terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Leonardo Boff: a nova teologia do Ecoceno



De um Brasil em crise, escravizado, “campo de batalha na guerra fria entre Estados Unidos e China”, de um continente explorado “para satisfazer as superpotências”, humilhado, pisoteado, chega uma mensagem de esperança. De renovação. Que toca os temas do ambiente “rumo a um novo Ecoceno” e da igualdade social. Que fala do papel da mulher, do novo rosto da Igreja – a do Papa Francisco. Uma mensagem livre, “como o Espírito Santo”.


A nova teologia do Ecoceno: entrevista a Leonardo Boff

Revista IHU on-line 27 janeiro 2020
De um Brasil em crise, escravizado, “campo de batalha na guerra fria entre Estados Unidos e China”, de um continente explorado “para satisfazer as superpotências”, humilhado, pisoteado, chega uma mensagem de esperança. De renovação. Que toca os temas do ambiente “rumo a um novo Ecoceno” e da igualdade social. Que fala do papel da mulher, do novo rosto da Igreja – a do Papa Francisco. Uma mensagem livre, “como o Espírito Santo”.
A reportagem é de Annachiara Sacchi, publicada no caderno La Lettura, do jornal Corriere della Sera, 26-01-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Leonardo Boff, expoente de destaque da teologia da libertação, incômodo quando era sacerdote e também depois (abandonou a batina em 1992; em 1985, havia sido advertido pela Congregação para a Doutrina da Fé), ativista dos direitos humanos, dos direitos da natureza e da Terra, professor universitário, está confiante: “De toda grande crise, surge a possibilidade de uma mudança, podem irromper novas forças. E o Brasil é maior do que sua crise atual”.
Eis a entrevista.
Professor Boff, então o senhor está otimista ou não?
Na realidade, estou preocupado. A situação no Brasil é trágica: o ultraliberalismo de Jair Bolsonaro, a extrema direita política que faz apologia da violência e dos regimes ditatoriais, que exalta os torturadores como heróis nacionais… Nunca vivemos nada semelhante.
Qual a explicação?
Por trás disso, está o projeto de recolonizar a América Latina e obrigá-la a ser somente exportadora de commodities (carne, alimentos, minerais…). E, nessa perversa estratégia, o Brasil é central.
Por quê?
Porque é um país riquíssimo, uma reserva de bens naturais que faltam no mundo. Como disse várias vezes o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, nos próximos anos toda a economia dependerá da ecologia. E o Brasil terá um papel primordial nesse jogo.
É difícil viver no Brasil hoje?
Muito. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos “Chicago Boys”, formado na Escola de Chicago, que trabalhou no Chile de Pinochet. O ultraliberalismo de direita está fazendo uma política dos ricos para os ricos, está privatizando tudo. Guedes está trazendo a política de Pinochet ao Brasil de privatização de tudo o que pode. E você sabe por que ninguém protesta, por que as pessoas não saem às ruas como está acontecendo agora no Chile?
Não.
Porque o governo anunciou que reprimirá qualquer protesto com o exército! Aqui todos têm medo, pois o exército usa de violência e de brutalidade, mesmo que a discordância cresça. Mas dentro das paredes de casa. Assistimos a uma triste forma de inércia popular.
Na América Latina, presidentes como Evo Morales e Lula encerraram a sua era. Agora, novas forças orientam a opinião pública. Acabou o impulso reformista?
Tivemos governos que fizeram muito pelos pobres. No Brasil, 36 milhões de pessoas foram incluídas no welfare. Mas, no ano passado, um milhão de famílias passou da pobreza para a miséria. O governo está desmontando as políticas sociais de Lula. Estamos lidando com uma elite reacionária e escravista que nunca aceitou que um operário – no caso do Brasil, Lula, ou um indígena no caso da BolíviaEvo Morales – chegasse à presidência do país. Essa elite fez de tudo, com os meios mais brutais. Mas essa onda violenta está sendo oposta por um movimento de grupos progressistas, de movimentos populares, como o MST, o Movimento dos Sem Teto, de descendentesafro-latino-americanos, de indígenas. São os brotos de uma realidade que pode irromper. Essa é a esperança que alimentamos.
O senhor vê algum novo líder político?
Infelizmente não, estamos em um momento de vazio, faltam figuras carismáticas, principalmente no Brasil. Talvez também por culpa de Lula, grande carismático, mas que não soube formar uma classe dirigente também com novos carismas.
O seu novo livro, “Soffia dove vuole” [Sopra onde quer] (no prelo, pela editora Emi), fala do Espírito Santo. Por quê?
Os tempos inquietantes que estamos vivendo, exigem uma séria reflexão sobre o Spiritus Creator.
