domingo, 27 de junho de 2021

The Intercept Brasil: Como os irmãos Miranda colocaram o governo podre e hipócrita de Bolsonaro na berlinda e ressuscitaram a ideia do impeachment

  "É irônico assistir ao governo que prometeu acabar com a corrupção atacando os próprios aliados que denunciam a… corrupção. Luis Miranda não é uma pessoa confiável, mas os fatos apresentados por ele e seu irmão até aqui foram todos comprovados. A tese deles está fartamente documentada, enquanto a de Bolsonaro não é suportada nem por algum mísero indício."

Os fatos apresentados pela dupla são reais. Luis, deputado do DEM, tem potencial para ser o Pedro Collor de Bolsonaro.

Do The Intercept Brasil:

Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Artigo de João Filho

O TEMPERAMENTO MANSO de Marcelo Queiroga deu lugar às grosserias típicas de Bolsonaro ao ser questionado por jornalistas. “Eu falei em que idioma? Eu falei em português. Não foi comprada uma dose sequer da vacina Covaxin”, garantiu o ministro na última quarta-feira. Mas era mentira. No site do Ministério da Saúde, a compra dos imunizantes indianos consta na contagem oficial de mais de 660 milhões de doses adquiridas pelo governo brasileiro. O próprio ministério informou ao Congresso sobre a compra de doses da Covaxin há pelo menos um mês.

O pedido de importação foi feito, mas o pagamento não chegou a ser efetuado porque havia uma pedra no meio do caminho. O servidor concursado do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, responsável pela área de importação da pasta, se recusou a assinar um recibo que previa o pagamento antecipado pela importação. O valor altíssimo do contrato, o pagamento por antecipação para uma empresa sediada em um paraíso fiscal e as pressões que recebeu para autorizar a compra o levaram a suspeitar de corrupção e reportar os fatos ao Ministério Público Federal e ao presidente da República.

Apesar de estar no Ministério da Saúde antes da gestão Bolsonaro, Luis Ricardo é um bolsonarista legítimo e irmão do deputado bolsonarista Luis Miranda, do Democratas – um velho conhecido desta coluna. Fiéis ao bolsonarismo, o parlamentar e o servidor se encontraram pessoalmente com Jair Bolsonaro para alertá-lo sobre as graves suspeitas que poderiam prejudicar a imagem do governo. O presidente prometeu aos dois que encaminharia o caso à Polícia Federal. O problema é que não há nada que prove que ele tenha feito isso, muito pelo contrário. Tudo indica que não fez. O ex diretor-geral da PF afirmou não se lembrar de qualquer pedido do presidente nesse sentido. Até agora não há nada que comprove que a PF foi acionada por Bolsonaro, o que pode indicar haver crime de prevaricação.

Para piorar a situação, o próprio presidente esteve diretamente envolvido nessa operação obscura, tendo trocado mensagens e telefonado ao primeiro-ministro da Índia — algo que ele não fez em relação à aquisição de outras vacinas, segundo informou o relator Renan Calheiros. O candidato que se elegeu prometendo acabar com a corrupção nada fez diante de um caso de corrupção bem debaixo do seu nariz. Durante a pandemia, Bolsonaro insinuou em vários momentos que governadores e prefeitos desviavam verbas da Saúde. Quando se viu diante de um relato de corrupção, fingiu que não viu.

Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde, diz ter avisado Bolsonaro sobre as pressões que sofreu para liberar a importação da Covaxin.

 

Reprodução/Twitter

A reação agressiva e atabalhoada do Planalto às acusações foi uma assinada de recibo daquelas. O secretário-geral da presidência, Onyx Lorenzoni, anunciou o início de uma caçada investigativa contra os denunciantes do esquema. Usar o poder para perseguir quem denuncia o bolsonarismo já virou um clichê do governo. Como nos esquecer do servidor do Ibama que perdeu o emprego depois de multar Bolsonaro durante uma pesca irregular? Coagir, ameaçar e perseguir não são práticas comuns de governos democráticos, mas a dos milicianos com os quais a família Bolsonaro conviveu amistosamente nas últimas décadas.

