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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O “homem endividado” e o “deus” capital: uma dependência do nascimento à morte

Figura subjetiva do capitalismo contemporâneo, o “homem endividado” é uma das engrenagens que, junto do Estado e do sistema político, colaboram para a produção e reprodução da máquina de guerra do Capital, afirma Maurizio Lazzarato

O “homem endividado” e o “deus” capital: uma dependência do nascimento à morte

Por: Márcia Junges e Leslie Chaves| Tradução: Vanise Dresch - Extraído da Revista do Instituto Humanistas Unisinos

   Antes as dívidas eram contraídas junto à comunidade, aos deuses ou antepassados. Hoje, nosso endividamento se dá junto ao “deus” Capital, provoca Maurizio Lazzarato na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line. “O ‘homem endividado’ é submetido a uma relação de poder credor-devedor que o acompanha durante toda a vida, desde o nascimento até a morte”. E completa: “Através das dívidas soberanas, toda a população acaba endividada e deve pagá-las, qualquer que seja sua situação: desempregado, trabalhador, aposentado, etc. Carregamos dentro de nossos bolsos a relação credor/devedor, pois ela está inscrita no cartão de crédito”.

   Para Lazzarato, o que hoje se verifica não é uma hegemonia da economia sobre a política, mas, antes, uma “reconfiguração da relação entre economia e política. O capital (e não a economia!) construiu uma máquina de guerra, da qual o Estado e o sistema político são apenas articulações. O Estado e o sistema político intervêm para a produção e a reprodução da máquina de guerra do Capital, não sendo realidades alheias ao seu funcionamento, e sim engrenagens essenciais”. A moeda converteu-se no próprio capital, assinala, a “forma mais abstrata, mais móvel e mais eficaz do mandamento do capitalismo. Ela dita regras, condutas, comportamentos a populações inteiras, como está acontecendo na Grécia e em toda a Europa atualmente”.
Lazzarato é sociólogo e filósofo italiano que vive e trabalha em Paris, onde realiza pesquisas sobre a temática do trabalho imaterial, a ontologia do trabalho, o capitalismo cognitivo e os movimentos pós-socialistas. Escreve também sobre cinema, vídeo e as novas tecnologias de produção de imagem. Participa de ações e reflexões sobre os “intermitentes do espetáculo” no âmbito da CIP-idf (Coordination des intermittents et précaires d’Île-de-France), onde coordena uma “pesquisa-ação” sobre o estatuto dos trabalhadores e profissionais do espetáculo e do mundo das artes, além de outros trabalhadores precários. Junto com Antonio Negri é um dos fundadores da revista Multitudes.

   De suas obras publicadas destacamos Trabalho imaterial (Rio de Janeiro: DP&A, 2001), escrita com Toni Negri, e La fabrique de l’homme endetté. Essai sur la condition néolibérale (Paris: Editions Amsterdam, 2011). Lazzarato estará na Unisinos como conferencista do V Colóquio Latino-Americano de Biopolítica, III Colóquio Internacional de Biopolítica e Educação e XVII Simpósio Internacional IHU Saberes e práticas na constituição dos sujeitos na contemporaneidade. 

No dia 23 de setembro, ele proferirá a conferência Noopolítica e trabalho imaterial.
Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em que medida podemos falar de uma financeirização que atinge todos os setores de nossa vida? Quais são suas implicações fundamentais?

Maurizio Lazzarato - O neoliberalismo governa através de uma variedade de relações de poder: credor-devedor, capital-trabalho, welfare -usuário, consumidor-empresa, etc. Mas a dívida é uma relação de poder universal, uma vez que todo mundo está incluído nela: até mesmo aqueles que são pobres demais para terem acesso ao crédito devem pagar juros a credores pelo reembolso da dívida pública; até mesmo os países pobres demais para se dotarem de um Estado de bem-estar social devem pagar suas dívidas. 
Através das dívidas soberanas, toda a população acaba endividada e deve pagá-las, qualquer que seja sua situação: desempregado, trabalhador, aposentado, etc. Carregamos dentro de nossos bolsos a relação credor/devedor, pois ela está inscrita no cartão de crédito. Cada compra paga com cartão de crédito nos introduz no circuito financeiro. 

A relação credor-devedor atinge a população atual em sua totalidade, mas também as populações futuras. Os economistas nos dizem que cada novo bebê francês já nasce com 22 mil euros em dívidas. Não é mais o pecado original que nos é transmitido no nascimento, mas a dívida contraída pelas gerações anteriores. O “homem endividado” é submetido a uma relação de poder credor-devedor que o acompanha durante toda a vida, desde o nascimento até a morte. Se, outrora, nossas dívidas eram para com a comunidade, os deuses, os antepassados, agora, estamos endividados junto ao “deus” Capital.