Que ficou à margem da teologia.
Isso não é verdade. Existem estudos grandiosos sobre o Espírito, desde o de  Yves Congar até o de Jürgen Moltmann, este, em diálogo com o novo paradigma cosmológico. Mas o que podemos dizer é isto: o Espírito Santo esteve quase sempre à margem da hierarquia eclesiástica. E com razão.
Como assim?
A hierarquia está orientada para “áreas” como o poder, a ordem, a ortodoxia, os dogmas, o direito canônico, em uma constante condição de autorreferência. São todos aspectos que servem para manter o status quo e que têm a sua razão de existir, eu não nego isso. Do mesmo modo, porém, eles não podem ser predominantes e ocupar toda a cena. O Espírito é mais carisma do que poder, mais movimento do que estabilidade, mais inovação do que permanência. Ele segue uma lógica diferente da hierarquia da Igreja. Por isso, quase todos os portadores do Espírito Santo foram marginalizados ou perseguidos. Os fatos confirmam isso. O meu livro, julgado em 1985 pela Congregação para a Doutrina da Fé (cujo prefeito era Joseph Ratzinger), intitulava “Igreja: carisma e poder”. Em Roma, porém, leram-no como “Igreja: carisma ou poder”. Por causa dessa confusão, me condenaram.
Ao invés disso, o que o senhor queria dizer?
Eu queria criar um equilíbrio entre carisma e poder. Mas esse equilíbrio deve começar pelo carisma. Se se começa pelo poder, corre-se o risco de que o poder sufoque o carisma. Em vez disso, se se começa do carisma, impede-se que o poder seja exercido de forma autoritária, limites são-lhe impostos, e ele é obrigado ser poder-serviço e a se colocar a serviço da comunidade.
Qual é o papel do Espírito Santo hoje?
Estamos em um momento histórico, o Antropoceno, em que as bases que sustentam a vida e a Terra foram profundamente atacadas,as bases físicas, químicas e ecológicas. Ou mudamos ou morremos. O Espírito é Spiritus CreatorSpiritus Vivificans. Só o Espírito pode restaurar o equilíbrio destruído pela voracidade do homem. Só com o Espírito é possível superar o Antropoceno e chegar ao Ecoceno, a uma sociedade sustentável, vital, aberta à convivência de todos com todos e onde o ecológico ocupará a centralidade. Daí ecoceno.
Por que, na sua elaboração teológica, o senhor insiste em enfatizar o papel da ciência?
Não é possível fazer uma teologia atualizada sem um diálogo profundo com a nova visão do mundo proveniente das ciências da vida, da Terra, do cosmos. Essa leitura já tem um século, mas não é hegemônica. São poucos os teólogos que aceitaram esse desafio.
Por quê?
Porque obriga a estudar ciências diferentes: a física quântica, a nova biologia, a astrofísica, a teoria do caos e da complexidade. Depois de tal caminho, digo isto por experiência, é mais fácil fazer teologia, porque. com esses dados, Deus aparece imediatamente como a Energia misteriosa e amorosa que sustenta o todo e que leva em frente todo o processo cosmogênico. A categoria teológica do Espírito Santo é mais adequada para essa nova forma de teologia.
O que a consciência ecológica tem a ver com o Espírito Santo?
O principal objetivo do meu livro é afirmar que o diálogo com a ecologia e com a nova cosmologianos obriga a mudar o paradigma. O paradigma da filosofia e da teologia ocidentais é de raiz grega, essencialista, baseado em natureza, substância, essência e outros termos semelhantes que pertencem à área da permanência, da estabilidade. Em vez disso, quando se fala de Espírito, tudo é dinamismo, inovação. É preciso mudar a forma de pensar Deus, a história, a Igreja. Deus é dinamismo de três pessoas divinas em comunicação eterna entre si e com a criação,  envolvendo tudo, Deus, o ser humano, a vida, o universo.
Teologia da ecologia, então?
Eu tentei fazer uma teologia com um novo horizonte de compreensão. O mesmo que o Papa Francisco indica na encíclica Laudato si’: tudo é relação; nada existe fora da relação. Poeticamente, Francisco escreve: “O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espetáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras”. A tese da ecologia é precisamente esta que eu antas vezes  ouvi no último semestre de aulas dado por Werner Heisenberg, um dos formuladores da mecânica quântica, por volta de 1967, na Universidade de Munique, onde fazia meu doutorado em teologia sistemática: tudo está conectado com tudo para formar a grande comunidade de vida, o todo da natureza e do universo. E esse modo de pensar corresponde à natureza do Espírito Santo.
O senhor acha que a Igreja Católica está pronta para aceitar essas suas reflexões?
