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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Xadrez dos arquivos da Lava Jato e a segunda morte do fabricado falso mito Sérgio Moro. Por Luis Nassif

 

Jornal GGN:





Sérgio Moro não é um jurista. Mal domina o idioma pátrio. Não conhece a legislação internacional de mineração. Sua presença em um processo, como parecerista, poderia sensibilizar procuradores e juízes nacionais, jamais um juiz de outro país.


Qual seria o motivo, então, para receber US$ 150 mil por um mero parecer? No final da vida, o ex-Ministro Saulo Ramos, um dos mais caros pareceristas brasileiros, cobrava US$ 100 mil por parecer. E justificava o alto preço com o argumento de que não gostava de dar pareceres e quero restringir sua contratação. Fazia não mais que quatro pareceres por ano.



É o tema do nosso Xadrez.

Peça 1 – a indústria anticorrupção e o compliance


Em várias oportunidades, descrevemos, aqui, a hipocrisia da indústria da anticorrupção e os riscos da utilização indevida dos arquivos da Lava Jato para disputas empresariais. Principalmente quando os ex-membros passassem a trilhar a carreira de advogados.

Há dois caminhos óbvios, fartamente explicados pela GGN em várias oportunidades.


Um deles seria a venda de serviços baseada na rede de conhecimentos com procuradores da ativa, nacionais e i

nternacionais.

Esse processo foi detalhado no post “O negócio da Lava Jato com a indústria da anticorrupção”, de 22.05.2019.

Esse caminho já tinha sido trilhado por ex-procuradores suíços ligados à lava jato, conforme detalhado em “PGR suíço é acusado de conluio com a Lava Jato”, com base em reportagens dos jornais NZZ e da Swissinfo. O PGR Michel Lauber foi acusado de reuniões informais, não documentadas, com representantes da FIFA e da Lava Jato.

“Um pouco antes, Lauber foi acusado de irregularidades, também por reuniões sigilosas no caso FIFA. A corregedoria do MP suíço abriu uma investigação disciplinar para apurar essas reuniões entre Lauber e o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Lauber admitiu as reuniões e alegou que visavam ajudar no avanço das investigações.

Em relação à Petrobras, argumentou que as investigações não poderiam ser tocadas de modo eficiente sem as conversas informais.

Com as denúncias, Lauder corre o risco de não ser reconduzido ao cargo”.



De fato, não foi.


Na reportagem “A Lava Jato suíças também a caminho do banco de réus” conta, com base em reportagem do Financial Times, que o governo suíço nomeou um promotor especial para analisar acusações criminais contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e Michel Lauber.

Segundo a reportagem,




“Segundo e-mails vazados, Infantino tinha interesse que Lauber suspendesse investigações sobre sua conduta enquanto diretor de assuntos jurídicos da UEFA, a confederação de futebol da Europa. 

As investigações sobre Lauder se estenderam também sobre outros casos de corrupção, incluindo a Leva Jato e as contas da Odebrecht. E um terceiro escândalo surgiu com as posições aparentemente simpática de Lauder em relação a Moscou”.


Antes disso, o principal procurador suíço na Lava Jato, Stefan Lenz, abriu um escritório de advocacia e passou a oferecer serviços a clientes brasileiros. Na home do escritório, havia oferta clara de contatos com colegas no mundo todo.


Contatos internacionais

Como Promotor Público Federal eu estabeleci contatos importantes com responsáveis pela persecução penal em todo o mundo, especialmente na Europa, nos Estados Unidos da América, na América do Sul e na América Central.

Outros contatos valiosos são aqueles com importantes representantes das autoridades de investigação do Banco Mundial e do Banco Europeu de Desenvolvimento.



Recém-demitido da procuradoria suíça, Lenz recebeu uma proposta de trabalho do então Procurador Geral Rodrigo Janot, tratando Lenz como “cérebro suíço” da Lava Jato.

Peça 2 – a indústria anticorrupção e as guerras empresariais


O principal produto oferecido por ex-juizes e ex-procuradores, no entanto, não era apenas o contato com ex-colegas para abrandar investigações, mas participar diretamente das grandes disputas empresariais. E o principal cliente passaram a ser empresas com histórico de corrupção.