IHU On-Line - A partir do conceito de economia da dívida, como analisa a hegemonia da economia sobre a política em nosso tempo? 

Maurizio Lazzarato - Não há hegemonia, mas, sim, uma reconfiguração da relação entre economia e política. O capital (e não a economia!) construiu uma máquina de guerra, da qual o Estado e o sistema político são apenas articulações. O Estado e o sistema político intervêm para a produção e a reprodução da máquina de guerra do Capital, não sendo realidades alheias ao seu funcionamento, e sim engrenagens essenciais. 

IHU On-Line - Como se pode crer na veracidade de uma entidade virtual como o dinheiro que é negociado na bolsa de valores, por exemplo? Como é possível compreender que tal recurso comande decisões de empresas, governos e nações?

Maurizio Lazzarato - A moeda não deriva da troca, da simples circulação, da mercadoria; ela também não constitui o sinal ou a representação do trabalho, mas expressa uma assimetria de forças, um poder de prescrever e impor modos de exploração, de dominação e de sujeição futuros. A moeda é, primeiramente, moeda-dívida, criada ex nihilo , sem nenhum equivalente material fora de uma potência de destruição/criação das relações sociais e, notadamente, dos modos de subjetivação.
A moeda é o próprio capital, a forma mais abstrata, mais móvel e mais eficaz do mandamento do capitalismo. Ela dita regras, condutas, comportamentos a populações inteiras, como está acontecendo na Grécia e em toda a Europa atualmente.

IHU On-Line - Poderia recuperar alguns aspectos da contribuição de Nietzsche para compreendermos a genealogia da dívida?

Maurizio Lazzarato - Nietzsche  já havia dito o essencial acerca deste assunto. Na segunda dissertação de Genealogia da Moral (São Paulo: Companhia das Letras, 2009), ele arrasa de uma só vez todas as ciências sociais: a formação da sociedade e o adestramento do homem (extrair do homem-fera um animal adestrado e civilizado, um animal doméstico em suma”) não resultam nem das trocas econômicas (indo de encontro à tese apresentada por toda a tradição da economia política, desde os fisiocratas até Marx , passando por Adam Smith ), nem das trocas simbólicas (indo de encontro às tradições teóricas antropológicas e psicanalíticas), mas, sim, da relação entre credor e devedor. Nietzsche faz, assim, do crédito o paradigma da relação social, descartando toda e qualquer explicação “à moda inglesa”, ou seja, pela troca ou o interesse.

IHU On-Line - Qual é a importância do mecanismo da dívida no capitalismo financeirizado?
Maurizio Lazzarato - Aquilo a que as mídias chamam de “especulação” constitui uma máquina de captura ou predação da mais-valia nas condições da acumulação capitalista atual, na qual é impossível distinguir a renda do lucro. O processo de mudança das funções de direção da produção e de propriedade do capital, que começou a se desenvolver na época de Marx, atingiu, hoje, sua forma plena. O “capitalista realmente ativo” transforma-se, já dizia Marx, em “um simples dirigente e administrador do capital”, e os “proprietários do capital”, em capitalistas financeiros ou beneficiários de rendas. A finança, os bancos, os investidores institucionais não são simples especuladores, mas os (representantes dos) “proprietários” do capital, enquanto estes, que eram, outrora, os “capitalistas industriais”, os empreendedores que arriscavam seus próprios capitais, são reduzidos a serem simples “funcionários” (“assalariados” ou pagos em ações) da valorização financeira.

IHU On-Line - Como pode ser definida a figura do homem endividado? Em que aspectos essa figura está aprisionada ao sistema econômico vigente?

Maurizio Lazzarato - A economia neoliberal é uma economia subjetiva, isto é, uma economia que requer e gera processos de subjetivação cujo modelo deixou de ser aquele, como na economia clássica, do homem que realiza trocas e do homem que produz. Durante as décadas de 1980 e 1990, esse modelo foi representado pelo empreendedor (de si mesmo), segundo a definição de Michel Foucault , que resumia nesse conceito a mobilização, o engajamento e a ativação da subjetividade pelas técnicas de gerenciamento empresarial e de governo social. Desde o início das sucessivas crises financeiras, a figura subjetiva do capitalismo contemporâneo parece antes ser representada pelo “homem endividado”. Essa condição, que já existia, uma vez que está no cerne da estratégia neoliberal, ocupa agora todo o espaço público. Todas as designações da divisão social do trabalho nas sociedades neoliberais (“consumidor”, “usuário”, “trabalhador”, “autoempreendedor”, “desempregado”, “turista” etc.) são atravessadas pela figura subjetiva do “homem endividado”, a qual metamorfoseia todas as figuras anteriores em consumidor endividado, usuário endividado e, por fim, como está acontecendo na Grécia, em cidadão endividado. Se não é a dívida individual, é a dívida pública que, literalmente, pesa na vida de cada um, já que cada um deve assumi-la.