Em cada país, a situação é diferente. Mas em toda parte faltam profetas. Com Wojtyla e Ratzinger, assistimos ao retorno à Grande Disciplina, vimos uma Igreja fechada em si mesma, preocupada com a ortodoxia, atenta a combater inimigos como a modernidade, as novas liberdades. E, acima de tudo, distante do povo, com uma teologia erudita mas pobre em inovação e uma liturgia alheia à sensibilidade moderna.
Enquanto agora…?
Com o Papa Francisco, emerge outro tipo de Igreja, aberta como um hospital de campanha, em que a centralidade não é tanto a ortodoxia, mas sim a pastoral do encontro, da ternura, da convivência. Para o Papa Francisco, as doutrinas são importantes, mas, acima de tudo, importa entender que Cristo veio para nos ensinar a viver os bens do Reino como o amor incondicional, a misericórdia, a solidariedade, a compaixão por quem sofre, pelos últimos em total abertura ao Pai de bondade e de misericórdia.
Mensagem recebida?
Nem sempre. Muitos católicos tradicionalistas não se deram conta de que estamos diante de outro tipo de papa, menos doutor e mais pastor no meio do seu povo. Um papa que carrega menos os símbolos pagãos dos imperadores romanos e mais a simplicidade de um pároco de aldeia, simples, humilde, amigo de todos. Um homem que vem de longe e, por isso, livre. Se não fosse assim, por que o nome de Francisco? Seria uma contradição pensar um São Francisco de Assis em um palácio pontifício. Mas temos outro Francisco de Roma que vive numa casa de hóspedes, se serve em fila e come junto com os outros, e não sozinho.
O crescimento de protestos públicos na Igreja contra o Papa Francisco lhe preocupa?
Não me preocupa, porque não o preocupa. Como eu sei disso? Contou-me um amigo dele, Carlo Petrini, um agnóstico que escreveu uma espécie de prefácio à encíclica Laudato Sí e com o qual o Papa Francisco gosta de dialogar, exatamente por não se confessar cristão, mas um agnóstico. O Papa contou-lhe (ele me visitou em dezembro em Petrópolis) que  dorme às 21h30, até as 5h30 como uma pedra, bebe o seu mate e leva em frente, franciscanamente, a sua missão, com uma irradiação mundial em sentido religioso, ético e político. Nós nos conhecemos desde 1972. Troquei com ele algumas cartas sobre temas de ecologia e sobre o Sínodo para a Amazônia de outubro passado.
A propósito, o que o senhor espera da exortação apostólica pós-sinodal de Francisco, prevista para breve?
Algo de bom. Acima de tudo, sobre a defesa do rosto indígena da Igreja e sobre as mulheres. Nas minhas cartas, eu pedi a ele que fizesse um gesto profético sem pedir nada a ninguém, como João XXIII fez quando convocou o Concílio Vaticano II.
Que gesto?
Ordenar as mulheres ao sacerdócio.
Ele lhe respondeu?
Agradeceu-me pela carta.
O senhor dedica seu livro às mulheres.
Eu digo que a primeira Pessoa divina a entrar neste mundo, ou a irromper no processo da evolução, não foi o Filho, como diz a Teologia comum e a Tradição. Foi o Espírito Santo. Isso está muito claro no texto de Lucas: “O Espírito virá sobre ti… E te cobrirá com a sua sombra”. Eu fiz uma pesquisa de meses na patrologia: não há nenhum rastro da centralidade do Espírito. Nem sequer nos grandes teólogos. De acordo com uma leitura predominantemente masculina, prevalece o Filho e se esquece do Espírito que gera em Maria o Filho. Portanto, o Filho veio depois da aceitação (“fiat”) de Maria, quer dizer, depois da vinda do Espírito. Digo mais: o Espírito assumiu Maria, divinizou-a. No projeto do Altíssimo, homem e mulher são igualmente divinizados. Fazem parte de Deus. As mulheres deveriam se conscientizar desta sua dignidade e assumir sua porção divina.
Hoje, a teologia da libertação é ecoteologia, teologia feminista, teologia afro. Mas os pobres continuam sendo muitos e oprimidos. A teologia da libertação ainda tem um longo caminho pela frente?
A existência dos pobres, dos oprimidos sempre me faz pensar em Jesus, em São Francisco e em tantos outros que tiveram misericórdia deles.Enquanto existirem pobres especialmente na medida em que seu número aumenta, mais necessária se faz uma teologia de libertação. É a nossa situação atual,mundo afora.
Acusaram-no de ser pró-marxista.
Marx nunca foi pai ou padrinho da teologia de Libertação, como insinuavam os ditadores latino-americanos e os conservadores entre os bispos e os leigos. Mas hoje, mais do que nunca, a teologia da libertação é urgente. O exército dos pobres aumentou assustadoramente. Se a teologia, seja ela qual for, não levar a sério a situação atual, de verdadeura crucificação da maioria da humanidade, dificilmente se livrará da crítica de cinismo e de irrelevância histórica. É preciso ler os sinais do tempo. O Espírito nos convida a tomar uma posição, dos lados das vítimas, daqueles que pelo sistema imperante são feitos invisíveis.

