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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Meia hora, meia realidade, meio jornalismo.... Documentário mostra os truques da imprensa para "envolver" o leitor


Para desvendar o processo de edição do tablóide Meia Hora, o cineasta Angelo Defanti entrevistou a equipe de produção, os idealizadores, a filha do antigo proprietário e dois pesquisadores de Comunicação, os professores Muniz Sodré e Sylvia Moretzsohn. O resultado é o documentárioMeia hora e as manchetes que viram manchete, de 78 minutos, que seleciona as principais capas, com os títulos mais polêmicos e suscita o debate sobre os jornais populares e seus truques para conquistar o leitor.


IMPRENSA EM QUESTÃO > DOCUMENTÁRIO

Meia hora, meia realidade, meio jornalismo

Por João Batista de Abreu (professor da Universidade Federal Fluminense) em 05/08/2015 na edição 862 do Observatório da Imprensa

Conta-se que, quando Orson Welles chegava a um país que desconhecia, comprava os principais jornais e ia direto para o noticiário policial. Dizia que assim entenderia melhor onde estava pisando. Se Orson Welles desembarcasse no Rio de Janeiro e comprasse o tabloide Meia Hora, não se sabe o que compreenderia dos títulos que mesclam informação, humor e uma dose suculenta de preconceito social, mas certamente recolheria um bom material para filmes de ficção.
O diário da empresa jornalística Ejesa, vinculada ao grupo editorial português Ongoing, vende 118 mil exemplares, em época de queda vertiginosa de circulação de impressos em todo o mundo. A tiragem é quatro vezes superior ao que foi até recentemente o principal jornal do grupo, O Dia. No início dos anos 1970, quando pertencia ao então governador do Estado da Guanabara, Chagas Freitas, O Dia ostentava a posição de diário de maior circulação do País, com tiragem de 300 mil exemplares.
Para desvendar o processo de edição do Meia Hora, o cineasta Angelo Defanti entrevistou a equipe de produção, os idealizadores, a filha do antigo proprietário e dois pesquisadores de Comunicação, os professores Muniz Sodré e Sylvia Moretzsohn. O resultado é o documentário Meia hora e as manchetes que viram manchete, de 78 minutos (veja o trailler ao final do texto), que seleciona as principais capas, com os títulos mais polêmicos e suscita o debate sobre os jornais populares e seus truques para conquistar o leitor.
Os depoimentos da dupla de editores Humberto Tziolas e Henrique de Freitas – ambos jornalistas com origem de classe média e formados pela Universidade Federal Fluminense – dão a entender uma certa naturalidade na escolha das manchetes espalhafatosas, como se a sátira estivesse contida no mundo cão retratado pelo jornal. Assim, a morte de um ladrão, traficante ou estuprador ganharia contornos de alívio para a sociedade. Exaltam-se indiretamente os atos de extermínio no combate ao crime, mas apenas nos casos restritos a comunidades pobres. Em 2008, a declaração do comandante de batalhão de que a PM seria “o melhor inseticida social” inspirou a seguinte manchete: “Bopecida, O Inseticida da Polícia – Terrível contra os marginais”. Ao lado o desenho de um frasco com a sigla SBPM. Era como se a Polícia Militar assumisse o papel de dedetizar as favelas e livrá-las de vermes e insetos. Nenhuma palavra de questionamento à ação policial na execução sumária de suspeitos. Parecem ressuscitar a famosa frase dos tempos do Esquadrão da Morte, segundo a qual “bandido bom é bandido morto”.
Por outro lado, há que se reconhecer que este espírito armado não se restringe à ação policial, mas está presente no imaginário social em muitas comunidades. A ausência do Estado dá margem à presença das milícias e dos “vingadores”, que já elegeram prefeitos na Baixada Fluminense, deputados e vereadores na Zona Oeste.
O chamado crime do colarinho branco, os casos de corrupção de políticos e empresários, estes não merecem espaço no jornal popular. É como se existissem dois cenários do crime organizado, mas o Meia Hora só falasse do cotidiano próximo ao leitor. Implicitamente, fica a ideia de que a corrupção em grandes proporções faz parte de um universo inalcançável e, portanto, pouco relevante. O duplo sentido, o trocadilho e o deboche são aplicáveis apenas aos pobres. Mas os editores também estabelecem limites na hora de brincar com a morte. No dia seguinte a uma chacina na Baixada, a capa do jornal manda um recado: “Desculpe, leitor, hoje não tem piada”.
Um mérito do tabloide é estimular a leitura de publicações jornalísticas em um segmento que não possui o hábito de ler. Daí fotos enormes e manchetes gigantescas, sempre com texto curto, direto e vocabulário restrito. O jornal tem o cuidado de editar um pequeno glossário, com as palavras que considera difíceis para o leitor. O preço do exemplar – R$ 1,00 –, estampado em destaque no alto da capa, também exerce atração especial. Baseado no quadripé crime, celebridade, prestação de serviços e futebol, o Meia Hora se orgulha de não poupar nenhum clube. Tira sarro de todos os torcedores na derrota, embora os editores reconheçam que o Flamengo, pelo tamanho da torcida, mereça destaque maior. Assim, quando o atacante Adriano não foi convocado para a Copa do Mundo de 2010, o jornal fez a montagem de uma foto do jogador fazendo sinal para um ônibus que tinha como destino Copacabana. De outra vez, aproveitou a coincidência de datas de uma festa gay em Copacabana e a entrega das faixas de campeão ao Fluminense. As fotos e os dois títulos foram editados um acima do outro, como se compusessem um só evento. “Hoje é dia do orgulho gay” E logo abaixo: “Fluzão faz festa no Engenhão”.
Um dos destaques do jornal é a seção Garota da Hora, que traz diariamente a foto de uma jovem de biquíni ou nua, geralmente de costas. Os editores procuram selecionar mulheres que não se enquadrem no padrão estético das celebridades do cinema e das telenovelas. Escolhem moças atraentes que se identifiquem com o leitor. A ideia é criar um simulacro do cotidiano. Algo do tipo “esta aqui está ao meu alcance” ou “esta eu vejo todo dia uma igual na minha comunidade”. É como se a sensualidade abandonasse as telas e desembarcasse na porta de casa.
Mesmo com quase 1 hora e 20 minutos de duração, o filme de Ângelo Defanti consegue manter a atenção porque alterna depoimentos curtos e exibe capas que contextualizam as falas dos entrevistados. Uma de suas qualidades é a intervenção discreta do entrevistador na narrativa. A participação do diretor está na edição dos trechos selecionados em fundo neutro. O espectador é que deve tirar suas próprias conclusões, assim como o leitor de um bom jornal.
Pela disposição de manter um certo distanciamento crítico, Meia hora e as manchetes que viram manchete deve ser visto por profissionais e estudantes de Comunicação como ponto de partida do debate sobre o jornalismo que realizamos no Brasil, num momento de transformações avassaladoras na forma de produzir e consumir informação.
O documentário não aponta os criadores do Meia Hora. Ouve depoimentos de jornalistas, publicitários e a empresária Gigi de Carvalho, filha de Ary de Carvalho, o antigo dono do jornal. Todos dão entender que contribuíram para o nascimento do jornal. Mas não importa muito quem foi o pai da criança, porque a receita do jornal popular, com pitadas de sensacionalismo e exploração do grotesco, é ainda mais antiga que os filmes de Orson Welles.
Veja o trailler do documentario:
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João Batista de Abreu é jornalista e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A violência e a mídia: as duas faces da Barbárie

