quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

"O jogo vai ficando claro. A ofensiva midiática visa enfraquecer as investidas da PF contra a Faria Lima. O alvo, agora, é a diretoria de fiscalização do BC" - Luis Nassif sobre o caso Malu Gaspar-Globo contra o STF

 

  "É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo."

Do Jornal GGN:

Como utilizar o método Malu Gaspar para interpretar Malu Gaspar, por Luís Nassif


O jogo vai ficando claro. A ofensiva midiática visa enfraquecer as investidas da PF contra a Faria Lima. O alvo, agora, é a diretoria de fiscalização do BC


Está na hora dos veículos de imprensa se debruçarem sobre um código de ética mínimo. Tem-se um modelo de jornalismo que está sendo destruído pelas redes sociais, pelas informações desestruturadas, pelas fake news, pela irresponsabilidade no uso do off e dos assassinatos de reputação.

Mas insiste-se em combater esse desgaste recorrendo ao mesmo estilo irresponsável das redes sociais, sem nenhum compromisso com dados, com fontes, com fatos, apenas atrás de likes. E a falta de compromissos com a lógica e com os fatos é meio caminho andado para o exercício do lobby.

É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo.

Aqui, sua última versão. Não mais a de que a convocação do Diretor de Fiscalização do Banco Central para uma acareação com um diretor do BRB, visava intimidá-lo. Na última versão, o diretor de fiscalização passa a ser cúmplice do Banco Master em uma jogada articulada pelos advogados do Master.