O governo insiste no fato de que a compra não foi concluída, o que o absolveria do caso. Mas não é assim que funcionam as leis. Para se configurar crime de corrupção passiva basta que haja a intenção. E, ao contrário das denúncias dos irmãos Miranda, nada do que o governo tem falado é sustentado pelos fatos.

‘Quanto mais se puxa o fio dessa história, mais as digitais da família Bolsonaro e dos militares aparecem nela’.

O caso entrou no radar da CPI da Covid, que ouviu os irmãos Miranda na última sexta-feira, 25 de junho. Lá eles confirmaram as suspeitas de corrupção e apresentaram provas documentais de tudo o que falaram. Ficou comprovado que o governo brasileiro topou pagar um ágio de 1.000% pelas vacinas em relação ao preço estipulado pelo próprio laboratório Bharat Biotech seis meses antes. Diferentemente da compra de todas as outras vacinas, a da Covaxin precisou de um intermediário, a Precisa Medicamentos, uma empresa investigada por suspeitas de corrupção em outras operações de venda de remédios. Foi com uma firma com esse histórico que o governo Bolsonaro tinha pressa em fechar a compra das vacinas.

O servidor relatou ter sido pressionado pelo alto escalão da pasta para assinar uma licença de importação das vacinas que autorizaria um pagamento antecipado de 45 milhões de dólares. O pagamento deveria ser feito para uma outra empresa, a Madison Biotech, que, segundo uma avaliação prévia dos senadores da CPI, trata-se de uma empresa de fachada sediada em Singapura, um paraíso fiscal.

Com auxílio de repórteres daquele país, o Intercept esteve no endereço dessa empresa e conversou com a responsável pelo escritório. Do lado de fora do prédio, não existe nada que indique ser um endereço pertencente a Madison Biotech. Uma mulher que chegou ao local disse não ser a dona da empresa, mas apenas uma “prestadora de serviços”. Ela confirmou o que os senadores da CPI já suspeitavam: a empresa não funciona no local e tudo indica ser de fachada.

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Soma-se a todas essas suspeitas o fato da Covaxin ser a menos eficaz e a mais cara das vacinas disponíveis do mundo. Enquanto o governo boicotava todas as vacinas das outras marcas, estranhamente se empenhava em trazer a Covaxin. A principal justificativa do governo para a demora para a compra das vacinas era o fato delas ainda não terem sido aprovadas pela Anvisa. A vacina indiana também não era, mas mesmo assim o governo demonstrou pressa em importá-la.

Quanto mais se puxa o fio dessa história, mais as digitais da família Bolsonaro e dos militares aparecem nela. Segundo a revista Veja, Flávio Bolsonaro abriu as portas do BNDES para Francisco Maximiano, o dono da Precisa. Maximiano também tem um histórico complicado. Recentemente ele esteve internado no Sírio Libanês, mas foi embora sem pagar, dando um calote de 90 mil reais, segundo o hospital.

A última sexta-feira foi o dia mais frutífero para a CPI e deu novos rumos às investigações. O desespero dos senadores governistas na sessão mostrou que o bolsonarismo sentiu o golpe. O deputado Luis Miranda disse aos senadores que, segundo o presidente, o “rolo”era coisa de um deputado. Temendo represálias, ele disse não se lembrar do nome. Depois de muito pressionado, Miranda cedeu e entregou o nome: Ricardo Barros, do Progressistas do Paraná, o líder do governo na Câmara, um daqueles políticos sempre dispostos a bajular o governo da vez. Um pouco antes, o servidor Luis Ricardo Miranda já havia informado o nome da funcionária que autorizou o pagamento da fatura: Regina Celia Silva Oliveira. Ela foi nomeada por Ricardo Barros em 2018, quando ele ocupava o cargo de ministro da Saúde. As peças vão se encaixando.

É irônico assistir ao governo que prometeu acabar com a corrupção atacando os próprios aliados que denunciam a… corrupção. Luis Miranda não é uma pessoa confiável, mas os fatos apresentados por ele e seu irmão até aqui foram todos comprovados. A tese deles está fartamente documentada, enquanto a de Bolsonaro não é suportada nem por algum mísero indício.

