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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Blog da Cidadania: nas ruas, jovens, professores e trabalhadores postam-se claramente contra Bolsonaro


 "A violência policial pouco pôde fazer para ajudar Bolsonaro e calar o clamor popular pela liberdade de Lula porque essa manifestação deu uma causa a uma maioria silenciosa que, em certa parte, chegou a votar em Bolsonaro, mas que caiu na real ao longo da materialização do regime bolsonariano, como mostram as manchetes"

Do Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães


O dia 15 de maio de 2019 se tornou data histórica não só pela magnitude das manifestações contra o governo e pela Educação, mas porque, nesse dia, materializou-se fenômeno psicossocial importantíssimo e que o Blog da Cidadania vinha prevendo: nesse dia, nas ruas, manifestações gigantescas exigiram liberdade para Lula e demissão para Bolsonaro.
Enquanto Bolsonaro invadia o escritório político do ex-presidente norte-americano George W. Bush, no Texas, sem ser convidado, o pau comia nas ruas do Brasil, onde manifestações gigantescas ocorreram em quase 200 cidades de Norte a Sul, lembrando, pelo tamanho, os grandes protestos de junho de 2013.
A violência policial pouco pôde fazer para ajudar Bolsonaro e calar o clamor popular pela liberdade de Lula porque essa manifestação deu uma causa a uma maioria silenciosa que, em certa parte, chegou a votar em Bolsonaro, mas que caiu na real ao longo da materialização do regime bolsonariano, como mostram as manchetes
A expressão “Lula Livre” voltou a ocupar o ranking dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro. Impulsionada pelas manifestações contrárias ao contingenciamento de verbas no MEC (Ministério da Educação), a campanha em defesa da liberdade para o ex-presidente Lula foi o assunto mais publicado no Twitter durante a quarta-feira, 15
Ao mesmo tempo em que pediam liberdade para Lula, os manifestantes já exigiam que Bolsonaro largue o osso e deixe o país em paz.
Aliás, para quem não acredita que as manifestações gigantescas do último dia 15 foram marcadas, também, pelos pedidos de liberdade para Lula, basta ver o que disse Bolsonaro:
— Só vi [nas  manifestações] faixas de Lula Livre, mais nada
Bolsonaro certamente não olhou direito. Se tivesse olhado, teria visto que as faixas citando ele e Lula obtiveram o mesmo nível de apoio dos manifestantes. Mas, claro, esses manifestantes citaram o ex-presidente de esquerda e o atual presidente de extrema-direita por razões diametralmente diferentes… Não é mesmo?
Confira a matéria em vídeo