A lógica é simples. A ficha suja é um elemento negativo, com influência na sentença final. Trata-se, então, de levantar acusações contra o adversário para igualar o jogo.

Foi o que carreira na reportagem “Caso Eldorado expõe os negócios obscuros da indústria da anticorrupção”. Foi o caso de Josimar Verillo, empresário que participou da criação de uma ONG destinada a coibir abusos em prefeituras do interior. Nessa condição tornou-se parceiro da versão brasileira da Transparência Internacional – uma das principais aliadas da Lava Jato na mal-sucedida tentativa de criar a fundação de R$ 2,5 bilhões.

Nessa condição, Verillo foi contratado pela Paper Excelente, do grupo indonésio Asia Pulp & Paper, envolta em sem-número de denúncias de corrupção, em uma disputa com a JB&S em relação ao controle da Eldorado, fábrica de papel.

Na reportagem, mostrava a estratégia dos indonésios. Era um grupo com extensas ligações com fornecedores de madeira ligados a incêndios e degradação ambiental. Em 2010, em um desses julgamentos, contratou como lobista uma firma de relações públicas dirigida por um ex-ativista do Greenpeace.

Verillo foi flagrado financiando uma edição especial de um livro com acusações à JBS. Sua filha ocupa cargo relevante na Transparência Internacional.


Peça 3 – o uso dos arquivos das Lava Jato


A contratação de Sérgio Moro para o caso Beny Steinmetz x Vale reforça a ideia da repetição da estratégia do grupo indonésio. E aí se entende a preocupação do Procurador Geral da República Augusto Aras de compartilhar o conteúdo dos arquivos da Lava Jato, para evitar que sejam utilizados por ex-procuradores e ex-juizes em disputas comerciais.

Conforme relatei no pot “A briga de narrativas entre a Lava Jato e a PGR



“Não tem sentido a explicação da Lava Jato Curitiba, de que o compartilhamento de banco de dados pode permitir vazamentos e uso indevido para achaque. O risco maior é o do controle absoluto de um grupo sobre o banco de dados, sem nenhuma espécie de supervisão externa – nem de suas chefias”.

E aí chegamos ao busílis do caso Sérgio Moro. Conforme a bela reportagem de Cintia Alves na edição de ontem do GGN – “Moro trabalha para bilionário israelense investigado por corrupção na Suíça e nos EUA” – Benny Steinmetz está envolvido em corrupção na Guiné e com ameaça de prisão em quatro países. Consta que mora em um Boeing dele, para não ser preso em suas viagens.

Anos atrás, a Vale se associou a ele, tentando ampliar sua penetração na África. Descobriu-se, depois, que as minas de Steinmetz tinham sido conquistados mediante suborno ao ex-presidente da Guiné.



A Vale alegou que fora enganada pela empresa parceira e abriu uma disputa judicial em Londres, onde obteve, em 2019, uma vitória: sentença a favor de uma indenização de 2 bilhões de dólares. Steinmetz tenta, agora, reverter a sentença. É aí que entra Sérgio Moro.

Sua contratação por US$ 150 mil visa dois objetivos:

1. Valer-se das informações sobre a Vale, que constam dos arquivos da Lava Jato.

2. Aproveitar a penetração de Moro na imprensa para repetir a dobradinha acrítica ocorrida com a Lava Jato.


Peça 4 – a Lava Jato e a Vale


Em 2014 o governo da Guiné mandou cassar a concessão de Steinmetz, acusando-o de corrupção. Em 2008 ele pagou US$ 170 milhões para conseguir explorar a mina de Simandu. 18 meses depois, revendeu 51$ para a Vale por US$ 2,5 bilhões. Tempos depois, foi acusado de tentar subornado a viúva co ex-presidente da Guiné, Lansana Conté, por US$ 8 milhões, e US$ 200 milhões ao então Ministro das Minas e energia Mahmoud Thiam.

Simandu era considerada a “Carajás africana”.



Foram abertos dois processos bilionários em torno do tema:

1. Da Vale, tentando conseguir a indenização de US$ 2 bilhões.

2. Da Rio Tinto tentando provar que a Vale sabia da corrupção e que, portanto, a exploração da mina deveria ser transferida para ela.