Luis Miranda parece ter gostado de encarnar esse personagem de bolsonarista justiceiro que não teme denunciar aliados para salvar o Brasil da corrupção. Tem dado longas entrevistas, diz não ter medo das ameaças do governo, e apareceu para depor na CPI vestindo um colete à prova de balas e com uma bíblia na mão. É um personagem que tem tudo para ser o Pedro Collor de Bolsonaro. O senador tucano Tasso Jereissati afirmou que o caso tem potencial para o impeachment do presidente. O governo tem uma grande base de apoiadores, não será uma tarefa fácil. Mas os governistas nunca estiveram tão acuados como agora. O impeachment ainda é uma possibilidade remota, mas foi colocada em cima da mesa.

 

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Vídeo análise de Bob Fernandes: Bolsonaro é acusado de silenciar sobre corrupção em contrato de compra da vacina Covaxin

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes:



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Daniel Yazbek Edição: Yuri Rosat Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este vídeo é uma produção do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.



GGN: Está cada vez mais difícil descolar a cumplicidade e ação dos militares no Covaxingate de Bolsonaro

 Deputado Miranda tenta eximir Pazuello, mas seus subordinados militares foram os "centralizadores" da compra superfaturada (ou seja, com corrupção) de vacinas menos testadas que as da Pfizer, Astrazeneca-Oxford Fiocruz, Butantan e outras, mas mais cara e menos usada que estas

Do Jornal GGN:


Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O deputado federal Luis Miranda (DEM) concedeu uma entrevista bombástica à CNN Brasil na quarta-feira (23), falando sobre o Covaxingate – a escandalosa compra bilionária da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde, com vários indícios fortes de corrupção e participação direta do Presidente da República.

Quem assistiu, viu Miranda transitar entre a motivação pessoal para por a boca no trombone – já que seu irmão é o servidor o Ministério que foi pressionado para acelerar a importação das vacinas superfaturadas em 1000% – e a tentativa de eximir o general Eduardo Pazuello de culpa, ao mesmo tempo em que dava o benefício da dúvida a Jair Bolsonaro.

Disse o deputado Miranda que ao tomar conhecimento de cheiro de corrupção na compra das vacinas, levou o irmão servidor a Jair Bolsonaro em 20 de fevereiro. Bolsonaro viu os documentos e se convenceu de que havia mesmo algo de “muito estranho” no ar, e prometeu acionar a Polícia Federal. Não há nenhuma evidência de que Bolsonaro não tenha prevaricado na questão. A Polícia Federal não tem registro oficial de inquérito sobre o tema.

Pelo contrário, cinco dias após o encontro sigiloso, o Ministério anunciou à imprensa o contrato para 20 milhões de doses da Covaxin, que chegaria a partir de março, mesmo sem autorização da Anvisa para ser inoculada na população. Antes disso, aliás, o próprio Bolsonaro – que rejeitou a Pfizer e a Coronavac em 2020, com argumentos que não param em pé – despendeu esforços junto ao primeiro-ministro indiano para concretizar as negociações o quanto antes.

Em torno daqueles dias em que a vacina foi anunciada, segundo Miranda, Pazuello caiu do Ministério da Saúde. Não antes de tomar conhecimento do Covaxingate, pela boca do próprio deputado. Miranda afirma que foi dentro de um avião que iria receber outras vacinas em São Paulo, que ele revelou ao então ministro as suspeitas em torno da compra da vacina mais cara que o governo Bolsonaro já contratou, e no menor espaço de tempo, e a única com uma empresa atravessadora que exigiu pagamento antecipado para uma vacina que sequer tinha aval para ser inoculada nos brasileiros.

Segundo Miranda, Pazuello fez uma cara inesquecível de “decepcionado”, como quem admitia que o governo Bolsonaro não conseguiu manter a retidão moral que tanto pregou e continua pregando desde a campanha. Pazuello teria insinuado que já tinha consciência disso e que este, aliás, seria o motivo de sua “expulsão” do Ministério. Miranda tratou Pazuello como um herói que não conseguiu lutar contra interesses empresariais corruptos e por isso foi sacado da cadeira de ministro.

