Mostrando postagens com marcador O Boticário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Boticário. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Quando as Igrejas, incapazes de se elevarem à espiritualidade e ao amor, preferem a letra que mata de escritos ultrapassados para "justificar" preconceitos mesquinhos contra o próximo...




Segue um texto sobre a parcialidade, eletividade e hipocrisia de certos lideres religiosos que estão longe da espiritualidade mas muito próximos do ódio:

DEUS CONDENA A HOMOSSEXUALIDADE?

Texto de Rudymara


 Há religiosos que alegam ser contra os homossexuais porque a Bíblia os condena: O HOMOSSEXUAL SERÁ PUNIDO ATÉ A MORTE (Levítico, 20:13). Como "matar" se a lei divina diz: “NÃO MATARÁS” (Ex 20,13)? Devemos seguir uma lei transgredindo outra? Por que os adúlteros não são perseguidos como os homossexuais? Afinal, eles também são condenados pela Bíblia: NÃO ADULTERARÁS (Ex 20).

  É conveniência ou hipocrisia mesmo? Boicotam a novela por causa de um beijo gay, mas são permissivos à promiscuidade heterossexual da trama? Boicotam a empresa Boticário porque fizeram uma propaganda para o dia dos namorados com casais hetero e homossexuais, mas se permitem, muitas vezes, presentear a(o) amante?

 Aproveitemos para perguntar: será mesmo que estes religiosos preconceituosos seguem TODAS TODAS as outras Leis da BÍBLIA? Como por exemplo: OS FILHOS DESOBEDIENTES E REBELDES, QUE NÃO OUÇAM SEUS PAIS E SE COMPROMETAM NO VÍCIO, SERÃO APEDREJADOS ATÉ A MORTE. (Deuteronômio, 21:18-21). Se fosse assim, uma parte considerável de "bispos" midiáticos teriam cometido infanticídio....

  Aliás, quantos religiosos se converteram, ou melhor, "encontraram" Jesus, depois de darem muito desgosto aos pais, por terem sido rebeldes e se comprometeram com os vícios. Se a lei fosse aplicada, sobrariam poucos para dar seu testemunho.

  Então, para dar o exemplo, não façam ao próximo O QUE NÃO QUEREMOS QUE NOS FAÇAM. Se queremos ter o livre arbítrio para pensar e agir, devemos dar este mesmo livre arbítrio ao próximo. Se o próximo está errando em algum ponto, nós também não somos perfeitos e temos outros pontos a corrigir. Então, NÃO JULGUEMOS PARA QUE NÃO SEJAMOS JULGADOS. Afinal, QUEM PODE ATIRAR A PRIMEIRA PEDRA?

  Não queremos obrigar as pessoas a aceitarem a homossexualidade, pois elas também têm o livre arbítrio para não concordar, mas não é incivilizado pedirmos respeito. Podemos conviver sem desrespeito, agressividade, imposição, confronto, provocação, etc. Podemos odiar cebola, mas podemos respeitar e conviver com quem gosta. Isto é o princípio do “amarmos uns aos outros.”

  E lembremos que, no Antigo Testamento há leis feitas por Moisés para conter aquele povo recém saído da escravidão. Depois, ele recebeu os 10 MANDAMENTOS. Mais tarde, veio Jesus para falar dos 10 MANDAMENTOS através do exemplo. E numa situação dessas, talvez ele dissesse a estes que se acham donos da verdade e da moral ilibada: “QUE TE IMPORTAS OS OUTROS? SEGUE-ME TU.”

  Finalizemos com uma frase de autoria desconhecida: NÃO USE DEUS PARA JUSTIFICAR SEU PRECONCEITO.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

O moralismo e hipocrisia fundamentalista de Malafaia contra o Boticário, o papel da mídia a favor do obscurantismo por interesses políticos e a reação do público contra tudo isso





14 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé.
24 Condutores cegos! que coais um mosquito e engulis um camelo. (trechos do Evangelho de Mateus, cap. 23)

O perfume da discórdia

Por Luciano Martins Costa em 03/06/2015 - Observatório da Imprensa

Uma campanha publicitária da rede de lojas O Boticário para o Dia dos Namorados causa enorme repercussão nas redes sociais há dez dias e ganha espaço nos principais jornais do País nesta quarta-feira (03/6). O filme “Casais” já teve mais de 1,15 milhões de visualizações no canal Youtube e gerou mais de 40 mil citações espontâneas no Twitter, o que significa que a mensagem ganhou vida própria e passou a transcender o conteúdo publicitário original.