Malu Gaspar
Depois de conseguir o envio da investigação sobre o Master para o Supremo Tribunal Federal e a decretação de sigilo absoluto no caso, a próxima etapa da estratégia de defesa do banco já está em andamento. O objetivo é minar a credibilidade do Banco Central e desmontar o trabalho que levou à liquidação do Master para revertê-la e, no limite, quem sabe até receber algum tipo de ressarcimento.Não há uma fonte, uma explicação
jurídica embasando a afirmação.
É mero desconfiômetro ligado.
O plano já foi desenhado pelos advogados do Master nas manifestações feitas tanto ao próprio Supremo como ao Tribunal de Contas da União, no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus pediu esclarecimentos ao BC sobre a “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro.Mistura um Ministro do TCU,
indicado pelo PL (partido por trás
do Banco Master) com o BC.
Não há nenhuma comprovação,
nenhuma dica, nenhum indício
de que há o tal plano desenhado
pelos advogados do Master.
Para que o estratagema dê certo, porém, é preciso criar fatos para justificar uma decisão de Toffoli contra os diretores e técnicos do BC. O histórico do ministro autoriza supor que ele tem chance de prosperarDesde que embarcou no jatinho de um amigo empresário junto com o advogado de um dos investigados no caso para ir a Lima assistir a final da Libertadores, Toffoli vem seguindo à risca o script da defesa.O jatinho não era do advogado.
Ambos eram caronas de terceiros.
E acertos obscuros são realizados
em locais sigilosos, não em viagens
para assistir jogo do Palmeiras.
É uma ilação ridícula.
Primeira informação útil: a liquidação foi decidida com a aprovação unânime da diretoria colegiada do BC, incluindo o voto sim do presidente, Gabriel Galipolo, que em princípio não precisava se manifestar, já que os outros oito diretores eram a favor. A responsabilidade, portanto, é de toda a cúpula da autarquia.E ainda: de todos, quem mais resistiu à ideia da liquidação foi o próprio Ailton Aquino, da fiscalização. Internamente no BC e no sistema financeiro, Aquino era visto como um aliado do Master.O diretor que, segundo Gaspar, é visto
como aliado do Master, votou pela
liquidação do banco.Ela acusa um f
uncionário de carreira, de ficha limpa,
de “aliado do Master”, baseado em
fontes em off (se é que existem).
Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sustentado por recursos dos próprios bancos, mostram que houve 38 comunicados oficiais sobre os riscos de liquidez, furos no balanço do Master e outras questões que deveriam levar a uma ação mais contundente do órgão regulatório.Quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino, e muitos foram feitos em reuniões presenciais. Duas pessoas que participaram desses encontros me relataram que a atitude do diretor era sempre a de minimizar os problemas – que foram só se agravando ao longo do tempo.Confira a malícia.Todos os alertas
eram produzidos pela área de Aquino,
que era diretor de fiscalização.
Mas, segundo Gaspar, “quase todos
os alertas eram dirigidos à área de Aquino”,
como se fossem alertas externos, não
considerados pela diretoria de fiscalização.
Foi no processo de análise dessa operação que outra diretoria, a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, encontrou as fraudes nos contratos de crédito consignado que avalizaram o repasse de R$ 12, 2 bilhões do BRB para o Master pela venda da carteira, antes mesmo da fusão dos dois bancos.A partir daí deu-se um racha interno, com a área de Renato Gomes propondo intervir no Master e a de Aquino tentando encontrar uma solução que permitisse ao banco seguir operando. Portanto, o integrante do BC que mais conhece as fraudes e seu mecanismo não é Aquino, e sim Gomes, que até já terminou o mandato.Conclusão forçada. Em processos
 dessa natureza, o objetivo maior
é impedir impactos sobre o sistema
financeiro como um todo. A saída mais l
ógica é propor medidas que permitam
a venda do banco com problemas para
outro, que absorva os passivos. A intervenção
sempre é o último passo.Quando constatado
o repasse de RF$ 12,2 bilhões do BRB para
o Master, viu-se que o único caminho seria
a liquidação.O fato de haver um diretor a
favor da intervenção não o torna mais
conhecedor do caso que o outro.
Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.Poderia escrever: há um alívio entre
os técnicos do BC sobre a possibilidade
de serem esclarecidas as prováveis
interferências em seu trabalho. Teria o
mesmo valor que a afirmação ao lado.
Enquanto esse embate interno se dava, em julho de 2025, ocorreu uma reunião em que o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu a Galipolo pelo Master. Moraes, cuja mulher tem um contrato de prestação de serviços jurídicos de R$ 130 milhões com o banco, disse gostar de Vorcaro e recorreu a um argumento muito usado à época – o de que o banqueiro vinha sendo perseguido pelos grandes que não queriam concorrência. Ao ser informado por Galípolo de que o BC havia descoberto as fraudes, Moraes recuou e disse que tudo precisava ser investigado.Finalmente, admitiu o que outros jornalistas
já haviam revelado.
Dois dias antes de a liquidação ser decretada e Vorcaro ser preso, o dono do Master pediu para antecipar uma reunião com Aquino para dizer que tinha encontrado compradores para seu banco, um consórcio entre a financeira Fictor e um fundo árabe que ele nunca soube qual era.Depois da prisão na área de embarque do aeroporto de Guarulhos, o registro da reunião foi usado pela defesa de Vorcaro para argumentar que ele tinha avisado ao BC que viajaria para Dubai e que portanto não poderia estar fugindo. O ofício com o registro, assinado por Aquino, foi fundamental para que Vorcaro fosse tirado da cadeia e enviado à prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.Ai Vorcaro vai até o Aquino e diz que
 encontrou um comprador para seu banco.
Toda reunião tem um registro. Teria registro
se a reunião fosse com qualquer outro diretor
do BC.Gaspar utiliza o ofício para insinuar
cumplicidade de Aquino.
Se queria mesmo entender como foi feito o trabalho dos técnicos da autarquia, Toffoli deveria ter convocado ao menos os dois diretores – e não apenas o mais próximo de Vorcaro. Diante desse quadro, os representantes legais do BC acusaram o risco de “armadilhas processuais” e pediram o cancelamento da acareação.Mentira! Ela coloca o questionamento dos
representantes legais do BC – sobre a
possibilidade do diretor ser colocado no
mesmo nível dos acusados – para insinuar
que o questionamento foi sobre a suposta
imparcialidade do diretor.

Vamos aplicar o método Malu Gaspar para interpretar o jornalismo de Malu Gaspar.