Menos de 24 horas depois de Miranda narrar essa história em rede nacional, o Estadão publica reportagem explicando que o irmão servidor estava na ponta da contratação da Covaxin, no setor que assina a nota fiscal e acompanha a importação. Mas quem negociou mesmo os contratos suspeitos foram militares subordinados a Pazuello.

Braço-direito de Pazuello, Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério, mandou uma carta a 16 secretarias e diretorias da Pasta avisando que ele concentraria todas as tratativas referentes a compra de vacinas. Isso aconteceu menos de um mês do contrato com a Covaxin ser anunciado pelo Ministério da Saúde. Hoje, o atual ministro, Marcelo Queiroga, acossado pelo escândalo, diz que o governo não comprou nenhuma dose da Covaxin. Uma contradição, já que a imprensa noticiou que Queiroga estuda uma forma de cancelar o contrato urgentemente.

Além de Élcio Franco, Luis Ricardo Miranda, o irmão do deputado Miranda e servidor concursado do Ministério da Saúde, disse às autoridades que sofreu pressão fora do comum para acelerar a importação da Convaxin por parte de outros dois militares: o coronel Marcelo Pires, ex-diretor de Programa do Ministério e o tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde. Eles foram nomeados por Pazuello e exonerados quando Queiroga assumiu a Pasta, assim como aconteceu com Franco. Hoje, Franco é investigado oficialmente pela CPI da Covid no Senado.

Questionado pela CNN sobre o motivo de Pazuello ter escondido todas essas informações da CPI, em seu depoimento no começo de junho, Miranda passou o pano para o general de novo: disse que Pazuello tem “amor à própria vida e à República, porque um caso deste abala todas as estruturas”.

Se Miranda está certo, no mínimo, os militares do governo sabiam de coisas que preferiram empurrar para debaixo do tapete.

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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Ignorando as ofertas da Pfizer, Butantan e outros laboratórios sérios, o desgoverno Bolsonaro estava disposto a pagar superfaturas, intermediada por empresa atravessadora Precisa Medicamentos, pela vacina indiana Covaxin da Bharat Biotech, que não chegou. Entrevista do Meteoro Brasil com o senador Otto Alencar. Corrupção clara de Bolsonaro

 Do Canal Meteoro Brasil:

VACINA MAIS CARA, ATRAVESSADOR SUSPEITO & CONTRATO ESQUISITO

Enquanto ignorava a Pfizer, o governo federal ia atrás de uma vacina mais cara oferecida por um atravessador enrolado coma justiça.


Trecho do vídeo: METEORO ENTREVISTA - OTTO ALENCAR https://www.youtube.com/watch?v=iAiKU...

Governo Bolsonaro-militares superfatura compra de vacina indiana Covaxin da Bharat Biotech em mais de 1.000%, bem mais cara entre as demais vacinas e comprada sem aval da Anvisa e por intermédio de uma empresa privada, o que constitui corrupção

 

Escândalo de corrupção pode fragilizar ainda mais o governo, no momento em que Jair Bolsonaro (apoiado por gente tão baixa quanto ele) mostra total descontrole emocional

(Foto: ABr)

247 – No momento em que Jair Bolsonaro demonstra total descontrole emocional, um escândalo de corrupção na compra de vacinas pode fragilizar ainda mais o seu desastroso governo. "Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. 

Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). 

Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia 'custaria menos do que uma garrafa de água'. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) – a mais cara das seis vacinas compradas até agora", aponta reportagem de Julia Affonso, publicada no jornal Estado de S. Paulo.

"A ordem para a aquisição da vacina partiu pessoalmente do presidente Jair Bolsonaro. A negociação durou cerca de três meses, um prazo bem mais curto que o de outros acordos. No caso da Pfizer, foram quase onze meses, período em qual o preço oferecido não se alterou (US$ 10 por dose). Mesmo mais barato que a vacina indiana, o custo do produto da farmacêutica americana foi usado como argumento pelo governo Bolsonaro para atrasar a contratação, só fechada em março deste ano", aponta a repórter.

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O conhecimento liberta.