Segundo reportagem de O Globo,

“No documento protocolado na Justiça americana, de 50 páginas, a Rio Tinto descreve conversas que teriam sido realizadas entre executivos da companhia e da rival brasileira entre 2008 e 2009, quando Roger Agnelli ainda estava à frente da Vale.

Nessas conversas, a Rio Tinto teria fornecido à Vale informações confidenciais relativas a Simandou, na confiança de que a empresa “as trataria com discrição” com o objetivo de avaliar uma possível parceria entre as duas gigantes da mineração na Guiné. A Rio Tinto havia adquirido os direitos de exploração de Simandou em 2006. Hoje, é sócia da chinesa Chinalco no país.


Até agora, o principal instrumento para tentar vincular a Vale à Lava Jato é o site Notícias da Mineração. Já veiculou matérias tentando ligar executivos da Andrade Gutierrez à Vale, e também executivos da Camargo Correia. É um jogo malicioso porque ambos foram depor na condição de representantes das empreiteiras junto à Petrobras. Mas a insistência em ligá-los à Vale mostra claramente a estratégia de defesa de Steinmetz.

Agora, troca-se o mensageiro: em vez do desconhecido “Notícias da Mineração”, o ex-juiz que comandou a Lava Jato. É por aí que deverá se desdobrar o tal parecer de Sérgio Moro.

Peça 5 – como matar dois coelhos com uma só cajadada

Com o parecer contratado de Sérgio Moro, matam-se dois coelhos com uma só cajadada



1. O mega-corrupto Steinmetz, capaz de deixar no chinelo qualquer corruptor brasileiro, ganha um argumento forte contra a Vale.

2. Liquida-se definitivamente com a imagem da Lava Jato, depois do segundo suicídio de Moro – o primeiro foi ter aceitado o cargo de Ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger.

Fica óbvio, agora, as sucessivas homenagens que Moro recebeu nos salões da plutocracia internacional.



Parafraseando Paulo Vanzolini, US$ 150 mil francamente foi barato.


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sábado, 27 de julho de 2019

A Portaria da Besta, 666, de Sérgio Moro e seu estilo autoritário em análise por Fernando Brito em entrevista ao TVT



Do Canal TVT:

"Portaria 666 de Moro: Brasil é país da piada pronta", por Fernando Brito



"Sérgio Moro tem intimidade com investigação que é sigilosa. São grosseiros os erros do ex-juiz." Acompanhe a análise de Fernando Brito, do Tijolaço, sobre a prisão dos hackers, a portaria publicada por Sérgio Moro e a interferência do ministro na investigação da Polícia Federal.

sábado, 13 de julho de 2019

Para entender como o conluio na Lava Jato chegou à 2ª instância, por Fernando Horta, no GGN


Do GGN:

   Desde o início da Lava Jato foram arranjados os juízes e desembargadores que iriam julgar Lula. Só não puderam fazer isto no STF, com Teori Zavascki sorteado. E sabemos o que aconteceu com Teori quando ele resolveu colocar freios nos crimes de Moro