  • A tese que se espalhou pelas redes é que a ofensiva contra Alexandre de Moraes é comandada por coronéis da Faria Lima, justamente para reduzir a ofensiva da PF sobre os crimes cometidos por instituições de lá. 
  • Pela legislação (Lei 4.595, Lei 13.506/2017 e normas do CMN), o BC tem o dever legal de comunicar o Ministério Público quando surgem indícios de crime, compartilhar informações com PF e MPF mediante requisição ou cooperação formal.
  • Portanto, foi o trabalho da Diretoria de Fiscalização que permitiu a Operação Colossus – a primeira ofensiva séria da Polícia Federal sobre a máquina de lavar dinheiro da Faria Lima.
  • Estender os ataques à Difis (Diretoria de Fiscalização do BC) se encaixa bem nessa estratégia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Do Global Market Brief: BOMBA INTERNACIONAL: A OEA, ORGANIZAÇÃO GLOBAL, DESMONTA ACUSAÇÕES DA GLOBO-FARIA LIMA CONTRA MORAES

 Do Canal Global Market Brief:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a prisão de Silas Malafaia, e o cerco agora avança também contra a Jovem Pan, que entra oficialmente na mira de um possível processo de cassação da concessão. As acusações envolvem uso político de meios de comunicação, ataques sistemáticos às instituições, disseminação de desinformação e possível violação dos limites legais da liberdade de expressão. O caso gera tensão nos bastidores de Brasília, expõe o papel da mídia alinhada ao bolsonarismo e coloca em risco um dos maiores grupos de comunicação ligados à extrema direita no país. Neste vídeo, você vai entender: Por que a PGR pediu a prisão de Malafaia O que pode levar à cassação da concessão da Jovem Pan Quais são os impactos jurídicos e políticos dessa ofensiva E por que esse episódio pode representar um marco no combate à desinformação no Brasil



terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Portal do José: FLAGRA! FLÁVIO BOLSONARO E O CAMINHO NADA BÍBLICO! PASTOR VALADÃO ENROLADÃO! DESEMPREGO "MATA" BOZOS

 

Do Portal do José:

NÃO HAVERÁ IMPEACHMENT DE MORAES! EXPLICAREMOS O QUE ACONTECERÁ!



O Consórcio sórdido de baqueiros, grande mídia, extrema direita e Faria Lima para golpear mais uma vez a Democracia, começando por atacar Moraes e o STF: Globo afunda na nova tentativa de Golpe e Fachin foi quem saiu de fato Desmoralizado no STF

 

Do Canal Global Market Brief:

O que era para ser uma jogada de bastidor acabou virando um tiro pela culatra. A tentativa de manipular a narrativa política afundou publicamente, e a própria TV Globo acabou desmontando o discurso que vinha sendo articulado nos corredores do poder. No centro da crise, o STF entrou em cena — e Edson Fachin saiu exposto, isolado e politicamente enfraquecido, diante das contradições que vieram à tona. O que se vendia como defesa institucional passou a parecer manobra mal calculada, gerando desgaste interno e externo. Neste vídeo, você vai entender: Por que a estratégia virou contra seus próprios articuladores Como a cobertura da mídia desmontou a narrativa O impacto político dentro do Supremo Tribunal Federal E por que esse episódio marca um ponto de virada no jogo de poder Assista até o final e tire suas próprias conclusões.



domingo, 28 de dezembro de 2025

Luis Nassif sobre o o caso Malu Gaspar e a inacreditável equiparação (pela direita e seus golpistas e saudosistas da ditadura) ao caso Watergate

 

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo

Do Jornal GGN:


O caso Malu Gaspar deflagrou uma discussão curiosa sobre princípios do jornalismo e da reportagem. Até a, em geral, prudente ombudsman da Folha embarcou na retórica das falsas analogias.

Diz ela, citando um colega: 

  1. Jornalista não precisa apresentar provas, isto é papel da Justiça. Está correta.
  2. Watergate começou com uma denúncia sem provas e, com o tempo, resultou na queda de Nixon.

