Da Rádio BandNews FM:
Textos de Filosofia e ensaios sobre temas atuais
Do Canal História Preditiva:
O professor Jiang nos ensina: estamos num ponto da história em que não dá mais para fingir normalidade. Você percebe — nas manchetes, nas ruas, nas conversas entre amigos — sinais que se repetem em todo canto do mundo: guerras que não param, preços que sobem mais rápido que salários, jovens que não querem ter filhos, famílias afundadas em dívidas, e uma sensação crescente de que ninguém mais confia em ninguém.
Neste vídeo — e nesta série de aulas condensadas — o professor Jiang nos convida a pensar grande: por que sociedades sobem e por que elas caem? E mais urgente: o que podemos esperar para os próximos 5 a 10 anos?
A pergunta inicial é simples, mas pesada: uma sociedade pode entrar em declínio mesmo sem uma catástrofe óbvia? A resposta do professor Jiang é: sim — e o processo tem sinais previsíveis. Por isso, o objetivo desta aula não é alarmar por si só, mas dar um mapa analítico. Se você entender o mapa, consegue ver onde estamos e — crucialmente — como reagir.
Hoje ele nos oferece três ferramentas intelectuais para interpretar o presente: (1) a financialização da economia — onde o dinheiro passa a crescer por si só sem que a economia real acompanhe; (2) a superprodução de elites — quando há mais filhos de famílias poderosas do que posições de poder disponíveis, gerando facções e conflito; (3) o ciclo civilizacional — a ideia de que uma civilização tem um ciclo de vida: nasce, cresce, atinge auge, estagna e morre, como um organismo. Cada teoria, tomada isoladamente, explica parte do quebra-cabeça. Juntas, formam um quadro preocupante — mas explicativo — do momento histórico.
Aqui está a promessa do vídeo: ao fim dos cinco blocos você terá (a) uma lista clara dos sinais de declínio para monitorar no seu país e na sua vida; (b) uma compreensão de como as elites, a classe gerencial e a população interagem para criar estabilidade ou ruína; e (c) cinco previsões práticas sobre o que provavelmente veremos nos próximos 5–10 anos — e por que essas previsões não são mera especulação, mas inferências a partir do modelo.
Antes de seguir, anote três coisas que você já percebeu no seu entorno: 1) houve aumento de dívidas na sua família ou bairro? 2) você ou pessoas próximas pensam em não ter filhos? 3) nota menos confiança entre vizinhos e desconhecidos? Se respondeu “sim” a qualquer uma dessas, é provável que o seu lugar reflita as tendências que Jiang descreve — e este vídeo foi feito para você.
No próximo bloco vamos listar, com detalhe, os sinais concretos de declínio que aparecem no mundo hoje — desde indicadores econômicos até mudanças culturais — e por que a convergência desses sinais é mais perigosa que cada um isoladamente. Antes de passarmos para o próximo bloco, caso você ache que nosso trabalho tem valor,, quero te pedir para deixar o seu like, pois assim você incentiva a continuarmos o nosso trabalho,e também já se inscreva, pois assim cada nova aula será recomendada pela plataforma para você. BLOCO 2 — OS SINAIS DO DECLÍNIO QUE JÁ ESTÃO ACONTECENDO AO NOSSO REDOR O professor Jiang começa este bloco com uma constatação direta: não estamos entrando em declínio — já estamos nele. E ele pede que olhemos para o mundo não como indivíduos isolados, mas como analistas de padrões. Quando fazemos isso, percebemos que os mesmos sintomas aparecem simultaneamente em dezenas de países, culturas e economias. O primeiro grande sinal é o aumento dos conflitos. A guerra na Ucrânia, a instabilidade no Oriente Médio, as tensões crescentes no Sudeste Asiático — tudo isso compõe um mosaico que lembra as fases finais de civilizações antigas. Um mundo estável não produz tantos focos simultâneos de combustão. O segundo sinal é o desgaste ambiental. Não é apenas sobre clima. É o envenenamento do ar, da água, dos solos — pressões que tornam a vida mais cara, a saúde mais frágil e a confiança coletiva mais baixa. O ambiente degradado funciona como um espelho do desgaste social. O terceiro sintoma é talvez o mais simbólico: o desinteresse pelo trabalho. Jiang cita dois termos que se tornaram comuns: Na China, o bailan — o “deixa apodrecer”. Nos Estados Unidos, o quiet quitting — trabalhar só o mínimo para não ser demitido. Segundo Jiang, isso não é preguiça. É sinal de que as pessoas não acreditam mais no sistema. Quando uma civilização perde a fé em seu próprio projeto, ela inevitavelmente desacelera. O quarto sinal é o declínio das taxas de natalidade. E aqui o professor é incisivo: quando uma geração inteira decide não ter filhos, ela está dizendo — ainda que inconscientemente — que não acredita no futuro. Ele lembra que, em praticamente todas as regiões do planeta, as taxas de fertilidade caíram abaixo do nível necessário para repor a população.