A Associação Brasileira de Imprensa, ABI, pede a renúncia de Bolsonaro após mais um destempero violento e autoritário contra jornalista (após o sucesso das manifestações contra ele no último dia 19 de junho)

 

Aos gritos, o presidente mandou que jornalistas calassem a boca e os acusou de ‘jornalismo canalha’. Acusou a imprensa de destruir a família brasileira, a religião e, de tão nervoso, parecia que também estão indo por terra seus planos

Reprodução Vídeo

Jornal GGN – A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) representada por seu presidente Paulo Jeronimo, divulgou nota nesta segunda, 21, pedindo que Jair Bolsonaro renuncie ao cargo de presidente após mais uma agressão a jornalistas.

Em Guaratinguetá, o destemperado presidente gritou com Laurene Santos, jornalista da afiliada da TV Globo, TV Vanguarda, e com um repórter da CNN Brasil em coletiva ocorrida em um hospital de campanha da cidade. Não satisfeito em gritar, o mandatário tirou a máscara para mostrar o quanto é dono de sua vida.

Aos gritos, o presidente mandou que jornalistas calassem a boca e os acusou de ‘jornalismo canalha’. Acusou a imprensa de destruir a família brasileira, a religião e, de tão nervoso, parecia que também estão indo por terra seus planos. Vociferou que a Rede Globo não presta e é uma péssima fonte de informação. E foi destemperando tanto que até mandou que sua comitiva calasse a boca para ele gritar em paz.

Diante desses ataques, o presidente da ABI soltou nota onde o classifica como ‘descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado’ e que nunca respeitou a imprensa livre e crítica. Alertou que o tom vem subindo perigosamente a cada dia e falta pouco para que ocorra agressão física a jornalistas.

Paulo Jeronimo ainda alertou para a preparação de Bolsonaro por uma saída autoritária e suas tentativas de desacreditar o sistema eleitoral a poucos meses das eleições. ‘Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022’ e este é mais um motivo para que a ABI apoie os pedidos de impeachment que se acumulam contra o presidente. Aliás, a ABI entende que renúncia seria um caminho mais aceitável.

Leia a nota a seguir.

Renuncie, presidente!

Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.

Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.

Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.

Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.

Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.

Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.

É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.

Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.

Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.

Então, renuncie, presidente!

Paulo Jeronimo
Presidente da ABI

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sábado, 19 de junho de 2021

Atos conscientes pelo Fora Bolsonaro reuniram mais de 750 mil pessoas no Brasil e no mundo

 

Protestos ocorreram no dia em que o Brasil alcançou 500 mil mortes decorrentes da gestão desastrosa e charlatã de Jair Bolsonaro, que negligenciou a compra de vacinas e empurrou cloroquina, um remédio ineficaz, para os brasileiros


Protesto na Paulista

Protesto na Paulista (Foto: Ricardo Stuckert)

Da Rede Brasil Atual - Mais de 750 mil pessoas saíram às ruas em cidades por todo o país, e também no exterior, neste sábado (19) em mais uma grande manifestação contra Bolsonaro organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, centrais sindicais e partidos políticos. Foram 427 atos nas 27 unidades da federação em mais de 400 municípios daqui e outros 17 de fora, em um coro contra a gestão genocida do presidente da República. No mesmo dia, o país alcançou a sombria marca de 500 mil mortes pela covid-19, doença cuja vacina foi oferecida e recusada por Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Teve cartaz culpando Bolsonaro pela morte de parentes.

Veja fotos do dia

Nos atos, sobraram faixas, bandeiras, cartazes, flâmulas, pinturas e gritos pela Vacina no Braço e Comida no Prato. Exigindo auxílio emergencial de R$ 600 até o final da crise sanitária. Reivindica-se atenção aos pequenos e médios produtores e comerciantes, respeito à soberania nacional, ao serviço a ao patrimônio público. Teve passeata, intervenção artística, bicicletada, carreata, plenária e até ato virtual. Houve muita preocupação com a segurança sanitária, máscara, álcool, evitando proximidade e toque.

A manifestação contra Bolsonaro começou bem cedo, as primeiras notícias vieram de pequenos municípios. Logo cresceu e tomou Brasília, Recife, capitais e grandes cidades do Norte e Nordeste, Sul, Centro-Oeste. Depois Rio, Belo Horizonte e São Paulo. A Presidente Vargas e a Paulista fecharam, com direito à presença de Chico Buarque, Fernando Haddad e muitas outras personalidades. O tema pautou também as redes sociais.