Qual a lógica dela? Como tanto Watergate quanto o caso Malu Gaspar têm em comum a não apresentação (inicial) de provas. Logo, as denúncias de Malu têm tanto peso quanto às de Watergate. Tenha a santa paciência!

Poderia ter recorrido a uma comparação mais caseira: a Lava Jato, da qual Malu Gaspar foi uma das principais porta-vozes. A maioria das denúncias da Lava Jato não vinha acompanhada de provas ou, no máximo, vinha com provas plantadas. Grande parte se revelou falsa e, mesmo assim, foi endossada pela mídia. Logo…

Malu trouxe uma informação concreta: o contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Não bastou. Trouxe, então, um reforço: a suposta interferência de Moraes no BC, na forma de 4 telefonemas e uma reunião presencial com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para supostamente tentar reverter a decisão do BC, de liquidar o Master.

O contrato advocatício atenta contra a ética. A suposta interferência direta do Ministro pode ser enquadrada em crime. Justamente por isso exigiria um conjunto de evidências que fortalecesse a versão apresentada.

Qual a evidência? A informação vaga de que se baseara em 5 fontes do mercado e uma do Banco Central. Logo em seguida duas colegas, de outros jornais, soltaram a mesma denúncia, baseada nas mesmas fontes.

Na era do WhatsApp, basta uma pessoa chegar em um grupo e dar uma informação sensível. Imediatamente todas as pessoas do grupo passam a deter a tal informação. Apenas uma supostamente teve acesso à fonte original. Mas todas as 6, agora, têm a informação.

Ainda mais sabendo que um dos recursos de impacto da jornalista, em suas notas, sempre foi a de usar fontes individuais de forma genérica, um estilo que acaba permitindo que uma mera nota irrelevante, de repente, ganhe peso jornalístico aos olhos do leigo . Ficou famosa a série de “tal medida provocou mal-estar nos militares”, como se o sentimento fosse de todos os militares.

Por exemplo, há uma divisão no STF entre dois grupos, cisão conhecida. O título da nota será : “Decisão de Moraes causa mal estar no Supremo”. E, aí, ingressa-se em um estilo peculiar de caça-likes, que consiste em esquentar informações secundárias. 

Não apenas isso.

Outro indicador da parcialidade da mídia – e de repórteres – é a seletividade das denúncias.

Vamos a dois casos emblemáticos:

  1. O Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, indicado pelo PL, questionou diretamente o Banco Central, pediu informações detalhadas em 72 horas, para comprovar que o Master não poderia ter sido salvo via mercado. Intenção óbvia de tentar uma reversão da liquidação. Repercussão mínima na imprensa.
  2. O Ministro Dias Toffoli convoca o diretor de fiscalização do BC e um diretor do BRB para esclarecer a demora do BC em impedir as aventuras do Master. Nenhum indício de que pretenderia reverter a liquidação do banco. Mas soltam balões de ensaio, dizendo que Toffoli pretenderia ressuscitar o Master, gerando um sem-número de protestos em cima do nada.

O que se tem a esclarecer

O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição – e aí se remete ao período de Roberto Campos Neto. Gabriel Galípolo cumpriu seu papel, enviando os inquéritos para o Ministério Público Federal.

Mas desde 2019 havia sinais de que o Master era uma pirâmide. E os golpes não se limitaram aos fundos municipais de previdência, ou à constituição de ativos falsos para rechear seus fundos. O mercado sabia que era um golpe, mas grandes instituições lucraram muito colocando os papéis do Master no mercado. Colocavam as cotas dos fundos, recebiam suas taxas de corretagem e os clientes que explodissem mais à frente.

E aí se volta às denúncias seletivas. Nada se fala sobre os volumes expressivos de títulos do Master vendidos pela XP e pelo BTG. Nada se fala sobre a paralisação dos processos do Master no Banco Central.

Pouquíssimo se falou sobre o envolvimento de Campos Neto com operações de lavagem de dinheiro, quando presidia a Tesouraria do Santander e, depois, como presidente do BC, as normas que adotou para flexibilizar o mercado, abrindo espaço para a enorme zorra posterior.