Do Jornal GGN:

O Caso Master virou um daqueles roteiros em que o problema não é falta de versão — é excesso delas. E todas tropeçando no mesmo obstáculo: os fatos. Eis a leitura organizada do enredo, separando ruído de evidência (e com os “senhores fatos” ocupando o centro do palco).
Versão em circulação:
O depoimento do diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, seria para expor fragilidades da investigação, alimentando a tese do Master de que a liquidação foi apressada.
O que os fatos mostram:
Resumo: a tentativa de inverter o sentido da pergunta não resiste a uma aula básica de interpretação de texto.
Enquanto colunas falavam em afrouxamento, o Estadão publicou a resposta formal do BC ao pedido de explicações no TCU. O conteúdo é devastador para a versão do Master:
Tradução: não foi ato intempestivo; foi decisão tardia e necessária. Os fatos, novamente, estragando a ficção.
Versão:
Toffoli teria “puxado” o caso ao STF para ajudar o Master.
O que consta nos autos (PGR):
Paulo Gonet sustenta que, ao surgir documento envolvendo agente político com foro, é prudente que o STF conduza as diligências para evitar nulidades futuras — com precedentes no Tribunal.
Conclusão jurídica:
A ida ao STF foi procedimentalmente correta para resguardar a investigação. Não há correção pública das leituras equivocadas — mas há o registro formal que as contradiz.
É a velha maldição: quando a realidade insiste em aparecer, a narrativa sofre.
Em síntese (para não dizer que foi falta de aviso)
Os fatos venceram por W.O. — de novo.
Leia também:

"É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo."
Do Jornal GGN:
Está na hora dos veículos de imprensa se debruçarem sobre um código de ética mínimo. Tem-se um modelo de jornalismo que está sendo destruído pelas redes sociais, pelas informações desestruturadas, pelas fake news, pela irresponsabilidade no uso do off e dos assassinatos de reputação.
Mas insiste-se em combater esse desgaste recorrendo ao mesmo estilo irresponsável das redes sociais, sem nenhum compromisso com dados, com fontes, com fatos, apenas atrás de likes. E a falta de compromissos com a lógica e com os fatos é meio caminho andado para o exercício do lobby.
É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo.
Aqui, sua última versão. Não mais a de que a convocação do Diretor de Fiscalização do Banco Central para uma acareação com um diretor do BRB, visava intimidá-lo. Na última versão, o diretor de fiscalização passa a ser cúmplice do Banco Master em uma jogada articulada pelos advogados do Master.