Há em portugues o livro: “O Espírito Santo: fogo interior, doador de vida e pai dos pobres” Vozes 2013.

Com os militares pró-extrema-direita, o pós-Golpe de 2016 e com Bolsonaro, o Brasil perde toda sua relevância, torna-se PAÍS PÁRIA AMBIENTAL, não capitaliza seu extraordinário potencial ecológico, irrita e contesta a ciência e o mundo, dando mostras de ignorância

Na Europa havia necessidade de tropas para ocupação da zona ocidental da Alemanha, vasto território, mas havia ainda a Áustria. Não havia força disponível para ocupação, os americanos queriam retirar toda sua tropa na Europa e transferi-la para o Pacífico. Pediram então ao Brasil para usar os 10.000 soldados “descansados” como tropa de ocupação da Áustria e, com isso, o Brasil se igualaria aos EUA, que ocupava a Baviera, a Grã-Bretanha que ocupava Hamburgo e o norte báltico e a França, que ocupava a Renânia. Por paridade o Brasil teria então um assento no Conselho de Segurança da ONU, que se formava. Seria então o Brasil um dos seis Aliados vencedores.
A narrativa acima, da Deutsche Welle, mostra que a oportunidade não foi aproveitada pelo Brasil, pela mediocridade do Comando Militar brasileiro na Europa, por falta de visão global e falta de ambição política.

Duas ocasiões perdidas na geopolítica brasileira

por Andre Motta Araujo

UM PAPEL DECISIVO NO PÓS GUERRA
Finda a guerra no teatro europeu, em 8 de maio de 1945, o Brasil tinha na Itália uma Divisão de Infantaria completa, com artilharia e aviação, 25.000 homens, dos quais 15.000 participaram de batalhas e 10.000 estavam em treinamento, tropa descansada. Os EUA tinham seu maior teatro de guerra no Pacífico, o Japão NÃO dava nenhum sinal de rendição e os americanos temiam ter ainda que combater numa frente mortífera sem horizonte de vitória.
Na Europa havia necessidade de tropas para ocupação da zona ocidental da Alemanha, vasto território, mas havia ainda a Áustria. Não havia força disponível para ocupação, os americanos queriam retirar toda sua tropa na Europa e transferi-la para o Pacífico. Pediram então ao Brasil para usar os 10.000 soldados “descansados” como tropa de ocupação da Áustria e, com isso, o Brasil se igualaria aos EUA, que ocupava a Baviera, a Grã-Bretanha que ocupava Hamburgo e o norte báltico e a França, que ocupava a Renânia. Por paridade o Brasil teria então um assento no Conselho de Segurança da ONU, que se formava. Seria então o Brasil um dos seis Aliados vencedores.
A narrativa acima, da Deutsche Welle, mostra que a oportunidade não foi aproveitada pelo Brasil, pela mediocridade do Comando Militar brasileiro na Europa, por falta de visão global e falta de ambição política.
Foi uma OCASIÃO ÚNICA, perdida por pobreza das lideranças brasileiras, muito abaixo do nível exigido para aquele momento crucial que não se repetiria.
Não aceitando o Brasil ser ocupante da Áustria, os Aliados ocidentais não tiveram outra solução que, muito a contragosto, pedir que a União Soviética desempenhasse esse papel, o que Stalin aceitou com grande satisfação, mais um território para sua zona de controle. A URSS ocupou a Áustria até 1955, expropriando 450 fabricas austríacas e deixou a ocupação por acordo com os Aliados ocidentais em 1955. A Áustria NÃO estava acertada como zona sob controle soviético nos Acordos de Yalta e Potsdam, a ocupação da URSS foi pedido de última hora dos EUA e Grã-Bretanha, por falta de outra solução.
MAIOR POTÊNCIA AMBIENTAL DO PLANETA
Em 2020 o mundo está vendo alterações climáticas de impacto extraordinário, CHUVAS TORRENCIAIS na Espanha, tufões e maremotos nas Filipinas, derretimento de geleiras na Groenlândia e no Ártico, no Brasil chuvas muito acima do normal. Há uma consciência altíssima no mundo sobre mudanças climáticas, sobre necessidade de políticas ambientais sólidas, sobre uma fundamental solidariedade entre países decisivos no campo ecológico.
É A HORA DO BRASIL, maior potência ecológica planetária, com trunfos e contas a apresentar ao mundo sob risco. INVÉS DISSO, o Brasil perde toda sua relevância, torna-se PAÍS PÁRIA AMBIENTAL, não capitaliza seu extraordinário potencial ecológico, irrita e contesta a ciência e o mundo, dando mostras de uma ignorância, de um descaso, de um deboche anti-civilizatório que vai não só impedir ganhos, MAS CAUSAR PERDAS ECONÔMICAS REAIS.
Muito mais que perdas, O BRASIL DEIXA DE GANHAR. O Brasil poderia ter, a partir deste ano, UMA LIDERANÇA MUNDIAL no tema ambiental, com ganhos incalculáveis econômicos e financeiros ao se credenciar a uma compensação pela preservação da Floresta Amazônica, ideia já aceita pelos países centrais, MAS dentro de uma lógica de contrato por metas e controle de desmatamento, preservação e  fiscalização do bioma.
Uma compensação PRESSUPÕE PROJETOS E COMPROMISSOS definidos que o Brasil poderia cumprir sem muito esforço, porque também é do interesse do Brasil, é o nosso patrimônio a preservar e, nesse processo, podemos ainda ganhar com a preservação e ganhar muito, seria a chave de nosso crescimento.
UMA VELHA E GASTA VISÃO DE DESENVOLVIMENTO
Pretender tirar minério da Amazônia é de uma pobreza única. MINÉRIO É PASSADO, vale cada vez menos. O que vai valer é BIODIVERSIDADE, maior capital da Amazônia, capital do futuro, minério é cada vez mais lixo. A extração mineral DEIXA UM IMENSO PASSIVO DE DESTRUIÇÃO, deixa buracos físicos e humanos, traz degradação e prostituição, destrói riqueza vegetal, polui rios e mares, é o PIOR TIPO DE DESENVOLVIMENTO, está ai Brumadinho.
Para a agricultura e pecuária a Amazônia é inservível, não é seu destino, o solo é frágil e se degradaria em poucos anos, a floresta iria virar deserto.
O Brasil tem enorme estoque de terras degradadas que podem ser recuperadas para nova expansão agrícola, há sobra de terras disponíveis para a agricultura e pecuária, sem se tocar na Floresta Amazônica. Ao oferecer a Amazônia para a pecuária e mineração o Governo leva o Brasil ao abismo e faz o País perder mais uma vez o TREM DA HISÓORIA COMO LIDERANÇA MUNDIAL, mais uma ocasião desperdiçada com extraordinário impacto geopolítico.
AMA

