segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Intercept – a Lava Jato coordenava as milícias digitais, por Luis Nassif



É a comprovação factual do óbvio, a estreita ligação da Lava Jato com as milícias digitais.

Intercept 1 – a Lava Jato coordenava as milícias digitais



MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO CONTEÚDO 31.07.2016 Fonte: Último Segundo - iG

É a comprovação factual do óbvio, a estreita ligação da Lava Jato com as milícias digitais. Os indícios eram veementes desde o princípio. Armados com informações decorrentes de sua condição de funcionários públicos, alimentaram as campanhas contra Ministros do Supremo, deputados, críticos em geral.
Dallagnol utilizava funcionários do MPF para preparar vídeos para as milícias digitais.

Intercept 2 – Dallagnol articulava com Luis Roberto Barroso

Deltan Dallagnol conversava com o Ministro Luis Roberto Barroso, para articular sua indicação como novo relator da Lava Jato, um dia após a morte de Teori Zavascki.


Foto José Cruz/Agência Brasil


Outro ponto relevante, na última reportagem do The Intercept, é a informação de que Deltan Dallagnol conversava com o Ministro Luis Roberto Barroso, para articular sua indicação como novo relator da Lava Jato, um dia após a morte de Teori Zavascki. E articulou, junto às milícias digitais, ataques aos demais Ministros do Supremo. Como mostra a preparação de um vídeo para constranger Alexandre de Moraes a não votar contra a prisão após 2ª instância.
A revelação desses diálogos comprova que o presidente do STF, Dias Toffoli, estava  certo quando propôs investigar os fake news e incluiu procuradores da Lava Jato nas investigações, depois que se soube que um deles, Diogo Castor, financiara cartazes de rua em favor da operação.
Alguns pontos chamam atenção.
O primeiro, de considerar Barroso melhor do que Luiz Edson Fachin, e acionar os movimentos de rua para apoiá-lo e de apoia-lo, apesar de considerar que Fachin “não seria ruim”. E a extraordinária desenvoltura com que articulavam ações com um Ministro do Supremo.
Em todo o processo, Barroso atuou sempre em favor da Lava Jato, mas procurando não sujar as mãos de sangue. A maneira de ajudar consistia em votar genericamente contra  questões que poderiam favorecer Lula.
O segundo, a extraordinária coincidência de Fachin ir para a 2ª turma e o algoritmo do Supremo escolhê-lo como relator. Em um sorteio honesto, a probabilidade de sair Fachin seria de 20%. Ou seja, a probabilidade de não sair Fachin seria de 80%. Mesmo assim, deu Fachin.

Intercept 3 – a procuradora que quis ser a Dallagnol paulista

A tempo, o MPF afastou Danelon do comando da Lava Jato paulista e ela se recolheu ao anonimato anterior.


Thaméa Danelon. Foto: Divulgação


Em seu curto e intenso período como ativista política da Lava Jato, a procuradora Thamea Danelon expôs o Ministério Público Federal a toda sorte de vexames.
Pelos primeiros movimentos, Thaméa representa a face mais comprometedora da Lava Jato.
É ativista política, conforme demonstrou participando ativamente das convocações do MBL (Movimento Brasil Livre) a favor do impeachment. Aliás, é sintomático o fato de terem sido abertas representações contra procuradores que participaram de atos contra o impeachment, e nada ter sido feito contra os que participaram ostensivamente dos atos a favor. Mas, enfim, esta é a cara do MPF.
Em São Paulo, Thaméa transformou-se em figura fácil de programas nitidamente partidários.
Em participação recente no Roda Viva, a procuradora expôs todo o Ministério Público, ao receber lições de direito de um jornalista. Sua reação foi ir ao programa da notória Joyce Hasselman, para poder distribuir afirmações taxativas sem risco de ser questionada,  ocasião em que atacou o STF (Supremo Tribunal Federal), apontando-o como risco à Lava Jato.
No programa Pânico, da Jovem Pan, ela se permite criticar o hermetismo dos Ministros do Supremo, ou, como diz o apresentador do programa, “dos veinhos que ficam votando”.
Os diálogos revelados pelo The Intercept mostram que ela era um dos pontos de contato da Lava Jato com os movimentos de rua em São Paulo.
Os movimentos do MPF eram evidentes e foram ignorados pelos parceiros jornalistas da cobertura, como prova o artigo de um ano atrás.
Nesses tempos de Lava Jato, o Ministério Público Federal foi afetado de várias maneiras.
Primeiro, o jogo político, no qual os principais lances eram casados com eventos políticos. Depois, o protagonismo indesculpável de procuradores, se colocando como heróis nacionais e se apropriando (inclusive monetariamente, através de palestras)  dos benefícios de uma investigação que era mérito das prerrogativas constitucionais do MPF. Some-se a atuação política indevida, com pregações em redes sociais, rádios e TVs. Finalmente, o vazamento escandaloso de informações visando conquistar espaço junto aos veículos de comunicação.
Com exceção dos vazamentos – porque, a rigor, não há ainda o que ser vazado – a procuradora Thaméa simboliza todos os vícios desse MPF, o salvacionismo, o ativismo político, a figura fácil em programas de rádio e TV.
No auge do deslumbramento, concedeu entrevista ao Estadão, onde se referia assim às milícias digitais:
Somente veio para nós pessoas que não têm foto privilegiado. Dificultar, não, é o nosso trabalho. Temos que investigar. Se vai ter manifestação a favor, militância, não diz respeito a nossa atuação. O que a gente tem de fazer é investigar o fato.
A tempo, o MPF afastou Danelon do comando da Lava Jato paulista e ela se recolheu ao anonimato anterior.

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