| Malu Gaspar | |
|---|---|
| Depois de conseguir o envio da investigação sobre o Master para o Supremo Tribunal Federal e a decretação de sigilo absoluto no caso, a próxima etapa da estratégia de defesa do banco já está em andamento. O objetivo é minar a credibilidade do Banco Central e desmontar o trabalho que levou à liquidação do Master para revertê-la e, no limite, quem sabe até receber algum tipo de ressarcimento. | Não há uma fonte, uma explicação jurídica embasando a afirmação. É mero desconfiômetro ligado. |
| O plano já foi desenhado pelos advogados do Master nas manifestações feitas tanto ao próprio Supremo como ao Tribunal de Contas da União, no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus pediu esclarecimentos ao BC sobre a “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro. | Mistura um Ministro do TCU, indicado pelo PL (partido por trás do Banco Master) com o BC. Não há nenhuma comprovação, nenhuma dica, nenhum indício de que há o tal plano desenhado pelos advogados do Master. |
| Para que o estratagema dê certo, porém, é preciso criar fatos para justificar uma decisão de Toffoli contra os diretores e técnicos do BC. O histórico do ministro autoriza supor que ele tem chance de prosperarDesde que embarcou no jatinho de um amigo empresário junto com o advogado de um dos investigados no caso para ir a Lima assistir a final da Libertadores, Toffoli vem seguindo à risca o script da defesa. | O jatinho não era do advogado. Ambos eram caronas de terceiros. E acertos obscuros são realizados em locais sigilosos, não em viagens para assistir jogo do Palmeiras. É uma ilação ridícula. |
| Primeira informação útil: a liquidação foi decidida com a aprovação unânime da diretoria colegiada do BC, incluindo o voto sim do presidente, Gabriel Galipolo, que em princípio não precisava se manifestar, já que os outros oito diretores eram a favor. A responsabilidade, portanto, é de toda a cúpula da autarquia.E ainda: de todos, quem mais resistiu à ideia da liquidação foi o próprio Ailton Aquino, da fiscalização. Internamente no BC e no sistema financeiro, Aquino era visto como um aliado do Master. | O diretor que, segundo Gaspar, é visto como aliado do Master, votou pela liquidação do banco.Ela acusa um f uncionário de carreira, de ficha limpa, de “aliado do Master”, baseado em fontes em off (se é que existem). |
| Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sustentado por recursos dos próprios bancos, mostram que houve 38 comunicados oficiais sobre os riscos de liquidez, furos no balanço do Master e outras questões que deveriam levar a uma ação mais contundente do órgão regulatório.Quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino, e muitos foram feitos em reuniões presenciais. Duas pessoas que participaram desses encontros me relataram que a atitude do diretor era sempre a de minimizar os problemas – que foram só se agravando ao longo do tempo. | Confira a malícia.Todos os alertas eram produzidos pela área de Aquino, que era diretor de fiscalização. Mas, segundo Gaspar, “quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino”, como se fossem alertas externos, não considerados pela diretoria de fiscalização. |
| Foi no processo de análise dessa operação que outra diretoria, a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, encontrou as fraudes nos contratos de crédito consignado que avalizaram o repasse de R$ 12, 2 bilhões do BRB para o Master pela venda da carteira, antes mesmo da fusão dos dois bancos.A partir daí deu-se um racha interno, com a área de Renato Gomes propondo intervir no Master e a de Aquino tentando encontrar uma solução que permitisse ao banco seguir operando. Portanto, o integrante do BC que mais conhece as fraudes e seu mecanismo não é Aquino, e sim Gomes, que até já terminou o mandato. | Conclusão forçada. Em processos dessa natureza, o objetivo maior é impedir impactos sobre o sistema financeiro como um todo. A saída mais l ógica é propor medidas que permitam a venda do banco com problemas para outro, que absorva os passivos. A intervenção sempre é o último passo.Quando constatado o repasse de RF$ 12,2 bilhões do BRB para o Master, viu-se que o único caminho seria a liquidação.O fato de haver um diretor a favor da intervenção não o torna mais conhecedor do caso que o outro. |
| Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação. | Poderia escrever: há um alívio entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem esclarecidas as prováveis interferências em seu trabalho. Teria o mesmo valor que a afirmação ao lado. |
| Enquanto esse embate interno se dava, em julho de 2025, ocorreu uma reunião em que o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu a Galipolo pelo Master. Moraes, cuja mulher tem um contrato de prestação de serviços jurídicos de R$ 130 milhões com o banco, disse gostar de Vorcaro e recorreu a um argumento muito usado à época – o de que o banqueiro vinha sendo perseguido pelos grandes que não queriam concorrência. Ao ser informado por Galípolo de que o BC havia descoberto as fraudes, Moraes recuou e disse que tudo precisava ser investigado. | Finalmente, admitiu o que outros jornalistas já haviam revelado. |
| Dois dias antes de a liquidação ser decretada e Vorcaro ser preso, o dono do Master pediu para antecipar uma reunião com Aquino para dizer que tinha encontrado compradores para seu banco, um consórcio entre a financeira Fictor e um fundo árabe que ele nunca soube qual era.Depois da prisão na área de embarque do aeroporto de Guarulhos, o registro da reunião foi usado pela defesa de Vorcaro para argumentar que ele tinha avisado ao BC que viajaria para Dubai e que portanto não poderia estar fugindo. O ofício com o registro, assinado por Aquino, foi fundamental para que Vorcaro fosse tirado da cadeia e enviado à prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. | Ai Vorcaro vai até o Aquino e diz que encontrou um comprador para seu banco. Toda reunião tem um registro. Teria registro se a reunião fosse com qualquer outro diretor do BC.Gaspar utiliza o ofício para insinuar cumplicidade de Aquino. |
| Se queria mesmo entender como foi feito o trabalho dos técnicos da autarquia, Toffoli deveria ter convocado ao menos os dois diretores – e não apenas o mais próximo de Vorcaro. Diante desse quadro, os representantes legais do BC acusaram o risco de “armadilhas processuais” e pediram o cancelamento da acareação. | Mentira! Ela coloca o questionamento dos representantes legais do BC – sobre a possibilidade do diretor ser colocado no mesmo nível dos acusados – para insinuar que o questionamento foi sobre a suposta imparcialidade do diretor. |
Vamos aplicar o método Malu Gaspar para interpretar o jornalismo de Malu Gaspar.

Do Canal Global Market Brief:
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a prisão de Silas Malafaia, e o cerco agora avança também contra a Jovem Pan, que entra oficialmente na mira de um possível processo de cassação da concessão. As acusações envolvem uso político de meios de comunicação, ataques sistemáticos às instituições, disseminação de desinformação e possível violação dos limites legais da liberdade de expressão. O caso gera tensão nos bastidores de Brasília, expõe o papel da mídia alinhada ao bolsonarismo e coloca em risco um dos maiores grupos de comunicação ligados à extrema direita no país. Neste vídeo, você vai entender: Por que a PGR pediu a prisão de Malafaia O que pode levar à cassação da concessão da Jovem Pan Quais são os impactos jurídicos e políticos dessa ofensiva E por que esse episódio pode representar um marco no combate à desinformação no Brasil
Do Canal Global Market Brief:
O que era para ser uma jogada de bastidor acabou virando um tiro pela culatra. A tentativa de manipular a narrativa política afundou publicamente, e a própria TV Globo acabou desmontando o discurso que vinha sendo articulado nos corredores do poder. No centro da crise, o STF entrou em cena — e Edson Fachin saiu exposto, isolado e politicamente enfraquecido, diante das contradições que vieram à tona. O que se vendia como defesa institucional passou a parecer manobra mal calculada, gerando desgaste interno e externo. Neste vídeo, você vai entender: Por que a estratégia virou contra seus próprios articuladores Como a cobertura da mídia desmontou a narrativa O impacto político dentro do Supremo Tribunal Federal E por que esse episódio marca um ponto de virada no jogo de poder Assista até o final e tire suas próprias conclusões.
A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo
Do Jornal GGN:

O caso Malu Gaspar deflagrou uma discussão curiosa sobre princípios do jornalismo e da reportagem. Até a, em geral, prudente ombudsman da Folha embarcou na retórica das falsas analogias.