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O enredo da Escola de Samba da Mangueira: os ultra-conservadores representam os que tramaram a condenação de Jesus, por Leonardo Boff, teólogo e ecologista



  "Uma vez que o Filho de Deus se fez homem e se encarnou, nunca mais abandonou a humanidade. Ele continua sempre vindo e fazendo-se presente na história, principalmente no pobre, no negro, no índio, na mulher marginalizada, nos homoafetivos, no menino e menina de rua. Sua paixão dolorosa continua até o fim dos tempos. Enquanto houver irmãos e irmãs dele sendo oprimidos e novamente crucificados, lá está ele sofrendo e sendo crucificado junto com eles." - Leonardo Boff




Entrevista a Romolo Tesi
24 de janeiro de 2020 – UOL 24 de janeiro de 2020
Teólogo Leonardo Boff

Em mais um pré-Carnaval agitado, a Mangueira vem sendo alvo de ataques na internet por conta do enredo de 2020, sobre Jesus Cristo – “A verdade vos fará livre”. A ideia, saída da cabeça do carnavalesco Leandro Vieira, da volta de Jesus pelo Morro da Mangueira, próximo dos pobres e de minorias perseguidas, representado de diferentes formas – mulher, negro, índio e outros – incomodou segmentos cristãos mais conservadores. Até ameaça de ação na Justiça a escola já sofreu.
Para comentar o enredo, e toda repercussão, o Setor 1 ouviu o teólogo Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, que compartilha com a Mangueira de 2020 a visão de um Jesus Cristo mais humano – menos o Jesus Glorioso, mais o amigo e defensor dos pobres.
“Essa dimensão de Jesus foi especialmente enfatizada pela Teologia da Libertação, que tem nos oprimidos e nos crucificados na história seu ponto de partida e de ação. Ela quer, como Jesus, libertar toda esta gente. Essa é a mensagem clara do enredo da Mangueira”, declara o teólogo, que critica a reação mais extremista ao trabalho de Vieira: “os ultra-conservadores de hoje representam os que tramaram a liquidação de Jesus”.
“A Mangueira, com seu enredo e sua arte, fez uma pregação melhor do que qualquer uma, de padre, de bispo ou de cardeal”, afirma.
Veja a entrevista na íntegra:
O carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, escreveu um enredo em que imagina a volta de Jesus Cristo ao mundo atual, mas renascendo na Mangueira, filho de pais pobres e vítima das mesmas mazelas que os favelados sofrem atualmente, mas sendo apresentado ao Carnaval como algo libertador em relação ao sofrimento. O que acha dessa forma de ver a figura de Jesus Cristo? Pela sinopse, é possível ver quais pontos de conexão com a Teologia da Libertação?