sábado, 16 de fevereiro de 2019

A Lava Jato da Educação inaugura o estado policial, por Luis Nassif




Com a operação, desvia-se o foco do abandono das políticas educacionais e volta-se a usar o álibi fácil da luta anticorrupção
A estratégia é obvia, a partir do uso da marca Lava Jato
O anúncio da Lava Jato na Educação é a inauguração oficial do estado policial no país. Não há fato definido, não há crime relatado. A própria denominação é o indício mais evidente de que haverá uma movimentação política na área.
A estratégia é óbvia.
Nos anos de governo PT, os dois setores mais beneficiados foram as empreiteiras, devido à volta das grandes obras, e a educação, devido às políticas implementadas, desde a expansão das universidades federais ao estímulo ao setor privado através do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).
Em relação às universidades federais, a fórmula já foi dada no caso da Universidade Federal de Santa Catarina.
A CGU (Controladoria Geral da União) identifica qualquer irregularidade. Com base nisso, a Polícia Federal consegue autorização para condução coercitiva com humilhação pública das pessoas envolvidas. Nem será necessário identificar dolo ou crime. Basta um juiz e um procurador politicamente alinhados. Até hoje não se sabe qual o crime cometido pelo reitor da UFSC, levado ao suicídio.
Em relação aos grupos privados, a fórmula também é óbvia:
  1. Todos os grandes grupos educacionais foram beneficiados pelo FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).
  2. Basta identificar algum tipo de contribuição ao PT para – dentro do padrão Lava Jato – estabelecer a ligação, sem a menor preocupação em identificar o chamado ato de ofício – isto é, a comprovação fática da ligação entre a contribuição e um ato de corrupção. Pouco importará se o grupo contribuiu para vários partidos.
Como são grandes sociedades anônimas, qualquer movimento afetará o preço das ações no mercado.
Sendo efetiva ou não, a mera ameaça já funcionará como fator de inibição de qualquer crítica das universidades ao Ministro da Educação Ricardo Veléz, ou da Justiça, Sérgio Moro. Aliás, vem da área acadêmica as maiores críticas ao tal projeto de lei anticrime e ao amadorismo da nova equipe do MEC.
Não foi por outro motivo que a Universidade Federal Fluminense montou um grupo de estudos para sugerir parcerias com as Forças Armadas.
Com a operação, desvia-se o foco do abandono das políticas educacionais e volta-se a usar o álibi fácil da luta anticorrupção.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Do Justificando: Juristas analisam atuação do STF no cenário político atual



Veja como ficou o bate-papo entre o Professor de Direito Constitucional da PUC/SP, Luiz Guilherme Arcaro Conci, e o Professor da FGV e coordenador do Supremo em Pauta, Rubens Glezer, sobre o papel desempenhado pelo Supremo Tribunal Federal no cenário político do país.
A análise foi mediada pelo diretor de redação Brenno Tardelli e abordou o perfil dos ministros, as recentes decisões mais polêmicas e o cenário para o próximo ano.

domingo, 10 de julho de 2016

A neoliberal sucuri que vai engolindo o ensino no Brasil, por Sérgio de Castro Gonçalves


Todos, e não só os defensores do elitismo golpista, somos pautados pela imprensa: pensamos, se não como ela quer, pelo menos sobre o que ela quer.

Somos envolvidos pelos movimentos truculentos da Polícia Federal, consorciada com os jovens procuradores, ou até pelo drama familiar de Eduardo Cunha.

Mas os movimentos em torno da Kroton, esses, embora noticiados, não recebem espaço e atenção maiores.

Certo é que uma das inúmeras operações promovidas pela PF envolveu a prisão dos proprietários da Universidade Estácio de Sá, acusados de apropriação de recursos produzidos pela emissão de debêntures.

No final das contas, as negociações, envolvendo a simples venda do ensino no Brasil, transformando-o em mercadoria formatada por grandes empresas multinacionais, mereceram alguma atenção?

O que foi contado: numa das inúmeras operações da PF, proprietários da Universidade Estácio de Sá foram presos, sob suspeita (suspeitas, nos tempos que correm, justificam prisões, conduções coercitivas e quaisquer outros desrespeitos aos direitos do cidadão).

E o comportamento antiético dos senhores educadores daquela universidade mostrou-se como interessante e útil, associando-se à prática de “propinas”, envolvendo os gestores de fundos de pensão, como a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, gestores nomeados pelo governo do PT.

O que não foi contado: a Estácio vinha fazendo uso repetido de lançamento de debêntures, um tipo de capitalização regulado por lei, mas que na maioria dos casos envolve aspectos antiéticos.

Além disso, a aquisição da mesma Estácio vinha sendo objeto de disputa por algumas das grandes empresas comerciantes de ensino, não apenas planejada pela Kroton.

A Polícia Federal e o Ministério Público acompanhavam tudo isso? Agiram com correção, embora afoitamente?

O que mais merece atenção em toda essa trama é a Kroton, com suas origens em Belo Horizonte, onde surgiu em 1966, como Curso Pitágoras, tendo à sua frente Walfrido dos Mares Guia, que ao mesmo tempo assumia pessoalmente não menos notável peso político.