Excelente texto de Sylvia Debossan Moretzsohn. Extraído do Observatório da Imprensa:

ÉTICA JORNALÍSTICA

Duas faces da barbárie cotidiana

Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 11/02/2014 na edição 785




“Para mim não há diferença entre os justiceiros do Flamengo e os defensores da ‘violência como método’. Prisão para os homicidas. E vigilância estrita e severa aos que vão às ruas praticar ou pregar violência.”

O professor Weden Alves, da Universidade Federal de Juiz de Fora, fez esse comentário no Facebook, em meio à enxurrada de postagens a seguir ao anúncio da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band. Santiago havia sido atingido na cabeça por um rojão aceso por um manifestante na quinta-feira (6/2), nas imediações da Central do Brasil, durante protesto contra o reajuste das passagens de ônibus no Rio. Weden vinculava o episódio ao do adolescente negro preso nu a um poste no bairro do Flamengo, depois de agredido por uma gangue de jovens justiceiros de classe média que, depois se soube, têm o costume de fazer “rondas noturnas” para caçar suspeitos de cometerem crimes na região.


O apelo à prisão há de chocar os defensores do abolicionismo penal, entre os quais me incluo, embora com a devida reserva: porque os próprios teóricos do abolicionismo reconhecem que essa proposta não é exequível numa sociedade de classes, de modo que o que podemos fazer agora é reduzir ao máximo o apelo ao encarceramento, embora esta seja uma discussão difícil – e impertinente aqui –, pois se trata de definir que tipo de crime seria punível com cadeia. Porém, na vida cotidiana as práticas tipificadas como crime precisam, ou devem, ser punidas na forma da lei que temos hoje, que é a maneira pela qual as pessoas podem ser responsabilizadas.