Resposta: Uma vez que o Filho de Deus se fez homem e se encarnou, nunca mais abandonou a humanidade. Ele continua sempre vindo e fazendo-se presente na história, principalmente no pobre, no negro, no índio, na mulher marginalizada, nos homoafetivos, no menino e menina de rua. Sua paixão dolorosa continua até o fim dos tempos. Enquanto houver irmãos e irmãs dele sendo oprimidos e novamente crucificados, lá está ele sofrendo e sendo crucificado junto com eles. Isso é doutrina tradicional da Igreja. Não há erro nenhum naquilo que a Mangueira afirma. A questão é que a maioria dos cristãos esquece essa verdade. Vive uma fé só cultural e não de convicção. Então o samba da Mangueira expressa concreta e belamente esta venerável tradição. A Estação Primeira é a Nazaré de hoje. Jesus foi pobre bem concretizado hoje pelo “rosto negro, pelo sangue índio, pelo corpo de mulher marginalizada, “pelo moleque pelintra do Buraco Quente… é o Jesus da Gente” (a elite considera negros e pobres potenciais marginais). Maria foi uma mulher simples do povo e assistiu com profunda dor de mãe à crucificação do Filho. Por isso ela encarna bem a “Mãe das Dores-Brasil”, pois milhões de brasileiros e de brasileiras estão sendo crucificados pela expulsão de suas casas, de suas terras, pela fome e pelas doenças. Essa dimensão de Jesus foi especialmente enfatizada pela Teologia da Libertação que tem nos oprimidos e nos crucificados na história seu ponto de partida e de ação. Ela quer como Jesus libertar toda esta gente. Essa é a mensagem clara do enredo da Mangueira. Quem não entender isso, perdeu a atualidade da mensagem da Mangueira.
A Mangueira tem sido alvo de ataques da extrema-direita e de certos segmentos cristãos depois do anúncio do enredo sobre Jesus Cristo. O instituto conservador Plinio Corrêa de Oliveira organizou um abaixo-assinado e estuda um ação na Justiça contra a escola de samba. O que acha dessa postura? Como se defender de ataques como esse?

R: Não devemos esquecer que Jesus não morreu porque caiu um caibro grosso na cabeça dele, já que era como o pai também carpinteiro, nem foi atropelado e morto por um camelo pesadão. Ele foi perseguido, caluniado e condenado à morte de cruz pelos religiosos da época, os sacerdotes, os doutores da lei, pelos piedosos como os fariseus. Os seguidores ultra-conservadores do citado por você, Plínio Corrêa de Oliveira representam hoje todos estes que tramaram a liquidação de Jesus. Condenando o enredo da Mangueira eles repetem a condenação de Jesus. A Mangueira está do lado de Jesus. Os ultra-conservadores de hoje estão do lado de Caifás, de Anás, de Judas e daqueles que gritavam:”Crucifica-o, crucifica-o”. Se houver algum processo, que seja feito contra estes ultra-conservadores que desconhecem a real fé cristã e por ofenderem a Jesus nos humilhados e ofendidos de nossa história atual.
Mangueira 2020
Tanto a sinopse quanto o samba da Mangueira dizem que Jesus são muitos. A sinopse tem o seguinte trecho: “Na cruz, ele é homem e é também mulher. Ele é o corpo indígena nu que a igreja viu tanto pecado e nenhuma humanidade. Ele é a ialorixá que professa a fé apedrejada e vilipendiada. Ele é corpo franzino e sujo do menor que você teme no momento em que ele lhe estende a mão nas calçadas. Na cruz, ele é também a pele preta de cabelo crespo. Queiram ou não queiram, o corpo andrógino que te causa estranheza, também é a extensão de seu corpo”. Essa forma de retratar Jesus tem causado reações mais irritadas e causado polêmica. Por que isso acontece? E o que acha dessa visão de Jesus, mais humano?

R: A sinopse é verdadeira, pois Jesus são de fato muitos, isto é, todos os que tiveram e estão tendo o mesmo destino de Jesus: os oprimidos pelos latifundiários, os explorados pelos patrões, as mulheres violentadas, as crianças estupradas, os LGBT discriminados. Todos estes atualizam a paixão de Jesus. Tem mais. Jesus como homem representa toda a humanidade, masculina  e feminina. A Igreja ensina que Jesus assumiu tudo o que é humano. Se não tivesse assumido todo o humano, não teria sido o salvador e libertador de todos. Em outras palavras: se não tivesse assumido o lado feminino não teria redimido as mulheres que são mais da metade da humanidade. Sabemos hoje que em cada pessoa há a dimensão masculina (o animus) e simultaneamente a dimensão feminina (a anima). Todos sem exceção possuem estes dois lados. Por que estas duas dimensões, masculina e feminina, não estariam presentes também em Jesus? Lógico que estão, pois caso contrário, não seria plenamente humano.
Historicamente, o cristianismo e o Carnaval das escolas de samba sempre tiveram uma relação turbulenta. Há casos famosos, como o Cristo mendigo da Beija-Flor, em 1989, que desfilou coberto por força de ordem judicial. No entanto, nos últimos anos, houve alguma aproximação da igreja católica, que prefere acompanhar o desenvolvimento de enredos do que partir para o confronto. Como vê essa mudança? Acha que o samba pode servir para aproximar Jesus das pessoas?