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo, e um dos aríetes do STF para deslindar a mais ampla teia de corrupção já instalada no país: o sistema de lavagem de dinheiro incrustado na Faria Lima. E as reações não vêm só do sistema lavajatista.

Pelo visto, André Esteves, um dos donos do país, aprendeu bem com seu antecessor, Daniel Dantas: não basta cooptar a mídia mainstream.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

sábado, 27 de dezembro de 2025

Daniela Lima sobre a tentativa frustrada de mais um bolsonarista golpista condenado: "Silvinei cometou novos crimes ao tentar fugir e deve ser alvo de novos processos"

 Do UOL:

O ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques foi preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção.



PÂNICO AO VIVO NA GLOBO DIANTE DOS AVANÇOS DE INVESTIGAÇÔES CONTRA MORO E OS PATROCINADORES DO MERCADO FINANCEIRO LIGADOS A GOVERNADORES DE DIREITA: TOFFOLI E ALEXANDRE APLICAM XEQUE-MATE E JORNALISTAS ENTRAM EM COLAPSO

 Do Canal Global Market Brief:

O que era para ser apenas mais um comentário ao vivo virou clima de pânico na Globo. Após um xeque-mate inesperado aplicado por Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, jornalistas da Rede Globo foram pegos de surpresa ao vivo, sem narrativa pronta, sem controle do discurso e visivelmente desconfortáveis.

O episódio expôs: o descompasso da cobertura a reação nervosa no estúdio e o impacto direto das decisões do STF no jogo político atual Neste vídeo, você vai entender o que mudou, por que o estúdio entrou em colapso e por que esse momento não estava nos planos de ninguém. 👉 Assista até o final para compreender os bastidores e as consequências reais desse xeque-mate.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

E o golpe do fascismo-bolsonarismo-mercado-grande-mídia empresarial- #Congressoinimigodopovo continua: O caso Alexandre de Moraes e o nó górdio da democracia brasileira, por Luís Nassif

 

Do Jornal GGN:

O Centrão mobiliza-se para reunir votos suficientes ao impeachment de ministros do STF, caminho para um regime autoritário definitivo

O caso Alexandre de Moraes e o nó górdio da democracia brasileira, por Luís Nassif


    Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

Um Problema Multidimensional

A situação não admite soluções simples. Estamos diante de um emaranhado institucional que exige análise cuidadosa de cada um de seus componentes.

A Infiltração Criminosa no Estado

Durante os governos Temer e Bolsonaro, seis anos de desmonte institucional deliberado criaram condições para que um vasto ecossistema criminoso se enraizasse na estrutura do Estado brasileiro. A contaminação atingiu:

Congresso Nacional — onde as emendas secretas tornaram-se canal de desvio de recursos públicos.

Prefeituras — através de Organizações Sociais que operam como fachada.

Economia ilegal — redes de tráfico de drogas articuladas com esquemas no comércio de combustíveis.

Justiça e regulação — infiltrações estratégicas em tribunais e órgãos reguladores.

A metáfora de uma bacia hidrográfica ilustra bem o funcionamento: diversos fluxos ilícitos convergem para a Faria Lima, onde o dinheiro sujo é lavado, reciclado e reinvestido em novos golpes mediante fundos fictícios interconectados. O Banco Master ocupa o centro operacional dessa engrenagem, tendo Nelson Tanure como seu orquestrador principal.

A Guinada do STF

A trajetória do Supremo Tribunal Federal nas últimas décadas é marcada por contradições. Sua postura durante a Lava Jato, incluindo o controverso impeachment de Dilma Rousseff, contrasta dramaticamente com sua atuação posterior. Diante das investidas autoritárias do bolsonarismo, o STF reinventou-se como guardião da institucionalidade democrática, respaldando não apenas a resistência às tentativas golpistas, mas também a ofensiva da Polícia Federal contra a criminalidade infiltrada no Estado.

