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domingo, 9 de junho de 2024

Exploração e coisificação da vida, das pessoas e da Natureza... As depressões do século, o retrocesso e o anúncio do final do mundo, por Dora Incontri

 

Enquanto isso, a extrema direita avança no mundo, quem sabe planejando um governo mundial nazifascista!

Depositphotos

As depressões do século e o anúncio do final do mundo, por Dora IncontriDora Incontri

Não há receitas, porém. E as coisas vão piorar sim. A crise climática e os avanços dos fundamentalismos são dados objetivos que nos assombram.


Todos os dias, ouço pessoas dizerem que estão cansadas, exaustas, sentindo tristeza, deprimidas (com diagnóstico ou não de depressão). Além do trabalho extenuante a que estamos submetidos, para sobreviver, neste modo desumano do capital, ainda muitos se esforçam para fazer algo para mudar o mundo; para garantirem um espaço-tempo de convivência com seus afetos; para usufruir, de vez em quando, alguma produção artística que traga algum prazer para o corpo e para a alma. Todo esse esforço é muitas vezes malsucedido, ou pelo menos com resultados escassos, fragmentados, porque os boletos aumentam, os afetos se diluem na descartabilidade das relações líquidas (como disse Bauman), o tempo não dá para nada e o dinheiro menos ainda… e o cansaço profundo aumenta.

E o pior… no meio de todo esse massacre cotidiano, a que poucos privilegiados escapam, ainda somos bombardeados a cada minuto com péssimas notícias e piores prognósticos. É um genocídio desfilando aos nossos olhos em cenas reais, ao vivo e a cores; são catástrofes climáticas gerando miséria e destruição; são os abusadores das redes, semeando fake news; são as ameaças constantes (e muitas já concretizadas) de privatização de escolas, água, luz e até praias… Corre um meme por aí que diz: no dia em que tudo for privatizado, seremos privados de tudo!

Enquanto isso, a extrema direita avança no mundo, quem sabe planejando um governo mundial nazifascista!

Como viver ou sobreviver com um mínimo de saúde psíquica no meio de tudo isso? Como educadora, como psicanalista, como jornalista, como escritora, fico procurando palavras, estratégias, sentimentos, com que possa levantar o ânimo das pessoas (e o meu próprio), porque não está nada fácil. E ao cair na depressão ou na ansiedade ou ainda na  síndrome de pânico, com diagnóstico fechado e assinado por um psiquiatra, mergulha-se então no universo dos remédios de tarja preta, que apagam ainda mais o brilho dos olhos e, de acréscimo, alimentam o lucro (já imoral) da indústria farmacêutica. Não digo que não haja casos em que essa medida seja necessária, mas deveríamos arrancar as raízes do mal e não combater apenas os sintomas.

Não há receitas, porém. E as coisas vão piorar sim. A crise climática e os avanços dos fundamentalismos são dados objetivos que nos assombram.

Mas… não podemos entregar os pontos. É preciso buscar forças no fundo do fundo e nos unirmos de mãos dadas (porque o amor é ainda a maior cura). Lembrei-me de uma das óperas que adoro La Traviata (está certo, bem romântica, mas está valendo qualquer recurso que nos alivie de maneira saudável): “A quell’amor ch’è palpito
Dell’universo intero” (Ah, aquele amor, que é o pulsar do universo inteiro).

Estar com pessoas amadas, usufruir, ou ainda melhor, produzir arte, conectar-se com a espiritualidade, são caminhos que acalmam, que integram nosso psiquismo e nos abastecem para a luta diária.

Muita gente desiste de se informar, de saber o que está acontecendo, para não sentir o reflexo de tantas dores humanas que nos chegam a cada minuto. É saudável fazemos desintoxicações periódicas, para ganhamos forças, mas a alienação permanente é contraproducente, porque em algum momento a realidade nos atinge em cheio e não estaremos preparados para enfrentá-la de peito aberto e com força de resistência.

