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segunda-feira, 16 de março de 2015

Paulo Nogueira sobre o aberrante domingo, dia 15: "Foi mais uma palhaçada que um protesto!"

Também idiomas estrangeiros foram agredidos
No futuro, quando a posteridade quiser aferir a estupidez política destes dias, bastará olhar para as fotos do protesto deste domingo.

Os pósteros não terão nem o trabalho de ler textos.

Nas fotos, pessoas faziam o seguinte:

Pediam intervenção em variadas línguas, frequentemente com erros monumentais. Num cartaz, um homem com um apito nas bocas pedia um golpe militar em alemão.

Mostravam o tipo de ideologia que as move. Foi possível encontrar até uma suástica na Paulista.

Deixavam claro seu conceito de democracia. Viralizou nas redes sociais uma imagem em que Dilma aparece enforcada. Um pouco menos agressivo, um cidadão foi às ruas com uma camiseta na qual se lia: “O Dilma!! Vai tomar no CÚ”. O acento no “u” era apenas um sinal de quanto o português foi agredido nas manifestações de hoje por analfabetos não apenas políticos, mas gramaticais.

Invocavam figuras como Jesus. Num cartaz, Jesus Cristo dividia espaço com o diabo. Estava dito: “O PT segue o comunismo. O PT adora o diabo. O PT rouba, mente e quer fechar todas as igrejas porque não acredita em Deus.” (como se Cristo não tivesse sido assassinado por pregar a igualdade e a crítica aos poderosos)

Ofereciam-se para pagar a Dilma uma passagem para a Indonésia, presumivelmente para que ela seja fuzilada.

Poderíamos ir adiante, muito adiante, na lista das aberrações.

O que passa na cabeça das pessoas que foram às ruas hoje? Aparentemente, nada. Ou pensamentos tenebrosos, a julgar pelos cartazes que elas portaram pelo país.

Mas quantas são exatamente essas pessoas? Ou melhor: quantas foram à avenida Paulista, epicentro dos protestos?

Há um problema aí. A PM de São Paulo, que costuma fazer a estimativa, tem-se comportado como um partido político. Seus números são ideológicos, e não concretos.

No meio da tarde, a PM falou em 1 milhão de manifestantes. É um número imponente, redondo, vibrante — mas, ao que tudo indica, falso.

O Datafolha, insuspeito de simpatia pelo PT, trouxe no começo da noite um cálculo cinco vezes menor. Repito: cinco.

Isso quer dizer o seguinte: a partir de agora, a PM de São Paulo, já tão desacreditada pela violência, passa a ser desprezada até como contadora de pessoas em manifestações.

Apenas para registro: é menos que a Parada Gay de 2012, que levou 270 000 pessoas para a Paulista.


Dado o reacionarismo dos que foram à Paulista, não chegou a ser surpresa o fato de muita gente tirar selfies com os policiais militares.

Camaradas
Muito depois de o Datafolha corrigir a PM, a Globonews continuava a alardear o milhão nas análises de seus comentaristas.

A cobertura da Globonews nos protestos lembrava Galvão narrando Senna. Torcida, euforia, paixão — e nada de jornalismo.

“A manifestação não está na rua, mas na tevê”, disse no Facebook Gilberto Maringoni, candidato do PSOL ao governo paulista em 2014.

“A Globonews tá em surto”, disse, no Twitter, o jornalista e ativista Bruno Torturra.



Momento de humor na Paulista

Anos de informação desonesta da mídia construíram a multidão que hoje foi às ruas.
O que muda a partir de agora?
Pouca coisa.

O impacto dos protestos, pelos números do Datafolha, tem apenas um quinto da potência que se imaginou que tivesse.

Dilma tem quase todo o segundo mandato para fazer as coisas que verdadeiramente poderão mudar o Brasil.

Uma reforma política, em primeiro lugar. Não uma de mentirinha, como a intentada por Eduardo Cunha.

Mas uma que traga mudanças como a proibição do financiamento privado das campanhas, que é a forma como a plutocracia toma conta da democracia e, mais que isso, é a origem suprema da corrupção.

Dilma não poderá fugir também da luta pela regulação da mídia.

Quanto a mídia deixou de informar a sociedade para simplesmente manipulá-la, ficou claro na patética cobertura da Globonews aos protestos.

Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

sábado, 5 de julho de 2014

José de Abreu renarra o video "Desculpe-nos, Dilma", uma resposta aos coxinhas e à mídia golpista


O vídeo imperdível ganhou locução de José de Abreu! \o/


Então… lembra daquele vídeo que tá correndo pelo Facebook, que reclama do complexo de viralatas do brasileiro e da incômoda aposta que a imprensa inteira fez no fracasso da Copa? Pois é… o ator José de Abreu regravou o texto (ou refez a locução, se você assim preferir). O vídeo ficou ainda mais arrepiante.

O vídeo original foi compartilhado pelo músico mineiro Flávio Henrique em sua página no Facebook, e já ultrapassou os dez mil compartilhamentos. A regravação com José de Abreu foi postada no Youtube por Ana Paula Siqueira. Vamos ver quantos compartilhamentos terá o vídeo lido pelo Zé.