Chico Buarque, por sinal, completou 77 anos. “Na ditadura, nós não teríamos um programa como esse, não estaríamos falando disso aqui. E o que este governo quer, evidentemente, é a volta da ditadura, no sentido da censura, da proibição da difusão de ideias, de maneira que o programa da Regina não possa mais ir ao ar, os sites de esquerda, de oposição ao governo seriam banidos”, disse.

Capital federal

Brasília abrigou uma das maiores mobilizações do dia. O ato contou com a participação de estudantes, servidores públicos, indígenas, integrantes LGBTQIA+ e lideranças políticas de partidos de oposição. Começou por volta das 9h em frente à Biblioteca Nacional. As dezenas de milhares de manifestantes fecharam o Eixo Monumental e, após passarem pela Esplanada dos Ministérios, seguiram até o Congresso Nacional. A mobilização contou com os indígenas do Levante pela Terra, que estão na capital federal há 11 dias em resistência a projeto sobre demarcações.

No Rio, uma multidão de manifestantes tomou as ruas do centro e fez um minuto de silêncio em nome das 500 mil vítimas da covid-19. Militantes de movimentos sociais, partidos políticos e população em geral fecharam a Avenida Presidente Vargas, tradicional reduto de manifestações na capital fluminense. Em frente à Igreja da Candelária, um boneco representando Bolsonaro foi queimado. Passaram também pelo Monumento Zumbi dos Palmares. Já no Recife, ao contrário do ocorrido no 29M, quando policiais atacaram os manifestantes, o clima foi de tranquilidade. Poucos policiais acompanham à distância e agentes de conciliação foram escalados para conter eventuais abusos. O Batalhão de Choque não foi mobilizado.

São Paulo

Mais para o final da tarde ocorreu a manifestação em São Paulo. Como de costume, concentrou-se na Avenida Paulista, com a presença de diversas representações da sociedade. Logo os quarteirões começaram a ser preenchidos e a multidão foi formada, fechando toda a via. Os cartazes, faixas e dizeres foram todos na mesma linha do visto em todas as outras capitais e localidades. Revolta contra o governo federal. Lembrara, também, os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), co-responsáveis de Bolsonaro no nefasto atraso da compra de vacinas. Paulo Guedes, da Economia, foi outro criticado na manifestação contra Bolsonaro pela falta de política para o auxílio emergencial de R$ 600 enquanto durar a pandemia.


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O conhecimento liberta.

Com um extremista de direita elogiador de ditaduras militares e torturadores, além de negacionista e menipulador de fake news, o Brasil sob Bolsonaro chega, oficialmente, a 500 mil mortes pela união da pandemia com a necropolítica e descaso pela vida

 


  Correspondente internacional, o jornalista Jamil Chade chamou atenção para as 500 mil mortes, um número maior do que as baixas de guerra. “Com 500 mil mortos, Covid no Brasil supera guerras e ameaça estabilidade e democracia no país. Mortes no país representam 5 vezes os óbitos em conflitos armados no mundo em 2020.”

Jornal GGN – O Brasil atingiu neste sábado (19) a marca de meio milhão de mortos por Covid-19. O País se tornou o segundo no ranking mundial de mortalidade na pandemia, perdendo apenas para os Estados Unidos, que somam mais de 600 mil óbitos desde o começo da crise sanitária nas Américas, no começo de 2020.

Com 17,8 milhões de casos confirmados e menos de 12% da população brasileira completamente vacinada com duas doses, o ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga, divulgou uma mensagem nas redes sociais lamentando as mortandade e afirmando que trabalha “incansavelmente” para vacinas a todos.

“500 mil vidas perdidas pela pandemia que afeta o nosso Brasil e todo o mundo. Trabalho incansavelmente para vacinar todos os brasileiros no menor tempo possível e mudar esse cenário que nos assola há mais de um ano. Presto minha solidariedade a cada pai, mãe, amigos e parentes, que perderam seus entes queridos”, escreveu.