Na década de 1980, surgiu a oportunidade de trabalhar no Iraque e na Mauritânia, onde o Pitágoras dirigiu unidades escolares que possuiam mais de mil alunos brasileiros que se encontravam naqueles países. Em princípio dos anos 90, a já então Rede Pitágoras explorava o ensino básico, em pouco tempo somando mais de 106 escolas.

No início dos anos 2000 e com a mudança do marco regulatório do setor de educação, surgiu a primeira Faculdade Pitágoras, em associação com a Apollo, com sede no estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Tal parceria durou até 2005, quando a Apollo decidiu vender sua participação aos fundadores.

O ano de 2007 ficou marcado pela abertura de capital do Pitágoras na BM&F Bovespa, com o nome Kroton Educacional, possibilitando a consolidação de uma fase de grande expansão e desenvolvimento da companhia.

Já em 2009, a Kroton recebeu um novo aporte financeiro de um dos maiores fundos de private equity do mundo, a Advent International, que a partir de então compartilharia o controle da companhia com os sócios fundadores.

Em 2010, a Kroton efetuou a maior aquisição do setor de educação superior do Brasil ao comprar a IUNI Educacional.

Em 2013, um novo recorde, com a incorporação da Anhanguera, pelo valor de R$ 6,8 bilhões, formando-se então a maior empresa no ramo do comércio do ensino.

O Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica — aprovou a operação, mas definindo como exigência a venda do grupo Uniasselvi e mais alguns ativos.

As transações foram feitas com a assessoria dos bancos Itaú e Pactual. Interessaram-se o Carlyle Group e a Vinci Partners.

O Carlyle Group (NASDAQ: CG) é uma firma de private equity fundada em 1987 por Stephen L. Norris e David M. Rubenstein.

Tem sede em Washington D.C. e filiais em diversos lugares do mundo. É uma das principais empresas de Leveraged Buyout (LBO) do mundo.

O grupo é administrado por uma equipe de antigo pessoal do governo americano, incluindo o seu presidente Frank Carlucci, ex-vice-diretor da CIA antes de se tornar secretário da Defesa.

O Carlyle e a Vinci Partners dispuseram-se então a investir R$ 1,1 bilhão na compra de ativos da Kroton.

No momento em que se incorporava a Anhanguera, Marcos Piva desabafava com todos os motivos: “Guardada a sete chaves como todo negócio que envolve ações na Bolsa de Valores, a aquisição da Anhanguera pela Kroton foi tratada pela grande imprensa como fato relevante, o que é, e como fusão, o que não é. Numa só canetada, ditada pelo interesse econômico, a educação brasileira foi elevada à mesma categoria de distribuidora de combustíveis e produtos alimentícios”.

A Kroton é o braço educacional da Adviser, um dos maiores fundos globais de investimento, especializado no ditado popular “quem pode, manda, quem tem juízo, obedece”.

Atualmente, é empresa de capital aberto, atuando em todos níveis escolares, tais como: pré-escolar, ensino primário e secundário, ensino secundário para adultos, vestibular, cursos livres, educação superior e pós-graduação entre outros.

A Kroton tem mais 1,5 milhão de estudantes em 127 campi e 726 polos divididos entre 11 marcas educacionais que estão distribuídas em todos os estados brasileiros.

A empresa também está envolvida na distribuição, atacado, varejo, importação e exportação de livros didáticos e revistas, entre outras publicações.

Além disso, licencia produtos pedagógicos relacionados com a escola.

A empresa opera 21 campi com a marca Pitágoras; 10 com a marca Unic; 5 com a marca Unopar; e 10 mais com as marcas Unime, Ceama, Unirondon, Fais, Fama e União em 10 estados brasileiros.

Ela também opera 804 escolas associadas no Brasil sob a marca Pitágoras, bem como 5 escolas parceiras no Japão e 1 escola parceira no Canadá.