Por Fernando Horta

Deixa eu contar uma historinha que talvez vocês não conheçam sobre a Lava a Jato.
Ela começa com uma investigação sobre José Janene, deputado do PP do Paraná em que Moro esconde do Judiciário que o político era o investigado para não entregar o processo ao STF. Ao invés disto, ele diz que estava investigando a “mulher” e “secretária” do Janene.
Antes de ser conhecida a LJ teve um recurso subindo para o TRF-4. Isto é usado porque após o PRIMEIRO, todos os recursos serão encaminhados para o mesmo grupo desembargadores. Assim, antes de ser conhecida a LJ forçou para saber qual Vara ia receber todos os próximos recursos.
Após descobrirem para qual Vara o processo iria (como era criminal, só poderia ir para a 7ª ou 8ª turma do TRF-4), a Vara sorteada teve 2 dos seus 3 desembargadores mudados. Um foi para a presidência do TRF-4 e outro, corregedoria. Coisa muito incomum 2 de 3 serem mudados.
Com duas vagas sobrando foram colocados lá, DEPOIS de saberem que ali seria julgada a LJ toda, o João Gebran Neto e o Leandro Paulsen, sendo que o Victor Laus já estava lá. Gebran já era conhecido amigo de Moro, sendo que o ex-juiz tinha substituída Gebran em diversas varas no Paraná.
Depois de acertada a “turma competente”, houve uma discussão se aquele primeiro recurso realmente tornava ela competente, e uma apelação foi sorteada caindo na 7ª vara. Como era uma apelação, ela definiria a “turma competente” e, por sorteio, tinha caído na vara sem o Gebran.
Com esta novidade fora dos planos, a desembargadora sorteada Claudia Cristofani faz uma manifestação “perguntando” se o Gebran não queria pegar aquele recurso. Ao que o Gebran prontamente responde que sim, que era dele a Lava Jato. Ou seja, o sistema de sorteio poderia ter evitado todo o conluio.
Faltava a presidência do TRF-4, afinal, nas discussões sobre competência das varas, quem dava a decisão era o presidente. Então o TRF-4 muda toda a sua lógica (de colocar o mais antigo como presidente) e elege o mais conservador e fascistoide deles: Thompson Flores.
Durante toda a fase dos recursos sobre Lula SEMPRE os envolvidos no julgamento dos pedidos eram Moro na primeira instância, Gebran, Paulsen e Laus na segunda, e Thompson Flores como presidente. Ninguém mais fora do grupinho.
Quem foi que mandou não cumprir a ordem de soltura do desembargador Rogério Favretto? Thompson Flores. Quem foi que deu entrevista dizendo que a sentença do Moro era “perfeita” embora ele nunca tenha lido? Thompson Flores.
Quem definiu a competência de Moro para julgar tudo sobre Lula? Thompson Flores.
Bom, agora começam a sair os vazamentos sobre o conluio descarado e ainda existem dois ou três processos de Lula nas mãos da 8ª turma do TRF4. O STF ameaça soltar Lula e o que o TRF-4 faz? Elege Laus para a presidência do tribunal, novamente invertendo toda a ordem de antiguidade.
E o Laus saiu da 8ª turma para a presidência, então abriu vaga na oitava turma. Agora adivinhem que pediu para ir para a oitava turma porque estava saindo da presidência do tribunal?
Isto mesmo!!! Thompson Flores! Agora a 8ª vara que vai julgar Lula tem Gebran, Paulsen e Thompson Flores, e na presidência do tribunal, Laus!!! Os mesmos 4 envolvidos o tempo todo no conluio!
Já estão ameaçando abertamente correr com novas condenações caso o STF dê Habeas Corpus para Lula, sempre os mesmos 4, sempre os mesmos julgadores do conluio… Eles trocam posições e continuam DONOS dos processos.
Ou seja, desde o início da LJ foram ARRANJADOS os juízes e desembargadores que iriam julgar Lula. E como não puderam fazer isto no STF, Teori Zavascki foi sorteado, e sabemos o que aconteceu com Teori quando ele resolveu colocar freios nos crimes de Moro, ainda que timidamente.
***
Luis Nassif, editor-chefe do GGN, escreveu sobre a dança das cadeiras no TRF-4 para garantir o poder sobre a Lava Jato neste artigo aqui:

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sábado, 6 de julho de 2019

"Veja", depois de anos queimando sua seriedade, agora, com a Vaza Jato, luta para escapar da irrelevância. Análise de Igor Fuser





Não tenho informações sobre o que acontece nos bastidores da Veja, revista onde trabalhei durante nove anos, entre 1988 e 1997. Só consigo imaginar.

Desde que expulsou Joice Hasselman e sustentou que o nazismo não é de esquerda, Veja passou a ser atacada pelos fascistas-bolsonaristas, que a chamam de "comunista", mesmo sem saberem direito o que é isso.

Certamente a direção percebeu que não há meio de manter a aliança com o fascismo vigente nos tempos em que a prioridade era derrotar o petismo. Cumprida essa tarefa "histórica" da burguesia brasileira, a revista agora se vê na necessidade de se diferenciar da turba de imbecis e de milicianos que chegaram ao poder em Brasília. Precisa demarcar campo perante o extremismo histérico à la Diogo Mainardi e Mario Sabino, seus ex-quadros que hoje se tornaram porta-vozes do olavismo.