De novo: vale a pena ver o vídeo todo. É emocionante.

E de novo de novo: somos inocentes nessa. Não fizemos NADA. E justamente por isso a gente vai propor a você: faça você também a regravação da locução e mande pra gente! Vamos refazer esse vídeo com várias vozes narrando tudo? Pra facilitar a sua vida, vamos colar neste post o texto para você fazer a sua narração:

Desculpe-nos, Dilma

É.  A verdade é que não estávamos acreditando em nosso país.
Enquanto ela dizia que faríamos a copa das copas, falávamos que tudo seria uma vergonha.
Repetimos como papagaios as manchetes de uma imprensa derrotista: “imagina na copa”.
E nós imaginamos o caos… Falamos todos, que na copa tudo seria um vexame.
Que o mundo veria um Brasil caótico.
E ela, teimando em dizer, que teríamos a copa das copas.
Pois o mundo veio ao Brasil, e o mundo amou o Brasil.

O mundo andou de metrô, e gostou. O mundo amou nossos aeroportos, vibrou com nossos estádios, com nossas ruas, o mundo abraçou nosso povo. O mundo amou o Brasil. O mundo hoje sabe, que assim como em qualquer lugar do mundo, não somos perfeitos. Mas somos um país que cresce com dignidade.


E foi nesse momento, enquanto o mundo todo se preparava para nos aplaudir, que fizemos o que fizemos. Todo o planeta olhando para o nosso país e nós gritamos o que gritamos. Ofendemos Dilma como quem ofende um bandido. Renegamos a voz de uma mulher que simplesmente teimava em repetir: acreditem em nosso país, é um novo Brasil que iremos apresentar ao mundo.

Desculpe-nos Dilma, pelos que gritaram e pelos que se calaram.

Ofendemos com nossos gritos de ódio, o nosso próprio país. Ofendemos com nosso silêncio a figura da própria mulher; que logo ali, ao lado da filha, teve que ouvir o que ouviu e continuar a torcer sozinha por um país que não soube reconhecer seu tamanho. Não foi justo com você, não foi justo com o Brasil.

Você disse que teríamos a copa das copas. Nós não acreditamos. Mas é o que estamos tendo.

Você disse que o nosso país tinha muito o que mostrar. E é isso o que o mundo está dizendo.

Você estava certa Dilma. Precisamos que 6 milhões turistas nos dissessem que nosso país é maravilhoso pra voltar a acreditar em você. Sabemos que temos problemas a enfrentar, mas sabemos que você está empenhada em fazer sua parte. E sabemos que, como nós, você odeia a corrupção, as injustiças e os problemas que o brasileiro enfrenta dia a dia.

Desculpe Dilma, uma parte desse país errou. Obrigado por não guardar mágoas. Obrigado por acreditar em nós. Nós acreditamos em você.

domingo, 15 de junho de 2014

Filhinha de papai de vice-presidente do Itaú se ufana da má-educação e se orgulha de ter incentivado os xingamentos dos "VIPs" contra Dilma



A imbecilidade branca, fascista, rica e paulista, sem água sem educação "et sens élegance", agora começa a ter contornos bem definidos, com nome e sobrenome...

Segue artigo de Fernado Brito, do Tijolaço. Após, um video que expressa a mentalidade "Yellow Bloc" dos "Vips"e, após, um forte texto de Renato Roval, do Portal da Revista Fórum, que analisa qual é a espécie de gente que expressou a mas baixa forma de incivilidade, apesar de serem taxados de "Vips":

Socialite, filha do vice do Itaú orgulha-se de fazer “corinho” com rima no Itaquerão

15 de junho de 2014 | 13:48 Autor: Fernando Brito
Em sociedade, dizia o antológico Ibrahim Sued, tudo se sabe.
Ainda mais nestes tempos de “redes sociais”.
Pois uma socialite de nome Maria Imaculada da Penha que se assina, elegantemente, Lalá Trussardi Rouge e é filha do vice-presidente do Banco Itaú, José Rudge,  fez questão de mostrar, no Instagram, que foi mesmo da área VIP – onde, claro, uma VIP como ela estava – que se originou o corinho-baixaria da abertura da Copa.
Dona Lalá tem um blog de moda e uma grife de roupas íntimas que são descritas como “do basiquinho à alta-costura, com rendas francesas e seda pura.”
Nada de errado, cada um faz o que quer e também mostra o que quer nos seus perfis públicos.
Mas, assim, acaba correndo o risco de ouvir o que não quer.
E foi exatamente isso que a imensa maioria de seus muitos seguidores do Instagram fez com a Dona Lalá.
Obrigado, Dona Lalá, por nos mostrar que mesmo entre a gente mais bem aquinhoada deste país há pessoas com um mínimo de educação e senso crítico e que, votando ou não em Dilma,  se comporta como gente civilizada.
Mas, por favor,  a senhora não faça a generalizações de dizer que este país não tem educação porque não tem escolas ou hospitais ou segurança.
Talvez porque tenhamos bancos tão poderosos e biliardários como o Itaú, não é?
Mas existe muito neto de pobres, como eu, filhos de simples professoras primárias, sem pai banqueiro e convívio no “jet-set” que tem mais educação que a senhora demonstra, mesmo com seu berço de ouro.
Com isso tento responder ao que pergunta a colunista social Hildegard Angel, que indaga se “ a elite é assim tão baixa, como agirão os iletrados, os desfavorecidos, os que não tiveram acesso à instrução e a uma boa formação no Brasil? ”
Afinal, pior que “la décadence” é quando ela é “sans élégance”.