O agigantamento do que nasceu Pitágoras e hoje é Kroton nunca poderá ser entendido, se não posto ao lado da carreira política de Walfrido Mares Guia, que possivelmente terá sido a maior e a mais sinistra “eminência parda” na História do Brasil.

Em 1994 foi eleito vice-governador de Minas Gereais, acumulando a Secretaria de Planejamento, com o que coordenou o esquema corrupto de concessão de incentivos fiscais, o mais corrupto já promovido no País — instalação da Mercedes-Benz em Juiz de Fora.

Foi o inspirador e coordenador do “mensalão mineiro”. Coordenador da campanha de Ciro Gomes em 2002. Com a vitória de Lula, tornou-se seu ministro do Turismo e depois ministro da Secretaria de Relações Institucionais.

Manteve-se próximo de Aécio Neves e do PSDB. E coordenou em Minas Gerais a campanha de Dilma Rousseff. Com mais de 70 anos, livrou-se em 2014 de condenação penal no processo que envolveu o governo de Minas Gerais no chamadomensalão tucano.

Tendo sempre acesso assegurado ao poder, Walfrido Mares Guia foi o beneficiário maior do Fies — Fundo de Financiamento Estudantil —, que passaria a ser, embora planejado como esquema para democratização do ensino superior, não mais do que o Proer – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, dos tempos de Fernando Henrique Cardoso — das empresas negociantes de ensino.

Através do Fies instituições de ensino superior, mal avaliadas pelo próprio Ministério da Educação, com investimentos muito grandes, e ameaçadas de inviabilização, puderam sobreviver e prosseguir na sua marcha para o infinito, atraindo alunos financiados pelo Estado.

O Fies adequou-se em tudo aos objetivos e interesses das empresas privadas de ensino, contemplando cursos de menor relevância para o país (Direito, Administração), financiando os cursos de filhos de famílias de classe média e com grande concentração nos Estados mais ricos da Federação.

Em 2010, as três maiores empresas de ensino superior listadas em bolsa valiam 7 bilhões de reais. Hoje, elas são quatro — e valem 35 bilhões de reais.

A partir de então, o Estado, através do Fies, programa de financiamento para estudantes universitários em instituições particulares, apresentava um projeto e alto apelo popular, mas que, enfatizando-se, foi se transformando em sustentador das empresas de negócios de ensino, que investiram cada vez mais.

Na verdade, o governo tem sido um importante incentivador dessas instituições através dos programas que subsidiam com recursos públicos a oferta privada de educação.

De acordo com informações da assessoria de imprensa das empresas, hoje 63,2% dos alunos da Kroton e 46,9% dos da Anhanguera na modalidade presencial estudam via Financiamento Estudantil (Fies) e cerca de 10% são oriundos do Programa Universidade para Todos (Prouni), ambas iniciativas do governo federal.

Para o professor Roberto Leher, o processo de monopolização e financeirização da educação, do qual a fusão da Kroton com a Anhanguera é exemplar, é mais uma evidência de que a política de subsídios públicos à educação privada não visa democratizar a educação, como se costuma anunciar.

“Antes de tudo, é preciso observar um elemento histórico”, diz, explicando que o argumento de que é preciso garantir acesso aos milhões de jovens que hoje não conseguem chegar ao ensino superior é o mesmo que foi utilizado pela ditadura empresarial-militar para justificar a expansão da educação superior.

“Era preciso democratizar e isso seria feito por meio da iniciativa privada para que os ‘pobres’ alcançassem o nível superior”, lembra, destacando que isso estagnou as instituições públicas naquele momento.

Agora, com a incorporação da Estácio, criou-se a maior empresa privada de negócios de ensino superior no mundo, com 1,6 milhão de alunos.

Depois dela, a Ser Educacional, com 150 mil alunos.

