sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A direita e a manipulação - Caso Master: a luta da semana, fatos x versões narrativas empresarias midiáticas, por Luis Nassif

A leitura organizada do enredo, separando ruído de evidência (e com os “senhores fatos” ocupando o centro do palco).

 

Do Jornal GGN:


Caso Master: a luta da semana, fatos x versões




O Caso Master virou um daqueles roteiros em que o problema não é falta de versão — é excesso delas. E todas tropeçando no mesmo obstáculo: os fatos. Eis a leitura organizada do enredo, separando ruído de evidência (e com os “senhores fatos” ocupando o centro do palco).

1) A narrativa do “BC precipitado” colide com o próprio registro oficial

Versão em circulação:

O depoimento do diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, seria para expor  fragilidades da investigação, alimentando a tese do Master de que a liquidação foi apressada.

O que os fatos mostram:

  • A pergunta destacada (atribuída a Dias Toffoli) — se o BC agiu com a “celeridade necessária” entre os primeiros indícios e a liquidação — indica exatamente o oposto do que se sugeriu: apurar se houve demora, não precipitação.
  • A cobertura do Estadão (curiosamente atribuída à “redação”) registra que o depoimento colocou Vorcaro e Paulo Henrique Costa em situação difícil, ao detalhar a fiscalização. Isso não é combustível para tese defensiva; é contraponto.

Resumo: a tentativa de inverter o sentido da pergunta não resiste a uma aula básica de interpretação de texto.

2) O documento do BC ao TCU: um “spoiler” inconveniente

Enquanto colunas falavam em afrouxamento, o Estadão publicou a resposta formal do BC ao pedido de explicações no TCU. O conteúdo é devastador para a versão do Master:

  • A liquidação foi adotada após esgotamento de alternativas, buscadas desde o início do mapeamento dos problemas.
  • Reverter a liquidação poderia causar danos graves ao sistema financeiro.

Tradução: não foi ato intempestivo; foi decisão tardia e necessária. Os fatos, novamente, estragando a ficção.

3) STF e Toffoli: a tese do “atalho sem base legal” não se sustenta

Versão:

Toffoli teria “puxado” o caso ao STF para ajudar o Master.

O que consta nos autos (PGR):

Paulo Gonet sustenta que, ao surgir documento envolvendo agente político com foro, é prudente que o STF conduza as diligências para evitar nulidades futuras — com precedentes no Tribunal.

Conclusão jurídica:

A ida ao STF foi procedimentalmente correta para resguardar a investigação. Não há correção pública das leituras equivocadas — mas há o registro formal que as contradiz.

4) O padrão que se repete

  • Primeiro plano: conflitos laterais (quem pergunta, quem manda, “fontes do mercado”).
  • Segundo plano: versões interessadas.
  • Terceiro plano: fatos documentados — que, quando aparecem, desmentem as versões.

É a velha maldição: quando a realidade insiste em aparecer, a narrativa sofre.

Em síntese (para não dizer que foi falta de aviso)

  • A pergunta-chave sugere demora, não precipitação do BC.
  • O depoimento técnico apertou, não afrouxou.
  • O BC registrou esgotamento de alternativas e risco sistêmico na reversão.
  • O STF entrou por cautela jurídica, com respaldo da PGR.

Os fatos venceram por W.O. — de novo.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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