R: Há uma parte da Igreja que prefere ver apenas o Jesus glorioso, o Rei do Universo, Jesus Deus que toca o mundo pecador apenas com a fímbria de seu manto. Essa visão é reducionista. Ele é Rei sim mas com coroa de espinhos e não de ouro e de joias, é Deus sim, mas um Deus encarnado em nossa miséria, que tem fome e sede, que se alegra e que chora pela morte de seu amigo Lázaro. A primeira visão é adulçorada e contrária â história narrada pelos evangelhos. Estes mostram um Jesus homem como nós que abraça as crianças, que se compadece dos doentes, que multiplica pães e peixes para atender um povo faminto, um Jesus que é amigo de duas mulheres queridas, Marta e Maria, que se irrita porque se fazem negócios dentro do lugar sagrado, derruba as mesas com as moedas e toma o chicote e escorraça esses vendilhões. Ele é plenamente humano em cada uma destas situações. Mas principalmente foi aquele que a Mangueira bem canta que “enxuga o suor de quem desce e sobre a ladeira, que vive um amor sem fronteiras, que se coloca na fileira contra a opressão”. Esse é o Jesus verdadeiro, aquele que é solidário, que suscita esperança “que brilha mais que a escuridão”. A Mangueira deixa uma mensagem importantíssima que vale para o mundo atual, tirada do projeto de Jesus: “Não tem futuro sem partilha”. A humanidade inteira está mal porque os ricos não partilham. 1% possui a riqueza dos 99% seguintes. Só os pobres partilham o pouco que têm. E dá uma indireta clara e bem merecida ao atual governante:” Não há Messias de arma na mão”. O enredo termina com o que é mais importante na fé cristã: O domingo da ressurreição. Diz isso poeticamente: “Num domingo verde-e-rosa ressurgi pro cordão da liberdade”. Liberdade e amor são os bens mais preciosos que temos. Para confirmar isso, Cristo ressuscitou. A Mangueira, com seu enredo e sua arte, fez uma pregação melhor do que qualquer uma, de padre, de bispo ou de cardeal. A Mangueira está na linha do Papa Francisco que repete: Jesus veio para nos ensinar a viver, o amor, a solidariedade, a esperança e o gesto de ternura.
Como o senhor pretende acompanhar a Mangueira?

R: Dizem por ai que gostariam que eu desfilasse na Escola da Mangueira. Seria uma espécie também de homenagem à Teologia da Libertação, subjacente no enredo. Eu penso assim: cada um deve conhecer o seu lugar. Acho que o lugar do teólogo, por mais que apoie os pobres, o povo e reconheça o alto valor do enredo da Mangueira, não é no desfile da escola mas, no máximo, na plateia no meio do povo, desfrutando da beleza e aplaudindo. Assisti da plateia a muitos carnavais. Agora no tramontar da vida e com alguns achaques, meu lugar é apoiar a Mangueira e felicitá-la por esse belo, profundo e verdadeiro enredo, dentro do melhor da fé cristã, fé radicalmente  humana, fé libertadora.

Religião, guerra e prejuízo ou imaginação, consciência, arte e lucro: escolha sabiamente, por Fábio de Oliveira Ribeiro