E acima de tudo, é preciso que permaneçamos no palco da luta, que não abandonemos o projeto coletivo, unidos com aqueles que assim também pensam e agem, de transformar esse mundo, de acabar com esse sistema predatório, de salvar a natureza, de distribuir pão e fraternidade entre os povos. Ativismo sim, seja através da semeadura de ideias que movem, de ações militantes que mudam realidades, mantendo sempre a esperança de dias melhores, que virão sim.

Os fundamentalismos também costumam oferecer panaceias perigosas nessas horas: anúncios apocalípticos, com redenções mágicas; perseguições a bodes expiatórios; recrudescimento de explicações estapafúrdias dos fatos que nos angustiam. Como aquela lourinha aguada falando que o motivo da destruição do Rio Grande do Sul pelas enchentes foi o grande número de terreiros de Candomblé naquele estado!

Procuremos nos ancorar na ciência, na racionalidade, na fé equilibrada que dialoga com outras formas de fé e que jamais abandona a ciência.

É o que é possível agora. Persistamos, que logo à frente, pode haver alguma luz no final do túnel. A resistência, o trabalho devotado de milhões de pessoas no mundo que fazem o que todos devemos fazer para mudar a exploração de trabalho, a nossa atuação junto à mãe natureza e as relações entre os povos – tudo isso é um alento. O povo está se levantando no planeta todo contra o genocídio em Gaza. O povo terá que se levantar cada vez mais. Porque esse mundo é nosso e não vamos entregá-lo de mão beijada para meia dúzia de bilionários narcisistas e fascistas!

Dora Incontri – Graduada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Mestre e doutora em História e Filosofia da Educação pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-doutora em Filosofia da Educação pela USP. Coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita e do Pampédia Educação. Diretora da Editora Comenius. Coordena a Universidade Livre Pamédia. Mais de trinta livros publicados com o tema de educação, espiritualidade, filosofia e espiritismo, pela Editora Comenius, Ática, Scipione, entre outros.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Documentário do pesquisador britânico Keith Parsons sobre o estudo de cientistas célebres sobre mediunidade e vida após a morte...



Do Canal Spirit Connections, de Luis Sérgio Marotta:



Texto de apresentação de Luis Sérgio Marotta:

Português - Documentário do inglês Keith Parsons sobre as evidências da sobrevivência após a morte.Ele faz um apanhado do movimento de investigação sobre o assunto, desde a época de William Crookes. Original do canal iDidigtalmedium no Youtube, Keith nos deu a permissão para a colocação de legendas em português, bem como o "upload" do documentário em nosso canal.

English - This is a documentary made by Keith Parsons about the evidence of the survival of our souls after death. It gathers the investigation about the subject since the times of William Crookes. The original video comes from the Youtube Channel iDigitalmedium. Keith has allowed us to upload the documentary on our channel and set Portuguese subtitles to it as well.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Dr. Gary Schwatz, professor de Psicologia e Neuropíscologia, formado também em Física, fala sobre a sua pesquisa sobre Mediunidade e a sobrevivência post-Mortem



Do Canal Spirit Connecitions (com legendas em Português e apresentação de Luis Sérgio Marotta):


texto de apresentação do Canal Spirit Connections sobre o Dr. Gary Schwartz:

O dr. Gary Schwartz é formado em Harvard. É professor de psicologia, medicina, neurologia, psiquiatria e cirurgia. Ele fala sobre suas pesquisas de ponta em mediunidade. Sua apresentação foi no 4º Congresso Médico Espírita dos Estados Unidos Dr. Gary Shwartz, from Harvard, is a professor of psychology, medicine, neurology, psychiatry, and surgery, and he will speak about his experiments on mediumship. His speech took place at the 4th U.S. Spiritist Medical Congress. Spiritist Network Site: www.spiritistnetwork.com

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Pesquisa aponta indícios da sobrevivência da consciêcia humana após a morte biológica... Os estudos da Universidade de Southampton sobre a EQM (experiência de quase morte)