É bastante possível que a propaganda venha a impulsionar as vendas de cosméticos e perfumes da maior empresa varejista do setor, mas o mais interessante aqui é analisar as causas e efeitos da grande polêmica que tem produzido. Uma das primeiras reações registradas nas redes sociais foi a tentativa de boicote de representantes de igrejas denominadas neopentecostais, mas uma onda de defensores do anúncio praticamente abafou a reação dos conservadores.

A peça de propaganda, exibida em larga escala, inclusive nos horários de maior audiência da televisão, mostra casais heterossexuais e supostamente homossexuais se presenteando com produtos de O Boticário e se abraçando carinhosamente. Segundo os jornais, os dirigentes da empresa estavam conscientes de que a iniciativa poderia provocar reações contrárias, levando-se em conta a onda de conservadorismo que tem caracterizado recentemente as relações sociais no Brasil.

Desde a campanha eleitoral de 2010, quando a mídia deu grande destaque a manifestações de líderes de seitas religiosas discutindo propostas como a da descriminalização do aborto e a oficialização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a onda conservadora tem sido amplificada e manipulada por órgãos da imprensa. Essas escolhas da mídia são utilizadas como instrumento político de pressão contra o governo federal, bem como contra personalidades e intelectuais que defendem publicamente certas bandeiras progressistas.

Inserida nesse contexto como uma cunha, a campanha de O Boticário obriga milhões de pessoas a tomarem uma posição pública e clara sobre a questão da diversidade sexual e mostra que o perfil médio do brasileiro é de mais tolerância do que se imagina quando se observa o barulho de pastores, padres e outros agentes do obscurantismo.

Arriscando o futuro

A progressão das manifestações nas redes digitais revela que os indivíduos cuja visão de mundo impele a uma condenação liminar da homossexualidade se expressam mais rapidamente: até o começo da noite de terça-feira (02/6), os que condenavam a mensagem publicitária eram a maioria nas redes digitais. Natural: a palavra irrefletida sai mais facilmente da boca. Mas no último registro dos jornais, feito pela Folha de S. Paulo no fechamento da edição desta quarta-feira, os números de “curtir” e “descurtir” no Youtube mostravam uma virada no jogo, com uma maioria de 211,4 mil clicadas a favor do anúncio contra 155,7 mil contra (clique aqui para ver o vídeo e votar a favor ou contra o mesmo, caso você queira).

Observe-se que a iniciativa de condenar a peça publicitária foi estimulada por alguns movimentos organizados por lideranças religiosas, que vinham convocando seus seguidores a assistir ao vídeo e clicar na opção negativa. Aos poucos, porém, a própria divulgação impulsionada pelos que condenam a mensagem provocou o engajamento espontâneo da parte do público que considera legítimo o relacionamento amoroso entre pessoas do mesmo sexo. O movimento levou a empresa anunciante a mensurar o efeito da campanha, com uma pesquisa sobre as reações dos consumidores, mas o resultado só deverá ser conhecido após o balanço das vendas do Dia dos Namorados.

O episódio traz importantes lições para observadores da cena social e, ainda mais valiosas, para os analistas dos campos comunicacional e político. A primeira delas é a constatação de que a fração conservadora da sociedade brasileira tornou-se mais ativa e barulhenta, mas não representa necessariamente a maioria. A segunda é que, embora demore mais para se manifestar, a parcela mais progressista acaba dando a última palavra. A campanha de O Boticário levanta uma outra vertente, esta de interesse especial para as empresas de comunicação: o risco de se aliar a grupos de opinião extremamente conservadores.

Engajada numa longa cruzada contra todas as políticas progressistas, desde a inauguração dos primeiros programas sociais, a mídia tradicional vem dando espaço e holofotes para o que existe de mais retrógrado no espectro ideológico, ajudando a tirar do anonimato figuras virulentas que radicalizam o embate político. Num primeiro momento, como se vê, tais forças reacionárias fazem muito barulho, mas no longo prazo predomina a reflexão mais ponderada. Cada vez mais identificada com o obscurantismo, a imprensa está comprometendo seu próprio futuro.