Diz ela, citando um colega:
Qual a lógica dela? Como tanto Watergate quanto o caso Malu Gaspar têm em comum a não apresentação (inicial) de provas. Logo, as denúncias de Malu têm tanto peso quanto às de Watergate. Tenha a santa paciência!
Poderia ter recorrido a uma comparação mais caseira: a Lava Jato, da qual Malu Gaspar foi uma das principais porta-vozes. A maioria das denúncias da Lava Jato não vinha acompanhada de provas ou, no máximo, vinha com provas plantadas. Grande parte se revelou falsa e, mesmo assim, foi endossada pela mídia. Logo…
Malu trouxe uma informação concreta: o contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Não bastou. Trouxe, então, um reforço: a suposta interferência de Moraes no BC, na forma de 4 telefonemas e uma reunião presencial com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para supostamente tentar reverter a decisão do BC, de liquidar o Master.
O contrato advocatício atenta contra a ética. A suposta interferência direta do Ministro pode ser enquadrada em crime. Justamente por isso exigiria um conjunto de evidências que fortalecesse a versão apresentada.
Qual a evidência? A informação vaga de que se baseara em 5 fontes do mercado e uma do Banco Central. Logo em seguida duas colegas, de outros jornais, soltaram a mesma denúncia, baseada nas mesmas fontes.
Na era do WhatsApp, basta uma pessoa chegar em um grupo e dar uma informação sensível. Imediatamente todas as pessoas do grupo passam a deter a tal informação. Apenas uma supostamente teve acesso à fonte original. Mas todas as 6, agora, têm a informação.
Ainda mais sabendo que um dos recursos de impacto da jornalista, em suas notas, sempre foi a de usar fontes individuais de forma genérica, um estilo que acaba permitindo que uma mera nota irrelevante, de repente, ganhe peso jornalístico aos olhos do leigo . Ficou famosa a série de “tal medida provocou mal-estar nos militares”, como se o sentimento fosse de todos os militares.
Por exemplo, há uma divisão no STF entre dois grupos, cisão conhecida. O título da nota será : “Decisão de Moraes causa mal estar no Supremo”. E, aí, ingressa-se em um estilo peculiar de caça-likes, que consiste em esquentar informações secundárias.
Não apenas isso.
Outro indicador da parcialidade da mídia – e de repórteres – é a seletividade das denúncias.
Vamos a dois casos emblemáticos:
O que se tem a esclarecer
O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição – e aí se remete ao período de Roberto Campos Neto. Gabriel Galípolo cumpriu seu papel, enviando os inquéritos para o Ministério Público Federal.
Mas desde 2019 havia sinais de que o Master era uma pirâmide. E os golpes não se limitaram aos fundos municipais de previdência, ou à constituição de ativos falsos para rechear seus fundos. O mercado sabia que era um golpe, mas grandes instituições lucraram muito colocando os papéis do Master no mercado. Colocavam as cotas dos fundos, recebiam suas taxas de corretagem e os clientes que explodissem mais à frente.
E aí se volta às denúncias seletivas. Nada se fala sobre os volumes expressivos de títulos do Master vendidos pela XP e pelo BTG. Nada se fala sobre a paralisação dos processos do Master no Banco Central.
Pouquíssimo se falou sobre o envolvimento de Campos Neto com operações de lavagem de dinheiro, quando presidia a Tesouraria do Santander e, depois, como presidente do BC, as normas que adotou para flexibilizar o mercado, abrindo espaço para a enorme zorra posterior.
A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo, e um dos aríetes do STF para deslindar a mais ampla teia de corrupção já instalada no país: o sistema de lavagem de dinheiro incrustado na Faria Lima. E as reações não vêm só do sistema lavajatista.
Pelo visto, André Esteves, um dos donos do país, aprendeu bem com seu antecessor, Daniel Dantas: não basta cooptar a mídia mainstream.
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