"A evidência até agora sugere que nos primeiros minutos após a morte, a consciência não é aniquilada. Se ela desaparece depois, não sabemos, mas logo após a morte, a consciência não é perdida" - Dr. Sam Parnia, chefe da pesquisa da Universidade de Southampton sobre experiências de quase morte (EQM)

Segue nossa tradução de um artigo publicado no Natural News em 10 de setembro de 2015:

A consciência humana sobrevive mesmo após a morte biológica, confirma pesquisa




  Da Redação do Natural News:

(Tadução e notas de Carlos Antonio Fragoso Guimarães)

  Tem havido sempre uma série de teorias - alguns baseados em princípios religiosos, alguns outros em premissas filosóficas - sobre o que acontece com nossas "almas" quando morremos.

  Muitas pessoas, de várias crenças religiosas, por exemplo, acreditam que há um "céu" ou outra forma agradável de vida após a morte para aqueles que levaram éticas, virtuosas e morais, na Terra.

 Mas os cientistas têm amplamente rejeitado tais reivindicações tradicionais, principalmente porque a ciência se baseia, principalmente, na evidência documental e replicabilidade de fatos. Agora, quando o assunto se trata do que ocorre com a consciência humana após a morte do corpo, temos algo completamente diferente.

 Tendo isto em mente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, recentemente conduziu o que, talvez, seja o maior estudo já realizado sobre o que acontece com a consciência humana após a morte. A equipe concluiu que, ainda que não se saiba bem o como e o por que , há, no entanto, indícios de que há a permanência de alguma consciência e autoconsciência, pelo menos por algum, tempo depois que a morte física do corpo ocorreu. Isso sugere que a consciência e o corpo estão interligados de alguma forma, mas que, contudo, eles podem ser distintos e tomam um caminho diferenciando, não-fisiológico, depois daquilo que os descrevemos como a morte.

 (Nota do Tradutor: Poderia-se, como mera anologia aproximada, comparar-se a questão da mente e do corpo com o que ocorre com o funcionamento de uma TV: Enquanto a televisão funciona normalmente, não pensamos que as imagens decodificadas e expostas na tela são uma manifestação eletrônica do aparelho diante de ondas magnéticas etéreas independentes da TV em si, emitdas por uma emissora. O fim do período útil da TV e seu descarte não implica no fim das ondas de TV que eram, antes, traduzidas em imagens e sons pelo aparelho. Lembremos, contudo, que isto é apenas uma analogia para dar uma ideia do que, talvez, aconteça na relação corpo-consciência).
 A pesquisa citada foi liderada pelo Dr. Sam Parnia (foto), e o estudo foi publicado na revista médica de estudos de reanimação de pacientes Resuscitation. O estudo envolveu mais de 2.000 pessoas que haviam sofrido uma parada cardíaca no Reino Unido, Estados Unidos e Áustria.

"A evidência sugere a consciência não é aniquilada "

 Sendo o maior estudo deste tipo até à presente data, os pesquisadores aplicaram metodologia rigorosa, a fim de eliminar todos os casos que poderiam ter sido baseado em impressões individuais, que poderiam ter sido dignos de nota, mas que, todavia, não tinham nenhum interesse científico.

Os resultados revelaram que 40 por cento das pessoas que sobreviveram a uma parada cardíaca estavam conscientes durante o tempo que elas estavam clinicamente mortas e antes de seu coração começarem a bater mais uma vez.

"A evidência até agora sugere que nos primeiros minutos após a morte, a consciência não é aniquilada. Se ela desaparece depois, não sabemos, mas logo após a morte, a consciência não é perdida", disse Parnia.