Alexandre de Moraes tornou-se a personificação dessa resistência. Sua condução dos julgamentos do 8 de janeiro, sua firmeza diante das pressões do governo Trump, sua persistência na operação contra as fake news — cada um desses episódios já justificaria seu lugar entre os grandes nomes da história do Supremo. Ele se consolidou como o símbolo mais visível da força institucional do tribunal. Contudo, há uma vírgula nessa narrativa…

A Ofensiva que Mexe no Vespeiro

Nos últimos meses, uma sequência de operações ampliou exponencialmente o alcance e o poder de intervenção do STF:

Curitiba exposta — a abertura dos arquivos da 13ª Vara Federal pode revelar um sistema de chantagens que contaminou o Judiciário por mais de dez anos, expondo as alianças entre operadores jurídicos e veículos de imprensa durante a Lava Jato.

Mercado financeiro sob lupa — a Polícia Federal avança sobre estruturas criminosas que operam no sistema financeiro.

Combustíveis — investigações miram o epicentro do crime organizado nesse setor estratégico.

Congresso cercado — operações podem implicar até 90 parlamentares em esquemas de desvio de recursos públicos via emendas secretas.

Master colapsado — a intervenção no banco expôs o envolvimento de múltiplas lideranças do centrão.

O Calcanhar de Aquiles

É neste contexto que emerge o contrato entre o Banco Master e o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados, de propriedade da esposa de Alexandre de Moraes. Os valores são considerados desproporcionais, especialmente considerando que os principais interesses do Master concentravam-se no Banco Central e na CVM, não no Supremo.

Qualquer que seja a natureza legítima ou não da contratação, a ausência de justificativa convincente para os valores envolvidos cria uma fragilidade: abre brecha para atacar Moraes, por extensão o próprio STF, e alimenta especulações — todas prejudiciais ao ministro.

A Disputa em Dois Fronts

Front 1: Os Atingidos Reagem

No Congresso, o centrão mobiliza-se para reunir votos suficientes ao impeachment de ministros do STF. Não se trata de disputa ordinária: se bem-sucedidos, pavimentarão o caminho para um regime autoritário definitivo, uma ditadura da maioria parlamentar que eliminaria o último obstáculo institucional significativo.

Na mídia, três conglomerados jornalísticos coordenam campanha pelo impeachment de Moraes. Circulam suspeitas de que André Esteves, do BTG, financie essa ofensiva. O contexto é sugestivo: em maio de 2025, às vésperas da intervenção no Master, o BTG Pactual comprou aproximadamente R$ 1,5 bilhão em ativos do banco e de Daniel Vorcaro, operação autorizada pelo BC e pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Com a liquidação posterior do Master, esses ativos ficaram protegidos, indisponíveis para compensar prejuízos de investidores.

As investigações do STF podem, entretanto, iluminar a rede de influências que retardou a ação do Banco Central.

Front 2: O Revival da Lava Jato

Os mesmos veículos de imprensa tentam ressuscitar o ambiente político da Lava Jato. O editorial da Folha é cristalino: “Que não haja complacência com petistas e cupinchas de Lula pelo fato de amigos do presidente comandarem a Polícia Federal e vestirem togas no Supremo. A ruptura do pacto da impunidade fará mal apenas aos corruptos.”

Essa formulação merece o “Troféu Confissão Espontânea”, o prêmio de autoincriminação mais transparente do ano. Os três jornais buscam reativar o modelo Lava Jato: aliança midiática com objetivo político de destruir o PT.

Reaparece também o pior do jornalismo brasileiro: denúncias graves baseadas em fontes não identificadas, ausência de verificação rigorosa, repetição acrítica dos vícios que marcaram a cobertura da Lava Jato.

O Impasse Final

Forma-se uma polarização radical.

De um lado: forças que desejam enfraquecer o STF e, simultaneamente, desestabilizar o governo Lula.

Do outro: setores convencidos de que a permanência de Moraes é indispensável à sobrevivência da democracia.

Pairando sobre ambos: o contrato do escritório da esposa de Moraes com o Banco Master.

O dilema permanece sem resposta: como esclarecer completamente esse episódio sem enfraquecer o STF em seu papel de fiador último do regime democrático brasileiro?

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com