Levantamento da CM Consultoria mostra que a fusão das duas companhias forma uma empresa de R$ 27,2 bilhões em valor de mercado.

A sucuri, também conhecida como anaconda, arigbóia, boiaçu, boiçu, boiguaçu, boioçu, boitiapóia, boiuçu, boiuna, sucuriju, sucurijuba, sucuriú, sucuruju, sucurujuba e viborão é uma cobra sul-americana da família Boidae, pertencente ao género Eunectes. Tem a fama de ser uma cobra enorme e muito perigosa.

A Kroton mostra sua vocação, jibóia que vai devorando o sistema de ensino no Brasil. Seu tamanho desproporcional sugere que, com o tempo a passar, o Ministério da Educação revele sua inutilidade, podendo ele mesmo ser incorporado, como “serviço de secretaria” da Kroton.

Não se trata, é óbvio, de problema que afete a ordem econômica, ameaça de monopólio, a ser verificado e impedido pelo Cade. Agora, repete-se a mesma manobra já executada quando da aquisição da Anhanguera.

O Cade, ao exigir da Kroton que venda partes de seu império, age praticamente como corretor e colabora na execução do projeto de Mares Guia: a internacionalização do império que ele construiu.

Afinal, há um mercado de proporções consideráveis no País e há a garantia de apoio do Ministério da Educação, através do Fies. O Brasil tornou-se a Pátria amada das grandes empresas que fazem da Educação um conjunto de atos de comércio.

A aquisição da Estácio revela a confiança que os empresários do ensino depositam no mercado representado pelo Brasil.

No que dependa do Governo Interino, há bom motivo para isso.

O MEC vai sendo não só esvaziado, mas ridicularizado, com a assessoria de um ator-feitor de pornografias. As Universidades Federais vão sendo postas a pão e água, enquanto o Fies agirá a todo vapor.

Tudo isso combina com as diretrizes, que apontam para o esvaziamento do ensino de ciências humanas, Filosofia e Sociologia. O Brasil trata hoje, em 2016, de pensar como se pensou em 1955: para Juscelino Kubitschek, o ensino brasileiro era prejudicado pelo excesso de humanidades.

Agora, sob a ótica do neoliberalismo mal implantado no Brasil, mas que procura a sua confirmação no menor prazo possível.

A tentativa de apressamento do processo foi feita, com a convocação de Mangabeira Unger ao Ministério e a elaboração do slogan da Pátria Educadora. Como algo não foi suficientemente bem feito, Mangabeira Unger foi implodido.

O Plano de Metas reservou timidamente 2,5% dos investimentos previstos para Educação, com um Ministério que, em cinco anos, foi ocupado por oito políticos. A ditadura civil-militar procurou limitar-se à “educação moral & cívica”, que deveria transmitir aos “paisanos” algo de competência e patriotismo.

Já na “democracia consentida”, praticada desde 1985, experimentou-se o projeto de Paulo Renato Souza, que previu o aviltamento da universidade pública, para que se abrissem espaços para a iniciativa privada.

Lula ocupou-se na Educação com ministros incompetentes, exceção a Fernando Haddad, ministros adestrados para a política de corredores e de ajustes com os interesses econômicos.

O que deveria merecer a atenção de todos: o processo de aviltamento do ensino no Brasil, o que marcará gerações, fazendo-as atontalhadas.

Caminhamos a passos firmes para um conjunto de poucas grandes empresas de comércio, vendendo os seus produtos, e para isso contando com o apoio do Estado.

Qualidade de ensino passa a ser utopia, miragem de quem atravessa um imenso deserto.

Hoje já há a prova provada disso.

De acordo com dados do MEC, a rede privada emprega 32% dos professores-doutores, embora seja responsável por 75% dos alunos matriculados em cursos de graduação. As empresas não se dispõem a pagar a doutores e não pretendem assumir custos de pesquisa e aperfeiçoamento do corpo docente.