  (Nota do Tradutor: De fato, só é possível reverter o quadro de morte clínica dentro de um limite temporal mais ou menos curto, de, no máximo, alguns minutos, posto que a falta de oxigenação no cérebro pos mais de cinco minutos leva o mesmo a morrer definticamente, no todo ou em parte, inviabilizando a vida. Por isso, os relatos que cofirmam a continuação da consciência se dá nos sobreviventes que retiveram a lembrança de alguma consciência do que ocorreu no período entre a morte e o retorno através das técnicas ressuscitamento clínico. A evidência, portanto, é de que, no intervalo entre a morte e a reanimação, a consciência reteve memória de eventos e, em alguns casos, pôde observar e compreender o que estava ocorrendo como agiam médicos e enfermeiros sobre o seu corpo. Por isso é dado o nome  de Experiência de Quase Morte, posto que a morte, claro, não foi defintiva, mas um intervelao onde houve a morte clínica. E isto, por hora, são os fatos comprovados. Deles, contudo, não se pode afirmar a durabilidade da consciência no tempo bem posterior à morte, embora seja possível especular que isso seja uma consequencia lógica da experiência)

  "Sabemos que o cérebro não pode funcionar quando o coração parou de bater," continuou o pesquisador. "Mas neste caso consciência parece ter continuado por até três minutos para além do período em que o coração não estava batendo, mesmo alem de quando o cérebro normalmente entra em colápso, baixando drasticamente suas atividades dentro de 20-30 segundos depois que o coração parou.
"Isso é significativo, uma vez que muitas vezes tem sido presumido que tais experiências em relação à morte são resultados de alucinações ou ilusões provavelmente ocorridos, quer antes de o coração parar ou depois que o coração foi reanimado com sucesso", observa Parnia. "Mas não é uma mera experiência ilusória coincidente com eventos reais ,quando o coração não está batendo. Além disso, as lembranças detalhadas de consciência visual, neste caso, foram consistentes com os eventos verificados."

"Processo potencialmente reversível"


Parnia disse que, ao todo, um total de 2.060 pacientes com parada cardíaca foram estudados. Desses pacientes, 330 sobreviveram, e desse número, 140 disseram ter estado parcialmente conscientes durante o seu tempo de reanimação.

"Trinta e nove por cento  das pessoas descreveram uma percepção de consciência, mas não têm qualquer memória explícita de eventos", disse ele, sugerindo que "mais pessoas podem ter a atividade mental inicialmente, mas depois perdem suas memórias, quer devido para os efeitos da lesão cerebral ou medicamentos sedativos sobre a recuperação da memória ".

 (Nota do Tradutor: Este fato não deveria impressionar. Lembremos que a maioria das pessoas sonham, por vezes de forma intensa, mas que, quando acordam, devido a mudanças do estado de consciência e da estrutura cerebral de um estado a outro, as lembranças dos sonhos são drasticamente apagadas em poucos minutos após o despertar, quando não inteiramente apagadas ou, então, conservando traços confusos e bem diferentes do sonho real - qualquer um que tenha o hábito de manter um diário de sonhos e e registrá-los ao acordar conhecerá esse fenômeno melhor do que ninguém. O mesmo se dá em traumas psicológicos: sobreviventes de acidentes, por exemplo, aéreos, costumam entrar em um estado de choque e desnorteamento. Dificilmente lembram das coisas que fizeram ou disseram imediatamente antes do acidente e durante o período de resgate).


 "Um em cada cinco pessoas disseram ter sentido uma sensação incomum de tranquilidade enquanto quase um terço disse que o tempo parecia ter abrandado ou acelerado ", continuou o investigador, citado pela Bioethics.Georgetown.edu. "Alguns lembram de ter visto uma luz brilhante;.. Um flash de ouro ou o sol brilhando. Outros relatram sentimentos de medo ou afogamento ou sendo arrastado como sendo em águas profundas. 13 por cento disseram ter se sentiu separadas de seus corpos eo mesmo número disse seus sentidos tinham sido intensificados. "

(Nota do tradutor: Desde os estudos pioneiros dd Dr. Raymond Moody Jr, em meados da década de 70, com pessoas que passaram por experiências de quase-morte, que estas "sensações" descritas acima são comumente relatadas, embora os casos de impressões positivas superem, em número, as negativas. Sugerimos ao leitor interassado pesquisar a literatura dedica à pesquisa da EQM, começando com o livro "Vida Depois da Vida", do Dr. Raymond Moody).