A Veja é neoliberal, elitista e golpista, pró-EUA e com padrões éticos muito discutíveis (para dizer o mínimo), mas não tem como se tornar uma publicação de extrema-direita para agradar seu público. A revista sempre exibiu posições progressistas em temas como homossexualidade, feminismo e racismo. Defende a herança do Iluminismo, a ciência e os rituais da democracia representativa. Torceu por Hillary Clinton contra Trump.

No momento, Veja trata de reassumir seu antigo perfil de "centro-liberal", evitando confrontar com os leitores (ampla maioria) que ainda idolatram Bolsonaro.

Reparem que a revista escreveu na capa "Justiça com as próprias mãos", quando a palavra correta, obviamente, seria "injustiça". Fez isso por medo de queimar definitivamente os navios com seu público reacionário. E também porque tenta se esquivar ao imperativo básico de coerência que a interpela a explicar o papel infame que exerceu, durante anos, em apoio à grande fraude da Lava-Jato.

Veja nesta semana mostrou que ainda está viva. Mas não tem jeito. Vai perder muitos e muitos leitores de direita, sem reconquistar espaço na centro-esquerda. Consultórios médicos e dentários continuarão cancelando suas assinaturas. Essa é a sina da publicação que em um passado nem tão distante se vangloriava de ser uma das maiores revistas semanais do mundo.  

Veja deve sobreviver ao naufrágio da Editora Abril, ainda que se torne muitíssimo menor do que já foi. A parceria com Glenn Grenwald é uma chance de escapar da irrelevância a que parecia condenada.

Igor FuserProfessor de relações internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC)


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Raduan Nassar: “A Lava Jato causou prejuízo maior do que a corrupção que pretextava combater”


Raduan Nassar

A destruição da soberania nacional tem um nome: Força Tarefa da Lava Jato. Em conluio com o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República, a Lava Jato não só propiciou o golpe de 2016, como liquidou com a economia, quebrando inúmeras empresas, levando o desemprego às alturas, além da entrega a grupos estrangeiros das riquezas do país, como o pré-sal. A Lava Jato causou um prejuízo incomparavelmente maior à nação do que a corrupção que pretextava combater.
Induzindo delatores a acusarem o ex-presidente Lula, escandalosamente premiados ao se submeterem, sem ao mesmo tempo imputar seus cúmplices tucanos, a Lava Jato primou sobretudo em sua perseguição empedernida – e sem provas – contra Lula, maior líder da História brasileira.
Ao praticar ilegalidades, inclusive vazamentos fora dos autos, conduções coercitivas, e tantas outras, os operadores da Lava Jato, visceralmente anti povo, não serão jamais absolvidos pela História, serão antes execrados, quem viver verá.
*Raduan Nassar é escritor, vencedor do Prêmio Camões, autor dos livros Um Copo de Cólera e Lavoura Arcaica
Fonte: GGN

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Jurista Fábio Konder Comparato afirma: "Acontece que o Moro goza de total impunidade. Estou convencido de que ele é um agente norte-americano" diante dos abusos do destruidor da Direito no Brasil




Por Eduardo Maretti
 
Na RBA e também no Jornal GGN
 
“A interferência do juiz (Sérgio) Moro foi absolutamente escandalosa. Ele já não tinha mais competência. O processo estava no tribunal, e, no entanto, ele próprio telefonou para a Polícia Federal para que ela não cumprisse as ordens do Favreto.” A opinião é do jurista e advogado Fábio Konder Comparato, sobre a guerra jurídica em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o habeas corpus em que o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), determinava a soltura de Lula, no domingo (8). “Acontece que o Moro goza de total impunidade. Estou convencido de que ele é um agente norte-americano”, opina o jurista.
 
A batalha, no domingo, terminou com a divulgação de despacho em que o presidente do tribunal, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, determinou a manutenção da prisão do ex-presidente. Na terça-feira (10), a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, negou outro habeas corpus a Lula. Ela reafirmou a “absoluta incompetência do Juízo Plantonista (Favreto) para deliberar sobre questão já decidida” por tribunais de segunda e terceira instâncias. Nesta quarta, o STJ divulgou que a ministra negou 143 pedidos de habeas corpus para o ex-presidente Lula, apresentados nesta semana. As críticas à ministra por agir de forma parcial contra os direitos políticos de Lula ecoam nas redes sociais.
 
