tem mau cheiro. Parece desespero.


6 de setembro de 2014 | 04:46 Autor: Fernando Brito, Tijolaço.com

Segundo o que já foi divulgado pela revista Veja – porque será que 11 entre 10 policiais federais e promotores preferem a Veja para vazar informações sigilosas? – a lista de nomes apresentada pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, atingiria meio mundo, ou pouco mais, da política.

Do falecido Eduardo Campos a deputados de partidos do governo e de outros,  integrantes de coligações anti-Dilma, passando pelos presidentes da Câmara e do Senado, a lista de Costa tem um imenso potencial explosivo.

Por isso mesmo, deve ser encarada com muita cautela.

A começar pelo fato de que é algo que parte de um homem em situação de desespero, apanhado em um monte de negócios irregulares aqui e lá fora, que estava ameaçado de 30 anos de prisão e ao qual se acena com uma, na prática, absolvição.

É o que narra o Estadão:

“Calcula-se que Costa poderia pegar pena superior a 50 anos de cadeia se respondesse a todos os processos derivados da Lava Jato – já é réu em duas ações penais, uma sobre lavagem de dinheiro desviado da Petrobras, outra sobre ocultação e destruição de documentos e é investigado em vários outros inquéritos. 

Angustiado com a possibilidade de não sair tão cedo da prisão, ele decidiu delatar como operava a rede de malfeitos na Petrobras. O acordo prevê que, em troca de suas revelações, Costa deverá sofrer uma pena tão reduzida, que se aproxima do perdão judicial”.

Agora, antes que esse acordo fosse homologado no Supremo, vaza o sigilo e, claro, mesmo que haja pouca consistência nas suas declarações, cria-se um clima político para que elas sejam aceitas como verdade absoluta.

Isso a um mês das eleições.

Uns dizem que a lista de Costa contém 39 nomes, outros dizem 42 e a “nominata” da Veja elenca, segundo divulgado no blog de Ricardo Noblat elenca 12.(Aliás, vejo que a nota foi retirada, mas pode ser conferida aqui).

Seja qual for o tamanho e sejam quais forem os integrantes, não basta a delação de um homem acuado, é preciso que haja elementos e fatos para sustentá-la.

Que empresas financiam campanhas eleitorais, todos sabem e, infelizmente, é essa a regra num modelo político de financiamento privado de eleições. Só no financiamento exclusivamente público, proposto por este governo e repelido, de forma quase unânime, pelos políticos e pela mídia, candidatos não dependem de empresários.

O que se tem de verificar, portanto, são quais destes favores empresariais foram clandestinos e, pior, quais deles foram destinados a enriquecer pessoalmente seus beneficiários.

Tudo isso cheira mal e já vinha cheirando, desde que Luís Nassif nos chamou a atenção sobre um “abraço de afogado” de Aécio Neves.

E não é apenas o cheiro dos negócios sujos de Costa, aliás afastado do cargo, contra a vontade dos políticos,  pela mulher a quem se procura atingir: Dilma Rousseff.

Verdade, no Brasil, é algo que quando aparece, é só pela metade.

Os Cuidados com as jogadas da Veja



texto de Luis Nassif


Jornal GGN - É sempre útil ter cautela com a embalagem que Veja usa para embrulhar suas “denúncias”.

No final da tarde de sexta-feira, depois da primeira matéria da Agência Estado sobre o suposto depoimento de Paulo Roberto Costa, o comentário geral era que a revista Veja divulgaria todo o depoimento e a lista de políticos citados (que chegava a 62).

A revista estimulou o boato, antecipando para as 18h a divulgação da capa da semana.  Uma capa genérica, sem nomes. O texto anunciava que eles viriam na edição impressa, junto com informações exclusivas sobre o “esquema de corrupção da Petrobras”.

Mais uma vez, Veja vendeu o que não tinha, ou muito mais do que tinha. Quanto a nomes, dois ex-governadores, a governadora Roseana, o ministro Lobão, um ex-ministro do PP, oito parlamentares e o tesoureiro do PT. Os suspeitos de sempre.

A revista não traz as prometidas informações sobre negociatas na Petrobras. O único exemplo mencionado é uma notícia requentada sobre uma operação de debêntures, que supostamente envolveria a Postalis (e que não se realizou porque os supostos autores foram presos).

Sobrou a embalagem. Sobrou? Veja não mostra papel, não mostra vídeo, não mostra um indício sequer de que botou a mão na massa. Tanto quanto o Estado e a Folha, ouviu um relato sobre o depoimento. A revista não cita fontes, reais ou fictícias. Não ousa escrever que “teve acesso ao depoimento”. Sequer recorre ao surrado “uma fonte ligada às investigações”.

Veja blefa, mais uma vez. Mas alguém conversou sexta-feira com a revista e com os portais, e vendeu um prato requentado.  E quase simultaneamente, o Valor  informava sobre mais um advogado que deixava a defesa de Paulo Roberto. Assim, de repente, sem explicações.

Um advogado à solta, neste momento, é conveniente para ocultar e lançar pistas falsas sobre a fonte do vazamento. Fonte criminosa, posto que a delação corre em sigilo.

A bola está com a direção da PF, com o PGR e com o ministro Teori, que podem dar um basta nesses vazamentos seletivos.