No final, Parnia disse que acredita que, "ao contrário da percepção comum, a morte não é um momento específico, mas um processo potencialmente reversível, que ocorre após qualquer doença grave ou acidente que faça com que o coração, pulmões e cérebro para parem de funcionar."

Fontes:




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Lançado no Brasil, completo, o Tratado de Metapsíquica, de Charles Richet





Charles Robert Richet (1850-1935), foi um cientista, pesquisador e filósofo francês, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1913 por sua descoberta da mecânica das reações alérgicas (choque anafilático). Também foi um dos descobridores da soroterapia e do mecanismo da homeostase térmica dos mamíferos. Mas também foi um dos mais sérios pesquisadores dos chamados fenômenos psíquicos (hoje chamados, apesar do desgaste do termo por uma mídia superficial, de paranormais).

Sobre esta área, Richet dedicou mais de cinquenta anos de estudos exaustivos.  Usou o quanto pode o mais rígido método de controle científico e, apesar de sua tendência a um pensamento mecanicista, foi suficientemente sincero para defender a realidade dos fenômenos de telepatia, psicocinesia (atuação à distância da mente sobre a matéria) e da ectoplasmia (termo cunhado por ele para denominar a substância que certos médiuns exsudavam apara dar formas a fantasmas).

Um levantamento de suas pesquisas e comprovações veio à lume nos anos 1920 com a publicação de seu Traité de Metapsychique (Tratado de Metapsíquica). Sua proficiência e seriedade na ciência e nas pesquisas psíquicas pode ser avaliada não só pelo Prêmio Nobel conquistado, mas por anos no ensino de Fisiologia e da Medicina na Sorbonne, em Paris, e por ter sido presidente do Instituto Metapsíquico Internacional, em Paris, e da Society for Psychical Research, de Londres.

  Agora, o Tratado de Metapsíquica é lançado integralmente no Brasil, em dois volumes, pela Editora do Conhecimento. Anteriormente, a editora Lake havia publicado apenas dois terços do texto da obra de Richet, recentemente fazendo o mesmo em uma nova edição. O público estudioso brasileiro, agora, pode ter em mãos integralmente este clássico indispensável ao estudo das faculdades da alma humana. Obra de um conteúdo extraordinário, cobre e discute os testes e experimentos da época áurea das pesquisas psíquicas.
  Este livro, um clássico, deve ser lido junto com As Forças Naturais Desconhecidas (Ed. do Conhecimento) A Morte e Seu Mistério, de Camille Flammarion (3 volumes, editora da Feb), bem como com Pesquisas sobre a Mediunidade, de Gabriel Delanne (Editora do Conhecimento),  não ficando em nada a dever aos estudos atuais de um Charles T. Tart, cujo livro O Fim do Materialismo (editora Cultrix) também se faz um complemento, recente, ao estudo da questão das faculdades psíquicas e da sobrevivência, ou das análises epistêmicas de um Dean Radin no livro Mentes Interligadas (Editora Aleph), sobre a resistência dos cientistas tradicionais à realidade dos fenômenos Psi.

Está, portanto, de parabéns a Editora do Conhecimento por trazer ao Brasil esta obra tão esperada e tão importante, de um dos gênios da ciência.

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

sábado, 22 de setembro de 2012

O fenômeno da Experiência de Quase Morte - EQM

   
 A ascenção das almas, detalhe de uma tela de Hyeronimus Bosch

     Existe um estranho e fascinante fenômeno encontrado em todos os povos e culturas e que possuem tantos traços em comum no relato das pessoas que por ele passaram que acabou por chamar, nos últimos 37 anos, uma quantidade crescente de médicos, psicólogos e pesquisadores: a chamada lembrança da Experiência de Quase Morte, ou EQM (em inglês, Near Death Experience, NDE, ou seja, experiência próxima da morte).