Para Comparato, a ministra do STJ, assim como os desembargadores do TRF4, foram parciais. “Os desembargadores do TRF4 se excederam, porque o assunto não tinha mais ligação com a ação criminal que deu origem à prisão. Eles já tinham julgado. Quando o juiz julga, não pode voltar atrás”, diz o jurista.
 
“Sobretudo, a presidente do Superior Tribunal de Justiça também não mostrou nenhuma isenção. Só atacou o (Rogério) Favreto, e não os outros desembargadores, inclusive o Thompson Flores (presidente do TRF4). Me parece evidente que o Lula jamais será julgado de forma imparcial.” E depois das eleições. “Mas depois das eleições, ele já não será mais candidato”, ironiza Comparato.
 
Na opinião do jurista, porém, na guerra jurídica de domingo, “dos dois lados houve incorreções”. O desembargador plantonista Rogério Favreto, “em princípio, não tinha imparcialidade”. “Ele trabalhou com o PT e no governo do PT.” O argumento de que havia um fato novo, Lula ser candidato, não se cristalizou juridicamente, diz. “A candidatura não havia sido oficializada.”
 
Em representação protocolada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) pediu investigação contra Sérgio Moro. Na petição, a entidade esclarece que o objetivo da representação não é analisar os atos dos desembargadores mas “os descumprimentos legais” praticados por Moro “nos episódios do dia 8 de julho de 2018”. 
 
Segundo a argumentação, é considerado um princípio básico de direito que a participação de um juiz em um dado processo se esgota ao proferir a sentença. “Toda e qualquer sentença, seja ela condenatória ou absolutória, possui um efeito inexorável: seu efeito acarreta esgotamento da instância”, diz a petição. A competência do juiz de primeira instância se esgotou ao condenar Lula no dia 12 de julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão, segundo a argumentação.
 
“Desse modo, não há qualquer dúvida de que o juiz Sérgio Fernando Moro não possui competência para despachar em habeas corpus que verse sobre a liberdade de paciente cuja prisão decorra de sentença por ele mesmo proferida julgada em grau de apelação.”
 
O corregedor do CNJ, João Otávio de Noronha, determinou abertura de investigação dos desembargadores do TRF4 Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto, além de Sérgio Moro.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Xadrez da encruzilhada da Lava Jato, por Luis Nassif


"Para tentar contornar o desastre, foram planejadas várias ações.
No dia 19/01/2018, a Lava Jato diz que será impossível abrir os dados do MyWebDay, porque as chaves de criptografia foram perdidas. A constatação deu-se 945 dias depois da prisão de Marcelo Odebrecht.
"Já se sabia, desde fins do ano passado, que a perícia da Polícia Federal descobriria as irregularidades nos arquivos.
"Para tentar reduzir o impacto das revelações da perícia, os preparativos começaram antes,
"No dia 18/12/2017 o Ministério Público Federal exigiu de Marcelo Odebrecht a entrega de mais documentos, para ter direito à prisão domiciliar (clique aqui). A exigência foi feita 913 dias após a prisão de Marcelo.
"dia 12/02/2018, 56 dias após a intimação, Marcelo entrega notas fiscais supostamente referentes ao financiamento do filme sobre Lula. E?
"No dia 21/02/2018, Marcelo Odebrecht entrega supostos e-mails que estavam guardados no seu computador pessoal, sobre a compra do terreno para o Instituto Lula. A Lava Jato, que foi até a Suíça buscar os servidores da Odebrecht, supostamente não havia periciado o computador pessoal de Marcelo."