A associação entre o ato de barbárie cometido contra o jovem negro e a ação pirotécnica que resultou na morte do cinegrafista faz sentido porque em ambos os casos a ação direta toma o lugar da política. No primeiro, é uma forma de substituir o Estado, acusado de omisso e ineficiente – e de, por tabela, destilar um ódio histórico de classe e raça. No segundo, é uma tentativa de se impor pela força, por mais que as forças em jogo sejam tão desiguais, sem a percepção de que essa ação pode acarretar uma tragédia e ter nefastas consequências políticas.



O pelourinho pós-abolição


De todas as cenas de “mundo cão” que ocorreram recentemente no Rio e circularam nas várias mídias na semana passada, a mais significativa foi a do adolescente nu atado a um poste, pelo pescoço, por uma trava de bicicleta. Mais do que as agressões que ele sofreu, importa a humilhação de ter sido exposto daquele modo, como nos tempos dos escravos no pelourinho.


Nas redes sociais houve quem se recordasse da foto que Luiz Morier fez para o Jornal do Brasil em 1982, premiada com o Esso daquele ano (ver aqui), em que vários homens negros, que depois se comprovou serem trabalhadores com ficha limpa, aparecem amarrados pelo pescoço, conduzidos por um policial, após uma das conhecidas “operações” numa favela.


O rapaz no poste transformado em pelourinho reproduziu essa suprema humilhação documentada há mais de 30 anos.


A cena, que só poderia provocar indignação e repulsa, mereceu aplauso de uma apresentadora do SBT. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio e sua Comissão de Ética reagiram com uma notacondenando enfaticamente a “grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros” praticada pela apresentadora, que considerou “compreensível” a “atitude dos vingadores”, classificada de “legítima defesa coletiva”, e terminou cinicamente com um apelo a que os defensores de direitos humanos fizessem o favor de adotar um bandido. Foi uma forma de ecoar o bordão que se tornou comum entre o público favorável ao extermínio de marginais: “Tá com pena? Leva pra casa”.


A repercussão negativa do episódio levou a apresentadora a tentar se explicar, dizendo que não tinha considerado “aceitável”, apenas “compreensível”, a ação dos agressores. Esforço inútil: compreensível poderia ser uma agressão no calor da hora, em reação a uma tentativa de assalto. Nunca uma ação premeditada como aquela.



A ética e o mundo cão


Como apontou Janio de Freitas, na Folha de S.Paulo, jornalistas simplesmente não podem incitar ao ódio e estimular justiçamentos (ver aqui). Jornalistas existem – pelo menos em tese – para representar e esclarecer o público. Isso às vezes causa contradições, porque o público não é homogêneo: nesse caso mesmo, muita gente se identificou com os “vingadores” e gozou com a situação. Porém, jornalistas precisam respeitar certos valores fundamentais para o convívio social. Precisam se comprometer com o respeito aos direitos humanos e, no caso, mostrar o grau de barbárie que essa cena simboliza.


A condenação da atitude da jornalista do SBT foi muito importante e oportuna, mas o que essa moça fez não difere muito do que se pratica sistematicamente nos programas policiais, cujos apresentadores sempre incorporam a condição de justiceiros, ou nos jornais popularescos, que, conforme a linguagem, exacerbam na exposição do mundo cão ou carregam nas tintas do grotesco. O que dizer, por exemplo, do apresentador que, aos berros, convoca a sua “poliçada” a “sentar o dedo” na “bandidagem”? O que dizer das inúmeras manchetes do diário Meia Hora que tratam conflitos urbanos graves com escárnio e frequentemente legitimam o extermínio de criminosos, como apontei neste Observatório? (Ver “Os mortos bons e os maus”.)


Bem a propósito, a manchete desse jornal na quarta-feira (5/2), sobre a investida policial numa favela, é muito significativa: destaca os seis mortos, chama os traficantes de “manés”, diz que a polícia “sacode o Juramento e deita seis suspeitos”.


Chacina no morro “pacificado”



Este foi, aliás, outro dos episódios que marcaram a semana “mundo cão” no Rio: a operação policial numa área dita “pacificada”, após o assassinato de uma soldado lotada na UPP local, precisamente nos mesmos moldes de sempre, deixando os corpos enfileirados. Os jornais nos pouparam das cenas mais chocantes, preferiram exibir o rastro de sangue na calçada. Mas as fotos circularam pela internet: em tudo semelhantes às dos velhos tempos da política de confronto adotada pelo governo.


Também, como nos velhos tempos, a mesma legitimação da ação policial, como na manchete do Globo deterça-feira (4/2) – “Polícia reage e monta megaofensiva contra crime” – e uma página inteira aberta ao secretário de Segurança, como se o jornal pudesse fazer – e recorrentemente faz – esse papel de porta-voz, sem levantar dúvidas quanto à “pacificação” que volta e meia produz tiroteios e cadáveres.