   Os relatos, que já vinham sendo recolhidos por médicos, enfermeiros e outros há muito tempo, se tornaram mais conhecidos a partir do livro do Dr. Raymond Moody Jr, Life after Life (1975), traduzido para o português, Vida Depois da Vida, publicado no Brasil pela editora Nórdica.

  Moody compilou um conjunto de relatos de pessoas que, após passarem por um tempo em que foram consideradas clinicamente mortas, ao voltarem através de técnicas de ressuscitamento, traziam lembranças e informações - várias das quais podiam ser confirmadas - do que ocorreram com seus corpos durante o processo de ressuscimtaneto e, mais além, de encontros com pessoas e sobre eventos diversos. Esta compilação mostrou haver um  certo padrão que poderia ser montado através da comparação dos relatos das lembranças de diferentes pessoas que passaram pela experiência e que tinam vários pontos em comum.  Assim, em uma experiência de EQM, é possível que a narração da pessoa, independente de cultura, religião, idade ou sexo, se aproxime dos seguintes pontos gerais:

1.º De início, a pessoa sente um mal-estar e exaustão devido a algum problema clínico grave (um ataque cardíaco, por exemplo), ou simplesmente se encontra em uma situação repentina, confusa, do qual não consegue apreender bem a situação (um acidente de carro, por exemplo, ou uma perda súibita de consciência). No primeiro caso, é possível que ele ouça a ação agitada de enfermeiros tentando reverter a situação e chamando os médicos para reanimá-lo, bem como o médico ou as pessoas ao redor declarerem de que  está morto. No segundo, a pessoa, após um breve lápso de consciência, simplesmente se vê em uma situação repentina, confusa, sem entender direito o que se está passando, mas também ouvindo o que se passa ao seu redor: as pessoas gritando e buscando ajudá-lo.

2.º Logo, a pessoa pode ouvir algum tipo de zumbido ou outro tipo de som qualquer e ao mesmo tempo sente que está se elevando ou sendo puxado para cima. Em casos de acidente ou mesmo em vários de colápso clínico, a pessoa simplesmente já se vê flutuando em algum canto do quarto, observando o espetáculo das tentativas de reanimação do seu corpo. É neste momento que algumas pessoas relatam ações e diálogos entre os médicos e enfermeiros que serão confirmados muitas vezes, posteriormente, após sua reanimação. A pessoa pode também ver que possui um corpo idêntico ao que está na cama do hospital ou noutro local e pode estranhar que esteja se sentindo tão bem, ao mesmo tempo que o corpo físico está sendo tão manipulado, às vezes violentamente, pelos médicos lá embaixo.

3.º Você agora começa a ver outras pessoas que se aproximam de você. Dentre elas, algum parente já falecido ou outros desconhecidos. Elas parecem estar lá para apoia-lo neste momento. É comum que as pessoas nesta situação se sintam bem e calmas. Neste momento ela pode se sentir atraída pelo famoso túnel onde uma luz muito brilhante se faz perceptível em seu final.

4.º A pessoa começa a se deslocar rapidamente por este túnel. Alugmas passam por uma espécie de rememoração holográfica de tudo o que viveu, pensou e sentiu durante toda a sua vida.

5.º A pessoa se apercebe, em retrospecto, de que sua vida tinha um sentido, que seus atos repercutiam na vida de outras pessoas e que sua experiência na Terra foi bem ou mal aproveitada, mas sente que outras pessoas que a acompanham não a julgam, apenas a aceitam com amor. Também se apercebe que ainda tem um corpo e que a morte não é nada daquilo que ela imaginara. Ao chegar perto do ponto luminoso, ou fim do túnel, ela pode ser recebida por um ente de grande beleza e bondade, um ser espiritual que a pessoa pode, a depender de sua cultura, interpretar como sendo um anjo, Jesus, Buda, Deus ou qualquer ente semelhante que se ligue a algum aspecto de elevação moral, independentemente de ter sido ou não religiosa. Este ser é sentido como tão compreensível e amoroso que a pessoa simplesmente se emociona e se entrega completamente à sensação de paz que está sentindo, ainda que permaneça um tanto constrangida pela avaliação que faz com a vida que viveu.