Candidato virtual ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) culpou a falta de vacinas pela maior parte das mortes. “Foram 300 mil mortos entre janeiro e hoje. A causa mortis não foi só Covid. Foi falta de vacina causada por um genocida no poder”, escreveu no Twitter.

O governador Flávio Dino, do Maranhão, decretou luto oficial. “Estou decretando hoje LUTO OFICIAL de 3 dias, no âmbito do Maranhão, em face da enorme tragédia representada por 500.000 mortes por coronavírus no Brasil. Todas as vidas são sagradas e o mal não pode ser banalizado. Minha solidariedade às famílias brasileiras.”

Correspondente internacional, o jornalista Jamil Chade chamou atenção para as 500 mil mortes, um número maior do que as baixas de guerra. “Com 500 mil mortos, Covid no Brasil supera guerras e ameaça estabilidade e democracia no país. Mortes no país representam 5 vezes os óbitos em conflitos armados no mundo em 2020.”

A CPI da Covid no Senado já revelou que Bolsonaro deixou de responder a mais de 80 e-mails da Pfizer oferecendo vacinas. O governo federal poderia ter comprado vacinas para metade da população brasileira, em primeira dose, via Covax Facility, mas decidiu comprar apenas 10%. As ações e omissões de Bolsonaro apontam para uma tentativa deliberada de atrasar a saída do Brasil da pandemia.

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros apontou para o negacionismo de Bolsonaro, responsável por induzir parte da população a afrouxar os cuidados e se expor à doença. ostentando um tratamento precoce que não existe. “O presidente idealizou a sua mais ousada e infame rachadinha: dividir o país entre cloroquina e vacina. A rachadinha do negacionismo é aposta que gerou resultado: meio milhão de mortos. Até agora.”

Neste sábado (19), mais de 400 cidades em todo o Brasil recebem atos pelo impeachment de Bolsonaro.

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OMS ressalta necessidade de uso da máscara no Brasil, apesar das aberrações bolsonaristas em contrário

 

Jornal GGN – A proximidade do número de 500 mil vítimas fatais pela covid-19 no Brasil gerou críticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com os elogios para a produção de imunizantes no país.

O Brasil contabiliza mais de 17,7 milhões de pessoas que foram acometidas pelo coronavírus, enquanto o número de vítimas fatais se aproxima dos 500 mil, de acordo com os dados do consórcio de imprensa que tem apurado os números desde o início da pandemia.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a responsável por vacinas e medicamentos na OMS, Mariângela Simão, afirmou que o Brasil tem se destacado na produção de imunizantes, mas reafirmou a necessidade de reforço das medidas preventivas, como o uso de máscaras e o isolamento social.

O assunto voltou a ser abordado por conta das recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro – que não só afirmou que a contaminação pela covid-19 é mais eficiente do que a vacinação coletiva, como disse que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prepara um parecer para desobrigar o uso de máscaras por quem já foi vacinado ou já contraiu a doença.

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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Como a guerra da cloroquina (que encheu empresários de dinheiro no Brasil) emburreceu o país bolsonarizado, por Luis Nassif

 A questão toda é que, quando Donald Trump e seu êmulo provinciano, Jair Bolsonaro, resolveram desfraldar a bandeira da cloroquina, a politização sufocou qualquer discussão racional.

E não sem razão. A suposta eficácia da cloroquina serviu de álibi para Bolsonaro montar seu terraplanismo, combatendo a vacinação, o isolamento e até o uso de máscaras. 

Por Luis Nassif

A CPI da Covid convocou dois especialistas, aparentemente técnicos, para defender o uso da cloroquina. Deram explicações razoáveis em defesa da eficácia do remédio contra o Covid.

Se estão certos ou não, obviamente não serei eu a dizer.

Mas me chamaram a atenção para a dimensão de Fla-Flu junto ao público leigo. Ficam os jornalistas, até os melhores, pescando explicações aqui e ali, que possam reforçar suas convicções, sem ter a menor formação sobre o tema.

Por exemplo, os defensores da cloroquina dizem que eles combatem a doença.

Aí os críticos dizem que não, porque ela bloquearia uma porta de entrada do virus, mas não uma segunda porta.