IHU On-Line - Em que aspectos a recusa do pagamento das dívidas a países credores é uma forma de resistência contra um dispositivo de poder econômico? Nesse sentido, como analisa o caso da Grécia?

Maurizio Lazzarato - Para fazerem da dívida um terreno de confronto estratégico, os governados devem efetuar uma ruptura subjetiva, condição indispensável para saírem de sua postura de governados. Para enfrentar os credores, não como governantes da economia do mundo, mas como adversários, os governados devem passar por uma transformação subjetiva, realizando uma reconversão de si mesmos. Desse ponto de vista, a Europa é, em ordem cronológica, o último palco, depois da Ásia e da América Latina, dessas modalidades de governo pela dívida, de sua reversibilidade e de seu modo de subjetivação.
Na “crise” atual, somente a longa sequência das mobilizações contra as políticas da dívida na Grécia efetuou essa ruptura subjetiva nos governados, transformando as relações de poder em confrontos estratégicos. Essas transformações subjetivas modificaram profundamente o contexto no qual se desenrolam a ação das políticas da dívida e as lutas (as eleições também) que a ela se opõem. O “governo” recentemente eleito na Grécia toma decisões no novo contexto de confrontos estratégicos determinado pela ruptura subjetiva, e não mais, como os governos anteriores, no contexto de oposição governantes/governados. Em países como Itália, França, Portugal e outros, as resistências, as oposições, as lutas permanecem dentro da dinâmica governantes/governados. 

A primeira tarefa da luta contra a dívida é impor o confronto estratégico aos credores, que, ao mesmo tempo em que travam a guerra civil por outros meios, negam definitivamente sua existência. O axioma de toda governamentalidade é negar a existência da guerra civil, dos confrontos estratégicos. ■

Leia mais...
- Subverter a máquina da dívida infinita. Entrevista com Maurizio Lazzarato, publicada em Notícias do Dia, de 02-06-2012, no sítio do IHU;

"Atualmente vigora um capitalismo social e do desejo". Entrevista com Maurizio Lazzarato, publicada em Notícias do Dia, de 05-01-2011, no sítio do IHU;

"Os críticos do Bolsa Família deveriam ler Foucault...". Entrevista com Maurizio Lazzarato, publicada em Notícias do Dia, de 15-12-2006, no sítio do IHU;

Capitalismo cognitivo e trabalho imaterial. Entrevista com Maurizio Lazzarato, publicada em Notícias do Dia, de 06-12-2006, no sítio do IHU;

As Revoluções do Capitalismo. Um novo livro de Maurizio Lazzarato. Reportagem publicada em Notícias do Dia, de 06-12-2006, no sítio do IHU;


domingo, 21 de setembro de 2014

Os deuses do mercado e a intolerância religiosa: fundamentalisticamente, irmãos siameses




Jornal GGN - "É besteira pensar que o sonho de banqueiros e neopentecostais não seja dominar o mundo", disse Sebastião Nunes, em sua coluna "Cuidado! Dois deuses sinistros te amam". 

O articulista explica a articulação religiosa dos neopentecostais com a política, para afirmar a criatura ambígua do deus de Marina Silva.

Enviado por Romério Rômulo
De OTempo
Por Sebastião Nunes

Quando eu tinha 13 ou 14 anos, apareceu na minha terra um pastor protestante chamado José Bonifácio. Alugou uma casa modesta, ajeitou um templo na sala da frente e, aos poucos, reuniu número razoável de fiéis. Meu pai, que acreditava em Deus mas desconfiava de padres, tornou-se amigo dele. Várias vezes fomos pescar juntos, palmilhando longamente os cinco quilômetros até os riachos mais próximos. Bonifácio nunca me falou de religião. Talvez por isso, porque soubesse reconhecer limites, ganhou a amizade de meu pai, que não era fácil de conquistar. Não foi à toa que padre Agostinho o apelidou de “Levizinho do olho de cobra” ao lhe pedir donativo, uma única vez, para os cofres da matriz. Donativo recusado, nunca mais repetiu a tentativa.

Na mesma época, um colega de escola teve brilhante ideia: fabricar toscas notas de 100 cruzeiros com tesoura e cola, usando-as para compras no mercado municipal, aos sábados, dia de feira. Muito roceiro ingênuo caiu no conto, que fazia Fulano (prefiro não revelar o nome) dar pulos de alegria. Anos depois ele se tornou banqueiro. Nada de admirar, já que a vocação se escancarava ali, na falsificação das notas e na falta de escrúpulos para ludibriar camponeses simplórios.