6.º Neste momento, é dito à pessoa que está passando por esta experiência que se ela for mais adiante não poderá voltar. Por vezes está ideia é representada por um portão, uma porta ou um limiar qualquer. Muitas vezes é dada à pessoa escolher entre ir adiante ou voltar. Lembrando dos filhos ou dos parentes e amigos, ou de que, diante da experiência, ela poderia mudar e fazer algo de bom, a pessoa ou decide voltar ou simplesmente é "mandada" de volta, muitas vezes contrariando a sua vontade, que é a de permanecer neste plano espiritual.

7.º A pessoa volta novamente ao ponto de partida e continua a ver as pessoas se esforçando por reanimá-la quando, repentinamente, parece ser sugada de volta ao corpo. Neste momento, sente a dor do corpo e de todo o procedimento e se frustra diante da paz e alegria que estava sentido momentos antes, na experiência de EQM.

8.º Mas tarde, ela tenta contar o que viveu. Começa a perceber que o que vivenciou é muito dificil, senão impossível, de ser expressado coerentemente através de palavras. A depender do contexto onde vive, ela sequer tenta descrever o que viveu, com medo de ser considerada louca ou de ter tido um delírio.

9.º A pessoa, qualquer que tenha sido suas idéias sobre a vida e a morte anteriormente, sente-se completamente mudada pela experiência vivida, muitas vezes apresentando uma segurança e sensação de propósito e afirmando que seu medo da morte diminuiu muito, quase desaparecendo completamente.

O pesquisador e psicólogo experimental Charles T. Tart afirma que
"O fato de Moody ter conseguido criar um resumo do que geralmente se passa nas EQMs chama a nossa atenção para uma das coisas mais importantes acerca dessas experiências: a enorme semelhança das EQMs em uma vasta gama de pessoas e culturas. Se as EQMs não passassem de experiências alucinatórias induzidas pelo mau funcionamento do cérebro no momento em que alguém morre, como querem crer os materialistas, o normal seria que houvessem grandes variações nas alucinações de pessoa para pessoa, e as características da experiência seriam em grande parte determinadas pelas culturas e crenças daqueles que a tivessem. Em vés disso, o que aponta para a existência de alguma coisa 'real' nas EQMs,que não seria, assim, mera alucinação. Na verdade, alguns de seus aspectos geralmente contradizem os sistemas de crenças (anteriores) das pessoas que as vivenciam. Os (ex-)ateus, por exemplo, ficam desconcertados por se verem diante de um ser de luz de aspecto divino, ainda que as descrições desse ser sejam muito semelhantes àquelas dadas por pessoas que têm outras crenças" (TART, Charles. O Fim do Materialismo, Ed. Cultrix, 2012, pp. 257-258).

Atualmente, entre os pesquisadores de renome a estudarem estas experiências incluem-se os nomes dos clínicos e pesquisadores Dra. Elizabeth Kübler-Ross, Dr. Sam Parnia e do Dr. Peter Fenwick, entre outros (Keneth Ring, D. Scott Rogo, etc.). O livro de D. Sott Rogo, "Volta à Vida" (publicado no Brasil pela Ibrasa), faz um estudo abrangente de todas as implicações e possibilidades do fenômeno EQM.

Um documentário que pode aprofundar o estudo deste tema foi feito pelo Discovery Channel e pode ser visto aqui:

 Um excelente documentário em longa metragem, disponível em DVD sobre o tema, chama-se "Vida Depois da Morte", baseado nos estudos de Moddy, Elizabeth Kubler-Ross e outros (foto ao lado).

 Hoje, com o desenvolvimento das técnicas de ressuscitação, o número de pessoas quevivenciaram uma EQMs eleva-se à cifra de milhões de pessoas, em todo o mundo.

Carlos Antonio Fragoso Guimarães