Nesse momento, quando a Estácio é entregue, porteira-fechada, à Kroton, a preocupação dos professores não se restringe à possibilidade do desemprego, mas está voltada para o aviltamento dos salários.

Nas palavras diretas de um desses professores: “Hoje, os professores do Rio ganham, por hora-aula, em torno de R$ 50, no caso de professor auxiliar, em torno de R$ 53, no caso professor assistente, com pós-graduação; R$ 57, no caso de quem tem mestrado; e R$ 60, para professores com doutorado. Na Unipli (que pertence à Kroton), em Niterói, eles pagam de R$ 25 a R$ 30.”

Não se considerem os números absolutos, eventualmente desatualizados, mas que se faça a comparação em percentuais.

Afinal, como justificar gastos com o ensino universitário: a melhor escola é a escola da vida, não é assim? Pesquisa e desenvolvimento, oras, que afinal vivemos no mundo globalizado, e as multinacionais trarão de suas matrizes tudo isso já pronto, mastigado e digerido.

Sergio de Castro Gonçalves foi editor do material didático do Anglo (antes de sua venda para a Abril).
No Viomundo

domingo, 12 de junho de 2016

Para professor de Oxford, se vivesse hoje, Jesus seria considerado "extremista" de esquerda e seria proibido de falar. No Brasil, seria amplamente perseguido por Moro e Mendes...





Professor de Oxford acredita que Jesus não seria autorizado a falar em público. Sobre a ameaça real dos fundamentalistas cristãos que nada tem do ideal de partilha do Cristo, veja o vídeo ao final do texto.

O artigo a seguir foi retirado do "Notícias Gospel"


O especialista em estudos europeus e professor da conceituada Universidade de Oxford, o inglês Timothy Garton Ash reclamou da postura de censura reinante nas instituições de ensino do Reino Unido.
Em palestra recente, ele reclamou da cultura atual, que rejeita tudo fora do politicamente correto, que certamente proibiria os principais pensadores dos séculos passados de se expressarem abertamente, caso vivessem em nossos dias. Ele fez uma lista que inclui Karl Marx, Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, Friedrich Hegel e o principal deles: Jesus Cristo.
Aos 60 anos, o professor Ash coleciona vários prêmios e seus livros são considerados muito influentes na chamada “história do presente” que estuda a Europa durante o último quarto de século. Para ele “Esta é uma ameaça real”. Afirmou ainda: “Acredito que a liberdade de expressão está ameaçada e precisamos lutar contra isso”.
Mencionou que existe uma nova legislação antiterrorista, onde o governo tenta impor sobre as universidades uma censura impensável. Segundo sua análise, as palavras de Jesus lhe renderiam a classificação de “extremista não-violento”, o que já seria o bastante para proibi-lo de falar em público.
No final do mês passado, uma pesquisa do Instituto de Política do Ensino Superior do Reino Unido revelou que a maioria dos estudantes acredita que pessoas com “pontos de vista ofensivos” deveriam ser proibidas de dar palestras em universidades.
Consultado pelo portal Gospel Prime, o teólogo  Victório Galli que também é deputado federal (PSC/MT), faz a seguinte análise: “Jesus chamou os fariseus de raça de víboras, sepulcros caiados, hipócritas. Comparando a sociedade moderna aos fariseus, vejo que ao menos os fariseus cumpriam as leis. Se a sociedade não abandonar a hipocrisia, estaremos fornecendo o combustível para que todos sejamos calados pelo politicamente correto”.
Tendência mundial
Existe um movimento crescente na Europa para se criar nas universidades o que é chamado de “espaço seguro” para os seus alunos. Trata-se de algo já existente nos EUA para, proteger os estudantes de “linguagem ou comportamento que possa ser considerada ofensivo ou ameaçador”.
Um representante do governo disse ao Daily Mail que essa nova política pública é uma estratégia que visa evitar a radicalização e o terrorismo. “É uma tarefa de todos e este Governo continuará trabalhando em parceria com as comunidades de todas as origens para impedir aqueles que espalham o ódio e a intolerância”, afirmou.

