Do Jornal GGN:
O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, precisa abandonar a postura defensiva e impor limites concretos aos abusos de André Mendonça.
É hora de barrar a conspiração PF-André Mendonça, por Luís Nassif
André Mendonça e Sérgio Moro - Foto de Raquel de Sá - Agência Senado
A informação da jornalista Mônica Bérgamo — de que há uma discussão interna na Polícia Federal sobre a possibilidade de decretar a prisão de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha — não é um episódio isolado. É o sintoma mais recente de uma instituição que opera sem freios, e que exige resposta imediata.
O conjunto de irregularidades da Operação Master revela uma PF que já abusava do poder antes mesmo de contar com o aval do Ministro André Mendonça:
- Vazamentos das mensagens do celular de Daniel Vorcaro nos primeiros dias de perícia.
- Alimentação sistemática da campanha contra os Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, por meio de colunas em O Globo. Registro necessário: não se trata de defender Toffoli ou Moraes, mas de identificar a origem e o destino dos vazamentos.
- Quebra do sigilo de Fábio Luiz — endossado por André Mendonça — sem qualquer indício concreto de envolvimento com a operação.
- Divulgação seletiva da movimentação bancária de Fábio Luiz, omitindo deliberadamente as características que contextualizariam os dados.
- Conflito aberto entre André Mendonça e o Procurador-Geral da República Paulo Gonet.
- Tentativa de controlar o acordo de delação com Daniel Vorcaro — prerrogativa exclusiva do Ministério Público Federal.
Este último ponto é particularmente grave. As lições da Lava Jato são inequívocas: sem supervisão judicial efetiva, procuradores moldavam o conteúdo das delações segundo suas motivações políticas. Os delatores, sem a quem recorrer, cediam. Colocar esse poder nas mãos de uma força-tarefa sem controle institucional não é descuido — é escolha.
O juiz da Lava Jato 1 era Sérgio Moro; da Lava Jato 2 é André Mendonça. O roteiro que se desenha agora é familiar. Logo que Toffoli assumiu a relatoria do caso, as páginas dos jornais foram inundadas de notícias sobre “mal-estar” na PF. O mesmo jogo recomeça com Gonet — desta vez com a CNN como veículo. A pressão não é espontânea; é estratégia.
A informação da jornalista Mônica Bérgamo, de que há uma discussão na Polícia Federal sobre decretar ou não a prisão de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, comprova a necessidade de medidas urgentes.Ou enquadra-se agora os abusadores, ou irá se perder o controle sobre uma polícia armada.
A soma de irregularidades da Operação Master mostra uma Polícia Federal sem freios, mesmo antes do conluio com o Ministro André Mendonça:
- Vazamentos das mensagens do celulares de Daniel Vorcaro nos primeiros dias de perícia.
- Alimentação da campanha contra os Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, através das linhas de transmissão de colunistas de O Globo. Aviso aos idiotas da objetividade: não se está defendendo Toffoli e Moraes, mas apontando para os abusos da PF.
- Quebra do sigilo de Fábio Luiz – endossado por André Mendonça – sem que houvesse nenhum indício concreto de envolvimento com a operação.
- Divulgação da movimentação da conta de Fábio Luiz, escondendo as características dessa movimentação.
- As invectivas de André Mendonça contra o Procurador Geral da República Paulo Gonet.
- Finalmente, a tentativa de fechar o acordo de delação com Daniel Vorcaro.
Acordos de delação são prerrogativas do Ministério Público Federal. Deixar nas mãos dessa Polícia Federal é caminho certo para manipulação política.
As lições da Lava Jato mostraram que, sem a supervisão de um juiz, procuradores praticamente definiam o conteúdo das delações, de acordo com suas motivações políticas. Sem ter a quem recorrer, os delatores acabavam se submetendo a essas manipulações.
Nos últimos dias, setores da força tarefa começaram os primeiros lances contra Gonet. Repetem o que ocorreu com Toffoli. Logo que assumiu a relatoria do caso, jornais passaram a ser coalhados de notícias sobre “mal-estar” na PF.
Agora, começou o jogo com Gonet, como mostra a CNN, um dos canais disponíveis para a Lava Jato 2:

Nas mãos da força tarefa do Master, e do Ministro André Mendonça, como dois e dois são quatro, os delatores serão induzidos a direcionar suas delações para alvos previamente escolhidos pelo grupo.
Será o mesmo agora.
O governo precisa acordar e se dar conta de que a conspiração já começou. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não se mostrou com pulso para impedir os abusos de parte da corporação. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal precisa sair da defensiva e colocar um limite nos abusos de André Mendonça.
Com a força-tarefa do Master e André Mendonça operando em conjunto, o desfecho provável é previsível: os delatores serão conduzidos a apontar alvos previamente escolhidos pelo grupo. A Lava Jato tinha Sérgio Moro como juiz de apoio. A Lava Jato 2 tem André Mendonça — cujos primeiros atos foram exatamente a quebra do sigilo de Fábio Luiz e a abertura de toda a investigação para a CPMI do INSS, sabendo que a maioria dos envolvidos com o Master são políticos do Centrão.
O governo precisa sair do estado de dormência. A conspiração não está sendo tramada — ela já está em curso. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não demonstrou disposição para conter os excessos de parte da corporação. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, precisa abandonar a postura defensiva e impor limites concretos aos abusos de André Mendonça.
Ou se age agora, ou se perde o controle.
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