Peça 1 – Odebrecht e o fruto da árvore envenenada


O laudo técnico da Polícia Federal sobre o Drousy liquida com as provas apresentadas nas delações da Odebrecht, a ponto de comprometer todas as denúncias e condenações tendo por base os arquivos.
Em direito, existe a figura do fruto da árvore envenenada. São transgressões legais que anulam inquéritos inteiros. Na Operação Satiagraha, Daniel Dantas conseguiu anular as provas contidas nos HDs encontrados em sua casa com o argumento de que a autorização de busca era restrita a determinado andar e os equipamentos estavam em outro.
A Operação Castelo de Areia foi alvo de uma anulação mais escandalosa. Alegou-se que as investigações começaram a partir de denúncias anônimas, por isso deveriam ser anuladas. Quem conhece o inquérito sustenta que não tinha nenhuma inconsistência. Hoje em dia é de domínio público os verdadeiros motivos da anulação, mas o caso permanece insolúvel no âmbito do Judiciário.
No caso da delação da Odebrecht, é mais do que o fruto da árvore envenenada. A perícia da PF constatou que o banco de dados foi alterado em dois momentos:
  1. Pouco antes da entrega para as autoridades suíças e também
  2. no período em que esteve de posse do Ministério Público Federal (MPF).
No relatório, há duas alterações ocorridas no período em que o sistema já estava de posse do MPF.

Arquivos apagados

Arquivos copiados


Como se recorda, as manipulações de extratos do Meinl Bank tinham o mesmo formato das planilhas utilizadas pelo Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, inclusive com as datas em português.
O laudo tem a preocupação em preservar os arquivos “Beluga”, que se referem à suposta compra de terreno para a instalação do Instituto Lula.
A tentativa de compartimentalizar as provas, criando a versão de que uma parte é boa e a outra não, é inútil. A prova tornou-se imprestável em termos técnicos.  Foram periciados 800, de um total de um milhão de arquivos. Como afirmar que, nos arquivos não periciados, não apareça outro capaz de contradizer o “Beluga”?
Os desdobramentos são imprevisíveis. Em circunstâncias normais, o laudo da PF anula toda a delação da Odebrecht. Quantas pessoas foram presas e condenadas com base nessas provas? Bastará um réu condenado pela STF (Supremo Tribunal Federal) questionar as provas para se ter o efeito-dominó.

Peça 2 – as trapalhadas da Lava Jato

A Lava Jato sabia há meses que a perícia da Polícia Federal iria comprovar a manipulação do banco de dados da Odebrecht, confirmando as denúncias do advogado Tacla Duran.
O banco de dados foi apreendido por autoridades suíças e submetidas a uma empresa francesa, especializada em analisar dispositivos eletrônicas, a FRA.
O material suíço e o analisado pela FRA foram enviados para a Procuradoria Geral da República (PGR). De imediato, constatou-se que houve manipulação de arquivos pela Odebrecht, antes mesmo da entrega para as autoridades suíças.
Antes mesmo de conferir a consistência dos arquivos, a Lava Jato aceitou o acordo estapafúrdio da delação de mais de 70 executivos da Odebrecht, típico de quem quer produzir manchetes no dia, à custa do comprometimento do futuro. O feito foi saudado pela Reuters como “o maior acordo de delação do mundo”.
Operações dessa natureza, de pagamento de propinas, envolvem poucas pessoas-chave, os chamados prestadores de serviços, que controlam e conhecem o sistema. Os Executivos que recorrem aos seus serviços são chamados de clientes, e pouco têm a contribuir para uma investigação.
Ao incluir todos na história, como delatores, a Lava Jato conseguiu complicar as investigações, incriminar inocentes, diluir a responsabilidade dos culpados – os responsáveis pelo Meinl Bank, que lavou bilhões de dólares, foram soltos mediante multas irrisórias - dispersar energias e dar armas ao “inimigo”, na medida em que seria muito mais fácil para os acusados identificar contradições.
Mas o método de investigação fordista da Lava Fato não admite análises mais sofisticadas ou mais profissionais.
Consiste no seguinte:
  1. O sujeito faz a delação, que tem que que conter, em algum trecho, a frase “Lula sabia disso”.
  2. Depois, apresenta uma prova qualquer para reforçar a delação.
E corre-se para o meio do campo para comemorar mais um recorde mundial.

Peça 3 – a Lava Jato e a falsificação das provas

Quando se deu conta da enrascada em que se metera, a Lava Jato foi à Suíça tentar recuperar os servidores, já que recebera apenas cópias dos bancos de dados. Em vão! A própria perícia da PF constatou que as autoridades suíças – e a FRA – entregaram os arquivos como receberam, já fraudados.
Não há dúvida que os procuradores foram cúmplices da fraude. Apenas não se sabe até que nível, se participando da confecção das planilhas falsificadas ou se, descobrindo a manipulação e tratando de ocultá-las. É mais provável a segunda hipótese.
A questão da fraude só veio à tona a partir das denúncias do advogado Tacla Duran.