Curiosamente, em toda a Europa os governos têm pedido, em nome do ‘multiculturalismo’, tolerância à população em relação aos milhares de imigrantes muçulmanos que entram no continente todos meses.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O importante novo livro de Charles T. Tart, O Fim do Materialismo


O novo livro do Pesquisador Psi e escritor Charles T. Tart demonstra os avanços sutis na área das pesquisas psíquicas dos últimos anos e demonstra o quão infantil é a visão de mundo mecanicista ainda imperante.


Charles T. Tart, nascido em 1937, é um reconhecido psicólogo e engenheiro norte-americano que, por suas pesquisas, tornou-se a maior autoridade viva sobre a questão da consciência humana e sobre o alcance da Parapsicologia. Seus artigos e livros são considerados alguns dos melhores em ambas as áreas e seu trabalho ajudou a desenvolver a chamada Psicologia Transpessoal. Dois de seus livros tornaram-se textos clássicos: Altered States of Consciousness, de 1969,  e  Transpersonal Psychologies, de 1975.

                Ao lado de Lawrence LeShan, Stanislav Grof, D. Scott Rogo e Sam Parnia, Tart (foto) constitui em um dos autores indispensáveis e mais sérias no controvertido e ainda pouco conhecido, como se deve, universo da Parapsicologia. 

De fato, sua autoridade é tão grande que pretensos parapsicólogos de gabinete, à exemplo do folclórico Pe. Quevedo, o citam constantemente, muito embora Tart tenha desmentido as alegações de Quevedo sobre supostas afirmações nunca feitas pelo pesquisador americano sobre os experimentos de Rhine na universidade de Duke (e que, segundo a fantasia de Quevedo, teriam provocados distúrbios mentais em voluntários). O desmentido foi feito em carta ao pesquisador brasileiro Wellington Zangari que a publicou por meio de site da PUCSP (clique aqui para ler), aproveitando a mesma para por abaixo as pretensões quevedianas a um auto-reconhecimento internacional que não existe.

                O novo livro deste pesquisador, O Fim do Materialismo, constitui-se em um compêndio de pesquisas efetuadas nas últimas cinco décadas sobre a realidade dos fenômenos de PES (Percepção Extra-Sensorial) e outros, incluindo casos de comunicação com mortos, que apontam para, ao menos, as limitações canhestras da visão de mundo mecanicista ainda atuante e ao cientificismo puramente reducionista adotado por parte da comunidade cinetífica e leiga.  Tart, em seu livro, discorre sobre pesquisas discretas, mas muito bem feitas, ocorridas em dezenas de universidades dos Estados Unidos e em outros países, demonstrando que há no homem algo mais que um feixe de impulsos de natureza estritamente auto-conservativa, de natureza sexual e/ou agressiva. 

               O texto faz uma defesa convincente das limitações paradigmáticas, propondo a união possível da ciência com o estudo psi, e mesmo da espiritualidade, sem cair no ridículo do misticismo ou do teísmo convencional, as numa forma racional e vivencial de expansão dos limites paradigmáticos que, de resto, é corolário próprio da Psicologia Transpessoal. Portanto, a leitura de “O Fim do Materialismo” é algo que se torna obrigatório às mentes inteligentes e curiosas que não se deixam acomodar nem pela proposta materialista e muito menos se sente confortável diante da ingenuidade do pensamento religioso ainda existente.

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mídia, tendenciosa mídia, e o descaso com a educação pública...


Mídia, tendenciosa mídia... Onde os interesses dos ruralistas, dos empresários e da própria mídia (e suas entrevistas sensacionalistas para tentar  re-alavancar a fama de gente há muito passada) valem muito mais que o interesse do povo por uma educação de qualidade...

Carlos