Nosso país está passando por uma situação difícil? Sem dúvida. Então o melhor nesse momento pode ser imaginar novas maneiras de produzir valor e renda
GGN. - Há diversas maneiras de nos conectarmos com nossas infâncias. Podemos fazer isso através de objetos e das memórias que eles evocam.
Não preciso fazer muito esforço para lembrar de quatro objetos de metal que foram importantes na minha infância. Carrinhos de lata japoneses com rodinhas de plástico. O anel de caveira do Fantasma. Uma tesourinha dobrável chinesa. Um soco inglês.
As rodinhas dos carrinhos não rodavam muito. Os eixos plásticos delas se rompiam facilmente em razão da fricção com os engates que existiam nas carcaças dos pequeninos objetos moldados em lata. Aqueles carrinhos eram objetos admiráveis feitos para serem admirados especialmente por causa da pintura. Eles tinham tudo o que os carros devem ter, mas eram ocos como as cabeças de alguns pastores evangélicos.
O anel do Fantasma era mágico. Ele transformava seu possuidor num personagem de histórias em quadrinhos. Perambulando sorrateiramente numa selva ou entre as ruínas, o herói brigava com seus inimigos. Se fossem obrigados a ver a caveira do anel eles eram derrotados. Aquele objeto quase sempre sambava no dedo fino do menino magro até se perder no local onde ele brincava. Quando isso não ocorria, o dedo crescia muito rápido e o anel ficava apertado e tinha que ser esquecido.
Uma tesourinha dobrável de metal estava sempre à mão. Podia ser levada a qualquer lugar e até para a escola. Ela cabia no bolso da calça e no estojo de canetas. Cortava papel, plástico e até lata. Mas quando o rebite laceava a tesourinha começava a falhar e tinha que ser descartada.
O soco inglês era um objeto ameaçador. Ele evitava algumas brigas e terminava outras provocando lesões. Vi alguns, mas nunca quis ter um. Não me parecia certo vencer uma briga usando um objeto tão perigoso que transformava os covardes em valentões e os valentões em covardes ou mutilados.
E já que estamos falando de brigas… Foi somente adulto que fiquei sabendo que aqueles carrinhos japoneses foram produzidos e exportados por um país cuja economia havia sido totalmente devastada pela guerra. O Japão conseguiu inventar uma maneira de produzir valor com matéria prima descartada no lixo. Aqueles carrinhos modelados em lata e ricamente decorados fizeram as crianças do mundo inteiro sonhar. E garantiam a alimentação de muitas famílias japonesas.
O personagem criado por Lee Falk em 1936 fazia bastante sucesso no início da década de 1970. Não sei dizer se o anel de caveira do Fantasma tinha alguma relação com o símbolo de metal engastado no quepe dos oficiais da SS nazista. Mas tenho certeza de que os jovens alemães que foram recrutados pela tropa de elite de Hitler também acreditavam que seriam heróis. Condicionados a matar impiedosamente todos os inimigos do III Reich (as pessoas tratadas como seres inferiores incluídas), os assassinos da SS cometeram crimes inenarráveis.
Precisamos desconfiar muito dos líderes políticos e religiosos que defendem a tese de que o genocídio é uma solução política. Eles são capazes de desumanizar seus seguidores até convencê-los a fazer uma coisa ruim pensando que estão fazendo algo bom. O que era válido no tempo de Hitler é ainda mais válido para as milícias de Bolsonaro e para os grupos de terroristas evangélicos que estão sendo organizados pela Igreja Universal.
Ok. Admito que minhas palavras também podem funcionar como um soco inglês. Mas não estou estimulando ninguém a cometer agressões ilegais contra quem quer que seja. A pacificação da sociedade brasileira (objetivo maior do sistema constitucional e da própria existência de um Estado) não será alcançada com o uso de milícias criminosas e de exércitos evangélicos. Muito pelo contrário. A violência de extrema direita apenas provocará a organização violenta das vítimas do bolsonarismo.
As reflexões políticas feitas aqui pretendem ser apenas utilitárias. Elas foram inspiradas na mentalidade chinesa que levou à idealização, produção e comercialização de um objeto prático, leve, pequeno, útil, barato e, eventualmente, descartável. Ao invés de organizar exércitos para cometer violências, as igrejas deveriam estimular seus fiéis a rejeitar a mentalidade genocida que levou à destruição do III Reich e de todos os templos, igrejas e catedrais que endossaram e participaram dos projetos macabros dos nazistas.
Nosso país está passando por uma situação difícil? Sem dúvida. Então o melhor nesse momento pode ser imaginar novas maneiras de produzir valor e renda a partir de matérias primas descartadas como se fossem lixo. No final dos anos 1940 início dos anos 1950 o Japão transformou a produção e a exportação de sonhos infantis numa religião pacífica e rentável. A organização de milícias bolsonaristas e de exércitos evangélicos não será capaz salvar o Brasil da guerra civil que alguns pastores desejam. Numa guerra todos os envolvidos perdem algo e apenas os fabricantes de armamentos tem lucro.

“Não existe futuro sem partilha, nem Messias de arma na mão”: o samba que o Brasil de Bolsonaro precisa (mas suas elites farisáicas não vão) ouvir: “A Verdade Vos Fará Livre”







Enredo da Mangueira resgata os ensinamentos de Cristo de partilha e paz em oposição ao avanço do conservadorismo e intolerância no País
Jornal GGN “Será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo, os profetas da intolerância. Favela, pega a visão: não tem futuro sem partilha, nem messias de arma na mão.”
Com essas palavras, a Mangueira, campeã do Carnaval no Rio em 2019, retorna à avenida em 2020 com mais um enredo político. Dessa vez, a escola de samba resgata os ensinamentos de Jesus Cristo, em defesa do oprimidos, pelo “amor sem fronteiras” e contra a intolerância.
O tema foi decidido há meses, mas calha com um momento em que o País vive, de um lado, atentados à liberdade das religiões de matriz afro e, de outros, ataques à liberdade de expressão de artistas que criticam a intolerância de alas conservadoras, caso do coletivo Porta dos Fundos.
Em “A Verdade Vos Fará Livre”, a escola afirma que Jesus já nasceu de “punhos cerrados”, com “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”.
Na Sapucaí, promete levar Maria Madalena barbada e vestida com as cores LGBT, e Nossa Senhora das Dores de luto, segurando uma bandeira que diz “estado assassino” no lugar de “ordem e progresso”.
A proposta já gerou protestos entre conservadores, que organizam um abaixo-assinado contra o desfile e ameaçam com processos judiciais.
Abaixo, o enredo com legendas:
[Enredo: A Verdade Vos Fará Livre]
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.