Peça 4 – a estratégia de despiste


Para tentar contornar o desastre, foram planejadas várias ações.
No dia 19/01/2018, a Lava Jato diz que será impossível abrir os dados do MyWebDay, porque as chaves de criptografia foram perdidas. A constatação deu-se 945 dias depois da prisão de Marcelo Odebrecht.
Já se sabia, desde fins do ano passado, que a perícia da Polícia Federal descobriria as irregularidades nos arquivos.
Para tentar reduzir o impacto das revelações da perícia, os preparativos começaram antes,
No dia 18/12/2017 o Ministério Público Federal exigiu de Marcelo Odebrecht a entrega de mais documentos, para ter direito à prisão domiciliar (clique aqui). A exigência foi feita 913 dias após a prisão de Marcelo.
No dia 12/02/2018, 56 dias após a intimação, Marcelo entrega notas fiscais supostamente referentes ao financiamento do filme sobre Lula. E?
No dia 21/02/2018, Marcelo Odebrecht entrega supostos e-mails que estavam guardados no seu computador pessoal, sobre a compra do terreno para o Instituto Lula. A Lava Jato, que foi até a Suíça buscar os servidores da Odebrecht, supostamente não havia periciado o computador pessoal de Marcelo.
Paralelamente, a Lava Jato do Rio de Janeiro deflagra uma operação contra o presidente da Fecomercio-RJ, que estava sendo investigado desde o ano passado.
Faz-se um alarde sobre 6 funcionários contratados pela Fecomércio-RJ supostamente a pedido do ex-governador Sérgio Cabral, caracterizando o fato como lavagem de dinheiro de propina. Mas os alvos da coletiva foram os advogados de Lula – que também advogam para a Fecomércio-RJ.
Na coletiva, procurador insistiu em lançar suspeitas sobre os honorários recebidos, insinuando que poderiam ser disfarce para lavagem de propinas; ao mesmo tempo em que enfatizava que a operação não tratava dos honorários e do próprio juiz admitir que havia comprovação dos serviços realizados. Então, qual a razão para disseminar suspeitas sobre os contratos? Evidentemente, contrabalançar o impacto das revelações da pericia da PF.
Na tentativa de criminalizar advogados, invadiram um escritório em São Paulo, de respeitado advogado, exclusivamente para obter documentos comprovando a prestação de serviços à Fecomércio-RJ. O que poderia ter sido obtido meramente solicitando ao escritório.
Na tentativa de criminalizar escritórios de advocacia, a Lava Jato Rio divulgou também pagamentos de R$ 12 milhões ao escritório Basílio Advogados, para atuar junto ao Tribunal de Justiça do Rio, ao STJ e à Justiça Federal. Tardiamente, descobriu que a banca pertence a  Ana Basília, esposa do desembargador André Fontes, presidente do Tribunal Federal da 2ª Região e grande apoiador da própria Lava Jato. Depois do estrago feito, correram para corrigir informando que “o desembargador federal André Fontes, no exercício da Presidência do TRF2, vem apoiando administrativamente, de maneira significativa, os trabalhos desenvolvidos no âmbito da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro“.
Enquanto isto, Sérgio Moro rejeitava novo pedido de prisão para Tacla Duran, ao mesmo tempo em que solicitava nova perícia da PF para extrair dos bancos de dados da Odebrecht, informações sobre os gastos com o sítio de Atibaia.

Peça 5 – o final imprevisível


Todo esse jogo de cena visou contrabalançar as descobertas da PF e, ao mesmo tempo, pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal), que está para analisar a questão da prisão após condenação em 2ª instância. E isso em um momento em que a organização Michel Temer consegue desviar o foco da mídia da corrupção para o combate ao crime desorganizado.
Os próximos dias serão prenhes de factoides e arbitrariedades. E por sobre as ações, pairam as sombras das suspeitas lançadas por Tacla Duran.