TOTALITARISMO

É besteira pensar que o sonho de banqueiros e neopentecostais não seja dominar o mundo. Em certa medida, os banqueiros já o dominam. O neopentecostalismo ainda não chegou lá, mas vai comendo pelas beiradas, tipo mineiro enfrentando uma pratada de mingau quente: soprando e engolindo.

Favor notar que não estou confundindo os diversos ramos do protestantismo com o NP, ou mesmo com o pentecostalismo tradicional. Tive e tenho amigos protestantes, principalmente batistas, que respeito e admiro. Me refiro aqui à chamada Terceira Onda do Pentecostalismo, aquela que morde e assopra ao mesmo tempo.

Claro que uma coisa é querer e outra, conseguir. Numa crônica recente citei uma afirmação de Darwin, segundo a qual todas as espécies vivas estão aptas a dominar o planeta, só não o conseguindo pela oposição de outras espécies. É a mesma guerra que se trava, desde sempre, entre os vários extratos da sociedade.

TIRA ESSE POBRE DAQUI!

A grande sacada do NP foi transformar pobreza em “prova” da falta de fé. Segundo seus “profetas da prosperidade”, a marca da fé plena está em ser bem-sucedido, buscando a todo custo a prosperidade material. É lógico que tal ideia bate de frente com os postulados cristãos originais, mas quem se importa com isso?

É a sopa no mel. Claro que esses princípios já eram evidentes em Lutero, mas nunca foram tão claramente assumidos. Os templos faraônicos que se constroem hoje são a contraposição às catedrais católicas da Idade Média: ostentação como afirmação de riqueza e poder. Mas – pergunto – e a pobreza, onde ficam os pobres?

Os pobres param na contribuição de 10% (ou mais, dependendo dos argumentos) de seus salários miseráveis para que os donos dos templos triunfem. Simples assim.

EVANGELISTA DO ÓDIO

Conforme Kiko Nogueira, no “Diário do Centro do Mundo”, “o pastor Silas Malafaia segue e dissemina dois evangelhos: o do ódio e o da tagarelice. (...) Entre 3 de março e 3 de setembro, ele teria feito apenas 59 menções a Jesus Cristo e 87 a homossexuais. (....) Ele, juntamente com colegas como Marco Feliciano e outros pastores e bispos, sonha com um Brasil livre de abominações como gays, abortistas, ‘umbandistas’ etc., e que tenha a interpretação literal da Bíblia como constituição”.

EVANGELISTA FUNDAMENTALISTA

Muito antes de recuar de sua posição contra os transgênicos, em clara tentativa de atrair os votos do agronegócio para o seu nome, a então senadora Marina Silva fez o seguinte discurso em 2002 (recortado do blog de Mário Magalhães):

“Em Gênesis 21,33, o próprio patriarca Abraão, com mais de 80 anos, resolve plantar um bosque. Quem planta um bosque com quase [SIC]100 anos está pensando nas gerações futuras, que têm direito a um ambiente saudável. (...) No Êxodo 22,6, há determinação explícita no sentido de que quando alguém atear fogo a uma floresta ou bosque deverá pagar aquilo que queimou. (...) Com relação aos transgênicos, o livro Levítico 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie.”

Não é de enlouquecer? Imagine Marina, caso eleita presidente, justificando cada projeto de lei com argumentos extraídos da Bíblia. Morreremos de tédio ou retornaremos à ignorância primordial.

CRIACIONISMO

O prefeito de Nova Odessa (SP), Benjamin Bill Vieira de Souza, vetou lei que impunha a leitura diária de um trecho da Bíblia nas escolas municipais aos alunos do 10 ao 50 anos, atingindo 4.000 alunos de 12 estabelecimentos. Na defesa de seu projeto, o vereador Vladimir Antônio da Fonseca, evangélico, argumentou que a leitura da Bíblia nas escolas não é ato religioso. Sua intenção é a de “incentivar uma reflexão sobre os bons hábitos”. (Citado emwww.paulolopes.com.br)

Nos Estados Unidos, informa a “Folha de S. Paulo”, 58% dos republicanos e 41% dos democratas afirmam acreditar no Criacionismo, ou seja, que Deus criou os humanos, como eles são hoje, há menos de 10.000 anos. Também nos EUA, e segundo a revista “Exame”, o governo gasta US$ 1 bilhão por ano para ensinar o Criacionismo nas escolas, valor maior do que o PIB de 23 países.

O deus de Marina Silva e do NP é uma criatura ambígua, que acende uma vela para o deus do mercado financeiro e outra para o deus da ignorância científica e cultural como arma de dominação coletiva e imposição do obscurantismo.

Que Deus (com maiúscula) nos livre e guarde dessa horrível possibilidade.