Os defensores rebatem sustentando que o papel da cloroquina é reduzir ao máximo o nível de contaminação, antes da internação. E, se fecha uma porta, automaticamente estará reduzindo. Ou seja, ela não é vacina, não resolve definitivamente, mas pode deixar o organismos em melhores condições, por fechar uma das portas de entrada do virus.

Não tenho formação para saber se o argumento procede ou não. Mas há lógica nas justificativas deles sobre a resistência da chamada ciência em aceitar conclusões provenientes das observações de campo.

Segundo os médicos que foram à CPI, o método científico na avaliação de medicamentos é definitivo, mas demorado e custoso. Exige muitos testes, muitos recursos. Depois, há o tempo de desenvolvimento da tese, em cima das conclusões. Finalmente, a apresentação do projeto para publicação em revistas. Há o júri que precisa analisar o trabalho. E, depois, ele precisa aguardar na fila para publicar. Daí a demora.

Enquanto isto, as observações empíricas são testadas em populações menores e leva algum tempo para que a soma desses testes possa originar um trabalho de maior fôlego.

A questão toda é que, quando Donald Trump e seu êmulo provinciano, Jair Bolsonaro, resolveram desfraldar a bandeira da cloroquina, a politização sufocou qualquer discussão racional.

E não sem razão. A suposta eficácia da cloroquina serviu de álibi para Bolsonaro montar seu terraplanismo, combatendo a vacinação, o isolamento e até o uso de máscaras. 

Ora, médicos têm que saber analisar as sequelas dos tratamentos propostos. E a sequela óbvia foi a legitimação da política genocida de Bolsonaro. A cloroquina não era apresentada como um medicamento auxiliar na luta contra a pandemia, mas como a solução do problema. Esse aval desarmou milhões de brasileiros que deixaram de tomar cuidados básicos confiando nos efeitos milagrosos do remédio.

Agora, fica-se nesse impasse. As pesquisas continuam. Há uma probabilidade, lá na frente, da cloroquina ser reconhecida como um tratamento positivo – ainda que secundário – contra a Covid. Como ficaremos? Aceitar os resultados significará fortalecer Bolsonaro em um ponto relevante de seu discurso político. Não aceitar significará sonegar ao público algo que poderá aliviar seu tratamento.

Enquanto isto, os tribunais medievais vão lançando à fogueira quem defende e quem ataca a cloroquina.

Definitivamente, a polarização transformou o Brasil em um país de ignorantes.

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Vídeo da BBC News: Congressistas dos EUA pedem que governo Biden explique cooperação ilegal (e golpista) entre americanos e Lava Jato

 

Da BBC News Brasil:



Um grupo de 20 congressistas americanos enviou, no dia 7 de junho, uma carta ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos em que pede que o país torne públicas informações sobre como os órgãos de investigação dos EUA cooperaram com a Operação Lava Jato, no Brasil. Na carta, à qual a BBC News Brasil teve acesso com exclusividade, os parlamentares se dizem "preocupados" com "o envolvimento de agentes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em procedimentos investigativos e judiciais recentes no Brasil, que geraram controvérsia substancial e são vistos por muitos no país como uma ameaça à democracia e ao Estado de Direito". Neste vídeo, Mariana Sanches, nossa correspondente em Washington, explica as razões da preocupação dos congressistas e o que dizem o Ministério Público Federal e o ex-juiz Sergio Moro. Confira. Leia também a reportagem: https://www.bbc.com/portuguese/intern... Curtiu? Inscreva-se no canal da BBC News Brasil! E se quiser ler mais notícias, clique aqui: www.bbc.com/portuguese #BBCNewsBrasil #LavaJato #EUA




Chico Buarque e Hildegard Angel lembram Zuzu Angel e a ditadura militar nunca posta à luz da justiça (como fizeram na Argentina, Chile e outros países golpeados por militares na América Latina) e cujos frutos podres e vontade de pode fizeram erguer uma aberração como Bolsonaro

 

Do Canal Brasil247:



Estação Sabiá, com Regina Zappa, recebe Chico Buarque e Hildegard Angel para uma conversa sobre a luta de Zuzu Angel em busca do corpo de seu filho Stuart, assassinado pela ditadura, seus desabafos com Chico e sobre os tempos sombrios do regime militar.