Veja o seguinte vídeo para conhecer o "pensamento social" dos "VIPs":


Segue, agora, texto de Renato Rovai, do Portal Fórum:



O Brasil é um país complexo e muito difícil de explicar, mas a sua elite não. Ela é previsível e está sempre no mesmo lugar. As elites do mundo não costumam ser muito diferentes, mas a brasileira é das piores.


Não à toa o Brasil foi o último país do planeta a acabar com a escravidão, não à toa somos um dos poucos países que só agora está vivendo um ciclo democrático de três décadas. Todos os outros nossos períodos de democracia duraram menos do que isso.

Na época da escravidão, essa elite também tinha lado

E todas as ditaduras e a escravidão longínqua que tivemos são obras da nossa elite. Que se julga o Brasil. Que se acha a dona do país. Que é altamente corrupta, mas que faz de conta que o que lhe move na política é a defesa do interesse público.

Os que xingaram Dilma na tarde de ontem de maneira patife e abjeta são os netos e bisnetos daqueles que torturam negros nas senzalas. São os filhos daqueles que apoiaram a tortura na ditadura militar. São os mesmos que há pouco fizeram de tudo para que não fosse aprovada a legislação da empregada doméstica e que nos seus almoços de domingo regados a champanhe francês e a vinho italiano sobem na mesa para gritar contra o Bolsa Família.

Essa elite que xingou Dilma daquela maneira no Itaquerão sempre envergonhou o país. E ontem só aprontou mais uma. Não foi um ponto fora da curva no processo histórico. E também não foi nada inocente.

Aécio Neves mais do que todos os outros candidatos que o PSDB já teve simboliza esse elite. É o típico bon-vivant, que nunca trabalhou na vida, que surfou até os 20 anos no Rio de Janeiro e que depois foi brincar de motocross até os 25 anos na montanhas de Minas Gerais, para só depois entrar na política e ir defender os interesses da família e de seu segmento social.
Ontem, Aécio deu uma entrevista ao Globo onde atiçava seu eleitorado a sitiar a presidenta da República. E ao mesmo tempo milhares de panfletos eram distribuídos na entrada do Itaquerão associando o PT à corrupção. Pra criar o clima do ataque à presidenta.
O mesmo Aécio que botou a polícia do Rio para invadir a casa de pessoas que ele suspeita estarem criticando-o na Internet. O mesmo Aécio que silenciou a imprensa de Minas Gerais e colocou-a de joelhos para os seus projetos pessoais.

Quem xingou Dilma não foi nem um punhado de inocentes e nem a massa ignara. Foi o pedaço do Brasil que odeia o brasileiro.

Para este pedaço do Brasil que é a cara de Aécio, tanto faz se o presidente é Dilma, Lula, José ou Maria. O que eles não aceitam e que o país não seja apenas um lugar para eles exercerem sua sanha dominadora.

E por isso que o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, as políticas de cotas, a legislação da empregada doméstica e alguns outros programas sociais são tão abominados por essa gente. Eles querem que o povo morra de fome. Querem que o povo vá tomar naquele lugar. O xingamento não é para a presidenta. É para o Brasil que a elegeu. Porque na democracia desses patifes, o voto deles teria que valer mais do que o do sertanejo ou da mulher que luta pela sobrevivência dela e dos filhos nas periferias das grandes cidades.

Os netos e bisnetos dos escravistas e os filhos dos que apoiaram a tortura na ditadura. É esse Brasil que nos envergonha do ponto de vista histórico que nos envergonhou ontem xingando uma presidenta legítima, uma chefe de Estado que tem atuado dentro dos limites da Constituição.

Esse Brasil precisa ser derrotado mais uma vez. Porque se o projeto petista tem seus limites e poderia ser muito melhor, o desses caras é o que há de mais asqueroso. É o vai tomar no cu.

sábado, 14 de junho de 2014

A Mídia Golpista preparou e incentivou os xingamentos dos "Vips"




"Aquele ato bizarro, que seria bizarro seja quem estivesse na Presidência, Dilma, Serra ou Marina, não brota do nada. Pelo contrário, foi construído ao longo do tempo.

"Todo colega jornalista (ou aquele que não se vê como tal, mas assume um papel de interpretar a sociedade), que ajudou a inflar monstros ao longo dos anos ou se omitiu diante disso tem uma parcela de culpa no show de horrores e de vergonha alheia. Agora, muitos tratam de tirar o seu da reta, mas o estrago já foi feito e os
trolls, devidamente alimentados por eles, correm livres por aí.“

Leonardo Sakamoto