No dia seguinte, diante do previsível resultado, a reportagem menciona o discurso oficial de praxe – “as circunstâncias das mortes serão investigadas” – e publica matéria com um legista que aponta indícios de execução. Mas é claro que não se cogita de qualquer relação entre a chacina e o apoio à “reação ao tráfico” da edição da véspera.


Exploração do mórbido


Na mesma semana o jornal Extra (quinta, 6/2) dedicou a capa inteira a uma cena de justiçamento na Baixada Fluminense: um homem negro de calção e sem camisa aponta a arma para a cabeça de outro homem negro de calção e sem camisa que, sentado ao chão, tenta se proteger. Manchete: “Num dia é tranca [alusão ao pelourinho], no outro é bala”. Antetítulo: “E ainda tem muita gente que aplaude”. O site do jornal reproduzia o trecho do vídeo que documentava o assassinato, com o tradicional alerta para as “cenas fortes”. No dia seguinte, mantém o tema na capa, com a manchete “Justiceiro bom é justiceiro preso” e a pergunta: “Olho por olho é o que queremos”?


É uma questão interessante: o jornal denuncia a violência, mas ao mesmo tempo atrai a atenção pela exploração das imagens que atiçam o gozo mórbido do público. Deveríamos ser expostos a essas cenas?


Entra aqui de novo a discussão sobre o Código de Ética e as suas possibilidades de aplicação.


O senso comum cristalizado


Para completar a semana “mundo cão”, O Globo (quarta, 5/2) destacou matéria sobre o quase linchamento de um adolescente que foi flagrado tentando roubar comida de um supermercado em Copacabana. Muito reveladora da excitação do público contra os marginalizados, mereceu o comentário do sociólogo Michel Misse, pesquisador de vasta experiência nessa área: “As pessoas acham que o cara, por ser menor, não recebe punição suficiente (...). Deviam levar essas pessoas para ver como é a internação desses menores. É pior que cadeia”.


Nem precisaria tanto, bastaria insistir sistematicamente nessa pauta. Ainda assim, seria necessário muito cuidado com o enfoque, para vencer a resistência do público acostumado a crenças que a própria imprensa ajuda a consolidar. Mesmo diante de evidências, a mudança de opinião leva muito tempo. Quando ocorre.


O desprezo pela vida


Essas dificuldades ficaram claras no episódio que resultou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, a primeira vítima entre jornalistas desde que começaram os protestos contra o aumento das passagens de ônibus, em junho do ano passado, e também a primeira provocada pela ação de manifestantes. Inicialmente, a notícia era de que o cinegrafista havia sido atingido pela polícia, o que foi sustentado inclusive por um repórter da Globo News que cobria a manifestação. A repercussão foi imediata nas redes sociais. Em seguida, com a profusão de imagens de vários ângulos, essa versão foi desmentida. Mas muitos continuaram a duvidar, suspeitando de montagens. E quando a Globo exibiu a entrevista com um dos rapazes envolvidos na história, houve quem sugerisse que se tratava de alguma armação.


Foi um exemplo muito claro e curioso dessa crença seletiva: os que se creem muito críticos costumam dizer que não acreditam na grande imprensa, mas utilizam essa fonte quando surgem informações que lhes interessam. Não deixa de ser engraçado, mas é pior, porque demonstra que acreditam apenas no que lhes ajuda a confirmar seus preconceitos. E é trágico, porque assim nunca serão capazes de aceitar nada que não corrobore suas crenças.


O açodamento da mídia, em especial dos veículos das Organizações Globo, em disseminar um depoimento do advogado do rapaz preso que insinuava a ligação de seu cliente com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), provocou muitos protestos nas redes sociais. No dia seguinte o advogado voltaria atrás, mas o estrago já estava convenientemente feito, nesse ano de eleições. Ao mesmo tempo, o próprio deputado, ex-presidente da CPI das Milícias, verificou que esse advogado havia trabalhado para um ex-deputado que acabou preso por chefiar uma milícia. Seria “a peça que faltava no quebra-cabeças destas acusações absurdas”.


Porém, esta descoberta abriu um novo quebra-cabeças: por que um advogado de miliciano – por mais que saibamos que advogados, em princípio, não se comprometam com a causa de seus clientes – seria contratado por um militante que poderia ter à sua disposição o serviço dos “advogados ativistas” que trabalham nessas ocasiões? Esta é uma pauta que não poderia ser desprezada e que talvez descobrisse um fio de meada em todo esse novelo tão complexo e contraditório no qual atuam militantes – ou provocadores – que adotam a violência como método.


Não é que a violência seja condenável em princípio, evidentemente. Mas como método ela se torna uma rotina, um espetáculo, uma performance. E quem a pratica demonstra o mais absoluto desprezo pela vida humana, como ficou claro no episódio que vitimou o cinegrafista. Por isso não há diferença entre eles e os que perpetraram a suprema humilhação contra o adolescente negro atado ao poste.